segunda-feira, 20 de abril de 2020

Crunchyroll e um fôlego para enfrentar a crise!


Fôlego para superar crises

Muitos anos atrás, eu havia dito que a ideia é uma linda musa que inspira, mas que não fica restrita a um sopro de inspiração no ouvido do autor. Isso se confirmou nesse texto, pois ele foi se moldando aos sussurros da musa. Fui apenas um portador de suas boas novas. Por isso, um profissional que une o jornalismo e a poesia se torna mais intrigante. 😊  

Inicialmente, eu iria escrever sobre a luta por aquisições de títulos entre a Crunchyroll e a Funimation. Após algum tempo de pesquisa, o texto foi se alterando e tomando a forma de um artigo sobre a exclusividade de títulos. Como a musa inspiradora continuou sussurrando em meus ouvidos, o texto terminou sendo uma visão de um possível futuro da Crunchyroll com a HBO MAX. Afinal, a Covid-19 está influenciando muito negativamente o mercado, promovendo atrasos na produção de séries e isso vai ter um custo para as empresas e seus funcionários. Li, em um artigo, enquanto buscava informações econômicas, que a WarnerMedia planeja destinar cem milhões de dólares para funcionários afetados pela doença. É impressionante o número de pessoas afetadas e não somente pelo vírus em si, mas pelas ações de governos usando o vírus de maneira política.

Provavelmente, as empresas japonesas irão sofrer economicamente também, não como aqui no ocidente, mas também sofrerão perdas. Isso levantou a questão: quem tem mais fôlego para enfrentar uma crise? Busquei informações sobre a AT&T para analisar o cenário. O texto, então, se tornou uma análise sobre a possibilidade da Crunchyroll enfrentar e sair de  alguma crise provocada pela doença.

Yuri Petnys, gerente de mercado da Crunchyroll para Brasil e Portugal, gentilmente me respondeu algumas perguntas sobre a guerra por aquisições de títulos entre a Funimation e a Crunchyroll, que deveria ter sido o tema central desse texto, e uma delas me iluminou sobre o assunto que a musa foi me inspirando (sobre  o fôlego financeiro que uma empresa precisa ter para sobreviver em uma crise). Peço perdão ao Yuri por não utilizar todas as respostas às minhas perguntas, pois o texto seguiu outro rumo.


1.         Muitos usuários temem que a Crunchyroll seja engolida pela sua rival. O marketing já pensou em como lidar com essa situação?

Yuri: Como parte do grupo AT&T/Warner, a Crunchyroll é uma parte essencial da estratégia de streaming da companhia, fornecendo títulos para seu futuro serviço HBO Max. Além disso, a Crunchyroll expande suas atividades muito além da plataforma de streaming, com eventos, e-commerce, distribuição de jogos mobile, mangás e DVDs através da recém-adquirida divisão europeia, e muito mais. Estabelecida como a maior marca de animes do mundo, não existe risco algum da Crunchyroll deixar de existir.

Além, claro, dos originais com a marca Crunchyroll.




Comecei a pensar sobre a HBO MAX e a AT&T. A grande aposta da AT&T, através de seu braço WarnerMedia, é essa plataforma que está sendo pensada para concorrer diretamente com as maiores do mercado, tais como a Disney+, e que, segundo a própria WarnerMedia[1], é: “HBO Max is WarnerMedia’s direct-to-consumer (DTC) offering debuting in May 2020.  With over 10,000 hours of curated premium content anticipated at launch, HBO Max will offer powerhouse programming for everyone in the home, bringing together HBO, a robust slate of new original series, key third-party licensed programs and movies, and fan favorites from WarnerMedia’s rich library, including Warner Bros., New Line, DC, CNN, TNT, TBS, truTV, Turner Classic Movies, Cartoon Network, Adult Swim, Crunchyroll, Rooster Teeth, Looney Tunes, and more.”

