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Analisando o discurso ideológico!

Eu reuni, em uma frase, uma sequência de ideias do discurso da militância petista, pois se faz necessária uma análise do que está sendo dito. Eles dizem: “O impeachment da Dilma é um golpe de uma elite branca. Não existe déficit, porque as reservas internacionais são maiores. Vocês querem que a era FHC retorne com mais de 12% de desemprego?”


Vamos Analisar #1- O impeachment da Dilma é um golpe da elite branca!


Esta vertente do pensamento petista ganhou força com as declarações gravadas de Renan e Jucá. Na conversa, em resumo, Jucá tenta negociar um freio para as operações da Lava-Jato. Em última instância, retira-se a presidente para tentar unificar o país e parar a sangria. Já Renan diz que as declarações premiadas devem ser alteradas. Ao colocar estes trechos na defesa da Dilma, os petistas esperam retroceder o quadro desfavorável no Senado da votação do impeachment. Tentam fortalecer a ideia do golpe.

Notem como tornou-se suja a política por causa de muitos políticos. A presidente que cometeu crimes de responsabilidade fiscal e obstrução da justiça seria inocentada de seus crimes se tivesse conseguido estancar a sangria. Se ela tivesse sufocado as investigações contra Temer, Renan, Cunha, Pimentel, e a Lava-Jata tivesse sido obstruída. No cenário político, ela teria conseguido manter a blindagem do PMD em torno de seu governo. Este, sim, seria o verdadeiro golpe contra o Brasil! Deixar de julgar os crimes da presidente por causa de uma blindagem política seria o maior golpe contra a Constituição Federal! Por causa de sua inaptidão em controlar (ainda bem) a justiça e em negociar com aliados, ela foi entregue e será julgada por seus crimes .

Por medo, em uma tentativa de se proteger, o PMDB decidiu abandonar o barco. Para tentar estancar a investida da Lava-Jato, o CORRETO foi feito, isto é, o impeachment foi aceito e será julgado. Chamar isso de golpe de uma elite branca? Está mais para o que Maquiavel escreveu: “Ao amigos os favores, aos inimigos a lei”.  Golpe? De maneira nenhuma! O medo de um “afogamento” fez com que os políticos fizessem o correto.

Só tem um pequeno porém. A Lava-Jato continua suas investigações e isso pode amedrontar os políticos e eles podem começar a correr cada um para um lado e, desta forma, abandonando o certo e o justo, que é dar prosseguimento ao julgamento do impeachment. Cabe à sociedade brasileira manter a pressão em cima dos políticos.



Vamos Analisar#2- Era FHC!


Fernando Henrique Cardoso foi presidente de 1995 a 2003 e os petistas batem no governo dele, sem definir como estava o cenário econômico antes de seu governo. É impossível analisar algo sem um aspecto mais amplo, por isso, ver como estava a economia antes do FHC se torna essencial! Vamos ver como estava o Brasil antes da era FHC?

HiperInflação

A inflação no ano de 1989 era de 1782,90% e 1990 foi de 1476,56%, ou seja, na “era Collor”. Já em 1992, a inflação estava em 1158%, ou seja, na “era Itamar Franco”, alcançando 2780,6% em 1993. Dados do Almanaque Folha. Você consegue imaginar uma hiperinflação e como ela estragava a vida de todos? Uma inflação anual superior a MIL?

O que é?
Cultura Mix: “A hiperinflação é a inflação que está “fora de controle”, uma condição em que os preços aumentam rapidamente como a moeda perde seu valor. As definições formais variam de uma taxa de inflação acumulada durante três anos se aproxima de 100%, à “inflação superior a 50% ao mês.” No uso informal, o termo é muitas vezes aplicado a taxas muito mais baixas. Como regra geral, a inflação normal é relatada por ano, mas a hiperinflação é frequentemente relatada em intervalos muito mais curtos, muitas vezes por mês.”

O que provoca?
Uma hiperinflação apenas leva as mesmas consequências a um extremo mais destrutivo. O dinheiro se aproxima da inutilidade. As pessoas gastam loucamente apenas para se livrar do dinheiro em seus bolsos. Poupanças de longo prazo perdem o seu valor em questão de dias. As pessoas tentam desesperadamente fazer malabarismos com seus ativos apenas para manter suas poupanças. O investimento de longo prazo – a base para a elevação do nível de vida – sofre uma parada. O comércio torna-se mais difícil, ou mesmo impossível, através dos canais normais de troca. Por fim, a própria divisão social do trabalho é ameaçada de colapso, já que as transações monetárias transformam-se num caminho para prejuízos econômicos, em vez de lucros. Rumo a seu fim amargo, a hiperinflação traduz-se no fim da ordem social e econômica. (Instituto Liberal)

Buscando dados no site rep.org.br: Sem contar que antes da década de 90, o Brasil viveu uma era de escuridão, com déficit das contas públicas que variava de 3 a 8% do PIB (anos de 1979 a 1988). Não havia economia, não havia comércio próspero e o governo sufocava! O desemprego chegou a 15% da população economicamente ativa.

