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O belo vive!

 O Belo vive;  Sonhos na neve;  Alma limpa!

Ritos- Conto (+18)

 Conto adulto (+18)!! Copyright salvo no Deviantart!


Em um mundo que não é nosso, mas muitos aspiram a ele e se inspiram nele, existe uma certa nação que está avançando na era dos metais, que tem na magia uma fonte de recursos ilimitados, pois os deuses abençoaram esse mundo com magia ao invés de tecnologia. Quem não gostaria de ser revivido após sua morte? Quem gostaria de ser curado de alguma doença sem a necessidade de uma lâmina cortar-lhe os tecidos e depois ser costurado e se manter imóvel até que lhe retirem os laços que impedem a ferida da cirurgia de abrir? É por isso que esse mundo é tão cobiçado e inspira a muitos.  A magia é uma tecnologia melhor! Nesse mundo, a ressurreição é uma realidade. Nesse mundo, doenças podem ser curadas com a imposição de mãos, ou com lindos cânticos ancestrais. 


Apesar disso, nesse mundo existe a guerra. Não é uma guerra comum entre irmãos, ou entre nações, mas entre humanos e outras raças, pois nem todas as raças são boas. Existe o mal absoluto, assim como existe o bem absoluto. Os homens combatem ora defendendo o bem absoluto, ora defendendo o mal absoluto, pois os homens, aqui como lá, são assim. São passíveis de tentações e de pecados, assim como são passíveis de atos de honra e de moral elevada. Já outras raças defendem sempre um lado, ora bom, ora mau. E, por isso, não existe guerra entre homens, pois eles aprenderam, há muito tempo, que a divisão precede a queda e se houver a queda, eles seriam dominados por outras raças, principalmente as raças do mal absoluto, que não se arrependem de seus atos e cobiçam sempre a guerra, a ladraria e os assassinatos. São raças que se infiltram pelas sombras em outras raças intermediárias, como a raça humana, e tentam manipular suas mentes e suas sociedades. Sabendo disso, as nações humanas começaram forte sistema de defesa de seus valores e de suas tradições. Seus valores precisavam ser mantidos e precisavam ser transmitidos, para impedir que as raças do mal absoluto pudessem usar qualquer brecha para levar para si qualquer um que tenha seus valores enfraquecidos. Seria a escravidão e o uso humano para fins maléficos. A tradição embasada na honra, transmitida pelos costumes, fortalece os homens e impede que caiam nas mãos de raças sombrias. 


Em uma cidade de uma nação amiga existe um rito de passagem para a vida adulta. Um jovem, seja homem um mulher, precisa realizar algum ato de valor que o confirme como uma pessoa madura. Pode ser o aprendizado de um cântico de cura, da maestria no uso de instrumentos musicais ou armas. Pode ser o valor de um discurso bem feito, ou de um livro bem escrito. Pode ser uma caça bem feita, ou um móvel de grande utilidade. Sim, o rito de passagem para a vida adulta é o início da escolha de sua profissão. Geralmente os jovens que aspiram à vida adulta se espelham nos pais para seguirem suas trajetórias na vida. A escolha do jovem Omyarap foi a escolha militar. A tradição conta que um militar precisa de experiência em combate, caça, cura e rastreio de presas, entre outras tão importantes quanto. Seu pai é um grande militar que foi escolhido para servir nas fileiras de sua nação na guerra contra um lorde Demônio que já havia destruído cidades, e estava escravizando elfos e exterminando outras raças. O principal objetivo do lorde Demônio é que só exista o mal absoluto e suas raças. Todas as raças que não se sujeitarem a isso seriam “limpas”. Apesar de haver ressurreição, se não houver o rito correto, ela não poder ser realizada e o rito não pode ser realizado enquanto houver a guerra naquela região. Os militares, então, possuem grande valor, pois promovem a condição de que os sacerdotes precisam (a paz) para realizarem a ressurreição. Sem ela, os filhos choram a morte dos pais, os irmãos não podem se abraçar e o mal absoluto vence pela dor que promove na alma dos homens. Ciente disso, aos olhos de Omayrap, os militares são tão importantes quanto políticos ou agricultores. Nem todos pensam como ele. 


