Pular para o conteúdo principal

Outro Papos indica Little V Mills

 O belo também é harmonia musical, então, indicar o canal de um metaleiro que não somente faz covers de anime songs (anisongs) como também as adapta para o metal, é indicar o belo. Pode parecer estranho, mas o metal possui beleza, principalmente se o trabalho for rigoroso como o dele. Ele adapta para o heavy metal, ele canta e ainda canta em japonês. E a  beleza no heavy metal é multifacetada, indo desde o visual rebelde até a exuberância teatral, sempre refletindo a diversidade e a criatividade desse gênero musical.

Ritos II- Protegido via Deviantart! (+18)

 

Ritos II

 

Passaram-se seis meses após o fim do evento que ficou conhecido como “A corrupção dos Treemons” e tudo parecia ter voltado à normalidade na cidade. Omyarap e Miyako continuaram se vendo nesse meio tempo. O posto de prontidão do jovem guarda fica a apenas um quarteirão do prédio da escola de magia da Igreja, na qual Miyako leciona. Eles se veem com muita frequência!

 

Em um determinado dia, ainda pela manhã, Miyako estava passando perto do posto de guarda e viu Omyarap e Murdok em treinamento. Mesmo após ser considerado apto a ser um soldado, tendo sido aprovado em seu ciclo ritualístico, Murdok ainda continua a treinar o jovem rapaz. Diz Murdok que o treinamento de um soldado deve ser diário, pois a gravidade do erro feito pela falta de treinamento poderá não apenas incapacitar o guerreiro, mas, também, quem o guerreiro deseja proteger. Omyarap acredita muito nisso e treina como nunca!

 

--- Omyarap! --- acena Miyako gentilmente para o guarda.

 

Murdok tenta aproveitar a oportunidade para desferir um golpe certeiro, mas Omyarap bloqueia com o escudo o golpe. Um golpe tão forte de um martelo, que faz o corpo todo do Omyarap tremer!  O som do impacto até chega aonde está a linda sacerdotisa asiática. Suas pernas arqueiam com a força descomunal e ele é arrastado para trás, mas consegue um contra-golpe usando o escudo para bloquear a visão de Murdok, enquanto lança, de um ponto cego, duas pequenas adagas. O veterano soldado decide soltar uma das mãos do martelo e, com bastante velocidade, agarra as adagas antes que elas o atinjam nas partes baixas de seu corpo.  

 

--- Há Há HÁ! --- gargalha orgulho Murdok! --- Muito bem, meu jovem! Achei que conseguiria uma brecha com a ajuda de uma linda sacerdotisa, mas você se fecha mesmo em seu centro quando está em modo de combate! Parabéns também por aguentar esse golpe direto!

 

--- Senhor, obrigado, senhor! --- diz Omyarap enquanto se coloca em posição de sentido e diz desapontado. --- Achei que meu golpe seria melhor!

 

--- Foi um bom golpe, sim, meu rapaz! Você aproveitou a nossa diferença de estatura e que seu centro de gravidade estava baixo por conta do meu golpe, para tentar me atacar na região mais próxima e mais vulnerável, ou seja, as pernas. Foi um raciocínio interessante. Até usou o escudo para me distrair e bloquear a visão! Só que eu sou experiente. Não foi a primeira vez que alguém menor tentou me atacar por baixo, tentando levar em consideração meu tamanho, então, eu já estou atento a esse tipo de problema.

 

--- Obrigado, senhor! Levarei isso em consideração! --- diz o jovem se curvando!

 

--- Vocês dois querem se matar? É isso? --- diz a sacerdotisa chegando perto deles!

 

--- Se o treino não levar em consideração o perigo de morte, não é um treino bom o suficiente! --- diz o veterano.

 

--- Eu concordo com o mestre Murdok! --- diz Omyarap.

 

A sacerdotisa apenas olha chocada para os dois. E, após um pequeno intervalo, ela rompe o silêncio.

 

--- Ei, Omyarap, posso fazer uma pergunta? Como se pronuncia corretamente o seu nome? Omyarap, ou Omayrap? Queria saber qual a forma culta e qual a forma popular.

 

--- Para mim, ambas estão boas! Minha mãe me deu o nome pelo idioma antigo de sua tribo e, nesse idioma, o ideograma do meu nome tem duas fonéticas corretas, sendo fluido: mya e may. Nunca pensei muito no assunto, mas acho que tanto faz! --- responde o soldado. “Se até o autor não sabe, como eu vou saber?” pensa o jovem rapaz!

 

--- Que incrível! Não poderia esperar menos de uma jovem pintora talentosa como é sua mãe.  A senhora Mugi é incrível! --- diz Miyako com um brilho nos olhos que faz com que Omyarap fique se perguntando o que há de errado com ela. Murdok sorri discretamente ao ver o jovem casal interagindo.

 

--- Muito bem, soldado! Hoje ficará sozinho com a Ming na estação de guarda. Fui convocado para uma reunião na cidade vizinha e devo partir imediatamente. Se precisar de apoio, Perseu, Bulls e Trock estão na estação mais próxima. Eles se revezarão para te dar apoio! --- diz Murdok se despedindo.

 

--- Sim, senhor! Obrigado, senhor! --- agradece Omyarap!

 

--- Quem é a Ming, Omayrap? --- pergunta a sacerdotisa, com um sorriso estranho no rosto.

 

“Ela trocou a fonética do meu nome?”--- indaga Omyarap para si mesmo, enquanto sente um calafrio passar pela sua espinha, como se a sua vida dependesse da resposta certa a essa pergunta. Murdok ri e pensa: “Um pouco de ciúmes para apimentar essa relação!”. A pressão espiritual que a sacerdotisa está emitindo, nesse momento, faria até o Lorde Demônio se impressionar!

