segunda-feira, 2 de março de 2020

Conto do Ratinho - Pai Pródigo!


Conto do Ratinho- O Pai Pródigo

Eu estou sentado em minha baia, nesse momento, refletindo sobre os acontecimentos do ano passado e colocando tudo por escrito. Escrevo para olhos cegos e ouvidos surdos.

Agora, parando para pensar, o ano passado foi um ano confuso. O começo do ano passado, o caranguejo foi até a minha baia e retirou de lá as cobras venenosas, que invadiram minha casa na intenção de tomá-la para si e usufruir dela. Ele retornou com a garantia de posse de minha baia e eu, muito feliz, escrevi para minha mãe sobre os acontecimentos. Minha mãe é uma coruja sábia e me retornou suas palavras em outra carta. Como toda coruja, ela enxerga na escuridão, inclusive na pior das trevas espirituais. E ela veio me dizer que o caranguejo havia dado às cobras uma outra baia, que também haveria de pertencer a nós no momento de seu falecimento. Ou seja, caro leitor desconhecido, ele nos resgatou a nossa baia, mas nos retirou outra.

Foi assim que tudo terminou naquela ocasião. O triste é que li uma história, em um livro humano chamado Bíblia Sagrada, que conta a história de um filho que fez mal ao seu pai e ao seu irmão, tomou para si o que ainda não pertencia a ele, gastou tudo o que tinha, passou por dificuldades e retornou ao lar, sendo recebido com festa pelo pai e com tristeza pelo irmão que sempre teve uma vida correta. O filho pródigo é o título da história. Ao ler isso, identifiquei nos atores da história a nossa maldita família. O filho pródigo é a representação das cobras que quiseram ter para si o que não pertencia a elas, tentando imputar a nós falsas acusações. O pai é o caranguejo que, apesar de todo o mal que as cobras tentaram fazer a mim, ele ainda as recebeu. E o outro filho é esse ratinho.

Eu nunca gostei da postura do pai que recebeu com festa um filho odioso, enquanto o filho correto nunca recebeu nada, nem mesmo suas promessas feitas e foram muitas promessas. O pai não agiu com equidade e nem com justiça. O caranguejo, sendo o pai, também não agiu com justiça e nem teve amor verdadeiro pelo filho correto. Não escrevo sobre a baia dada, não é questão material, mas sobre a preocupação do caranguejo para com cobras que fizeram tanto mal a mim. É o ato de dar a quem não merece que realmente machuca. Como eu penso comigo, o ato de ter misericórdia para com um maldoso é maldade para com a vítima. Dessa forma, penso comigo que não é apenas o filho que se torna pródigo, mas o pai também, pois o pai gasta a herança do filho correto com o filho que não merece.

E o cientista nessa história toda? Ele continua permitindo esse estudo maldito. Sendo um ser acima do bem e do mal, não podendo ser restrito a essas definições, ele simplesmente É. E, como ele É, continua com sua postura imutável e eu não consigo mais ouvir sua voz. Ele me parece uma estátua, indiferente a tudo que está ocorrendo. Quando eu vou comer, fico mastigando minha comidinha, olhando para o alto, e lá está ele, concentrado em seus papéis. Eu não consigo imaginar o que se passa pela cabeça dele. E, também, como um mero ratinho de laboratório vai conseguir entender o cientista que o examina? É impossível.

Ao menos, os mangustos ainda estão ativos, observando a tudo. Meu caro leitor, é assim que o texto desse ano termina. Não sei ao certo se o conto terá uma continuação no ano que vem. Tudo depende do Cientista. Apenas ele dará a resposta.   



  

Poemas no Twitter III

 Enfim, o último poema lançado no Twitter e fechando essa semana.