Sua mãe, Mugi, uma jovem pintora de grande talento, já ciente de que seu filho passaria pelo rito esse mês, e que o seu filho decidiria pela função militar, foi a um bar espairecer. Suas amigas a felicitavam pela escolha do filho enquanto bebiam. Mugi contava a elas sobre a saudade que sente de seu marido. Suas amigas a tentavam confortar, enquanto o álcool fazia seu efeito, fazendo cada uma delas reagir de uma forma diferente. Uma delas ria alto, outra chorava de cabeça baixa, enquanto uma terceira se abraçava em Mugi, quase retirando dela o ar. Jovens mulheres sem controle pelo álcool acabaram por chamar a atenção de uma misteriosa figura.  Essa figura não usava uma capa com capuz para mascarar sua identidade. Ao invés disso, usava feitiços que embaçavam a memória de quem a via. Com o efeito do álcool, esse feitiço passaria despercebido, como se fosse efeito da bebida.


--- Desculpe me intrometer, minha filha, mas estava ouvindo seu lamento. --- disse a figura enquanto colocava as amigas de Mugi em letargia e se sentando ao lado da Mugi. 


--- Sim, deveria ser uma festa, mas o álcool me fez sentir saudades de meu marido! 


--- É uma jovem bonita, tem todo o sentido do mundo em se sentir assim! --- disse a sombria figura, enquanto lançava, mediante feitiço, “sussurros” no coração de Mugi. Sussurros como “está abandonada”! Sussurros que permitem que suas palavras adentrem mais facilmente o coração da jovem mãe. 


--- Meu filho completou já seus 16 anos. Está na fase de escolha de sua profissão e sua passagem para a vida adulta. Ele também escolheu ser um militar, como o pai. O pai o treinou bem e sei que ele é capaz, mas assim ele também sairá de casa para o campo de combate e eu ficarei sozinha. --- lamenta Mugi. Uma mulher com 34 anos, lindos cabelos longos e muito bela. 


--- É normal, minha querida! --- Sussurro ao coração: ele morrerá se sair da vila!


--- Eu tenho medo que ele se machuque! Que sinta dor! Que morra em algum campo e não possa ser ressuscitado. Sua alma vagando sem rumo. --- Mugi começa a tremer e chorar. 


--- E o que pensa em fazer? Deixará ele morrer? --- Sussurro ao coração: impeça-o. Atrapalhe seu rito de passagem. 


--- Eu pensei em proibi-lo de realizar o rito, mas não posso atrapalhar! Ele não me perdoaria. --- diz Mugi. Eu não me perdoaria por impedir meu menino de crescer!


Os sussurros tem limite de influência e esse limite é dado pela força da tradição encravada na alma da pessoa, por isso, o último sussurro não conseguiu atravessar seu coração, batendo em uma parede e se estilhaçando sem efeito.


--- Você é muito valente, minha querida! Eu também escutei que o rito será amanhã. Então, eu sugiro que se despeça dele e lhe deseje sorte. --- Sussurro ao coração: despeça-se dele na entrada da vila, perto da ponte. Ele gostará! 


--- Sim, eu vou desejar sorte para ele! --- disse Mugi entre lágrimas e um sorriso tímido. --- Ele é esforçado e merece todo o respeito do mundo para escolher a profissão que desejar. 


--- Muito bem, minha filha! Eu me despeço aqui. Boa sorte! --- diz a mulher se levantando e saindo do bar. 


Momentos após sua retirada, uma sacerdotisa chega acompanhada de um guarda. Eles procuram com zelo por alguma coisa. O guarda pergunta a um garçom:


--- Algo estranho ocorreu aqui? Alguém estranho apareceu aqui? 