 

Murdok se afasta dos dois, enquanto eles conversam e Omyarap tenta acalmar a ciumenta sacerdotisa gênio. Murdok começa a recordar que após o fim do evento da corrupção dos Treemons, a sacerdotisa e Omyarap começaram a se ver com mais frequência, pois ela tinha ficado interessada nos efeitos da corrupção em soldados e estava monitorando tanto o jovem guardião como sua mãe. Segundo ela, era para evitar que a corrupção pudesse afetar a vida cotidiana de ambos. Esse monitoramento tornou-se amizade em um mês e namoro em apenas 4 meses. A sacerdotisa se impressionou com a sensibilidade de Mugi, a jovem mãe do soldado, e da disciplina e rigor com que Omyarap lidava até mesmo com questões de rotina, mostrando-se sempre muito sério. Essa admiração logo se tornou amor.  Omyarap também mostrou interesse em Miyako de forma quase instantânea, pois a beleza da jovem sacerdotisa é digna dos mais lindos cânticos românticos.

 

Quatro meses atrás.

 

--- Senhora Mugi, estou quase certa que os efeitos da corrupção já foram todos eliminados. Nosso monitoramento se encerra hoje. --- diz Miyako com tristeza no rosto.

 

--- Ora, ora! Pode me chamar apenas de Mugi! --- diz a jovem pintora.

 

--- Seria desrespeitoso de minha parte, senhora! --- rebate Miyako com respeito.

 

--- O monitoramento terminou, então, a convido para uma festinha de fim de serviço. Gostaria de comemorar com você que tanto nos ajudou nesse momento. --- afirma Mugi fazendo com a mão um “V de vitória”.

 

--- Obrigado, senhora!... --- agradece Miyako e, antes que concluísse a frase, é interrompida por uma Mugi autoritária.

 

--- Se recusar a festinha, vou ficar brava! --- diz Mugi.

 

--- Ehr... então eu agradeço humildemente! --- concorda Miyako e antes que pudesse terminar a frase novamente, Mugi autoritária se faz presente novamente.

 

--- Se somos amigas ao ponto de fazermos festinha, então, não precisa me chamar de senhora! --- conclui Mugi fazendo “V de vitória” com as duas mãos dessa vez!

 

--- Ehr..., sim senh.... digo, está bem Mu-Mugi! --- diz Miyako vermelha de vergonha. Ela pensa: “Droga, cai na armadilha!”

 

Mugi se alegra e faz uma linda dancinha em comemoração.

 

--- Amanhã nos veremos, Miyazinha, para um festão! --- diz Mugi com alegria quase infantil!

 

--- Amanhã, já? --- pergunta uma sacerdotisa gênio assustada.

 

“Minha nora é tão bonitinha!”, pensa a artista!

 

O dia passa de forma normal. Miyako retorna para a igreja e, durante seu trajeto, percebe Omyarap no posto de segurança ajudando uma senhora a se localizar.  Ela, então, para e grita acenando gentilmente:

 

--- Omyarap!

 

O guardião a ouve e responde com outro aceno. Os dois ficam encabulados por um momento, como se esse aceno fosse a coisa mais indecente do mundo. Depois de uma breve pausa, ela volta a andar. A igreja é uma junção de quatro edifícios e é um dos maiores conglomerados da cidade.  A igreja em si, onde congregam-se para louvar a Deus, um prédio educacional, um prédio que serve para obras assistenciais, e outro que é formado para pesquisas em magia. O prédio da pesquisa mágica, apesar da proximidade, é isolado dos demais, não tendo entradas em comum com nenhum deles. É como se fosse uma sombra dos prédios vizinhos. Miyako passa pela igreja e faz uma breve oração. A simples oração dela é capaz de fazer fadas e anjos descerem para dançar. Em seguida, ela passa no prédio educacional, no qual deposita o relatório final da visita à família de Mugi. Em seguida, ela vai para uma sala de aula, na qual começa a lecionar a estrutura mágica para alunos destinados a serem sacerdotes. “Ela é um gênio!”, “Nessa idade e já está lecionando!”, “Oh, nosso anjo asiático!” são pensamentos de alguns dos alunos, enquanto Miyako descreve a habilidade básica da magia:

 

--- A magia no nosso mundo vem de duas fontes, como todos já devem saber: Deus e Invasor. Conta o texto sagrado que enquanto Deus semeava a terra e criava a vida, outra divindade, com ciúmes do trabalho realizado, resolveu interferir. Com muita astúcia, ele conseguiu plantar sementes ruins junto com as sementes boas de Deus. Assim esse mundo nasceu. Ao ver que suas sementes estavam junto de sementes ruins, Deus optou por deixar que todas crescessem juntas. Ele tinha fé de que suas sementes poderiam trazer luz para as sementes ruins. E, no final, quando tudo fosse colhido, ele separaria o bom trabalho do mau trabalho.

 

Miyako faz uma breve pausa para beber um pouco de água e continua:

 

--- Isso é a palavra no pergaminho sagrado. Nos livros de história, sabemos que houve muita interação entre os dois tipos de semente, fazendo com que, hoje, nós, humanos, que transitam entre o bem e o mal, tenhamos aptidão para ambas as bençãos dos dois deuses. Temos capacidade para conjurar os dois tipos de magia.

 

--- Professora, mas isso não iria contra o aprendizado de que existe o mal absoluto? --- pergunta um aluno.

 

--- De maneira nenhuma! Os dois tipos de magia não tem referência direta com o tipo de coração que há. A magia é como uma arma. Pode ser usada tanto para o bem, quanto para o mal. Como existe o mal absoluto, que semeou sementes más, existe o coração mau que a tudo corrompe. As sementes que ele germinou, bem como as sementes que ele conseguiu corromper, são exemplos do mal absoluto. Enquanto corrompidas, essas sementes são o mal absoluto. Assim como existe o bem absoluto, nosso Deus, que permitiu em amor que todas as sementes germinassem, existe o mal absoluto que tudo queria destruir. O Lorde Demônio, por exemplo, é o servo máximo do mal absoluto. É um ser que não se pode purificar. Lembrando que nós somos uma raça que transita, enquanto existem raças fixas do bem e do mal. Tais raças podem ser controladas e corrompidas e cabe a nós evitarmos isso, ou nosso mundo será destruído.

