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Um Discurso Falho!


A eterna divisão do "Nós X Eles"!



A definição da luta de classes, do “eu x você”, é a base determinante do socialismo, na qual “para Marx e Engels a história de todas as sociedades é a história destes conflitos fundamentais, o qual eles chamam de luta de classes. Segundo essa lógica, para compreender a história seria necessário investigar como, em diferentes épocas, as classes mais e menos privilegiadas entraram em confronto para garantir seus interesses” (Classes Sociais de Camila Betoni), ou seja, o socialismo se alimenta desta disputa para existir. Sem a luta de classes, não existiria o socialismo.

Deste forma, o PT fez uma pesquisa para saber se seu eleitorado ainda compra esta ideia, com a pesquisa “Percepções e Valores Políticos nas Periferias de São Paulo”. Esta pesquisa concluiu, de forma interessante, que “no imaginário da população não há luta de classes; o 'inimigo' é, em grande medida, o próprio Estado ineficaz e incompetente, abre-se espaço para o 'liberalismo popular' com demanda de menos Estado” (Diário de Pernambuco).

Após quase 13 anos de poder, o PT não conseguiu implantar a visão marxista em nossa sociedade, mas os ecos desta visão permanecem nos diálogos da crise, isto é, embora a sociedade brasileira não aceite esta visão, principalmente nas redes sociais, este diálogo tenta mascarar uma verdade. Durante os manifestos pela greve geral, ocorridos no último mês, eles tentaram comprar novamente a ideia de “mortadelas x coxinhas”, com o apoio, para meu desgosto, da CNBB (leia), que incentivou esta greve de maneira equivocada. Tentava-se repetir a guerra entre “direita x esquerda”. E isso é apenas uma máscara para a verdadeira disputa, tentando iludir a população para não revelar o verdadeiro “problema”, que é o fim do imposto sindical obrigatório. Ora, a reforma trabalhista, que foi aprovada na Câmara, indica que nenhum direito foi retirado do trabalhador, os acordos trabalhistas ficarão com força de lei e nenhum direito social poderá ser negociado, então, o verdadeiro motivo por trás das manifestações era o fim do imposto. Errou a CNBB, ou será que tentou manipular?

Desta forma, não se pode pensar, no sentido da greve geral, em “mortadelas x coxinhas” e, nem tampouco, em “direita x esquerda”. A guerra aqui não pode ser nem colocada em dois blocos, ou, se assim o for, será desigual para um dos lados, pois será algo como “Brasil X sindicatos”. Infelizmente, alguns ainda se pegam nessa disputa, tentando colocar tudo no “nós x eles” quando, na verdade, aqui isso não se aplica.  Este eco do discurso, felizmente, não cobriu a verdade e a greve geral naquele momento falhou.

A Greve Falhou

Os sindicatos simplesmente falharam, pois almejavam muito mais do que conseguiram.  Acompanhei, pelo Correio Braziliense, a greve em Brasília. Os efeitos no DF foram um reflexo do que a greve foi em demais estados. Eles esperavam reunir, em frente ao Congresso, mais de 10 mil pessoas, mas reuniram um pouco mais de 3 mil. Foi assim em todo o Brasil. Isso simbolizou a baixa adesão ao movimento, que ocorreu em todo o Brasil.   

Para a greve geral, os sindicatos erraram, tentando ainda comprar a ideia de lutas de classe, que nem mesmo o eleitorado do PT defende. E, por isso, falhou. Falhou ao tentar colocar nas reformas a culpa pela crise. Crise gerada pela má gestão de 13 anos de PT, crise gerada pelo desemprego, pela corrupção e pela teimosia dos políticos brasileiros, em um sistema político falho e corrupto. Também falhou ao apostar na guerra entre “mortadelas e coxinhas”. Mesmo no sentido equivocado de "nós x governo", o sindicato também falhou, pois não ficou demonstrado nenhuma retirada de direitos dos trabalhadores que pudesse inflar este tipo de disputa.

Carlos José Marques, editor da Editora Três, descreve mais um detalhe do fracasso, pois “eles foram contra a Constituinte, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que não saísse de sua lavra de projetos fracassados. São contra, pela simples necessidade de impor a mensagem de que só o PT e suas maquinações fraudulentas salvam. Você ainda acredita?” e, ao que tudo indica, a resposta para a pergunta do Carlos é não, quase ninguém acredita no discurso do PT e seus sindicatos.

Conclusão

A minha conclusão está nas palavras de Rodrigo Neves que escreveu que “os socialistas querem que todos sejam iguais, forçando os indivíduos a sofrerem coletivamente da mesma miséria, enquanto os capitalistas simplesmente entregam a decisão ao indivíduo e lhes afirmam: Piorar ou melhorar de vida depende apenas de você, das suas capacidades e de como você as utilizará para alcançar seus objetivos” e essa visão encaixa no resultado da pesquisa feita pelo PT e que mostrou que, ainda hoje,  a meritocracia é aceita como verdadeira.

Dessa forma, apesar de não ser aceita na sociedade, este discurso de lutas de classe ainda ecoa, como um eterno “oi” que vem diretamente do passado, mas que, na prática da realidade de vida do brasileiro, não se aplica como verdadeiro ou correto. Sendo esta uma das causas do fracasso da greve.


Desabafo
Enquanto a esquerda tentar manipular a realidade ao seu bel prazer, serei sempre forçado a mostrar a verdade e, desta forma,  parecer ser de direita. Sou ateu político, com a certeza de que deveria existir um Quarto Poder na sociedade para fiscalizar o Executivo, o Judiciário e o Legislativo. Eu acreditava que este Quarto Poder poderia ser o jornalismo. Eu me enganei. O Quarto Poder deve, em via de regra, ter a força do povo, do Poder Constituinte, e falta ao jornalismo esta força autêntica.  

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