--- Não adianta perguntar! Eu fiz um rastreio mágico e constatei com foram usados feitiços de camuflagem e sussurros. Qualquer pessoa aqui pode ter sido vítima! Não! Todas aqui foram, sim, vítimas! --- disse a sacerdotisa. 


--- Não podemos deixar ninguém sair, até descobrirmos o que foi feito. Meus guardas farão a proteção do perímetro! --- disse o soldado. Infelizmente, enquanto a sacerdotisa realizava o rastreio e o soldado perguntava ao garçom o que estava acontecendo, Mugi já havia se levantado e ido embora, com a certeza de que deveria se despedir de seu filho na ponte perto da entrada da cidade.


No dia seguinte, a jovem Mugi já estava de pé, em frente a ponte da cidade, antes mesmo do Sol amanhecer. Ela portava um pacote no qual estava um lanche que ela havia feito para seu filho. Ela planejava se despedir dele e voltar para pintar o Sol que ela já havia visto. Um barulho, porém, chamou sua atenção. Ela olhou em direção ao barulho, perto de uma árvore e se dirigiu até o local. O barulho parecia de um filhote chorando e ela não poderia permitir que um filhote chorasse. Seu instinto de mãe falou mais alto. Nesse momento, ao se aproximar da árvore, ela tem a manga de seu vestido agarrada e é puxada para dentro da mata. 


Com o susto ela acabara fechando os olhos e, ao abri-los novamente, vê a figura de um pequeno Treemon. Treemons são seres com a altura de quatro maçãs e, geralmente, inofensivos. Habitantes das florestas próximas da cidade, eles são conhecidos por algumas travessuras. Possuem muita força apesar de seu tamanho reduzido. Sua aparência lembra de pequenas árvores. Com até folhas e flores. Isso dificulta sua localização, sendo uma camuflagem campestre excelente. 


--- Que susto que você me deu, seu pestinha! --- brinca Mugi com o Treemon, aproximando a mão para lhe tentar tocar. Treemons são seres com aspecto até fofo, que faz com que as pessoas queiram tocá-los. 


Para a surpresa de Mugi, o Treemon agarra-a o punho com um de seus laços, formados por alguns de seus galhos. Apesar de serem normalmente tímidos, Treemons são capazes de travessuras e Mugi acredita que isso não passa de uma travessura. Acreditando que ela pode se soltar, ela sorri e diz:


--- Vamos! Solte meu braço antes que eu fique com raiva! Você não vai querer me ver com raiva! --- Mugi tenta simular uma carinha de braba, mas o efeito da péssima atuação e de sua beleza natural,  e jovial, fazem com que a carinha dela fique muito mais fofa do que agressiva. O Treemon coloca seu corpo de lado, como que não estivesse entendendo. Subitamente, Mugi ouve um barulho atrás dela.  Outro Treemon apareceu. 


Mugi percebe que tem algo errado e começa a sentir medo. Ela tenta se soltar do primeiro Treemon, achando que poderia se levantar, e ao Treemon, com a sua própria força. “Ele é pequeno, não pode ser tão pesado!”, pensa ela tentando achar um meio de se soltar. Entretanto, ao tentar se levantar, ela não consegue soltar seu braço e nem levantar o Treemon do chão. Por mais que ela se esforce, o resultado é um Treemon fixo e seu braço ainda preso a ele. Ao olhar com mais cuidado, ela percebe que o Treemon se enraizou ao chão, impedindo assim que ele fosse levantado. Suas raízes a impedem de levantá-lo. Em silêncio, o outro Treemon se aproxima sem ela perceber e lança seus laços contra os tornozelos dela, unindo suas pernas e a lançando de volta ao chão. Agora, um Treemon a prende pelo braço e o outro, esticando seus laços, a prende as pernas. Ambos os Treemons começa a se afastar um do outro, fazendo com que o corpo da Mugi se estique e ela não consiga forças para resistir ao movimento. Mugi tenta soltar seu braço usando a mão livre para tentar arranhar o monstrinho. Reação desesperada e em vão, permitindo que o Treemon faça crescer novos laços, prendendo seu outro braço ao que já estava laçado, formando uma espécie de algema de galhos e laços. Com os punhos algemados e as pernas laçadas, ela não consegue mais lutar. Sua alternativa é tentar gritas por socorro.


