Pular para o conteúdo principal

Cells at Work!


Cells at Work



Sinopse Cr: “Esta é uma história sobre você, um conto que se passa dentro do seu corpo. De acordo com um novo estudo, o corpo humano é composto de aproximadamente 37 trilhões de células. Essas células trabalham muito todos os dias no mundo que é o seu corpo, desde os Glóbulos Vermelhos que carregam oxigênio até os Glóbulos Brancos que combatem as bactérias. Saiba mais sobre esses heróis anônimos e o drama que se desenrola dentro de você! Baseado na popular série "Cells at Work!", vem aí uma nova série de TV!”


Sempre baseio minhas análises, em sua grande maioria, pelo roteiro, sua construção e finalização. O roteiro é o esqueleto da história, talvez sua alma, e o roteiro de Cells at Work representa uma linda alma.

A série é um entretenimento educacional de ótima qualidade, que me fez recordar de minhas aulas de citologia, histologia e embriologia (Medicina Veterinária). Cada episódio trata de um tema específico sobre o sistema orgânico de um jovem humano adulto. Ora trata de uma invasão de germes, ora trata das consequências de uma desidratação. Tudo com bom humor! Com exceção dos últimos capítulos, o desenvolvimento do roteiro inicia e finaliza um elemento educacional em seu próprio capítulo.

Roteiro- pontos positivos e negativos

E falando no roteiro, ele passou pela análise de muitos médicos, que ficaram surpresos com a representação artística. Apesar de alguns errinhos, os profissionais da saúde gostaram do resultado geral. Erros? Sim. Por exemplo, na questão que tratava da digestão, foi dito que a digestão começava no estômago. Não é verdade. A digestão começa na mastigação e salivação do alimento. 





Alguns erros foram intencionais como, por exemplo, o tamanho das células. Se houvesse fidedignidade na construção dos “personagens-células”, os macrófagos, por conta de seu tamanho, teriam que ser retratados como titãs de Attack On Titan (rs). Não seria bom para a ideia que o autor desejava passar, então, “encolheram” alguns personagens. Portanto, considero isso como um erro intencional para manter a integridade da obra.





Também existiram pontos polêmicos. Em um determinado capítulo, apesar da precisão incrível, o autor optou por considerar uma célula cancerígena como uma vítima de um erro de reprodução celular. Como disse, apesar de estar certo, a abordagem usada me deixou desconfortável (minha avó morreu de câncer) e acredito que outras pessoas também se sentiram assim. Foi um erro de abordagem do roteiro. E me lembrou a agenda esquerdista que diz que o bandido é vítima da sociedade. Cara, isso me deixou muito danado.

Apesar desses pontos, o roteiro é extremamente fiel ao que sabemos do sistema celular humano. E é muito engraçado ver como o autor definiu alguns elementos, como uma hemácia que parece com uma entregadora da Fedex sem senso nenhum de direção, uma plaqueta que parece uma pequena criança, ou células de defesa que parecem com soldados, pescadores, policiais, cientistas ou bibliotecários malucos. Afinal, o sistema celular trabalha com um sistema chamado “chave-fechadura” e que determina a especialização celular. Enfim, a criatividade rolou solta e o riso também.

E, apenas a título de curiosidade, os últimos capítulos tratam do choque hemorrágico, isto é, do colapso orgânico pela ausência de sangue no corpo. Ao assistir a estes episódios, pude criar uma imagem mental do trauma sofrido pelo capitão Jair Bolsonaro, pois ele passou por esse problema por conta da facada. Foi outro capítulo que assisti, e que me deixou meio tenso.  Dois capítulos extremamente fiéis ao que acontece com o corpo humano.

Conclusão

Se essa série passasse em meu tempo de faculdade, eu levaria alguns episódios para a sala de aula. Um roteiro extremamente divertido, muito bem montado, apesar dos problemas aqui apresentados, com fidedignidade ao conhecimento do sistema imunológico e bastante atual.  Nota 09!

Postagens mais visitadas deste blog

Outros Papos Indica: O Cérebro que se Transforma

Norman Doidge é psiquiatra, psicanalista e pesquisador da Columbia University Center of Psychoanlytic Training and Research, em New York, e também psiquiatra da Universidade de Toronto (Canadá). Ele é o autor deste livro que indico a leitura. O livro, segundo o próprio editor, “reúne casos que detalham o progresso surpreendente de pacientes” que demonstram como o cérebro consegue ser plástico e mutável. Pacientes como Bárbara que, apesar da assimetria cerebral grave, na qual existia retardo em algumas funções e avanço em outras, conseguiu se graduar e pós-graduar. Um espanto para quem promove a teoria de que o cérebro humano é um órgão estático, com pouca ou nenhuma capacidade de se adaptar. “ Creio que a ideia de que o cérebro pode mudar sua própria estrutura e função por intermédio do pensamento e da atividade é a mais importante alteração em nossa visão desse órgão desde que sua anatomia fundamental e o funcionamento de seu componente básico, o neurônio, foram esboçados pela p

TOP 3 de séries que merecem remake!

 Existem muitas séries da década de 90, na minha opinião, que mereciam um remake (manter a obra original, apenas contando novamente a história, com a tecnologia atual disponível). Vou citar aqui 3 delas. Estas séries foram escolhidas, pois são séries que ainda mexem comigo, que ainda gosto e que ainda lembro delas como se tivesse as assistido ontem. Esse foi o critério de seleção para esse simples TOP 3, de séries da década de 90, que mereciam um remake.  Oh My Goddess A série mesmo começou em 1988, encerrando-se em 2014, contendo um total de 48 volumes. Ela entra na lista por conta do seu primeiro OVA, lançado em 1993, cabendo perfeitamente nessa lista. A animação realizada pelo studio AIC foi uma das mais belas que já vi e promoveu a criação de outras séries, sendo que a última, se não me engano, terminou em 2013, com outro OVA. Já se passaram quase 10 anos desde a sua conclusão. Um remake dessa série, contando-a do começo a o fim, seria uma ótima celebração. O mangá vendeu mais de 4

Antologia Scortecci 40 Anos!

Antologia para edição especial de aniversário de 40 anos da Scortecci editora, para a 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (2022) e, enfim, para ser a edição comemorativa dos 100 anos da Semana de Arte Moderna. Como as poesias já fazem parte desse blog, não faria sentido reescrevê-las, então, deixo aqui cópias das páginas da minha colaboração. Foi uma honra poder ter participado de tão nobre edição comemorativa. Obrigado pela oportunidade.     Primeira parte: Segunda parte: