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O exemplo do Japão

Elementos para uma recuperação econômica- Japão como exemplo!



Após mais de 8 anos sem que nosso representante máximo fosse visitar o Japão, o Brasil tentou recuperar os laços, com o país do sol nascente, através da visita do presidente Temer. Vi aqui uma possibilidade de escrever um texto sobre elementos que podem fazer com que um país saia de uma crise econômica aguda.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão estava assolado, com duas cidades totalmente destruídas pela tecnologia da bomba atômica, e com a economia quase que no chão. Era um país com restrições militares, e essencialmente agrário. Uma situação bem diferente do que encontramos hoje em dia. Apesar da crise econômica japonesa atual, os índices de desenvolvimento do Japão são formidáveis. Dado da página do professor Getúlio Nascimento. Taxa de analfabetismo de 1% da população (2013), renda per capta de US$ 36.200 (2012), IDH de 0,980 (2013) e PIB em 4,5 trilhões de dólares. Como o país se desenvolveu tão rápido? Quais lições podemos tirar para fazer com que o Brasil também consiga superar a crise atual? Apesar do contexto histórico e social diferentes, podemos refletir sobre o que fez com que o Japão superasse esta crise e viesse a se tornam uma grande economia global.

A Embaixada do Japão no Brasil escreveu sobre este período e deixou algumas lições. A primeira é de que existia fornecimento de petróleo a baixo custo, ou seja, eles podiam reconstruir fábricas, produzir e entregar produtos sem onerar o preço final ao consumidor por causa do petróleo a bom preço.  Se no Brasil o preço dos combustíveis baixar a uma taxa acessível, preços tenderão a baixar e isso estimulará o comércio, serviços e a indústria. Outro ponto é de que a população tinha alta taxa de poupança individual e de investimentos na iniciativa do setor privado. Todos sabem que, no Brasil, o movimento está inverso, ou seja, o brasileiro retira das aplicações, pois não têm mais como manter as famílias. E isso gera retração no consumo. É necessário, por exemplo, baixar as taxas de juros para desafogar as famílias. O Estado, deixando a iniciativa privada livre, estimula o fluxo de capitais, gerando renda. Ela se movimenta pela economia, é aplicada e fornece ao Estado instrumentos para fazer o PIB voltar a crescer. Outra coisa é que o Japão buscou se industrializar e desenvolver tecnologias de inovação. O desenvolvimento de novas tecnologias atrai investidores. O Japão possuía, e possui ainda hoje, força de trabalho com ética laboral. Além da cultura japonesa dignificar o trabalho, o país ainda possuía uma boa condição educacional, que motivava ao trabalho. Além disso, o Japão beneficiou-se do Plano Marshall (com cerca de 12 bilhões de dólares) para a reconstrução de sua infraestrutura. Deste modo, como explica a página da embaixada: “O Japão foi o principal beneficiário do rápido crescimento atrelado à economia do mundo pós-guerra segundo os princípios de livre comércio promovidos pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio. Em 1968, a economia japonesa já havia se tornado a segunda maior do mundo, depois da economia dos Estados Unidos.”


Conclusão claramente óbvia!


Para o Brasil sair da crise, torna-se óbvio, então, que o país tem que parar com a sangria (gastar menos do que arrecada), para voltar a ter índice confiável de investimento, pois isso atrairá recursos que poderão formar a tecnologia de inovação que precisamos. Também se faz necessária a redução nas taxas de juros, e no preço do petróleo, para estimular a produção e o comércio, gerando renda para investir e poupar. Investir não somente em empregos, mas em educação e infraestrutura. Precisamos de trabalhadores sem medo do desafio e com condições adequadas ao seu labor.  Precisamos que o país também entregue uma geração de energia adequada à produção e a consumo, ou seja, infraestrutura. 

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