--- Socorr…. Mphhhhh! --- O Treemon mais próximo do braço estica seus laços e forma uma fruta, fazendo uma espécie de ballgag que amordaça Mugi, impedindo-a de gritar.  Mugi olha espantada e, agora, indefesa para os dois Treemons. “Eu nunca ouvi histórias de Treemons fazendo isso! O que está acontecendo? Como posso me soltar? ... Omyarap!”, pensa a jovem pintora. Seu último pensamento, voltado para seu filho, é o medo de ter atrapalhado seu rito de passagem e o terror de nunca mais poder vê-lo. Lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto e são absorvidas pelos galhos dos Treemons como se fosse algum alimento para eles. 


Os laços começam a se espalhar pelo corpo já indefeso da magra e jovem mãe, imobilizando as suas coxas, unindo os cotovelos e formando uma espécie de mumificação de seu corpo. Os dois, então, começam a andar para dentro da floresta que, aos olhos assustados de Mugi, parece mais sombria e assustadora que a de costume. O Sol que ela tanto desejava pintar, agora, já aparece pleno no horizonte. 


Alguns minutos após isso,  Omyarap já está pronto para seu rito de passagem e espera por ordens de seu superior em frente ao portão da cidade. Ele estranha que sua mãe não está presente para desejar-lhe boa sorte, mas sabe que ela, quando sai para beber, pode acabar passando o dia na casa de suas amigas. “Meu pai faz falta mesmo!”, pensa o jovem.  Ele, então, percebe a aproximação de dois vultos. A sacerdotisa do dia anterior, uma jovem de 20 anos, que há dois anos já trabalha para a igreja, sendo considerada uma prodígio. Sua feição é delicada, com cabelos castanhos e aspecto asiático. E o mesmo guarda de antes. O guarda é um forte adulto, com armadura prateada e bem lustrada. É, também, seu superior chamado de Murdok. Um adulto de pele escura, com uma forte cicatriz que percorre de sua sobrancelha esquerda até seu queixo direito, passando por seu nariz. Uma cicatriz de guerra que ele possui com muito orgulho. O pai do jovem  Omyarap já havia contado a ele que o seu mestre, Murdok, o salvou a vida do ataque de um guarda das trevas montado em um lagarto gigante. O lagarto tinha tanta força que uma rabada dele foi suficiente para quebrar o elmo de Murdok e lhe cortar o rosto por completo. Por sua vez, a fúria de Murdok foi tão intensa, que ele acabou cortando o soldado das trevas e sua montaria com uma única machadada. 


---  Omyarap, preciso falar com você urgente! --- diz Murdok com um tom de voz com autoridade que faria um relâmpago parar sua queda. 


O jovem aprendiz se coloca em posição de sentido, mas seus olhos se transformam. Ele começa a sentir agressividade e pergunta:


--- O que aconteceu com minha mãe? 


--- Como sabe que viemos falar sobre isso? --- pergunta a jovem sacerdotisa. --- Tem algum dom místico consigo? 


--- Sinto o perfume dela, bem como sinto o cheiro das torradas que ela ama fazer para mim. Ao buscar a origem desses cheiros, percebi, amarrado em suas costas, um lenço que ela costuma usar para amarrar minha marmita. O lenço dela tem seu perfume e a marmita tem o cheiro das torradas que ela faz. O cheiro das torradas está intenso, ou seja, elas foram feitas hoje. O que me leva a questão: se minha mãe fez essas torradas hoje, para mim, mas não me entregou e não está aqui presente, presumo que algo aconteceu com ela! Então, mestre, o que aconteceu? --- os olhos do jovem já não conseguem segurar o ódio que cresce. Ele sabe que algo ruim aconteceu. 