 

--- Então, professora, a falha do ritual de  purificação é sinal de que nosso Deus é mais fraco? --- pergunta o mesmo aluno.

 

--- Também não existe relação! O ato de purificação não é um ato de imposição, mas é um convite para que aquela semente torne-se novamente pura, ou boa. Assim como nosso Deus não obrigou as sementes más a se tornarem boas, o ritual de purificação não é uma imposição, mas um convite, para que o mau se arrependa. Nesse sentido, vemos como nosso deus preza pelo livre arbítrio. Logo, o ritual não falha. É a semente dentro da pessoa que falha em retornar ao bem absoluto, ao aceitar o convite. Muitas vezes essa falha ocorre porque a semente se prende demais a um arrependimento, ou a uma tentação. Quando você recebe um convite para uma festa, cabe a você confirmar se vai ou não. É a mesma coisa! --- Miyako, então, se lembra do convite da Mugi e ri.

 

--- Professora, eu estou confusa. Poderia explicar como o ritual interfere na corrupção  e porque não existe cura para a corrupção da alma? --- pergunta uma aluna.

 

--- Precisamos, primeiro, definir o que é a alma. Alma é uma palavra que significa nossa psiquê, sendo significado de alma também: “aquilo que dá vida”, ou seja, é nossa semente por assim falar. Existem dois níveis de corrupção. Uma no nível apenas do coração humano, que pode ser controlada pelo convite, o ritual de purificação. A outra é a corrupção já no cerne da semente. Quando a própria semente se corrompe, o convite é ouvido, mas rejeitado de imediato. Nesse momento, é o mal absoluto que toma conta da criatura através de sua alma. Presenciei o caso dos Treemons pessoalmente. As pequenas criaturas tiveram uma corrupção tão poderosa que entregaram sua alma, ou seja, sua semente para o mal absoluto. Aquilo me doeu na minha própria alma. Eu não pude fazer nada.

 

--- Como podemos dizer que existe um bem absoluto, se raças boas podem ser corrompidas e nunca mais retornarem ao bem? O bem absoluto, se corrompido, mostra que não é absoluto! --- pergunta o mesmo aluno das primeiras perguntas.

 

--- Posso responder com apenas uma questão filosófica. O nosso deus é amor e é o bem absoluto ao qual devemos seguir. A própria existência de um deus absoluto e bom, que não se corrompe, já define, por si só, a existência do bem absoluto. Cabe a nós tentarmos nos aperfeiçoar para chegarmos ao ponto de sermos como ele que nos criou e, então, sermos o próprio bem absoluto nessa terra. --- Miyako faz uma pausa para beber mais um pouco de água. --- Talvez, e isso é apenas a minha própria esperança, que, um dia, alguém consiga ser o bem absoluto nessa terra e conseguir purificar até mesmo o Lorde Demônio. Lembrem-se, somos sementes. Qual árvore seremos só depende do nosso crescimento e das nossas escolhas. O bem absoluto nos convida, o mal absoluto nos invade!

 

Assim sendo, com o soar do sino, a aula termina com aplausos de todos. Miyako se curva em agradecimento e começa a recolher suas coisas de sua mesa. Nesse momento, o aluno inquisidor se aproxima. Sua frágil aparência delicada o faz parecer doente e sua presença é bem fraca ao ponto de quase ninguém o notar. Seus olhos são cobertos pela franja quando sua cabeça está baixa e ele quase sempre anda de cabeça baixa.

 

--- Professora Miyako, eu tenho algumas dúvidas ainda. Sei que seu tempo está esgotado, então, eu pergunto se posso encontrar com a senhora no templo no fim de tarde? --- pergunta o jovem rapaz, que, também, é mais alto que a professora.

 

--- Hummm... --- fica pensativa por um instante, mas explicar coisas é uma fraqueza dela, então, ela cede! --- Claro! Tudo pelo bem dos meus alunos. Só não precisa me chamar de senhora. Eu ainda não sou casada!  

 

O aluno agradece e se retira. Miyako pensa: “Senhora! Agora sei como essa palavra doeu no coração da senhor... digo, da Mugi”. Uma imagem mental da Mugi fazendo um sinal de vitória aparece na cabeça da Miyako. Como havia algum tempo ainda, Miyako se dirige até o prédio da assistência social da Igreja, onde ela começa a ajudar a cozinhar sopa para os desabrigados e para os órfãos que a igreja cuida. Existe uma escala de trabalho bem definida, que é seguida por todos, não importando sua posição hierárquica dentro da Igreja, portanto, vemos sacerdotisas cozinhando e, por exemplo, sacerdotes limpando banheiros. É um trabalho que também exercita a humildade de seus corações, pois a verdadeira função deles é a servidão.

 

Após cozinhar, ela pega um pouco da sopa, do pão e do queijo e embrulha em pequenos pacotes para os levar consigo. E, como um foguetinho, ela corre em direção ao posto de segurança em que Omyarap está de serviço. Ao chegar lá ela percebe um informativo no mural: “Os generais da cidade vizinha foram corrompidos e entregaram a segurança de seu povo ao demônio. Estão à mercê da vontade de pessoas sem escrúpulos e que conseguem dominar tanto a justiça, quanto a segurança pública. Existe um pedido da guilda para intervir!”. Miyako percebe que o caminho para a perfeição da humanidade ainda está ainda em seus passos iniciais e se entristece. Sua tristeza se encerra quando ela ouve uma voz conhecida a chamando.

