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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

A resposta do presidente!


A resposta do presidente

No dia de hoje, o presidente Bolsonaro veio à público, em cadeia nacional de televisão, justificar a demissão do delegado da Polícia Federal e a saída de Sérgio Moro. Vocês podem acompanhar aqui:



Quero deixar meus pensamentos quanto a alguns trechos do pronunciamento. Infelizmente, ele deixou dúvidas no ar. Não posso nem escrever sobre o princípio da boa fé, como fiz com Moro, pois percebi erros no discurso. Queria estar escrevendo que tudo não passou de um engano. Infelizmente, não foi isso que observei. No pronunciamento, Bolsonaro tenta fazer com que Moro pareça uma pessoa egoísta e fria. Conta até um episódio no qual eles se encontram em um aeroporto. Eu lembro desse encontro. Veja aqui, Moro o recebe com um sorriso e um aperto rápido de mãos. Não vi aqui qualquer rejeição do Moro ao presidente. Até um sorriso ele ganhou! Ele queria um beijo? E olha que Moro é tímido.





Ele também menciona que Moro condicionou a saída do delegado à sua nomeação ao STF. Sabemos que não é índole do Moro esse tipo de atitude. Moro segundo o DW[1], em 2019, dizia: “Em recente entrevista ao jornal português Expresso, Moro afirmou que se tornou ministro para garantir os avanços no combate à corrupção conquistados nos últimos anos e disse que ser indicado ao STF seria como ganhar na loteria, porém era algo difícil.”, ou seja, ele nunca contou com isso. Ninguém conta em ganhar na loteria.  

Moro também possui integridade. No caso do plantonista Favreto, que tentou libertar Lula por um HC, durante um plantão, contrariando decisão colegiada do TRF-4 que o mantinha preso, foi de uma virtude imensurável. Ele percebeu a manobra e evitou o pior, que seria a soltura ilegal de um condenado preso por decisão da turma do TRF-4. Mesmo de férias, ele salvou o país.  

Um erro grotesco do presidente foi ter colocado a culpa no ministro da Justiça, na questão dos abusos dos governadores, por não defender a sociedade junto ao STF. Moro poderia ter se manifestado, mas apenas nas redes sociais, como cidadão, pois é competência do ARAS, do PGR, entrar com recursos no STF. É função do PGR[2]. Politize assim escreve: “O procurador-geral desempenha as funções do Ministério Público junto aos tribunais superiores do país: o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também atua junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas quais são essas “funções do Ministério Público”? Na prática, o procurador-geral trabalha para representar e defender os interesses da sociedade, bem como os chamados direitos indisponíveis (por exemplo: direito à vida, à liberdade, à saúde, etc). Uma vez que é responsável por uma função tão importante, o procurador-geral deve sempre ser ouvido nas ações dos tribunais, como as de inconstitucionalidade (ações que contestam certo projeto ou lei e sua compatibilidade com princípios da Constituição Federal), julgadas pelo STF.”.

Segundo o Terça Livre, e eu também observei, Moro não reclamou da substituição em si, mas da finalidade da substituição nesse momento, pois não era intenção do Valeixo sair. Bruna de Pieri transcreveu: “O então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, considerou que, o grande problema não era quem colocar no cargo de diretor-chefe da Polícia Federal, mas por que trocar Maurício Valeixo.”, e no seu discurso de defesa, Bolsonaro afirma que Valeixo queria sair. Nesse momento, Valeixo poderia surgir e explicar o que de fato ocorreu.

Conclusão

O discurso do presidente tentou fazer com que Moro se tornasse uma pessoa fria e sem integridade. Um erro, pois Moro nunca se mostrou dessa forma. Quem acompanhou o julgamento do “9 Dedos” sabe que ele não é essa pessoa que o presidente tentou fazer com que ele parecesse. Além disso, coloca no Moro a responsabilidade que seria do Aras, na questão dos abusos de autoridade reportados pela sociedade durante essa pandemia. Esse mesmo Aras que já abriu inquérito contra o Moro[3]. Para ir contra idosos e patriotas o Aras é rápido.

O que sai disso? Um discurso ruim do presidente, que não me convenceu. Uma sociedade que começa a desacreditar dele. E a tropa de choque do presidente já começou a atacar o Moro. Tenham vergonha na cara! Acredito que os tempos sombrios estão ficando ainda mais sombrios.  

  


[1] Leia em: <https://www.dw.com/pt-br/bolsonaro-indicar%C3%A1-moro-ao-stf/a-48710222>
[2] Leia em: <https://www.politize.com.br/procurador-geral-da-republica-o-que-faz/>
[3] Leia em: <https://www.tercalivre.com.br/pgr-instaura-inquerito-sobre-declaracoes-de-moro/>

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