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Locomotion e o fracasso do Crowdfunding


Team Loco e o fracasso do crowdfunding



Antes de virar Animax, o canal Locomotion era um dos mais amados espaços para quem curtia animação adulta, incluindo desenhos japoneses. O time que cuidava do canal tentou um retorno, criando um crowdfunding para a criação de um portal de streaming que é o sonho de muitos fãs saudosistas. O crowdfunding foi um fracasso e com razão de ser, pois não representa uma ferramenta adequada para o objetivo proposto.

Segundo o site Kickante, “Crowdfunding é quando várias pessoas se identificam com o seu projeto ou ideia e resolvem apoiar financeiramente para que ele se realize. Na Kickante, qualquer pessoa pode criar a sua campanha de crowdfunding e arrecadar fundos para um projeto ou uma ideia - artistas, cineastas, ONGs, idealistas, esportistas, empreendedores, entre outros, estão realizando seus sonhos com crowdfunding! CNPJ ou pessoa física. Projeto grande ou pequeno.”

Segundo a ideia de financiamento coletivo (crowdfunding), esta parecia ser a ferramenta ideal, não é? Até poderia ser, mas dependeria da contrapartida, isto é, do que seria dado em troca da contribuição. Praticamente, ofereceram mensalidades grátis, arte digital para download e, no máximo, ser ouvido em relação ao futuro da plataforma. A contrapartida não foi adequada ao que estava sendo proposto. Sem contar que lançou-se dúvida quanto à qualidade da plataforma por causa do valor pretendido estar abaixo dos valores de mercado. Com este valor pedido dever-se-ia criar a plataforma, contratar-se-ia servidores e pagar-se-ia contrato de exibição on-line de séries, fora serviços de criação de legendas, propaganda e etc.

Para ver como estava desigual, vamos pegar o exemplo do Crunchyroll que, atualmente, está com um milhão de assinantes. O CR gera algo em torno de 5 milhões de dólares mensais com a assinatura de seu serviço. Imaginem o lucro anual de uma empresa como esta? E o Team Loco queria criar uma plataforma semelhante. Eles estavam propondo a criação de uma empresa, com capital de outros, sem dar a eles uma boa contrapartida como, por exemplo, parcelas do lucro líquido obtido na operação (mesmo que anual). Sim, eles pretendiam criar uma empresa, gerar lucro e capital e dar aos contribuintes apenas gratuidade na mensalidade. Uma contrapartida horrível. Imaginem o seguinte exemplo: Didi pediu dinheiro para Dedé, Mussum e Zacarias para abrir uma locadora de vídeos. Em troca, ele daria a eles apenas aluguéis de vídeos. Acho que Dedé, Mussum e Zacarias seriam passados para trás, pois Didi ficaria com o lucro da empresa e todas as facilidades que uma empresa possui e sem precisar tirar dinheiro do próprio bolso. Didi seria o esperto.

A Solução

Como sempre afirmei, eu gosto de apresentar o erro/problema e apresentar a solução para o mesmo, então, como o Team Loco conseguirá reerguer o nosso tão amado canal? Pegando o exemplo mais correto, eles poderiam fazer como fez o Crunchyroll. O fundador do portal CR conseguiu financiamento empresarial com a Tv Tokyo e o grupo de investimento da família Rockefeller e iniciou suas atividades com estas parcerias. Atualmente, o CR tem como parceiros e investidores o Otter Media e a  Tv Tokyo. O Team Loco poderia, também, buscar um investidor anjo que, pelas palavras do site Anjos do Brasil, “O investidor anjo exerce um papel fundamental no sucesso destas empresas, pois além de contribuir com o capital financeiro, aplica a sua experiência, o seu conhecimento e a sua rede de contatos proporcionando o aumento de suas chances de sucesso e acelerando seu crescimento. Esta importância é tão relevante que um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em mais de 30 países identificou que ‘os investidores anjo tem um papel crítico no sucesso das empresas iniciantes’,  por isto é muito importante que o Brasil adote políticas de proteção e estímulo para os Investidores Anjo”.

Claro que o pessoal do Locomotion terá que dividir o lucro obtido com seus investidores, mas terá a certeza de ter seu projeto concretizado e com segurança institucional e financeira. Esse é o caminho adequado. E, para quem deseja realizar um crowdfunding, dê aos colaboradores uma boa contrapartida, principalmente se o produto a ser criado render algum lucro para a empresa, tal qual um filme ou animação. E, para quem é louco por ajudar, perceba se o produto a ser criado será vendido e peça uma boa contrapartida, como, por exemplo, o lucro obtido pela venda do produto.


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