--- Muito bem, meu filho! O seu rastreio continua bom como sempre! --- diz o orgulhoso mestre. --- sacerdotisa Miyako, por favor, explique. 


--- Sim! Ontem, durante minhas orações, senti a presença fraca de uma serviçal do demônio. Eu demorei um pouco para conseguir saber de onde vinha essa presença. Ela conseguia usar ocultação com maestria, mas não o suficiente para me enganar por muito tempo. --- diz a orgulhosa asiática. --- Continuando, eu tracei sua trajetória até um bar. Ao entrar, ela, infelizmente, já tinha escapado, mas fiz uma pesquisa mística para tentar saber sua intenção verdadeira. Entrevistei a noite toda todos que estavam no bar e usei minha magia para tornar visível os feitiços usados por ela. Tudo para determinar seu real objetivo em nossa cidade. Uma investigação primorosa ao estilho Herlock Sholmes!



--- Obrigado por todo o seu trabalho, sacerdotisa. Percebo seu esforço, mas, por favor, conte logo o que aconteceu com minha mãe! --- pergunta o jovem tentando manter a calma. 


A sacerdotisa percebe que o elogio foi sincero e que a preocupação para com o bem-estar de sua mãe é algo forte e muito presente, então, ela encurta a explicação ao máximo. 


--- A bruxa queria reunir ao máximo sacrifícios para um monstro que ela deseja libertar aqui próximo, além de atrapalhar o rito de passagem de jovens militares. Você sabe, os militares são importantes para manter a paz e nos deixar ressuscitar os mortos, então, atrapalhar o rito de militares e enfraquecer o exército… 


--- Obrigado, jovem sacerdotisa! --- corta o mestre. --- Vamos rastrear e trazer de volta a sua mãe. Esse será seu rito de passagem e sua primeira missão! 


Para bom entendedor, meia palavra basta. Com a ordem, o soldado já entendeu que sua mãe havia sido vítima dessa bruxa e tinha sido capturada para ser sacrifício de algum monstro que o lorde Demônio quer soltar perto da cidade. Não precisava dizer mais nada! 


Omayrap se aproxima de Miyako e seus olhos mudam, tornando-se fixos em um ponto. Suas veias saltam pelo corpo, seus cabelos se arrepiam, seus músculos contraem e sua respiração torna-se longa e profunda. Ele começa a cheirar o ambiente e sua audição começa a perceber sons que antes eram inaudíveis. Miyako se assusta e tenta se afastar. Murdok a impede de se afastar, e nega com o olhar alguma reação dela. Omayrap, então, após um certo tempo, começa a correr. 


--- Vamos atrás dele! --- diz Murdok. Enquanto correm atrás do jovem, o mestre explica: --- Ele estava entrando no transe de rastreio, no qual ele coloca todos os sentidos dele na missão de rastrear algo. Como a missão de rastreio envolve alguém que ele ama, a adrenalina foi inevitável, o que fez com que os músculos aumentassem de tamanho e ficassem prontos para o combate. Ele ficou pronto, em um instante, para defender o que ele ama.  


--- Como ele consegue correr tão depressa? --- pergunta a Miyako mal conseguindo manter a distância entre eles. Ela começa a ficar para trás, apesar de todos os seus esforços. Murdok a segura no colo. 


--- Desculpe minha grosseria. Eu também vou entrar no modo de rastreio e você vai acabar ficando para trás. Quando adrenalina e testosterona se misturam no sangue, aumentam a eficiência muscular e corporal a níveis acima do normal. 


Após uma breve explicação, Murdok entra rapidamente no modo rastreio. “Impressionante. O sargento Moudok entreou mais rápido no modo rastreio, está com uma armadura mais pesada e ainda me carregando no colo e, mesmo assim, tenho a impressão que ele poderia ultrapassar Omyarap facilmente se quisesse, mas está apenas o seguindo sem querer, ao menos, ficar ao lado dele. Deve ser por conta do teste de ritual do Omyarap, que ele está permitindo! Apesar disso, esses dois são muito rápidos! Que medo!”, pensa a jovem sacerdotisa, que apesar de acompanhar tropas em suas jornadas e caminhar bastante com eles, não está treinada para seguir dois soldados em modo de rastreio. 