 

--- Miyako, o que te traz aqui? --- pergunta um sorridente Omyarap a recebendo!

 

--- Omyarap, eu estava aqui por perto e decidi trazer-lhe uma refeição! Trouxe para os outros também! --- diz a jovem espiritualista, ficando vermelha. Ao longo do tempo em que ela acompanhou a família do soldado, ela começou a ver valor no rapaz e o valor, aos poucos, tornou-se em interesse e, por fim, amor. Ela queria muito se declarar. A igreja que ela segue permite o casamento, pois é uma forma de espalhar novas sementes de Deus, entretanto, se ela aceitar uma relação com outra pessoa, ela precisa comunicar a igreja, pois ela deverá trocar de classe. De sacerdotisa para maga! A diferença entre uma maga e uma sacerdotisa não está no nível, ou tipo de magia, mas na intenção, ou não, de amar uma outra pessoa

 

--- Obrigado! Pena que os outros saíram em patrulha! --- Omyarap pega os pacotes com comida e gesticula agradecendo. --- Eu comunico para eles, assim que eles voltarem da patrulha. Vão ficar muito felizes! E eu ainda nem tive o prazer de apresentar você a eles... --- Omyarap para um instante e fica vermelho, afinal, pensa ele: “Como assim apresentar? Antes disso, eu preciso é me declarar!”, sim, Omyarap se apaixonou primeiro por ela.

 

--- Hi Hi Hi—ri de forma discreta a linda asiática. Ela pensa: “Ele vai se declarar! Não tenho dúvidas! Eu conheço esse olhar!”.

 

--- Miyako, eu queria te dizer uma coisa, por isso, peço que se encontre comigo no muro lateral da cidade! Pode ser hoje à noite? --- pergunta o rapaz.

 

--- Claro! Eu vou precisar encontrar um aluno, mas assim que terminar, estarei livre! Irei com certeza! --- diz a jovem segurando um grito de felicidade e tentando parecer a mais séria possível. Omyarap apenas sorri de volta!

 

--- Então, obrigado pela comida! --- diz ele abrindo seu pacote e encontrando uma bela sopa de tomate, acompanhada de pão e queijo. Ainda está quentinha. Ele pensa: “Ah, que delícia! Estou sentindo apenas o perfume dela, então, foi ela que fez tanto o pão, quanto a sopa. Conhecendo-a, ela não permitiu que ninguém mais tocasse na comida, enquanto ela embrulhava os pacotes, por isso, o cheiro de outras pessoas está bem fraco! Que bom! Comer uma comidinha feita por ela! Que felicidade”!

 

Miyako acha bonitinho que Omyarap esteja perdido em pensamentos, com a cara de quem alcançou a felicidade plena! E ela acha triste ter que tirá-lo de seu campo de felicidade, mas o interrompe:

 

--- Omyarap, eu devo ir encontrar agora meu aluno. Assim que terminar, eu vou para o muro, no local combinado! --- ela se despede e, como um foguetinho ligeiro, ela desaparece em direção à igreja. Omyarap acha bonitinho o jeito ligeiro com o qual ela corre. Para os apaixonados, qualquer coisa que um faça, o outro vai achar bonitinho!

 

Enquanto Miyako estava voltando, o jovem estudante já estava no saguão, na nave principal da igreja, rezando, quando é interrompido por uma sensação terrível. Ele não está sozinho na igreja, tendo a companhia de uma sacerdotisa mais velha, por volta de seus 50 anos. Apesar da idade, ela manteve-se bela, com um corpo magro e uma pele macia. Ela também sente uma presença e diz:

 

--- Meu rapaz, se afaste daqui!

 

Antes que ela terminasse qualquer outra fala, ela é puxada para trás por um laço envolto em seu pescoço. Ao tentar recitar um encanto, uma maçã é colocada em sua boca, servindo de mordaça. Ela tenta morder a fruta, mas o suco expelido pela fruta, ao ser engolido, faz com que ela fique tonta. É como se fosse um narcótico que está fazendo-a dormir. O jovem rapaz tenta correr para liberá-la e é só o que ela vê antes de ficar totalmente imobilizada pelo veneno!

 

--- Quem é você? --- grita o jovem estudante, enquanto gesticula uma magia e cria um pequeno escudo.  Mesmo com medo, ele não se afasta. Ele teme que sua fuga faça com que esse ser, ainda oculto, se concentre unicamente na sacerdotisa, então, mesmo correndo risco de vida, ele permanece em pé.

 

--- Diga-me, sacerdotisa, qual o nome desse rapaz? --- diz o vulto, enquanto seus laços e cordas começam a imobilizar a sacerdotisa veterana. Os laços se movem magicamente prendendo-a primeiro pelos cotovelos por trás, depois deslizam para os punhos, amarrando-a. Para evitar que a corda, ela mesma, escorregue acidentalmente pelas roupas, ela (a corda) começa a se envolver ao redor dos seios da mulher, para criar um ponto fixo. E, a deslizar pela barriga, essas cordas assemelham-se, em sua movimentação, a serpentes. Essas “serpentes”, para chegar até as pernas, prendem-se aos quadris primeiro, depois às coxas e, por fim, unem-se aos tornozelos dela, retirando também os sapatos sacerdotais. Assim, expondo os pés grandes, e esguios, envoltos em meias pretas. Por fim, a sacerdotisa fica totalmente amarrada. Seus pés não conseguem alcançar o chão, sendo que o ser a mantêm no alto, longe do chão que seus pés tentam alcançar em vão, se espichando. Seus dedões apontados para o chão dão a imagem de que ela, sem dúvida, está à mercê de seu algoz. É como se seus pés estivessem pedindo ajuda! Um sinal de socorro inconsciente!

