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OP indica um canal sobre Azur Lane

**Yostar** Copidesque: ChatGPT 4o A Yostar é uma empresa japonesa conhecida por seu papel de destaque no desenvolvimento e publicação de jogos mobile, com grande foco na criação de experiências imersivas e envolventes. Fundada em 2014, a Yostar rapidamente se estabeleceu como uma das principais desenvolvedoras do gênero gacha, conquistando fãs ao redor do mundo. **Jogos de Sucesso** Entre seus lançamentos de maior sucesso estão *Azur Lane*, *Arknights* e *Blue Archive*. Cada um desses jogos apresenta uma combinação única de mecânicas de jogo, narrativas cativantes e visuais atraentes que têm capturado a imaginação dos jogadores. *Azur Lane*, por exemplo, transforma navios de guerra históricos em personagens anime chamadas shipgirls, que lutam contra inimigos em uma narrativa rica e complexa. *Arknights* é um jogo de defesa de torre com uma narrativa distópica e design de personagens únicos, enquanto *Blue Archive* oferece uma experiência de RPG escolar com uma trama envolvente e person

Graciliano Ramos e a angústia da escrita



Este site está moribundo e eu não planejava usá-lo novamente, mas o Deus Hermes tem seus desígnios e os poetas devem segui-los. Eu me deparei com um problema que Graciliano Ramos resolveria em 140 caracteres, com uma resposta perfeita, mas eu não poderia fazê-lo desta forma. Devo me afogar em rascunhos e textos para responder ao desafio que me foi imposto por uma pergunta. Explico no parágrafo seguinte.


No twitter, eu redirecionei para uma matéria do Estadão sobre cursos para escritores que estão proliferando nos EUA e iniciei um bom debate com um amigo. No final das contas, quando usei como exemplo Graciliano Ramos, e um dos seus ensinamentos literários, este meu amigo lançou-me o desafio: “E Graciliano Ramos não se ‘fez’ sozinho?”


Deus meu, esta questão tornou-se de difícil resposta para meros 140 caracteres! Quisera eu ter a destreza dos cortes que Graciliano Ramos possuía, e fazer a minha resposta caber dentro daquele espaço. Não sou Graciliano Ramos, infelizmente, pois se o fosse, já teria respondido de maneira sucinta ao que me fora perguntado. Vamos lá, chega de firulas que tanto enervavam o grande mestre Graça.


O “se fazer sozinho” implica inúmeras formas, quais sejam, o de sua formação, de sua carreira e, ou, o de seu estilo. Seja como for, Graciliano Ramos teve influências em sua obra, em sua construção, e em sua escrita, e eu pretendo demonstrar apenas algumas delas para afirmar que mesmo o grande mestre não se fez sozinho.


Em meu texto, “Aescrita não é um ato isolado” afirmei que achar que uma pessoa, ao escrever, está sozinha, é um erro normal. O fato é que, ao escrevermos algo, estamos dando vida ao interior. Um interior moldado por outras pessoas, ou seja, outras vozes (palavras) que falam através de você. Ao ler um texto, e colocar no papel alguma palavra, você está abraçando aquele autor, dando voz às palavras que saíram do coração dele. Isso fica claro na obra de Graciliano Ramos.


Na vida pessoal, no seio familiar!


No seio familiar, afirma Katia Dutra para o site Redes (EditoraModerna- em 27 de outubro de 2011), Graciliano forjou-se sobre a mão pesada de seu pai. Segundo ela: “Seu pai, um homem violento, acreditava que os filhos deveriam ser corrigidos com surras e espancamentos. Esse comportamento do pai influenciou as ideias de Graciliano Ramos, que, ao longo da vida, acreditava que todas as relações humanas se movem pela violência. Em suas obras, o pessimismo e a falta de caráter dos personagens refletem um autor que desacredita nas boas intenções dos indivíduos.”


Murilo Mendes em introdução ao livro “FolhaExplica (coleção)- Graciliano Ramos”, de autoria de Wander Melo Miranda, afirma que o autor incorporou sua experiência pessoal em seus trabalhos. “Mas, à medida que avançamos na leitura de livros como Angústia (1936) ou Infância (1945), nos quais traços da personalidade do autor e episódios de sua vida pessoal aparecem fortemente marcados --pela via da ficção ou da autobiografia--, nossa expectativa se transforma”.