Rapidamente eles chegam até a ponte. Sem pestanejar, eles entram na floresta. Miyako aciona um encanto de ocultação, para que a bruxa não possa perceber que está sendo seguida. Miyako também quebra bruxarias que estavam lá para avisar a bruxa se ela fosse seguida, ou se algum guarda se aproximasse. O raciocínio rápido prova porque ela é considerada um prodígio! 


Assim eles conseguem rastrear sem dificuldade o paradeiro da jovem sequestrada, chegando até uma pequena clareira. Lá, eles param. Ocultos pelo encanto da Miyako, eles tentam entender o que está acontecendo. Eles veem os dois Treemons imobilizando Mugi em uma mesa de sacrifício que tinha sido montada nesse momento por um Orc. Eles deixam-na amarrada com seus laços, que se desprendem de seus corpos. 


--- Quem diria que corromper dois Treemons seria tão útil. --- diz a bruxa rindo, enquanto gesticula uma bruxaria. --- Já, já sua vida será mais útil, cara mãezinha. Será a primeira refeição de meu queridinho monstro. Quando ele provar sangue humano, ficará viciado e procurará por mais. Desse modo, ele chegará perto da cidade de vocês e começará a predar seus moradores. Com a a ajuda desses dois Treemons, poderei fazer mais vítimas e mais predadores. Isso fará brotar medo nos corações dos moradores e o medo me alimentará e ficarei mais forte. O ciclo não terá fim e eu entrarei no período de evolução das trevas e ficarei mais forte! 


--- Evolução das trevas, né? --- cochicha Miyako. --- É quando um ser das trevas consegue evoluir através do sacrifício, ou dos sentimentos ruins das pessoas. A evolução permite que ela mate mais, corrompa, mais, destrua mais, engane mais…


--- Depois iremos ouvir com calma, sacerdotisa. Agora, Omyarap, você mata o Orc, protege sua mãe. Miyako, vai atrás da bruxa. Eu vou matar o animal! O sinal para entrarmos em combate é o aparecimento do bicho! Clear? --- orienta o sargento!


--- Clear! --- responde a sacerdotisa que pensa: “Poxa, ninguém me deixa explicar nada!”


--- Clear! --- Responde o jovem aprendiz que pensa: “Calma, mãe! Já te tiro daí!” 


Mugi começa a ficar impaciente e tenta se soltar da mesa de sacrifício, fazendo com que os Treemons usem mais laços para mantê-la segura no local, incluindo um forte laço no pescoço, na barriga e na cabeça. Laços tão apertados que quase a asfixiam. Alguns galhos crescem envolvendo seus olhos. Ela não consegue mais mover uma única parte do corpo dela. 


--- Não matem ela ainda, Treemons! --- diz a bruxa terminando sua feitiçaria. 


Omyarap se segura para se manter em posição. Ele range tanto os dentes nesse momento, que começa a engolir seu próprio sangue junto com sua saliva. Murdok percebe isso e avalia. Miyako usa uma discreta magia de cura, enquanto eles continuam escondidos, esperando. Ela se impressiona com a disciplina do soldado. A bruxa quase nota a magia de cura, mas decide ignorar, achando que fosse uma fada passando pelo local. 


Um barulho na floresta chama a atenção de todos. Passos largos e fortes de um animal que não desejar esconder sua presença e se aproxima, como se fosse um rei. Ele rosna com a força de um trovão e anda como se fosse muitos. A bruxa ri e se afasta. O animal-monstro que ela deseja atiçar com sangue humano acabar de chegar. É um Kraken-Spider, um monstro de periculosidade tipo B. Com um corpo de um imenso urso, tentáculos em suas laterias, ao todo oito tentáculos, e pernas  fortes com garras, o monstro gigantesco, maior que um elefante, tece uma saliva que adere como se fosse uma teia de aranha. O maior problema dessa espécie não é quando ele é adulto, mas quando ele tem filhotes. Geralmente, ele possui oito crias em uma única gestação e pode gestar quatro vezes em um ano. Seus filhotes poderiam entrar na cidade e sequestrar moradores, principalmente crianças, para se alimentar. Eles estariam prontos para procriação em apenas oito meses. A sua presença é um imenso perigo para a cidade. 