 

--- Pertos! --- diz a sacerdotisa sem opção. O veneno da maçã a faz embriagada e ela não consegue se revoltar contra a ordem dada. Em seguida, o vulto coloca outra maçã na boca da sacerdotisa, a fazendo gemer de medo.

 

--- Solte-a! --- grita Petros!

 

--- Sabe por que perguntei seu nome, Pertos? --- O vulto começa a falar. --- Assim eu consigo possuir a pessoa. --- a próxima fala já é dita pelo vulto já possuindo Pertos. --- Usando o seu nome, eu consigo me esconder dentro de você e te controlar por completo.

 

Pertos, agora possuído, começa a rir de forma maquiavélica.

 

--- Daqui não sairá, monstro! --- diz Miyako chegando ao templo e erguendo seu cajado! – Devolva meu aprendiz!

 

--- Seu nome é Miyako! --- diz rapidamente o Pertos possuído, antes que a jovem sacerdotisa possa encantar algum cântico! Miyako sente uma onda forte de energia negativa a controlá-la. Usando sua visão espiritual, que é uma manifestação de uma benção divina, ela se vê totalmente acorrentada por cadeias de energia escura. Essas cadeias começam a agrilhoá-la, até que ela não consiga se mover livremente. Em seguida, ela vê um vulto atrás dela, como se fosse uma “Iron Maiden”, que a engole por completo, deixando-a na escuridão.

 

 --- Que sorte a minha que Pertos e você se conhecem, assim pude ver nas memórias dele o seu nome, professora! --- diz o demônio! --- Agora, conheço todos os seus conhecidos. Logo a cidade será minha, nome por nome!  

 

--- Aaaaahhhhh, que delícia! Ter três sementes sob meu controle! --- diz o demônio usando Pertos, em êxtase! --- Qual dessas sementes eu irei corromper primeiro?

 

--- Espera! Você vai nos corromper? --- diz o espírito de Pertos acorrentado do mesmo jeito que Miyako foi! Ele está em um lugar escuro, como se sua vida tivesse sido tomada. Ele sente o quão poderoso é esse espírito!

 

--- Jovem Pertos, sei que você tem dúvidas quanto ao poder de seu deus. Sei que não considera seu deus um poder absoluto, pois o bem pode ser corrompido. Eu vejo tudo isso em sua alma. E você está certo! Suas dúvidas são reais! E isso é uma delícia para mim! --- diz o demônio enquanto sorri de maneira prazerosa.

 

--- Não! Mesmo que eu tenha dúvidas, isso não relativiza o poder de nosso Deus, pois o poder dele independe de nossa crença! Você está errado! --- diz um Pertos assustado, mas ainda enfrentando essa escuridão dentro de si!

 

--- Não importa, caro Pertos! O que eu quero é justamente a dúvida e unicamente a ela. Não me importa, pois é a dúvida que me alimenta. É o medo que me alimenta! --- diz o espírito movimentando o corpo de Pertos para perto da senhora sacerdotisa. Usando o corpo dele, o demônio começa a massagear o corpo indefeso da mulher de forma desrespeitosa. --- Ora, ora! Parece que esse corpo aqui gosta disso! --- diz o espírito ao notar uma movimentação natural do corpo humano do Pertos e gargalha!

 

--- Vamos a um pequeno sacrifício! --- diz o demônio pegando uma adaga e se dirigindo para perfurar o coração da sacerdotisa amarrada. Ela nada consegue fazer para se proteger e nem mesmo consegue gritar. Ela apenas geme e esperneia em vão, sem conseguir se soltar.  

 

--- Não me humilha, demônio! --- grita Pertos! --- Sai de perto dela, agora!! --- o comando de Pertos parece ter tido efeito!  Por alguns segundos, a raiva e determinação de Pertos conseguem fazer com que seu corpo solte a faca e se afaste da sacerdotisa amarrada.

 

--- Opa! Que perigo! Quase perdi o controle! --- diz o demônio! --- Sabe Pertos, se seu deus é tão poderoso, por que estou agindo livremente na casa dele? Ele poderia me deter se quisesse! Ele não pode!

 

As dúvidas de Pertos se manifestam novamente e esse período de dúvidas faz com que o demônio pudesse comandar novamente o corpo de Pertos. O demônio sorri e depois gargalha!

 

--- Eu só quero semear a dúvida! Para mim isso basta! Para mim, isso é poder! E estar na casa d’Ele, fazendo isso com três sementes d’Ele já me dá muito poder! --- gargalha o demônio na casa de Deus!

 

--- Já basta! --- diz uma voz feminina ecoando no coração de todos na nave principal. --- Você está agindo aqui, pois foi convidado a estar aqui por Ele. Ele nos indicou essa luta, pois nós somos capazes de te enfrentar! Ele sabe que podemos te derrotar, ser imundo! Você não é nada mais do que um convidado a estar aqui e todo o convidado indesejado é sempre foçado a se retirar quando assim for preciso!

 

Da Iron Maiden que continha a Miyako surgem rachaduras e, em seguida, após o som de diversos trovões, como que relâmpagos estivessem batendo dentro das paredes da “Iron Maiden”, a prisão é rompida com uma forte luz dourada!

 

--- Lux! – Com um simples encanto, Miyako faz transbordar por toda a nave principal da igreja, uma luz tão branca que a tudo envolve. Essa luz expulsa de todos as trevas demoníacas do controle. Pertos e Miyako estão livres!

 

“Precisei de um encanto com recitação mais rápida que o meu nome, para não ter risco dele me parar novamente. Não era adequado, mas era o mais rápido! Impedir que ele fale meu nome!  Preciso concentrar e achar outro encanto mais rápido ainda para completar o trabalho.”, pensa Miyako.

