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Komi: análise de três volumes!


Komi Can’t Communicate: Análise de três volumes


Fonte: Amazon! Link acima!

 
Em julho desse ano, analisei resumidamente o primeiro volume do mangá e você pode ver a análise aqui (clique). E eu continuei comprando os mangás e estou a refazer a análise, complementando-a um pouco com o que li nos volumes 2 e 3 da obra.

A sensação inicial continua a mesma, pois Komi é uma personagem que cativa por seu defeito de não conseguir se comunicar, entretanto, a obra parece que está perdendo o fôlego com o ritmo adotado. Com 3 volumes lidos, o que dá quase um ano de obra lançada, com dois volumes lançados em 2016 e o terceiro em 2017, o progresso é mínimo. Tanto o progresso para se fazer amizades, como o progresso da personagem em superar suas fraquezas (se é que um dia ela o fará), bem como o progresso nas relações entre Komi e Tadano. Tudo muito lento. Essa lentidão me deixou aflito. Considerando que Oresuki (série atualmente passando no Crunchyroll) resolveu um arco inteiro em 4 capítulos, ver a Komi estagnada assim é ruim.

O problema da masculinidade!



Além disso, não sei ao certo se o/a autor(a) sabe o que é a função feminina e masculina em obras. Explico: na minha época, era ensinado que um homem deve ser cavalheiro, protetor, vigilante guarda de sua casa, respeitoso marido, zeloso pai e forte trabalhador. O doutor Richard D. Phillips[1] resume o que é a masculinidade com base em Gênesis e afirma:

 “Cultivar e guardar: aqui está o como da masculinidade bíblica, o mandato da Escritura para os homens:
Cultivar. Cultivar é trabalhar para fazer com que as coisas cresçam. Envolve nutrir, cultivar, cuidar, construir, orientar e governar.
Guardar. Guardar é proteger e sustentar o progresso já alcançado. Envolve defender, proteger, vigiar, cuidar e manter”.

Em qualquer roteiro, o personagem precisa ser definido com exatidão. Nada de ficar patinando com os elementos psicológicos que compõe a estrutura do personagem. Por exemplo, se ele é medroso, que ele seja medroso até o roteiro decidir que ele não deve ser assim mais. E toda a mudança deve ser explicada ao leitor. É muito esquisito um personagem ficar mudando de comportamento. Em Komi, nos volumes que eu li, os personagens ficam bailando entre a figura feminina e a figura masculina, sem muita explicação ao leitor.

  Sim, uma hora o personagem com qualidades mais masculinas é o Tadano e, em outro momento, é a Komi. Existe uma dança da figura masculina na obra. E uma inversão em clichês da “donzela em apuros” que uma hora é o Tadano e, na outra hora, é a Komi. É como se o/a autor(a) não soubesse quem é quem. Não sei como o autor está desenvolvendo os personagens nos volumes mais recentes, porém, o desenvolvimento deles nesses três volumes iniciais está bem bagunçado. 

Com essa história de ideologia de gênero, é bem provável que a história seja criada nesse sentido, para confundir o leitor. Ou, talvez, o próprio autor tenha crescido sem o conhecimento da figura masculina e não sabe como retratá-la na obra. Pode ser, também, que o autor esteja confundindo a masculinidade de fato com o termo que veio para oprimir o homem (masculinidade tóxica) e, dessa forma, ele está com  medo de usar a figura masculina na obra. O fato é que não existe, até o terceiro volume da obra, uma identidade masculina forte. E isso irrita! E já vi imagens na internet do Tadano de “maid”. Provavelmente uma piada, porém, é um reforço da ausência da figura masculina. E não se engane, a Komi é, por vezes, mais masculina que o Tadano, porém, ela não é a figura masculina em si. Falta à obra esse elemento definido com exatidão.



Por tudo isso, não sei se vou continuar comprando mais volumes da obra. Talvez eu mude de ideia quando surgir uma figura masculina definida, que seja até o Najimi (😀). Entretanto, a Komi ainda é uma personagem bem desenvolvida e será a base de inspiração do poema dessa semana.    




[1] https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/10/quatro-fundamentos-da-masculinidade-biblica/

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