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Outros Papos indica: Howl's Moving Castle

Revisão: Copilot Sengoku Youko trouxe à tona muitas das minhas lembranças. Uma delas, que me enche de saudade, foi quando levei minha avó para assistir a Howl’s Moving Castle e testemunhei sua maravilha diante dos detalhes desse magnífico filme do grande mestre Hayao Miyazaki. Durante a semana de Sengoku Youko , aprendi uma lição importante sobre a brevidade da vida. Minha avó partiu há algum tempo, mas sua lembrança permanece forte em meu coração. Clique na imagem para comprar via Amazon. Data do print: 03/04/2024 Howl’s Moving Castle (ou O Castelo Animado em algumas traduções) é um filme de animação japonês lançado em 2004 , escrito e dirigido por Hayao Miyazaki . O filme é baseado de forma livre no romance homônimo de 1986 , escrito pela autora britânica Diana Wynne Jones . A história se passa em um reino fictício onde a magia e a tecnologia do início do século XX coexistem, em meio a uma guerra com outro reino. A protagonista, Sophie , é uma jovem chapelaria que é transformad

Record Of Grancrest War 17- Identidades e referências!


Record of Gancrest War 17- Dois Heróis!
Identidades e referências




Este texto terá spoilers do capítulo 17 que estreou na semana passada. Se não desejar ler, pare por aqui! E a recente temporada não possui animações com o mesmo efeito que a anterior, então, não teremos mais textos como os textos das semanas passadas.






Identidade e Referências

A identidade é a representação de valores, signos e significados que entendemos como particular de algo, alguém ou sociedade. Muitas obras fazem referências a diversas identidades para que a audiência venha a abraçar o tema central com mais facilidade. Uma das finalidades é envolver o público, que ficaria mais sensível às questões tratadas na obra. Estas identidades são construídas, em sua grande maioria, pela linguagem.

Vânia Maria do Nascimento Duarte[1]: “Utilizamos dois elementos principais para que a comunicação se materialize de forma plena: a linguagem, que representa todo o sistema de sinais convencionais, sejam estes de natureza verbal ou não verbal, e a língua, a qual representa um sistema de signos convencionais (de natureza gramatical) usados pelos membros de uma determinada comunidade, no nosso caso, a Língua Portuguesa. Partindo desse pressuposto, temos que o signo linguístico é concebido como um elemento representativo, constituindo-se de dois aspectos básicos: o significante e o significado, os quais formam um todo indissolúvel.”

O capítulo 17 de Grancrest War está repleto de representações de diversas culturas, usando signos linguísticos. Tanto na linguagem usada, como na seleção de imagens, ângulos e formas, cria-se uma identidade clara de referências ao nosso mundo. Vamos explorar o que consegui achar? Comecemos pelos personagens e suas representações.


Milza

Neste capítulo, tivemos a ação de dois grandes personagens que decidiram o destino de suas nações através da guerra. Como já leram na minha análise de Grancrest, como a melhor animação do gênero Fantasia, a série possui um dos maiores vilões da temporada. Um genocida, traidor, estuprador e assassino conhecido como Milza. Seus feitos em guerra o fizeram ser temido. Ele consegue decidir batalhas somente com sua lâmina, ódio e poder. Ele é uma verdadeira representação do deus da guerra selvagem: Ares. Ares é o ser conhecido por ser o deus da guerra selvagem. Milza traz consigo esta representação em suas estratégias de batalha. Quase sempre, suas tropas agem como um grande "bate-estaca", destruindo tudo em seu caminho. Milza também, com diálogo, mostra desprezo pelo poder do povo, que está surgindo na figura do líder Theo. Aqui, Milza também figura como o autoritarismo de uma ditadura, pois também faz seu povo sofrer.

Ele está por avançar contra Theo, que o havia cercado com seu exército dentro do castelo que outrora pertencia a um antigo aliado dos dois, chamado Villar. O orgulho do Milza o impede de esperar pelo resgate. Com grande ódio no coração, ele avança contra as tropas de Theo e de diversos nobres, que vão caindo um a um pela fúria de sua lâmina. Um deus selvagem é guiado por ódio, então, a representação aqui está adequada também. 