 

O demônio, que parece ter voltado a ser um vulto sem forma muito definida, ainda está confuso. Pertos percebe e lança outro encanto de “Lux”. A diferença da força do encanto é assustadora. É como comparar a luz do sol a uma luz de uma vela, mas até mesmo uma vela pode queimar e machucar. Assim, o encanto de Pertos consegue imobilizar o espírito!

 

--- Professora, vou manter ele imobilizado! --- grita Pertos!

 

Antes que Miyako possa fazer algo, as cordas que imobilizaram a primeira sacerdotisa se lançam em direção da jovem asiática, formando uma bola de cordas do tamanho de uma bala de canhão. “Não estamos enfrentando um demônio, mas dois!”, conclui assustada a sacerdotisa, “As cordas não eram uma manifestação mística do primeiro demônio, mas um demônio parasita que acompanha o primeiro e se alimenta, como o nome sugere, dos restos deixados pelo primeiro demônio”.

 

“Não vou conseguir desviar a tempo!”, diz a sacerdotisa, temendo pelo que pode vir a acontecer se ela falhar. Ela teme pela fé de Pertos, pelas suas vidas e pelo seu Omyarap!

--- Professora! --- grita Pertos enquanto a bola de cordas se prende nas costas de Miyako, que tentou se virar por instinto, para que a massa de cordas não batesse em seu peito. A bola de cordas começa a se movimentar, já prendendo os braços da Miyako pela frente, juntando seus punhos cerrados. Ela observa com um olhar assustado, mas continua a cantar seu encanto. O demônio percebe a distração de Pertos e prepara uma lâmina de energia escura, enquanto ele começa a tentar falar o nome dos dois novamente, para tentar imobilizá-los. É questão de velocidade, nesse momento.   

 

Vencerá quem conseguir recitar mais rápido. Vencerá o mais rápido! Nesse momento, o demônio de corda começa a produzir uma maçã para evitar que Miyako continue recitando. A fruta começa a se aproximar de seus lábios, enquanto a lâmina escura se aproxima do peito de Pertos. O jovem acadêmico já percebe a lâmina, mas não possui experiência, ou velocidade, para esquivar do golpe. A única coisa que ele consegue fazer é olhar para o vitral da igreja que reproduz o semblante calmo de seu querido deus e ele pensa: “Eu confio em você!”.

 

Nesse momento de que todos se movem como se estivessem em câmera lenta, surge uma luz prateada extremamente rápida. Essa luz corta a corda que ia em direção aos lábios de Miyako, enquanto uma mão forte alcança o demônio nas costas da jovem sacerdotisa e o esmaga sem piedade. Com o demônio parasita morto, as cordas que prendem a senhora sacerdotisa se enfraquecem e os laços são desfeitos. O demônio em forma de vulto se surpreende com a emissão de duas energias contra ele e interrompe sua investida contra Pertos.

 

A primeira energia a chegar a ele é a energia assassina emitida pelo salvador de Miyako, que, com o olhar, emite sua sede de sangue. É uma energia que o faz tremer! A segunda energia ele sente após ouvir:

 

--- spiritus caro facti sunt! --- é o encanto da jovem sacerdotisa. O demônio chega a recuar e espera o efeito do encanto, que ele não conhece. A sacerdotisa, então, consegue um tempo para olhar seu salvador. Omyarap estava com ela! E ele estava furioso!

 

--- Amor, eu o transformei em carne com meu encanto. Agora ele pode ser despachado para os portões do inferno usando uma lâmina qualquer. Aja rápido! --- grita Miyako! Omyarap nada diz, mas age com grande velocidade. Da entrada da igreja até o altar tem mais de 25 metros. É a distância entre Omyarap e o demônio refeito em carne. São 25 metros que se transformam em 25 centímetros em apenas dois segundos. Essa é a velocidade do guerreiro em modo de combate. A lâmina de Omyarap já está no pescoço do demônio que ainda tenta:

 

--- Omyarap é seu nome! Pare! --- tenta o demônio usar seu poder. Entretanto, a lâmina de Omyarap não para e corta a cabeça do demônio com grande velocidade. Não satisfeito, Omyarap ainda lança outros 20 ataques cortantes fazendo em pedaços o corpo do demônio. O demônio não entende porque seu poder não funcionou com o jovem guerreiro, que não pretende explicar ao mal o porquê de sua ruína, então, ele silencia. Foi nesse momento que Miyako percebeu a fluidez da fonética do nome do Omyarap e que essa fluidez do nome era a fraqueza do poder do demônio, pois ele era incapaz de dizer as duas pronúncias do nome dele ao mesmo tempo. Miyako pensa: “Mugi, você é genial!”.

 

Miyako corre em direção ao Omyarap, enquanto Pertos corre em direção da senhora sacerdotisa que estava ainda meio tonta por conta do veneno imobilizante que a fez ficar um pouco bêbada.  Pertos olha para o vitral novamente e sorri em agradecimento. A velha sacerdotisa o abraça:

 

--- Meu salvador! Meu lindo salvador! --- diz ela. Ela é uma daquelas bêbadas que ficam manhosas quando bebem. Pertos assim descobriu mais uma coisa sobre a madre-sacerdotisa. Que ela era uma mulher manhosa que adora abraçar e beijar, quando está liberta pelo efeito de uma bebida.   

 

Quando Miyako chega perto de Omyarap, ele sorri de orelha a orelha e pergunta encabulado:

 

--- Amor?

 

Dessa vez, Miyako é que fica encabulada e interrompe a sua corrida em direção a ele. Juntando os dedinhos em posição de vergonha, olhando para o lado e com a  voz bem baixinha, ela explica:

 

--- É que o demônio conseguia controlar as pessoas se soubesse o nome delas, então, eu não podia falar seu nome para ele. --- ela faz uma pausa e percebe o próprio erro. --- Se bem que ele possuía minhas memórias, então, foi meio sem sentido. No final, ele até falou mesmo o seu nome! Desculpa!