O sinal foi dado e todos investem de acordo com suas ordens. Omyarap , como um ninja, usa das sombras para se locomover e usando-se dessa ocultação consegue chegar perto das costas do Orc. Pelo tamanho dos músculos do Orc, seria impossível amputar-lhe um braço, ou perna, com um único golpe, por isso, o jovem soldado não pensa duas vezes antes de cravar-lhe sua espada no ponto cego mais próximo de suas costas: a nuca, de baixo para cima, adentrando o cérebro pelo pescoço. O Orc não consegue reagir. Como alguns tem magia de cura, Omyarap não pensa duas vezes em também usar uma adaga para cortar-lhe o fluxo arterial de sangue para o cérebro. Um corte profundo na jugular. Ao mesmo tempo em que gira com força a espada, tentando maximizar o dano ao cérebro do inimigo. Se o cérebro morrer, não existe magia de cura que possa ajudá-lo. O Orc tem uma morte rápida e indolor e sua magia de cura, que ele de fato possuía, não conseguiu sequer ser acionada. 


Ele, então, corre para libertar a mãe. Sua adaga, agora trêmula, começa a libertá-la! Primeiro, liberta o pescoço e ventre, permitindo que ela respire. Depois, foi tirando também a venda. Quando seus olhos se cruzam, ela começa a chorar de felicidade em poder ver o filho novamente. O filho tenta se concentrar em libertar a mãe e, agora, começa a desatar os laços das pernas e, com cuidado, também retira a fruta que servia como mordaça. Por último, os laços que prendem os braços. Como sua pele é clara, ela fica marcada com a pressão feita pelas cordas. Omyarap escolheu deixar os braços para o final, pois sabia que ela o abraçaria imediatamente e isso poderia atrapalhar no resto do trabalho de soltá-la. De fato, assim que ela teve os braços libertos, ela o abraçou com força! 


--- Eu fiquei com tanto medo de não te ver mais! --- diz a mãe se agarrando ao filho, enquanto chora! Ele a coloca nos braços gentilmente e corre para afastá-la do perigo! 


A bruxa nesse instante tenta usar de sua bruxaria, mas Miyako se interpõe contra ela. 


--- Pare! O Orc já está morto e não permitirei que use feitiços contra aqueles dois! --- diz com imponência a jovem sacerdotisa. Contudo, ela não percebe os Treemons nas costas dela. A camuflagem deles é ótima e eles podem se passar por simples arbustos ou matinhos. Muitos viajantes nem notam que acabaram passando à noite em cima de um Treemon. 


Um Treemon lança um laço que acaba por prender o longo cabelo da asiática e a puxa para baixo. A dor, e a surpresa de ter a cabeça puxada para trás, faz com que a Miyako perca o equilíbrio e caia de bunda no chão. O outro Treemon aproveita para imobilizar as mãos da sacerdotisa por trás. Ela olha com espanto! 


--- Eu lancei magias contra controle! Eles não poderiam estar sob seu controle agora… mphhhs! --- Miyako é interrompida até pelos Treemons, que usam de frutas para amordaçar a sacerdotisa. Enquanto um faz a mordaça, o outro começa a imobilizar as pernas da sacerdotisa, começando pelas coxas. Ele abraça as pernas dela e, aos poucos, vai criando laços para mantê-la presa. Por mais que ela lute, ela não consegue se libertar. 


