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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Agenda X Lucro


Causas sociais X Lucro

Em Administração, existe uma preocupação com o bem-estar dos funcionários, clientes e da própria região na qual a empresa está situada. Dessa forma, muitas empresas desenvolveram instrumentos organizacionais para impactar positivamente seu meio. Aulas de ginástica para operários, creches para que mães e pais deixem seus filhos, programas de replantio de árvores, respeito aos preceitos religiosos de seus funcionários são exemplos de ferramentas empresariais que permitem um impacto positivo da empresa no meio em que ela se encontra. A isso dá-se o nome de “função social da empresa”. Horácio Eduardo Gomes Vale[1]: “A função social da sociedade empresária é atingida quando ela atende aos princípios da liberdade, igualdade, dignidade, solidariedade, democracia, reduz ou procura reduzir as desigualdades sociais e cumpre os valores ambientais.”

Eu sempre prego que para tudo deve existir um equilíbrio. Quando não atingidos os valores que permitem um equilíbrio, existe uma deformidade na questão. Isso vale também para a função social da empresa. A função social da empresa precisa estar em equilíbrio com seu objetivo principal: lucro. Sem um lucro, empresas não se sustentam e, por óbvio, são fechadas ou vendidas.

Estamos vendo um certo desequilíbrio em muitas empresas e isso me preocupa. Empresas, por conta de uma procura cega por questões sociais, estão empregando em seus projetos uma agenda destrutiva, que não alcança nem mesmo a justiça social, ou o lucro. Lembro-me que a Gillette fez uma propaganda contra a masculinidade tóxica, que caiu muito mal aos olhos dos clientes. Nessa ocasião, os clientes reagiram e a empresa teve um decréscimo em suas vendas. O Washington Examiner[2] escreveu sobre a questão: “Gary Coombe called the loss of revenue from those customers a "price worth paying" in a Monday interview with Marketing Week. Procter & Gamble, the parent company of Gillette, announced Tuesday they had taken over $5 billion in losses for the quarter, after Gillette had an $8 billion noncash writedown after its market share for razors fell over the last three years.”.

Para mim, isso é uma burrice sem tamanho. É uma situação que afeta negativamente a empresa e inibe o lucro. Pior ainda é a resposta de um grande CEO da empresa, pois ele não protegeu a imagem da companhia quando teve a chance e, de forma até infantil, permaneceu no erro. Eu mesmo não uso mais produtos da Gillette.

Marvel também está incorrendo no mesmo erro. Segundo o The Guardian[3]: “Marvel’s vice president of sales has blamed declining comic-book sales on the studio’s efforts to increase diversity and female characters, saying that readers “were turning their noses up” at diversity and “didn’t want female characters out there”.” Netflix está caminhando para o mesmo caminho. Não cito a recente polêmica com Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o que está sendo percebido pelo público norte-americano. Vigilant Citizen[4]: “Each year, Netflix dedicates over $12 billion to create exclusive, original content. This strategy is meant to attract new customers while keeping existing ones loyal to the brand. However, there’s a major problem: Almost all Netflix original content is heavily tainted by a clear, obvious and annoying agenda. And this irritates lots of people.”, resultado: “Netflix’s 2019 second-quarter results were nothing less than disastrous. The streaming company saw its first major loss of US subscribers (over 130,000 cancellations) while the number of international subscriptions barely reached 50% of what was forecast (2.7 million new paid customers). Stocks dropped by more than 10% immediately after the release of the report.”.

Com apenas esses três exemplos, Netflix, Gillette e Marvel, estamos conseguindo projetar que existe um desequilíbrio entre a agenda ideológica traçada pelas empresas e o lucro. A função social está sequestrada por uma agenda duvidosa. A posição ideológica adotada está indo contra a posição ideológica do público consumidor e isso está afetando a renda. Apesar de estarmos falando em empresas com aportes bilionários, essa postura terá consequências mais para frente. Nenhuma empresa resiste sem vendas e as empresas são essenciais para a democracia, pois são elas que mantêm a riqueza de uma nação e ajudam na manutenção do regime político. Horácio Gomes: “A empresa, ou sociedade empresária, enquanto agente econômico é fonte que produz riqueza, possibilita a contratação de pessoas, ocorrem fatos geradores de imposição tributária, desempenha forte papel ambiental, político, estratégico, nascendo daí a necessidade de sua manutenção para o bem social.”.

A agenda visa uma transformação social forçada, não natural, que a sociedade está lutando contra, e essa agenda está embasada em conceitos não científicos, com consequências ruins para a sociedade que a rejeita.  De tal forma, é preciso que os grandes investidores percebam que esse erro custará caro não somente para o bem econômico dos países, mas também para o bem social e político das sociedades. Prevejo, então, três finais para essa situação: o primeiro final é uma reação dos investidores e acionistas que farão uma mudança na agenda de suas empresas, em prol do lucro e pelo bem da sociedade que não deseja ter uma agenda forçada garganta abaixo. O segundo final é a constante queda de vendas, até que as empresas passem por alguma crise. Não esperemos pelo terceiro final, no qual as empresas conseguem oprimir a sociedade ocidental e lhe impor suas vontades. Que os investidores nos garantam um final feliz, isto é, o primeiro final.




[1] https://jus.com.br/artigos/56478/principio-da-funcao-social-da-empresa
[2] https://www.washingtonexaminer.com/news/gillette-ceo-losing-customers-over-metoo-campaign-is-price-worth-paying
[3] https://www.theguardian.com/books/2017/apr/03/marvel-executive-says-emphasis-on-diversity-may-have-alienated-readers
[4] https://vigilantcitizen.com/latestnews/netflix-is-losing-subscribers-in-the-us-the-untold-reason/

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