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A Vida!

  Viver é árduo;  Em dor, as estações;  Preciso é viver;  Anseio ver meu amor;  Ao amanhecer, estar com ela. Data do print: 03/04/2024

Paulo Fukue- O Engenheiro de Papel

 A tradição não é estática. Ela tem uma alteração lenta. Proteger a tradição é honrar os que vieram antes. Esse é um dos princípios de quem conserva. Por exemplo, antes de criar o Jeet Kune Do, Bruce Lee precisou aprender a tradição do box chinês, Wing Chun. Ele observou seus movimentos, treinou sua base, observou sua realidade e desenvolveu sua técnica para preencher algo que ele considerava falho. Ele conservou e debateu sobre mudanças pontuais, até chegar ao seu estilo próprio. Ele não poderia realizar tal feito se não existisse uma tradição de golpes e lutas anteriores. Se ele não tivesse um Yip Man que o ensinasse. Uma tradição que é mantida é sempre essencial para evoluções futuras e um mestre de hoje sempre aprende com um mestre do passado. Assim a tradição se movimenta. É assim também nas ciências, nas artes e no mundo inteiro. Uma sociedade que respeita seus mestres (professores de grande saber) pode evoluir mais rapidamente. Nesse sentido, toda a forma de divulgação de mestres, sendo seus textos, desenhos, ou biografias, é de grande importância para a sociedade. É dessa forma que uma sociedade pode evoluir: respeitando seus mestres e aprendendo com eles!




Paulo Fukue- O Engenheiro de Papel


Paulo Fukue é um desses mestres! Sua estreia como autor foi com a obra Tarun, lançada em 1967, mas não podemos esquecer um de seus primeiros trabalhos, que foi o emblemático Júnior (e sua turma), em 1963, para a editora Pan Juvenil. Aqui uma curiosidade, a Pan Juvenil, nesse período, teria uma evolução e se tornaria a Edrel, na qual Fukue lançaria e ajudaria em várias obras (Super Heros, Pabeyma, Tarun, entre outras) e também se tornaria um editor. A Edrel, com nomes como Seto, Minami Keizi, Paulo Fukue, Fernando Ikoma e Wilson Hisamoto, foi tão importante que muitos estudiosos afirmam que, no cerne do “boom criativo” da editora, é que reside a gênese do mangá brasileiro e eu concordo com eles. Fukue também trabalhou para a editora Abril, onde ganhou a alcunha que dá o subtítulo de sua obra biográfica escrita por Alexandre Nagado para a editora Criativo: O “Engenheiro de Papel”. Fukue trabalhou na revista “Destaque e Brinque” (Abril) na qual as crianças podiam destacar partes da revista e montar (sem tesoura ou cola) brinquedos de papel. Fukue era um dos responsáveis pelo projeto, daí seu honrado reconhecimento. Muito talentoso, Fukue ganhou o Prêmio Angelo Agostini (1995) e, também, em 2008 ganhou o Troféu HQ Mix de "grande mestre". 


Um mestre como esse não poderia deixar de ter uma biografia escrita, contando como começou seu desenho, sua carreira e seus projetos. E ninguém melhor para escrever sua biografia do que o talentoso e observador Alexandre Nagado, que fez um trabalho minucioso sobre a vida e a obra do mestre Fukue. Nagado conta com grandes detalhes toda a trajetória, não somente do Paulo, mas de toda a família Fukue. Somos levados para dentro da própria história das editoras, suas obras e, também, suas formas de edição e pequenas curiosidades sobre o trabalho do desenho em si e das gráficas. É um trabalho grandioso. Nada escapa das letras de Nagado, que nos informa, inclusive, sobre aspectos angustiantes pelos quais Fukue, e tantos outros, passaram durante o regime militar, entretanto, a obra é mais do que isso, é vida e criatividade de um gênio que transformou o mercado com suas mãos. E um gênio, quando encontra outro, ilumina toda a sociedade com uma simples conversa. 


Osamu Tezuka e Paulo Fukue


 Um dos momentos contados na biografia escrita por Nagado foi um encontro do mestre Osamu Tezuka, considerado o deus do mangá moderno, devido às suas incríveis contribuições para a arte, e Paulo Fukue. O deus do mangá visitou o Brasil e conversou com Paulo e uma simples pergunta (sobre o porquê de não existir um “estilo brasileiro” de quadrinhos) recebeu do mestre Fukue uma resposta profunda que transcrevo: “Como a atividade do profissional de HQ brasileiro é muito instável, o artista precisa ser versátil e estar apto a encarar o desafio de produzir de tudo e em todo gênero, ser eclético e sobreviver, por amor à arte dos quadrinhos! O mercado brasileiro de HQ chega a ser surreal em relação aos demais países do mundo. Talvez aí esteja a resposta à pergunta: O estilo brasileiro é este”! Uma realidade que, creio, pouco mudou nos dias atuais. E eu posso definir Paulo Fukue assim também: versátil, mestre de muitos gêneros, eclético e apaixonado por quadrinhos! 



Paulo Fukue - O Engenheiro de Papel


Autor: Alexandre Nagado

Edição, seleção de imagens e supervisão: Marcio Baraldi


Formato: 21 x 28 cm, com 124 páginas


Lançamento: Editora Criativo/ Editora GRRR!

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