Era FHC

Chegou, então, um certo Ministro da Fazenda que liderou uma equipe de economistas da PUC do RJ e juntos fizeram uma revolução que mudaria a vida de todos os brasileiros. Uma revolução econômica que viria a torná-lo presidente. O Plano Real  domou a inflação, e deixou o país com a tão sonhada estabilidade econômica. Instituto FHC: “Sua Presidência foi marcada pela consolidação da estabilidade monetária, pela modernização da economia, por reformas nas contas e na gestão do setor público e pela democratização do acesso às políticas sociais, além do respeito às regras e aos ritos da democracia (...) Rotuladas de “neoliberais” e combatidas durante seu governo, suas políticas nas áreas econômica, social e institucional foram em linhas gerais mantidas pelo governo que o sucedeu. Eleito o presidente Lula, Fernando Henrique organizou a transição de modo a facilitar o acesso antecipado da nova administração às informações relevantes ao exercício do governo, fato até então inédito no país”.

Instituto Mises define os resultados iniciais, assim que o Plano Real foi implementado: “A transição do Cruzeiro Real para o Real, na sexta-feira, 1º de julho de 1994, foi sem susto e sem tumultos.  Obviamente, em um país acostumado a confiscos, congelamentos e tabelamentos, houve quem remarcasse os preços de maneira mais "abusada", justamente tentando se precaver contra estas possíveis surpresas, algo que obviamente irritou o governo.  Porém, fora estes incidentes localizados, a transição se deu de maneira suave e tranquila.  A inflação de preços, que havia sido de 47,43% em junho, passou para 6,84% em julho, 1,86% em agosto, 1,53% em setembro, 2,62% em outubro, 2,81% em novembro e 1,71% em dezembro.”

E as conquistas não terminaram por aí, pois, com a economia estabilizada, e o dólar equiparado ao real, as famílias ganharam poder de compra. Um quilo de frango a um real, ou 40 litros de gasolina a 40 reais! Era o começo do crescimento econômico com regras firmes e o surgimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. O presidente ainda criou o Programa Nacional de Renda Mínima (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio Gás) que, posteriormente, teve seus projetos unidos para criar o Bolsa Família (lei 10836/2004). Ele também é “pai dos pobres” por ter projetos dele utilizados no Bolsa Família. E, como escrevi sobre o Lula, olhem só que era contra o Plano Real (veja abaixo):




Nos dias atuais

Então, considerando-se como o Brasil estava antes do FHC assumir, dá para ver como as críticas são injustas. Graças ao processo de continuidade da política pública, o governo Lula alcançou grandes êxitos. Precisamos, novamente, de alguém que reestruture nossa economia e faça os ajustes fiscais necessários para o Brasil sair do buraco. Precisamos de outro FHC.



Vamos Analisar #3- Não existe déficit, porque as reservas internacionais são maiores!


Com isso, eles querem dizer que não existe crise, que tudo faz parte do plano macabro da elite branca. Se desse para usar as reservas internacionais, como eles dizem, não teríamos crise mesmo, porém, não se pode usá-las desta forma. A revista Exame explicou, em 25/09/2015: “as reservas são um estoque e o déficit é um fluxo. Ou seja, se o buraco de 30 milhões de reais em 2016 não for corrigido, outro buraco haverá em 2017, 2018, 2019… 2021… 2037 e por aí vai.
 As reservas são um ativo do Banco Central (BC). Mas a capacidade do BC de socorrer o orçamento – abstraindo da legalidade da operação – não é dada por seus ativos, mas por seu patrimônio líquido. (...) O último balanço do BC apontava patrimônio líquido de 46 bilhões de reais – isso seria suficiente para somente perto de um ano e meio de buraco fiscal…”. Já nas contas atuais do governo, isso nem chega perto!

Porém, vamos ver o que acontece se isso for feito? Se retirarem as reservas internacionais para cobrir o rombo? Aqui está (leia no G1) o que disse a antiga equipe econômica da presidente Dilma sobre o assunto: “A utilização das reservas internacionais para outros fins, que não o mercado cambial, também poderia afetar o setor externo brasileiro, que tem se beneficiado com o dólar mais elevado. Para o ex-presidente do BC Gustavo Loyola, haveria "efeitos monetários complicados" e, por isso, acredita que haveria alta considerável no prêmio de risco do país”.

Tombini (ex-BC) também rejeitou esta ideia, segundo Notícias da Câmara: “O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, declarou nesta quinta-feira (29) a parlamentares que rejeita qualquer possibilidade de utilização das reservas internacionais para cobrir o déficit no orçamento. (...) Segundo Tombini, esses recursos têm sido colocados pelas agências de avaliação de risco como um dos pontos fortes da economia brasileira, com a redução da vulnerabilidade externa. “Nós aqui no Banco Central, certamente não apoiamos essas iniciativas de fazer encontros de passivos e ativos. Porque hoje é um colchão, é um seguro para a economia brasileira e tem funcionado bem. Com todas as incertezas em relação à nossa economia, nós temos uma tranquilidade do financiamento externo”, ponderou o presidente do BC”.

Não se usa, porque é nocivo para o equilíbrio das contas, e traria consequências ruins para a balança comercial, para o real e para a economia, então, existe um déficit e o reajuste econômico e fiscal deve ser realizado.



Conclusão

São três ideias equivocadas que tentam parecer com verdades, mas, no fundo, não passam de alterações da realidade, sem fundamento lógico ou histórico. Aliás, como fica demonstrado no vídeo acima, o PT sempre se utilizou de discursos sem muita fundamentação.


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