Pular para o conteúdo principal

O belo vive!

 O Belo vive;  Sonhos na neve;  Alma limpa!

Liberal na economia e conservador nos costumes! O mesmo olhar!


Liberal na economia e conservador nos costumes

O debate continua sobre esse tema e não será esgotado com facilidade. Muitos conservadores alegam que quem é conservador já defende uma economia de mercado livre e que isso seria uma espécie de redundância. Queria, então, deixar mais elementos para pesquisa.

O primeiro ponto a se levantar é que existem economistas com visões conservadoras e liberais na questão, com profunda diferença de interpretação da realidade econômica. Cito um trecho de um texto de Gosta Esping-Andersen[1]: “A economia política conservadora surgiu em reação à Revolução Francesa e à Comuna de Paris. Foi abertamente nacionalista e anti-revolucionária, e procurou reprimir o impulso democrático. Temia a nivelação social e era a favor de uma sociedade que preservasse tanto a hierarquia quanto as classes. Status, posição social e classe eram naturais e dadas; mas os conflitos de classe, não. Se permitirmos a participação democrática das massas e deixarmos que a autoridade e os limites de classe se diluam, o resultado é o colapso da ordem social”.  

O texto de Esping-Andersen trata de análises sobre welfare state e como marxistas, liberais e conservadores veem e interpretam essa condição econômica e função do Estado. Através dele, podemos ver que os economistas conservadores viam o estado como um provedor contra o “caos” do mercado, portanto, eles acreditavam que o governo deveria intervir na economia. O Nacionalismo, como sabem, é uma “doutrina que prioriza o Estado como fundamental e único na gestão política” (Dicionário On-Line).

O economista  Luiz Carlos Bresser-Pereira relata com brilhantismo as diferenças entre uma economia com visão conservadora das demais visões econômicas. O texto é longo, mas, em resumo, é preciso fazer a distinção em 3 planos diferentes:

1)    Plano da teoria econômica- no qual os conservadores adotam a teoria do valor subjetivo, enquanto os progressistas adotam a teoria do valor do trabalho;
2)    Plano da análise macroeconômica, os conservadores adotam uma visão na qual a economia capitalista é auto-regulável;
3)    Plano da política econômica o conservador dará sempre prioridade à estabilização sobre o aumento de produção e o aumento da produção sobre a distribuição de renda.
O professor termina dizendo: “em última análise, o que distingue efetivamente um economista conservador, de um progressista é a sua atitude, são as suas teorias e as suas políticas em relação à distribuição de renda.”

Revista de Economia Política 5(4), outubro 1985: 5-14. Aula inaugural pronunciada na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, em 8.3.1985[2].

Com o primeiro texto como fonte, mostrei que existem pensadores conservadores que adotavam um pensamento mais próximo da visão nacionalista. Nacionalismo indica sempre a interferência do Estado em um nível alto, colocando o mercado sobre suas asas. Dessa forma, quebra-se a ideia de que um conservador sempre será guiado pela vontade de exercer um livre mercado. Sabemos que o nosso presidente é conservador, e que ele vai contra algumas ideias do Guedes, principalmente quando o assunto é a Petrobrás, mostrando um olhar mais nacionalista com essa questão.  Com o segundo texto, de um grande monetarista, indiquei que existem muitas diferenças entre uma economia conservadora, para uma economia liberal. Se continuarem a leitura do texto indicado, verão que a economia conservadora levou uma surra na primeira questão. Nos pontos seguintes, temos diversos textos ora defendendo, ora questionando tais posicionamentos.

Quando afirmam que não existe possibilidade de um conservador ser liberal na economia, eles desconhecem que existe diferença entre conservadores e liberais no campo econômico e, portanto, desconhecem as nuances da própria economia, do conservadorismo e do liberalismo econômico. Eu estou fascinado pelo trabalho econômico de Mises, apesar de gostar bastante do trabalho dos conservadores nessa área, e sou conservador na tradição, e nos costumes. Portanto, sou conservador nos costumes e continuo sendo liberal clássico (Mises) na economia, apesar de respeitar bastante o estudo conservador nesse campo.



Sobre esses “líderes” da Direita, ao que me parece, eles tentam ter o domínio da argumentação, tentando alegar que o outro desconhece o campo projetado, porém, são eles que desconhecem o setor e promovem uma divisão sem sentido. Não aponte o dedo para seu aliado, nunca! Esse tipo de divisão só promove a esquerda. Então, deixemos as coisas com essa mistura gostosa que só o Brasil consegue manter. Não vamos nos dividir ainda mais!  






[1] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451991000200006
[2] http://www.rep.org.br/pdf/20-1.pdf

Postagens mais visitadas deste blog

Boushoku no Berserk

Berserk of Gluttony: Uma Série Que É Meu "Pecado"! Boushoku no Berserk (Berserk of Gluttony) - Pictures - MyAnimeList.net Fate é um jovem que acreditava ter uma habilidade inútil chamada "Gula", que o mantinha constantemente faminto. Ele era um vassalo em uma casa de cavaleiros sagrados, onde era tratado com desdém, nutrindo uma paixão secreta pela cavaleira Roxy Hart. Ela destaca-se como a única guerreira nobre em um mundo dominado por cavaleiros que abusam de seu poder para oprimir o povo. Quando Fate acidentalmente mata um ladrão enquanto ajuda Roxy, ele descobre que sua habilidade de "Gula" vai além do que parecia. Esse evento o faz perceber os aspectos positivos e negativos de seu "pecado". Comprometido a proteger Roxy, ele decide usar seu poder em prol da casa daquela que sempre o tratou com humanidade e respeito. Baseada em uma novel escrita por Ichika Isshiki , com arte de fame , "Berserk of Gluttony" é serializada desde 2017,

Outros Papos indica: Japanese Noodles Udon Soba Kyoto Hyogo

 Saboreiem! Um canal dedicado à culinária japonesa! Se gostarem, se inscrevam lá!

Traduções ideológicas

Hoje, no blog, não farei recomendações, mas sim uma sugestão. Há uma controvérsia em torno de alterações indesejadas em traduções e legendas de obras japonesas. Se os próprios japoneses começassem a traduzir e legendar seus animes para o Ocidente, essas distorções poderiam ser evitadas. Pergunto-me por que, até agora, os japoneses ainda não optaram por legendarem eles mesmos e disponibilizarem à venda discos com suas obras legendadas em outros idiomas. Isso certamente eliminaria o ruído ideológico e, sem dúvida, eu seria um dos consumidores da mídia física lançada por eles, com legendas "feitas em casa". Na administração, aprendemos que devemos apresentar não apenas os problemas, mas também as soluções. Portanto, considero essa a solução para o problema das alterações ideológicas em obras orientais.