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O belo vive!

 O Belo vive;  Sonhos na neve;  Alma limpa!

Conto do Ratinho II




Já passou um ano desde que o vidro que separava a baia das serpentes, da minha baia, se quebrou. Na ocasião, eu lembro que falava com o cientista de que a parede de vidro estava para quebrar, mas ele olhava a situação e nada respondia. No dia que a parede se quebrou, eu achei que seria devorado pelas serpentes que avançavam contra mim. Foi a mão salvadora, do cientista silencioso, que me tirou do aperto e me deixou livre.

Embora eu estivesse grato, não conseguia entender porque o cientista não arrumara aquela parede antes do inevitável. Ainda penso nisso como se fosse uma espécie de trajeto que eu teria, e tive, que vivenciar. Não sei a resposta. É impossível, para um ratinho que sou, raciocinar como o cientista. Eu só sei que não fui consumido e fico grato por isso.

Sobre as cobras, por um ano, eu olhei para a minha baia com sentimento de tristeza. Achei que elas ainda estavam lá, no lugar que eu já chamei de lar. Minha rodinha, meu pratinho, minha comidinha... tudo ainda está lá. Imaginava, até algum tempo atrás, que elas estivessem felizes, em posse de tudo que não pertencia a elas. Como cobras venenosas que são, imaginei que elas tinham tomado posse de tudo. Ainda bem, eu imaginei errado.  

Neste período de um ano, o cientista retornou. A baia que eu estava era temporária e eu precisava de outro lugar para viver. O cientista retornou para me dar outra baia, também temporária. Ainda não estou em um lugar que eu possa chamar de lar. Nesse período de mudança, a mão gentil do cientista me segurou com firmeza e delicadeza, para me colocar em outro aquário de vidro. Durante o trajeto, notei que o cientista me olhou com atenção. Eu respondi ao olhar com outro.  Então, ele disse:

--- Não se preocupe, Teko! As cobras não tomaram para si o que era seu.

Nesse momento, o cientista me contou o que aconteceu durante o ano que passou. E eu escutei admirado, pois, pela primeira vez, o cientista falou meu nome. O que ele me disse, eu espero poder reproduzir fielmente.

Ao me colocar na baia nova, ele retornou para a baia invadida. As cobras mostravam resistência para saírem de lá. Serpenteavam, circulavam, faziam barulhos, ofegavam, tentavam dar o bote, enfim, mostraram ao cientista toda a sua natureza mesquinha, violenta e agressiva. O cientista, acredito eu, permaneceu impávido.  Sim, tenho certeza de que ele permaneceu impávido! E mais que impávido, ele foi forte! Com uma simples ordem do cientista, dois mangustos foram colocados na mesma baia que as cobras venenosas. Conhecidos por serem seres justos, aliados da ordem, estes dois mangustos não ficaram satisfeitos com a ação das serpentes e prontamente ofereceram apoio ao cientista.

A luta entre os mangustos e as cobras foi violenta. Cada ataque das cobras era plenamente defendido e um contragolpe dos mangustos era aplicado. Os mangustos começaram a avançar e as cobras a recuar. Temendo pela própria vida, as cobras se retiraram da baia. Nesse momento, elas pediram clemência ao cientista. Que ele parasse os mangustos. O cientista respondeu que a atitude das cobras foi responsável por isso, e que elas teriam que arcar com as consequências de seus atos. As cobras tiveram pena de si mesmas.  

O cientista disse que os mangustos quiseram ficar na minha baia, até que ela fosse consertada, para evitar novos avanços das serpentes e que os mangustos estavam decidindo o que fazer com elas, mas sem pressa alguma. Agora, quem deveria temer, assim como eu temi a quebra da parede de vidro, eram elas. Em algum momento, no futuro, os mangustos irão atrás das cobras para lhes devorar.  

Nesse momento, eu chorei. O cientista cuidou de mim em todos os momentos e ainda providenciou dois aliados para protegerem o que é meu. Ao ser colocado na nova baia, eu senti o calor e o carinho do cientista para comigo. E eu agradeci! Obrigado!

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