Os investimentos em cima da plataforma são altos. Até o seguinte relatório[2], a AT&T já havia investido US$1,2 bilhão na plataforma, sendo que a WarnerMedia (Statista data[3]) fez, em 2019, cerca de US$13,55 bilhões em receita. É uma grande empresa, com grandes braços. O poder de fogo da AT&T é muito maior que o poder de fogo da Sony, bastando ver os dados apresentados na Forbes. Aqui alguns dados do consolidado de 2019 da empresa[4]:


“AT&T Reports Fourth-Quarter and Full-Year Results
Full-Year Consolidated Results:
Diluted EPS of $1.89 as reported compared to $2.85 in the prior year
Adjusted EPS of $3.57 compared to $3.52 in the prior year, up 1.4%
Record cash from operations of $48.7 billion, up nearly 12%
Capital expenditures of $19.6 billion
Consolidated revenues of $181.2 billion


E a própria Crunchyroll não é nem um pouco pequena. Segundo o blog[5] oficial da plataforma: “Crunchyroll is the world’s most popular anime brand, connecting a community of over 60 million registered users and 2.6 million subscribers with 360-degree content experiences.”

Com todos os dados que eu recolhi, isso afastou a possibilidade da Crunchyroll sofrer algum tipo de crise, pois a sinergia de todas as partes do grande grupo está muito apropriada. Até houve um gasto de US$700 milhões em sinergia, segundo relatório financeiro aqui já destacado. A AT&T está reunindo o que há de melhor através da WarnerMedia, para formar uma plataforma que promete ser imensa. A Crunchyroll, segundo o Yuri, tem destaque nessa parceria, ou seja, as chances dos grandes executivos estarem atentos às suas demandas é grande e possuem receita suficiente para suprir qualquer necessidade de financiamento, porque precisam dela para aquisição de títulos referentes ao mercado.

A resposta abaixo foi sobre a pergunta que fiz sobre a agressividade necessária para combater a Funimation na aquisição de títulos e ela demonstra o compromisso da plataforma com o Brasil, sendo pertinente para o raciocínio desse texto:
Yuri: A Crunchyroll continua com seu compromisso de oferecer a melhor experiência de streaming de animes para seus usuários do Brasil. Nesta temporada, anunciamos mais de 20 títulos, incluindo sucessos de crítica e público como Tower of God e Digimon Adventure:, em simulcast para o país todo.



Conclusão dos dados obtidos:

Em uma corrida de longa distância, tenho dúvidas se a Sony possui pernas para segurar seu ritmo, enquanto a Crunchyroll tem habilidade para ser uma boa maratonista. Isso se define pela força econômica das corporações nas quais as duas empresas estão inseridas. O grupo da AT&T possui força para projetos a longo prazo, considerando, inclusive, cálculos com prejuízos. Considerando a tempestividade de eventos que é a aquisição de inúmeros títulos anualmente (olhem o problema que a Covid-19 está causando globalmente, por exemplo), ser uma maratonista é importante.

A Crunchyroll ainda tem outro fator importante, Pete Chernin criou outro grupo de investimentos (TCG) com aporte de 700 milhões de dólares, ou seja, a Crunchyroll possui até essa ferramenta para suprimir qualquer eventualidade. Chernin Group fundou a Otter Media que, atualmente, está inserida dentro da WarnerMedia. É, com certeza, um mega grupo de investimentos e a Hime está nele!

Então, trabalhando direito os recursos que a Crunchyrol possui, ela pode dar um arranque importante e deixar a Funimation comendo poeira. Isso pode acontecer esse ano, ou talvez ano que vem, bastando que a equipe se empenhe em trabalhar bem essa sinergia do grupo e os recursos que ele possui. A Hime tem tudo para engolir sua concorrência nessa crise!

Para fechar com uma brincadeira: a Crunchyroll nos ama?
Yuri: ...
Hime:




[1] Leia em: <https://www.warnermediagroup.com/hbo-max>
[2] Leia em: <https://investors.att.com/~/media/Files/A/ATT-IR/financial-reports/quarterly-earnings/2019/4q-2019/ATT%204Q19%20Earnings%20Release.pdf>
[3] Leia em: <https://www.statista.com/statistics/194310/revenue-of-time-warner-by-source/>
[4] Leia em: <https://investors.att.com/~/media/Files/A/ATT-IR/financial-reports/quarterly-earnings/2019/4q-2019/ATT%204Q19%20Earnings%20Release.pdf>
[5] Leia em: <https://medium.com/crunchyroll/about>

Ciclo acadêmico e literário!

Ciclo acadêmico e literário Eu também possuo livros nessas duas vertentes literárias. Para o meu trabalho de conclusão de curso, bacharelado...