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Antologia do Pequeno Rato

 Não é um exemplo de literatura gótica, apesar de ter animais fantásticos que falam, mas possui o sofrimento da alma da literatura gótica. É um clamor sofrido de um pequeno ser que está preso em um ambiente de experimentos e só tem no seu cientista o seu observador e, quem sabe, seu salvador. É uma metáfora para os sentimentos de traição, perda e dor de ser agredido e não ter a força necessária para reagir. Tudo isso é gótico. 

Decepção da temporada passada


Já elegi os melhores da temporada passada, como podem ler aqui, agora chegou a vez de escrever sobre os animês que me decepcionaram. É algo simples: acompanhei a série e ela me desagradou.  Eu esperava algo mais, mas este “algo” não apareceu! Como sempre, este é um blog opinativo, por isso, tudo aqui é analisado de acordo com o meu gosto pessoal, através de análise sistemática de enredo, direção, arte e entretenimento.  Se gostou de Black Bullet nem se incomode em ler o resto do texto, pois é todo ele construído em cima da série. Fique avisado!



Black Bullet
A decepção





Eu achava que esta série seria a minha favorita da temporada, pois teve um começo interessante e, já no capítulo 2, eu o considerei um animê de denúncia social (leia em “Black Bullet e o Direito Negado”).  Achei que poderia ser um animê de denúncia de crimes contra a criança, através de um enredo de ficção. Porque achei isso? Pela proximidade com Capitães da Areia (Jorge Amado),  da chacina da Candelária, com personagens que migravam de um conceito ao outro, em uma sociedade marcada pela frieza com que tratavam a questão, e o preconceito envolvido.  Leiam acima e entenderão todas estas correlações.


Infelizmente, a série ficou apenas na crueldade. Nunca houve um sinal sequer de tentativa de mudança, do ambiente narrativo, em 12 capítulos. Apenas no 13º capítulo, ou seja, no capítulo final, em apenas míseros segundos, houve uma tentativa precária de esperança. Uma esperança que se esvai no restante do capítulo. A série cansa, porque bate sempre na mesma tecla. A série cansa porque os personagens que envolvem o ambiente narrativo, destinados a ajudar a conduzir o enredo, são todos construídos de forma a demonstrar o pior no ser humano. Somente a Enju, o Rentaro e a Tina salvam-se desta regra.


O pessimismo no enredo também irritou, apesar de verdadeiro em diversos pontos. Vou voltar às séries que eu mais gostei, para fazer uma comparação com Black Bullet. No Game, No Life e ela possuem um pessimismo em relação à sociedade e a realidade que cerca os personagens, mas a grande diferença é que na obra de Yuu Kamiya ainda existe a possibilidade de a humanidade ser salva. Segundo o Sora, a humanidade é medíocre, mas, dentro desta mediocridade, existem indivíduos que se destacam, por isso, a humanidade deveria ser preservada, pois dela pode sair seres geniais como a Shiro! Amar a humanidade é amar esta possibilidade de crescimento e genialidade! A humanidade, então, tem grandes possibilidades e acreditar nessas possibilidades é acreditar em seres que se destacam. Neste ponto, eu preferi o enredo do NGNL que se distancia do pessimismo de Black Bullet e nos dá uma sensação de que podemos torcer pelos personagens principais. Já em Black Bullet, no capítulo 10, eu torcia pela aniquilação plena daquela realidade.





Quando soube que o autor da série era fã do enredo do Gen Urobuchi, já era tarde demais, eu já havia assistido a série por completo. Eu criei uma regra para mim mesmo, que se o autor aplicasse as regras de construção de personagens do Urobuchi, eu iria assistir sempre com um “sinal de alerta” ligado. Eu não gosto de personagens criados desta forma. Black Bullet confirmou a regra!


Em duas semanas, no máximo três, vou escrever sobre responsabilidade social. Para a semana que vem, vou escrever sobre a temporada atual e séries que gostei. Claro, um único capítulo não diz nada sobre a série e uma série pode mudar em apenas um capítulo, por isso, o que vou escrever (minha opinião e gosto), ao final da temporada, pode estar completamente mudado, ou não!



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