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Análise do Discurso Ideológico 2

Análise do discurso ideológico #2

Como sabem, eu reúno o discurso em frases simples, concisas e analiso o que está por trás deste discurso. Já fiz isso em outro texto e vou continuar. É necessário continuar contra-atacando as ideias errôneas, pois os erros têm a tendência de continuar se espalhando. Se os erros forem provenientes do PT, então, espalham-se ainda mais.

A honesta Dilma está sendo vítima de um golpe de um Congresso corrupto




O discurso parte da premissa de que o Congresso, por ser corrupto, está armando um golpe para retirar Dilma do poder e que a mesma não cometeu crime nenhum, sendo honesta. Vamos começar pela primeira parte de frase. A análise das contas do governo pelo TCU mostra crimes de responsabilidade fiscal cometidos, sendo que tais crimes são de responsabilidade do Presidente da República. As contas foram reprovadas por unanimidade pelo pleno do TCU. E o caso, segundo o que li, vai se repetir na análise das contas do ano seguinte, ou seja, as pedaladas continuaram por, pelo menos, dois anos seguidos. Isso já bastaria para embasar o impeachment, pois colocou a ordem econômica e a estabilidade social em risco. Também, segundo Cerveró, em vídeo, Dilma o colocou no fogo para se salvar em ano de eleição, mas que ela sabia de tudo sobre as questões analisadas na compra de Pasadena. Com a análise fria dos fatos, nós já percebemos a queda da primeira questão, ou seja, ela está sendo julgada por crimes reais, afinal, se existe crime, não existe golpe.





A segunda parte deste raciocínio é de que o Congresso é corrupto e, por isso, não tem legitimidade para votar o impeachment e, ainda, Dilma alega que caiu por causa de seus adversários que formaram o “golpe brando”. Apesar da falta de credibilidade pela qual o Congresso passa, eles (deputados e senadores) têm a legitimidade para votar o impeachment, pois é de responsabilidade deles o julgamento de crimes de responsabilidade do presidente. A legitimidade não vem da honestidade, mas do poder que a Constituição Federal confere ao Congresso (Senado e Câmara). É obrigação do Congresso do qual ele não pode se omitir, uma vez que foi movido para a análise do processo. Imagine você estar correndo em uma rua deserta, sendo perseguido(a) por um cara com um machado. Você corre por sua vida e vê um policial na rua, mas percebe que o policial já apareceu nos noticiários por violação dos direitos humanos. Você continua correndo, esperando aparecer outro policial? Você corre em direção a ele, claro! Isso porque o poder de polícia dele está manifesto em lei, dando-lhe permissão para agir adequadamente em um caso de violência, apesar dele não aparentar ter integridade. Naquele momento não interessa se ele é violador de direitos, ele possui autoridade conferida em lei para efetuar a defesa necessária.


Já a segunda parte deste raciocínio é que ela estaria sofrendo um golpe brando. Já analisei isso neste texto (clique). Deste modo, ela acusa o presidente da Câmara, o presidente do Senado, o presidente do STF, além de todos os congressistas, de serem golpistas. Novamente, este discurso pode estar ferindo a lei 7170/1983 no artigo. 26 - Caluniar ou difamar o Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação. (Pena: reclusão, de 1 a 4 anos). Dito isto, vamos analisar mais um pouco, além do que já escrevi no texto anterior. O que dizem é que o Congresso quer tirar a Dilma por ser corrupto. Existe corrupção no Congresso? Sim, segundo diversas investigações. A Dilma está sendo processada de maneira a ser uma vítima da situação? Não, ela é processada por causa de crimes fiscais. A origem do impeachment é cidadã, acolhida pelo Congresso. Então, existe golpe? Não, pois o impeachment é de origem cidadã, embasado em crimes fiscais (e outros) têm passado pelo crivo do Congresso, com aval do STF, obedecendo a interpretação atual da Suprema Corte do processo constitucional.


Conclusão


Aí está uma dica para os que são adeptos da intervenção militar, pois os crimes descritos na lei 7170 de 1983 são julgados pela Justiça Militar e podem ser investigados pelo Polícia Federal e/ou Justiça Militar também. Sobre o discurso, ele continua partindo de um ponto verdadeiro para concluir com uma inverdade (falácia). Por isso, é um discurso que visa apenas dar algum ânimo para os militantes do partido. Termino repetindo minhas palavras: “A presidente que cometeu crimes de responsabilidade fiscal e obstrução da justiça seria inocentada de seus crimes se tivesse conseguido estancar a sangria. Se ela tivesse sufocado as investigações contra Temer, Renan, Cunha, Pimentel, e a Lava-Jata tivesse sido obstruída. No cenário político, ela teria conseguido manter a blindagem do PMD em torno de seu governo. Este, sim, seria o verdadeiro golpe contra o Brasil! Deixar de julgar os crimes da presidente por causa de uma blindagem política seria o maior golpe contra a Constituição Federal! Por causa de sua inaptidão em controlar (ainda bem) a justiça e em negociar com aliados, ela foi entregue e será julgada por seus crimes”.







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