 

Omyarap chega perto dela e coloca sua mão na cabeça dela, enquanto limpa a outra mão, ainda suja com o sangue do demônio-parasita, atrás de seu corpo. Eles se olham e o olhar dele é o mais sorridente de todos.

 

--- Você demonstrou seu sentimento por mim. E eu fiquei muito feliz com isso! Quero te dizer, aqui e agora, que você também é meu amor! --- ele faz uma pausa, respira fundo e olha novamente para Miyako. --- Por isso eu quero te pedir em namoro. Aceita namorar comigo?

 

Os olhos dele são bem determinados e sua voz não tremulou em nenhum momento. Com isso, Miyako sabe que o sentimento é verdadeiro. Não foi uma confissão em um jardim de flores, como seria perto do muro da cidade, no local escolhido, que era cheio de lindas flores, mas foi dentro da nave sagrada da igreja, aos olhos da imagem do Deus absoluto, ou seja, para Miyako foi o lugar mais favorável, pois foi quase um pedido de casamento! E ela sorri de volta, com o coração mais alegre possível. Um coração tão alegre, que chega a atrair fadas e pequenos anjos ao seu redor.

 

--- Sim, eu aceito! --- diz ela, enquanto fadas e anjos celebram. Omyarap sorri de volta e ambos se abraçam, ignorando os efeitos da morte do demônio atrás dele. Feito carne, o demônio tem seu espírito acorrentado e é levado à força para o inferno, pois essa é a regra aos que morrem fazendo o mal. Ao ser feito de carne, e ao ser morto, ele foi preso a essa regra imutável e seu exorcismo assim foi realizado.

 

Após um breve momento de alegria, houve uma pausa no qual os quatro começam a se olhar, ainda dentro da igreja. A madre-sacerdotisa, ainda meio grogue, se apoia no ombro de Pertos, Miyako se abraça em Omyarap.

 

--- Quem vai limpar o sangue do demônio da nave principal da igreja? --- pergunta Miyako com cara de nojo!

 

--- Pode deixar, querida, que eu peço para o grupo de limpeza fazer esse serviço. Inclusive a purificação do templo e a nossa também! --- diz a madre-sacerdotisa. --- Aaaaahh, que dor de cabeçaaaaa!

 

--- Pertos, você entendeu o que aconteceu aqui hoje? --- pergunta Miyako em sua função de educadora.

 

--- Sim, professora!  Entendi que o mal se alimenta de nossas dúvidas e que, apesar de eu achar questionável, eu entendo a liberdade que nosso Deus dá, inclusive, para que demônios possam entrar na igreja. Ele nada restringe, pois sabe que disso resultará um ponto de equilíbrio que nos fará crescer. Sei bem disso, pois foi enfrentando minhas trevas que vi a luz. Se ele não permitisse esse combate, eu não teria visto minha verdadeira convicção n’Ele. E, acredito, isso me deixou mais próximo d’Ele. --- conclui Pertos.

 

--- A presença de um demônio na igreja também foi um erro meu. Perdoem-me. Eu não fiz o ritual vespertino de limpeza do ambiente. Não esperava que o demônio estivesse às portas, por isso, achei que não faria mal dar uma pulada no ritual da nave. --- se desculpa a madre ainda sendo amparada por Pertos.

 

--- Poxa, madre-santa! A senhora não pode mais errar assim. Se estiver cansada, delegue a outro! --- reclama a sacerdotisa.

 

--- Desculpe! --- diz a madre!   

 

Após um tempo de conversa, os casais se despedem. Omyarap leva Miyako para comer algo junto ao lindo campo florido à noite. Isso depois de lavar as mãos e comunicar, através de uma mágica de comunicação que usa dois espelhos como receptores e transmissores, a Mugi que ele se atrasaria para chegar em casa. Mugi fica sabendo, também, no início de namoro do filho e dá uma dancinha de felicidade muito fofa. Coisa que deixa Omyarap e Miyako sem jeito de assistir!

 

Pertos acompanha a madre até seu aposento e a madre diz a ele:

 

--- No momento em que eu seria um sacrifício, você lutou contra o demônio para evitar a minha morte! Eu te agradeço!  Tenho uma dívida para contigo! --- diz ela se curvando em agradecimento sincero ao jovem estudante universitário/acadêmico.

 

--- Eu não fiz mais do que a minha obrigação como servo, de evitar que o mal se propagasse. --- diz o estudante sem jeito.

 

--- Vi também que você se encantou, digamos dessa forma, pelo corpo dessa velha senhora! --- ela complementa sorrindo.

 

--- Aaaahaaaaahaa! --- diz Pertos sem saber o que dizer e já suando frio!

 

--- Não fique encabulado. Hoje, quero te dizer que sou sua serva de corpo e alma. Pode fazer o que quiser comigo, uma vez que minha vida agora te pertence e não mais a mim. --- ela para e senta-se em sua cama. --- Apesar de ser a madre-sacerdotisa, ainda sou mulher e nunca ninguém resistiu ao demônio por mim.

 

--- Eh?!

 

--- Não sabe como isso me encantou! Eu estava indefesa, e você resistiu ao demônio por mim. Achei isso incrível! Então, quando eu retirar a minha batina, minhas roupas sacerdotais, pode me considerar apenas uma mulher, sua serva! Não serei mais uma madre. No momento em que estiver sem os trajes do sacerdócio, serei apenas o que você quiser que eu seja! --- diz ela com um olhar penetrante, sensual e provocador!

 

--- Pelo amor de Deus, não fala essas coisas para mim enquanto está vestida como a madre! Deus, me perdoa! O que eu fizzz!!!! ---- diz o jovem universitário entrando em pânico!