--- Minha querida, eles não estão sob controle mental, ou hipnótico. Eles estão corrompidos. Eles sempre farão essas coisas, pois eu os corrompi para ficarem assim. Não existe cura para a corrupção da alma. E eles estão tão úteis, que penso em criar um exército de Treemons corrompidos! --- ela ri, enquanto pega uma adaga e se aproxima da sacerdotisa. --- Agora, fique quietinha! Você vai ser minha refém, para que eu escape daqui. 


A bruxa coloca a sacerdotisa no ombro e a levanta com facilidade, provando ter boa força física. De forma abusada, a bruxa dá uns tapinhas na bunda da maga, que ficou em posição vulnerável, perto do rosto da maligna feiticeira. Os tapinhas, contudo, liberam um feitiço de contra-ataque das roupas sacerdotais. Um círculo mágico se forma abaixo da feiticeira e lâminas de magia branca perpassam o corpo da bruxa, dando-lhe uma morte instantânea e libertando a sacerdotisa. Ela cai meio sem jeito, mas livre, inclusive, dos laços dos Treemons. Os Treemons também são mortos pelo círculo mágico! 


--- Ufa! Eu lancei nas minhas vestes uma magia de contra-ataque. Se alguém com más intenções me toca, esse feitiço é acionado! --- ela faz uma pausa e olha para os Treemons mortos e suspira. --- Pena que os Treemons morreram também. Eu queria testar se a corrupção da alma poderia ser quebrada na mesma reencarnação, sem a ressurreição. 


--- Que medo! Quer dizer que isso poderia ter acontecido comigo, por ter te colocado no colo? --- diz o sargento. 


--- Sargento? Só se o senhor tivesse alguma intenção suja para comigo. Como o senhor não teve, não acionou! --- Miyako fica procurando e pergunta. --- O que aconteceu com o monstro?


--- Aquilo? Não deu nem para o começo. Eu não queria arriscar, então, lancei meu ataque “Cem Lâminas” contra ele. Com minha força física, nem mesmo um monstro de periculosidade tipo B pode contra! Se bem que ele aguentou bem. Só foi morrer por volta do ataque da octogésima  lâmina. Não esperava menos de um tipo B.


--- Então, vencemos? --- pergunta Miyako.


--- Sim! --- responde o jovem soldado com a mãe do lado. Ambos se aproximam e formam um grupo. 


--- Soldado! --- grita Murdok!


--- Sim, senhor! --- coloca-se em prontidão!


---  Aproveitando que sua mãe está presente, aproveito para deixar sua avaliação clara! --- ele faz uma pausa. --- Você está aprovado em seu rito de passagem e, hoje, é um soldado. Parabéns pela conduta, disciplina e moral apresentadas aqui. 


O grupo volta para a cidade com a missão cumprida e com a certeza de que a lorde  Demônio continuará fazendo de tudo para corromper os jovens. Miyako explica ao jovem que a corrupção é algo horrível e que ao enfrentar alguma espécie de corrupção, ela poderá contaminar quem lutou contra ela, sendo, por isso, essencial que todo soldado faça purificação no templo, ao menos, uma vez no mês, ou após uma missão. Um soldado que enfrenta uma corrupção, precisa se purificar. Desse modo, Murdok ordena uma purificação ao final do mês para Omyarap. 


Naquela mesma noite, na casa de Omyarap:


--- Filho, a mamãe não consegue escapar! --- diz a jovem e bela mulher amarrada na cama.


--- Mãe, depois da experiência de hoje, você precisa saber se soltar dessas cordas. --- diz Omyarap que se aproxima e levanta as longas pernas de sua mãe, que pouco consegue resistir, colocando-a ainda mais presa, em um hogtie. Seus pequenos pés ficam para cima, enquanto ela se agita tentando se soltar. 



A corrupção é mais perigosa do que parece. Pode corromper de Treemons a soldados. Pode corromper de sacerdotisas, que viram bruxas, a mães que, ...bem…, sabemos que a corrupção é horrível. Após essa noite, tanto Mugi quanto Omyarap passaram imediatamente na igreja para o rito de purificação e passam bem! Nessa mesma noite, Murdok teve outro filho com sua esposa. 



FIM 


 

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