Entretanto, a infância de Graciliano não foi das piores, graças a uma pessoa que o ajudou. Lembrem-se sempre que o livro é o melhor professor que há. Aqui surgi o Graciliano como leitor: “O tabelião Jerônimo Barreto, possuidor de uma biblioteca particular em Viçosa, facilitou ao pequeno Graciliano o acesso aos livros. O Guarani, de José de Alencar, segundo Márcia, parece ter sido o primeiro livro que o autor de Vidas Secas leu. A partir dessa experiência, acompanha-se o seu envolvimento com as obras de carregação, a intimidade com personagens de folhetim. Chama atenção, por outro lado, a influência de Mário de Andrade, literato e espécie de professor substituto, no que diz respeito à leitura da prosa naturalista, das obras de Coelho Neto, de Aluízio de Azevedo, dentre outros”. (AntônioRoberto Fava para o Jornal da Unicamp)


Fica claro, dessa forma, que a escrita de Graciliano se formou pela experiência pessoal que ele teve, inclusive, durante sua prisão, ao formar o magnífico livro Memórias do Cárcere. Não há portanto, desta forma, qualquer maneira do autor estar sozinho.


Na estrutura, no aprendizado escolar.


No prefácio do primeiro volume de Memórias do Cárcere, Nelson Werneck Sodré, editora Record, 2002, nos dá pista para a forma que talvez tenha gerado a dúvida de meu amigo. Será que Graciliano Ramos se fez aqui sozinho? Ou seja, Graciliano aqui surgiu já pronto, como o grande escritor que é? Nelson Werneck Sodré (Memórias do Cárcere, Volume I, 2002, página 20) assim afirma: “O primeiro, em que aparecem, visíveis a mais simples observação, sinais da influência de Eça de Queiroz, revelava um romancista de grandes qualidades”.


Poderia afirmar que Graciliano aprendeu a escrever observando as lavadeiras de Alagoas, mas isso é apenas um trecho de seu aprendizado. Algo que ele mesmo notou em sua vida, e que lançou como aprendizado para sua estrutura e sua escrita. Ele afirmou:


“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.  Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.


E isso foi um pragmatismo que ele realmente adotou. Nelson chegou a afirmar sobre o autor em seu ofício que “Graciliano Ramos era um trabalhador lento e difícil, incontentável. Não só escrevia pouco e através de longas pausas, como corrigia impiedosamente, jamais se contentava com o texto que lançava em primeira mão”. Escrevia, revisava e corrigia para, novamente, escrever, revisar e corrigir, em um ciclo que parecia não ter fim. A angústia de Graciliano Ramos era o de cortar seu texto para que ele viesse a ser o mais breve possível.


O autor ainda observou a estrutura gramatical, estudando-a, para formar uma das suas mais célebres frases: “Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.”


Há quem possa afirmar, apegando-se às palavras desta introdução, que o próprio Graciliano poderia ser contra a forma rígida da estrutura e do aprendizado, mas não pode negar que o mestre aprendeu a estrutura, a usou de maneira sublime e nos deixou um grande aprendizado narrativo e intelectual.  Podem até invocar os textos de UrarianoMota que afirmou: “Esses homens inquietos não escreviam o que escreveram por método ou influência de escola estética. O que os unifica é o espírito do tempo, que no caso eram as ideias de esquerda, a influência socialista, o movimento comunista no Brasil, que refletia o eco de 1917, até mesmo em Palmeira dos Índios, onde vivia Graciliano.”


Até o presente momento, vimos que Graciliano Ramos teve influência de seu pai, das lavadoras de roupa de Alagoas, de Eça de Queiroz e do partido socialista. Isso indica que ele não se fez sozinho, e não nasceu escritor, mas optou por esta profissão e aprendeu a realiza-la como ninguém. E aprendeu com quem mais, além destes?


Estas influências ficam mais claras no texto do  professor Carlos Eduardo Berriel, do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. Grande conhecedor da obra de Graciliano ele afirma: “Como alguns aspectos existentes em seu estilo literário e as influências que outros escritores exerceram sobre Graciliano, como Dostoiévsky, Tolstói e Eça de Queiroz, por exemplo, é algo que merece ser avaliado com mais acuidade”. (Unicamp,mesmo link acima)


Com tudo isso, eu reafirmo que não existe um escritor que se faça sozinho, pois o homem é um ser social e vive em comunidade, sendo que uns aprendem com os outros. Acreditar em um determinismo que diz que uma pessoa “nasce” escritor é um equívoco. A estrutura maravilhosa de Graciliano Ramos se deve ao seu estudo e sua formação social, como comprovado nas linhas acima, com diversas influências em cada camada de socialização do autor (familiar, escolar e profissional). Se Graciliano tornou-se o que é, um maravilhoso escritor, foi com dedicação, leitura, estudo, esforço, angústia e relações corretas.


“Demais, a vida, implacavelmente, deu-lhe a provar todas as suas dores e todas as suas amarguras” (Nelson Werneck Sodré)



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