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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Shiki Oriori


Shiki Oriori- O Sabor da Juventude



Este trabalho é uma antologia que une três diretores diferentes: Haoling Li ("Shanghai Koi"), Jiaoshou Yi Xiaoxing ("Hidamari no Chōshoku") e Yoshitaka Takeuchi ("Chiisana Fashion Show"), sob a tutela do estúdio CoMix Wave Films. Haoling Li também exerceu o cargo de diretor chefe, isto é, ele coordenou o trabalho como um todo. Apesar do crédito no pôster com referência ao mestre Shinkai- “Do Criador de Your Name”- as únicas ligações do mestre Makoto com a obra em questão são o estúdio no qual ele desenvolve suas obras (CoMix Wave Films) e Yoshitaka Takeuchi que é chefe de CGI da maioria dos filmes do diretor. Nada mais. Colocá-lo no pôster e fazer chamada como se ele possuísse responsabilidade sobre o enredo é de uma enganação revoltante.  A Netflix está sendo decepcionante desde aquele Death Note nojento.




Sobre o trabalho em si, ele é de uma boa profundidade autoral e nos deixa com diversos caminhos para uma análise. Há quem o analise pelo aspecto do crescimento dos personagens, ou pelo seu aspecto familiar, mas eu quero analisar por outro ângulo, para tentar aproximá-lo mais das verdadeiras obras do mestre Makoto Shinkai. Nas obras do mestre Makoto, nós somos sempre engolidos por uma sensação de solidão, pela ausência justificada do próximo, pela força dos elementos da natureza. Por encontros e muitas despedidas. “O Jardim das palavras” e “Your Name” são grandes exemplos destes detalhes narrativos que impressionam nos enredos do Shinkai. A chuva que engole dois personagens em um parque, enquanto eles parecem não se comunicar, enquanto seus sentimentos se desenvolvem em uma falsa ausência de comunicabilidade. Falsa, sim, pois a comunicação não verbal ocorre a todo momento no estilo detalhista do diretor. Como em uma olhada rápida, de um jovem, no contorno delicado de um pé de donzela que me lembrou imediatamente o livro “A Pata da Gazela” de José de Alencar. As obras de Makoto Shinkai também são profundas no quesito de encontros e desencontros e, muitas vezes, a depressão da despedida fala mais alto do que a alegria de um reencontro, à exceção de “Your Name” que, ao quebrar este paradigma o reforçou nas demais obras do autor.

Shiki Oriori se aproxima destas questões: encontros e despedidas, solidão e introspecção. São homenagens a estes elementos sempre encontrados nas obras do diretor japonês. As três histórias estão reunidas em torno de um sentimento de separação, de despedida. Elas contam como a ausência pode alterar um destino e como nossas vidas estão repletas de despedidas indesejadas. Mesmo na história do meio, sobre a modelo, que pode parecer negar esta abordagem crítica, ela possui suas despedidas e seus desencontros e reforça o sentimento de solidão, de estar sozinho(a) sem um(a) companheiro(a). Todas as três obras abordam a solidão e se interlaçam em uma cena pós-crédito.

E, como toda a homenagem, esta antologia não supera o sentimento original que as obras do Makoto forçam em nossas almas. Eu brinco dizendo que o mestre Makoto gosta de agarrar nossos corações com as mãos e apertar bem forte com as palavras e cenas de seus enredos. Shiki Oriori tenta copiar este estilo e, apesar de ter profundidade, não alcança a força das mãos do Shinkai.

É uma obra consistente? Sim, mas é também uma tentativa de homenagear a obra do diretor de “Your Name” e, infelizmente, sem ter o mesmo sucesso da adaptação de elementos do enredo do Shinkai. Vale assistir? Sim, pois possui uma estrutura consistente, uma animação de ótima qualidade e três histórias interessantes e bem contadas.

Mais sobre a obra no link abaixo:

https://www.animenewsnetwork.com/encyclopedia/anime.php?id=21127

Vale um 3,75 estrelas como homenagem do trabalho do diretor Shinkai e 4 estrelas se não considerarmos este fator!  



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