Theo Cornaro

O jovem que comparei a Arthur, pois nascera pobre, mas se tornara um grande rei,  através da influência do destino e da magia, possui as qualidades nobres do cristão Arthur de Camelot. Ponderado, justo e calmo, Theo é o exemplo de um grande nobre que comanda pelo carisma. Ele também representa o líder que envolve as massas através do já citado carisma. Assim como o David bíblico, Theo passou por inúmeras provações até alcançar o poder dos nobres. Um homem, um líder que está fazendo surgir a era do reinado do povo, ou seja, ele aqui também representa a democracia. O que os outros personagens confirmam em seus diálogos durante o episódio. Theo é o líder carismático e bondoso, que representa o ideal de liderança e o advento da democracia.




Acredito que a base para a criação do Theo, além de Arthur da Távola Redonda, poderia ser também bíblica: Jeremias 31 “33-“Eis, no entanto, a Aliança que celebrarei com a comunidade de Israel passados aqueles dias”, afirma o SENHOR: “Registrarei o conteúdo da minha Torá, Lei, na mente deles e a escreverei no mais íntimo dos seus sentimentos: seus corações. O símbolo gráfico do poder do nobre Theo me remeteu imediatamente a este versículo bíblico. Uma bandeira que é tecida nos céus, cujo símbolo parece ser uma asa de um anjo, que recai sobre seu povo. Uma representação das leis de Deus que, vindo do alto, encobrem e protegem seu povo, fazendo-se presente em seus corações. 


A Luta

É a luta de dois pontos divinos: o combate da guerra em fúria e o combate da guerra sábia. De um lado, um exemplo de Ares[2] (Deus da Guerra Selvagem) e, do outro, um representante de Jeová: “Salmos 24:8 Quem é este Rei da Glória? O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na guerra”.







Milza avança contra todas as tropas de nobres, aniquilando como a um furacão a todos que se aproximavam dele. Seu desejo é eliminar Theo. Siluca e os demais tentam evitar esta aproximação, pois temem pela vida de Theo. A fidelidade ao Theo é tanta que um dos personagens afirma que não permitira que Milza encostasse um dedo em seu futuro senhor. Porém, Theo, com serenidade e estratégia, vai eliminando as forças de Milza, reduzindo seus números. Milza avança com suas tropas, como se fosse um grande martelo a arrebentar tudo que se volte contra ele. Theo usa isto a seu favor e vai reduzindo o número de soldados do Milza com pontuais armadilhas contra as tropas adversárias. 

Para o desespero dos servos do Theo, que não conseguem parar Milza, ele se aproxima do personagem que representa o deus da guerra sábia. O combate, como mostra o AMV, se reduz a um duelo entre Milza e Theo. “O grau mais elevado da sabedoria humana é saber adaptar o seu caráter às circunstâncias e ficar interiormente calmo apesar das tempestades exteriores”. (Daniel Defoe). Milza é a tempestade. Theo é a calmaria.

O duelo deles repete a mesma representação estratégica das tropas. Milza ataca com fúria. Theo se defende e espera brechas para o contra-ataque. Exausto, ao final, o personagem que representa a guerra selvagem perde para a guerra sólida e com estratégias bem definidas. Milza perde para Theo, por não considerar de forma adequada seus ataques. Ele cansa por desperdiçar movimentos. Theo não.

Após o fim do duelo, e da execução de Milza, eis que surge uma representação que fortalece as minhas deduções anteriores, pois Theo, por alguns segundos, ora aos céus. Seus soldados repetem seu gesto. David orava a Deus antes e depois das batalhas, bem como a figura do rei Arthur. A gratidão pela vitória que lavou o sangue de seu amigo, reconquistando o que antes era dele (Villar).


Conclusão

Record of Grancrest War nos deixa um grande episódio que faz paralelos claros com a guerra, a estratégia e a calma. Com a democracia e a ditadura. Com a fé e a bravura. Os dois personagens estão delimitados por suas características: Milza (ódio e força bruta), assim como Theo (calma e frieza). E a luta entre eles nos garante metáforas e comparações (Ares e Jeová) que fazem com que o enredo se enriqueça com os símbolos usados. Isto também faz com que nos identifiquemos com eles, pois vemos neles representações de elementos que são importantes para nós. E esta emoção é benéfica para a série. Quando Theo aceitou o desafio de Milza, meu coração ficou na garganta. É o resultado de captar e aceitar os símbolos e referências propostos pelo autor para a construção do enredo e dos personagens. Um excelente trabalho! Isto, sim, é uma história bem construída!







 Dois grandes heróis: Theo e Villar, este agora em paz!
Homenagem ao casal Villar e Margaret! Esta vitória foi para vocês!








[1] O Signo Linguístico: <https://portugues.uol.com.br/redacao/o-signo-linguistico.html>
[2] Ares: <https://www.infoescola.com/mitologia-grega/ares/>

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