quarta-feira, 4 de maio de 2016

Conto do ratinho




Em um laboratório distante de toda a humanidade existia uma baia com um ratinho. Ao lado da baia deste ratinho branco de laboratório existia a baia de uma família de cobras. Era uma situação delicada, pois só existia uma parede de vidro que separava o ratinho de seus predadores. Entretanto, o ratinho confiava no cientista que cuidava dele. O ratinho imaginava que o cientista o defenderia de tudo, principalmente das cobras ao lado.

Certa manhã, após efetuar sua primeira refeição, ainda se limpando, o ratinho notou uma rachadura no vidro que o separava das cobras. Era uma rachadura pequena, mas isso o preocupou. As cobras notaram também. O ratinho chamou o cientista e disse:

--- Cientista, note esta rachadura no vidro. Ela me coloca em perigo, por favor, troque este vidro.

O cientista verificou o vidro, mas não falou nada. Ele também não trocou o vidro, todavia, o ratinho ainda confiava nele. Toda manhã o ratinho ia verificar o vidro e notava a rachadura sempre. Com o passar do tempo, o ratinho notou que a rachadura estava aumentando. Com o aumento da rachadura, aumentava também a preocupação do ratinho.

--- Cientista, por favor, a rachadura está aumentando! Poderia trocar o vidro? Eu te peço, por favor!

O ratinho estava aflito. O cientista olhava a rachadura, conhecendo o problema, mas nada fazia. O cientista continuava em silêncio. A certeza do ratinho de que o cientista o iria ajudar já estava ficando abalada. E as cobras estavam ficando alegres, pois percebiam ali uma oportunidade.

Certo dia, o ratinho foi acordado com um grande barulho. O vidro, por causa do aumento da rachadura, havia desmoronado. Cacos de vidro se espalhavam pela baia do ratinho. O maior temor do bichinho veio quando ele começou a ouvir a respiração das cobras, que notaram a queda da única proteção que o rato possuía.

As cobras tinham certeza de que o momento de devorar o ratinho havia chegado! Elas avançaram ferozmente contra o ratinho. Temeroso pela própria vida, o ratinho correu, pulou, tentou se esconder e fazia de tudo para evitar ficar ao alcance da mordida das cobras. Entretanto, eram muitas cobras e o ratinho acabou cercado. Demonstrando bravura, o ratinho ameaçava as cobras, mas já sabendo que seria devorado. Ele não tinha mais esperanças de ser salvo.

--- É agora que vamos experimentar a sua carne! --- disse uma das cobras ao ratinho.

Antes do bote de uma das cobras, uma sombra cobriu a baia. As cobras recuaram e uma grande mão tomou o ratinho para si. Era a mão do cientista que resgatara o ratinho e o colocara em uma baia mais ao alto, longe das presas das cobras. O cientista, então, olha para o ratinho e diz:

--- Agradeça a mim por ter te livrado das cobras!

--- Eu te agradeço por isso, cientista! Obrigado! --- agradece humildemente o ratinho.

Apesar disso, uma mistura de sentimentos toma conta do ratinho. Ele está profundamente agradecido ao cientista por tê-lo livrado, mas, também, está bastante triste com o cientista. O ratinho, ao final deste macabro dia, chora com um misto de alegria e tristeza.



Caso queiram usar este pequeno conto em sala de aula, por favor, deem o devido crédito ao autor. Sugestão de debate em sala é discutir porque o ratinho ficou triste e alegre.