 

A madre sorri, se levanta e diz:

 

--- Então está bem! Irei até o banheiro tirar minhas vestes. Se por um acaso ainda estiver aqui, podemos continuar a conversar. Esse é o ponto no qual eu desejo que seja livre para me responder. Você tem toda a liberdade do mundo para decidir o que fazer. Como dois adultos que somos.

 

O Pertos se perde em memórias nesse momento em que ele fica sozinho no quarto. Ele se auto-examina e lembra da primeira vez que viu a madre e como a achou digna. Ao mesmo tempo, suas lembranças vão alterando de momentos em que ele a achava uma madre sensacional, a momentos em que ele havia se pego a admirando como mulher. Como em uma excursão da faculdade de magia na qual, após expor uma aula incrível sobre rituais antigos de invocação de familiares, ele a pegou tirando seus sapatos e colocando seus pés em água corrente. Os pés dela o encantaram, pois pareciam joviais e um pouco grandes para o tamanho de seu corpo, o que ele considerava absurdamente sensual. Nesse momento, ele tinha concluído que gostava da madre tanto como professora, como mulher. Da cabeça aos pés!

 

--- Ainda bem que está aqui ainda. --- diz a madre saindo do banheiro e vestindo uma camisola simples, sem muitos adereços. --- Eu refleti e me achei bem vulgar. Não sei o que há comigo esses dias. Deixar um demônio entrar na igreja e agora me dei como serva a um aluno da faculdade. O que há comigo? --- diz ela ficando vermelha.

Ela tinha uma pele muito clara por causa da batina que cobria o corpo inteiro dela e, por isso, ela não tinha uma marca sequer do sol e, por isso, seu rosto vermelho, em contraste co sua pele excessimanete branca, como seus cabelos, a fez ficar extremamente sexy aos olhos de Pertos, que, enfim, não se segura.

 

--- Todos cometemos erros, mas essa é a graça humana. Errar sempre, mas sempre seguir em frente! --- diz ele se aproximando, a pegando pela cintura, a aproximando de seu corpo e  sentindo os seios dela em seu corpo. Ele é um rapaz bem alto, então, ela ficou ainda mais linda perto dele por estar mais baixa. --- E, se ainda desejar, quero seguir em frente contigo. Errando contigo, me desculpando, mas seguindo em frente juntos, de mãos dadas!

 

Pertos a encara com coragem nos olhos e suas palavras a fazem ficar perdida em pensamentos. Ele a coloca no colo e a deita na cama, segurando-a pelas pernas. Ele se dirige até seus pés juntos, segurando-a pelos tornozelos gentilmente e diz enquanto olha para seus olhos:

 

--- Eu sempre a considerei minha guia máxima e minha musa máxima. Tê-la como minha serva é algo que não posso perder. Não como serva, mas como companheira. É um milagre que eu não estava esperando e espero que me aceite como eu sou.

 

Ela curva seus pés em direção ao rosto dele e ele beija cada dedo dela. Nada  mais é dito. Tanto Pertos quanto a madre se comprometeram naquela noite. Eles fizeram amor e a madre conheceu o fetiche de Pertos por pés, quando ele expos isso ao se concentrar muito nas pernas dela. A madre-serva, então, foi amarrada (hogtie), teve seus pés acariciados e foi tratada como uma mulher, de forma digna e cordial, amada e erótica. Pertos, por sua vez, se esbaldou e deixou seu fetiche fluir de maneira, também, a não assustar a madre. Para ambos foi um sonho!

 

 

Dessa forma, a presença de um demônio na Igreja não somente motivou a fé de um aluno, como também promoveu a união de dois casais. Por isso, o Deus absoluto permitiu esse evento, pois, nesse evento houve crescimento de aprendizado, de moral e de sementinhas.

 

 

FIM

Postagens mais visitadas deste blog

Boushoku no Berserk

Berserk of Gluttony: Uma Série Que É Meu "Pecado"! Boushoku no Berserk (Berserk of Gluttony) - Pictures - MyAnimeList.net Fate é um jovem que acreditava ter uma habilidade inútil chamada "Gula", que o mantinha constantemente faminto. Ele era um vassalo em uma casa de cavaleiros sagrados, onde era tratado com desdém, nutrindo uma paixão secreta pela cavaleira Roxy Hart. Ela destaca-se como a única guerreira nobre em um mundo dominado por cavaleiros que abusam de seu poder para oprimir o povo. Quando Fate acidentalmente mata um ladrão enquanto ajuda Roxy, ele descobre que sua habilidade de "Gula" vai além do que parecia. Esse evento o faz perceber os aspectos positivos e negativos de seu "pecado". Comprometido a proteger Roxy, ele decide usar seu poder em prol da casa daquela que sempre o tratou com humanidade e respeito. Baseada em uma novel escrita por Ichika Isshiki , com arte de fame , "Berserk of Gluttony" é serializada desde 2017,

Outros Papos indica: Japanese Noodles Udon Soba Kyoto Hyogo

 Saboreiem! Um canal dedicado à culinária japonesa! Se gostarem, se inscrevam lá!

Traduções ideológicas

Hoje, no blog, não farei recomendações, mas sim uma sugestão. Há uma controvérsia em torno de alterações indesejadas em traduções e legendas de obras japonesas. Se os próprios japoneses começassem a traduzir e legendar seus animes para o Ocidente, essas distorções poderiam ser evitadas. Pergunto-me por que, até agora, os japoneses ainda não optaram por legendarem eles mesmos e disponibilizarem à venda discos com suas obras legendadas em outros idiomas. Isso certamente eliminaria o ruído ideológico e, sem dúvida, eu seria um dos consumidores da mídia física lançada por eles, com legendas "feitas em casa". Na administração, aprendemos que devemos apresentar não apenas os problemas, mas também as soluções. Portanto, considero essa a solução para o problema das alterações ideológicas em obras orientais.