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Hanebado!


Hanebado!
Spoilers! Cuidado!



Sinopse Crunchyroll: “Apesar de ter muito potencial para o badminton, Ayano Hanesaki prefere evitar o esporte. Mas ao conhecer Nagisa Aragaki, uma veterana que passa cada minuto de sua vida aperfeiçoando suas jogadas, ela se sente inspirada. Motivada por seu treinador Tachibana Kentarou, Ayano e Nagisa entram em quadra, disputando partidas emocionantes contra oponentes e rivais incríveis!”

http://www.crunchyroll.com/hanebado


Uma série animada inspirada em um esporte chamado badminton. Eu não imaginei que veria uma animação assim e, muito menos, que eu gostaria tanto dela. A estrutura é diferente do que estamos acostumados com animações do gênero. Em gêneros assim, muitas vezes, acompanhamos a chegada de um personagem iniciante que vai descobrindo segredos e vai se apaixonando pelo esporte, ou a chegada de um personagem veterano que muda a cara de um time que está fadado ao fracasso. Estas são as estruturas mais comuns.

Eu nunca tinha visto a chegada de um vilão a um time. Sim, aguentem o spoiler pesado, a Ayano é uma vilã em quadra. Eu ouso colocar aqui essa revelação, pois é importante para analisar a estrutura da história e, além disso, a série já terminou. Voltando ao personagem, ela é uma espécie de Dr. Jekill e Mr. Hyde. Fora de quadra é um doce, dentro de quadra é uma louca. E a história é totalmente centrada nela e na sua rival: Nagisa. Precisei escrever isso para poder analisar o roteiro. 

Ayano, a vilã!

Freud explica!


A série começa com o primeiro combate entre Ayano e Nagisa, no qual Ayano massacra sua oponente. As lágrimas da Nagisa refletem no interior da Ayano que desiste do badminton. Nagisa parece muito ferida em seu orgulho. Depois, a  série avança no tempo e prossegue com a chegada da Ayano, meio que a contragosto, no time da Nagisa. Nesse momento, começamos a perceber o desenvolvimento psicótico dela em quadra. Para Ayano, em quadra, não basta derrotar a oponente, é necessário humilhar, rir e debochar. Uma postura anti-esportista  que se justifica pela sua criação. O diretor, sempre que pode, usa ângulos e cenas que fazem a Nagisa parecer descontrolada, fria, ausente de empatia. 

Essa postura foi fruto de um relacionamento materno conturbado. Sentindo-se frustrada por ter sido abandonada, ela desenvolve um escudo emocional que a deixa, como já escrevi, sem empatia nenhuma pelas adversárias. Nesse sentido, só poderia acontecer duas coisas com a personagem: ou alguém a ajudava a superar isso, ou ela destruiria suas colegas de esporte. E a série se prende nesse ponto em seu arco final.  



 Nagisa- a capitã!

Será que rolou um clima com o treinador? :)


Se o enredo já definia a Ayano como a vilã, ou como alguém que precisava desesperadamente de uma ajuda, era necessário seu contrapeso. A antagonista seria justamente a capitã que, no passado, havia sido humilhada em quadra pela Ayano. E o enredo a desenvolve nesse sentido. Primeiro, como alguém que precisava superar uma derrota e, depois, como alguém responsável pelo time.

Para superar a derrota, surge o novo técnico do time que a ajuda a curar seu interior e a treina para o combate final contra a Ayano, afinal, todo Luke precisa de um Yoda (hehehe).


Forças Opostas

Assim, no lado negro da força está Ayano e, no lado iluminado, Nagisa. O enredo vai trabalhando esse fato aos pouquinhos. A cada jogo, elas vão se encaminhando para este duelo final. Achei muito interessante a escolha do roteiro. Foi a primeira vez que vi uma série se focar na chegada de uma vilã, até o seu confronto final com outra personagem. Geralmente, o enredo foca-se no herói. E foi uma decisão acertada para esta história em particular, pois quebra uma rotina de eventos e se torna original. Lógico, funcionou aqui, mas uma estrutura semelhante já foi criticada por mim em Chain Chronicle. A diferença entre elas é o sentido de urgência da história central. Existia uma urgência importante que foi negada em Chain Chronicle (quem jogou vai entender o que digo) e que não foi negada em Hanebado! E as transformações e amadurecimento das personagens são o centro deste roteiro que prima por conseguir entreter com uma história sobre um esporte focando, principalmente, em apenas duas personagens. 

 Se desejar ver como terminou esse duelo, assista à animação.

A animação




O primeiro capítulo me conquistou pela animação especial. Muitos detalhes, muitas cenas com movimento, excelentes decisões de ângulos e câmeras. O badminton é um esporte com muito movimento e o diretor honrou o esporte com uma animação excelente. Acreditei que a série poderia ter uma queda de rendimento nos capítulos seguintes, porém, o diretor segurou bem a peteca (hehehe)  e entregou diversos grandes duelos.

Não somente a animação estava com uma qualidade impecável, como também os efeitos sonoros. Um bom efeito sonoro é importante para dar a sensação plena de um duelo e o diretor foi eficiente até nisso. Cada lance das raquetes parecia com imponentes canhões a desferir golpes poderosos. E, assim como desenvolviam efeitos fortes, também desenvolviam sutilezas para defesas calmas, isto é, quando necessário, o diretor inseria o efeito sonoro adequado ao lance que estávamos acompanhando. Ora uma trovoada, ora o bater de asas de um pássaro. Um trabalho genial.


Conclusão

Então, a série teve um desenvolvimento de roteiro que quebrou alguns clichês de maneira interessante. A direção acertou, em muito, na animação e nos efeitos sonoros, por isso, eu dou uma nota 10 para esta série. Infelizmente, o primeiro volume em blu-ray não vendeu bem, então, acredito que esta série ficará apenas com esta temporada. Se você se interessou, assista via Crunchyroll!    

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