Pular para o conteúdo principal

Crise Brasileira: Indústria Gráfica e Soluções

Crise Brasileira- Indústria Gráfica



Recebi, semana passada, a revista da Abigraf (março e abril de 2015) e fui dar uma olhada em suas páginas. Dentre as matérias, a que se destacou mais aos meus olhos foi o texto do Departamento de Estudos Econômicos da Abigraf, cujo título é “Resultados da Indústria Gráfica Brasileira em 2014”. Resolvi, após ler, que queria escrever sobre isso em dois momentos. Serão duas atualizações para o blog com o título “Crise Brasileira”. Nesse primeiro momento, um texto opinativo sobre a crise gráfica. No segundo momento, um texto mais genérico.

Como escritor que trabalhou com diversas editoras, que já foi membro da Câmara Brasileira do Livro, e que edita com certa frequência, eu tenho contato e simpatia pela indústria gráfica. Como vocês sabem, desde o meu texto sobre a crise da indústria de animês e mangás- “A decadência do mercado de animês e mangás no Brasil! Apontando possíveis soluções!”, que eu aponto o problema e tento dar uma contribuição para solucionar o dilema. Quero fazer o mesmo aqui.



Os Dados


O primeiro ponto a ser observado é que não houve um aumento no número total de estabelecimentos no país desde 2012. Desde 2012, também, que os parques gráficos estão diminuindo a mão de obra contratada. Nesse ponto, pensei que poderiam estar investindo em maquinários com a finalidade de reduzir a mão de obra e aumentar a produtividade. Os números de investimentos realizados mostram que não é bem assim. Em 2014, o investimento no setor não chegou nem perto da marca dos anos anteriores. Já a balança comercial está negativa desde 2010, pois tem-se importado mais que exportado, ou seja, tem saído mais dólar do que entrado.




O texto complementa o quadro ao afirmar que: “No acumulado de 2014, a indústria gráfica brasileira registrou queda de 2% na produção física em relação a 2013. O cálculo é da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, concluindo que: “De maneira geral, o quadro não autoriza otimismos. A depreciação cambial continuará levando à retração no curto prazo e não há perspectiva de aumento da massa real de salário, fator determinante para o desempenho do setor. A projeção é de novo encolhimento para 2015, com recuo de 1,1% na produção”, diz Ceregato.”



Soluções


Não existe ineditismo no que vou escrever, pois são práticas já usadas, mas são soluções de fato. Na verdade, durante uma crise, temos que nos concentrar no básico, pois é ele que nos sustenta. Nesse sentido, divido a solução para grandes e pequenas empresas.


Para Grandes Empresas

Como podem ver, os dados do setor mostram um pessimismo quanto à realidade brasileira. E as palavras finais, com o medo da crise hídrica, ampliam o sentimento de negatividade, ao afirmar que: “Como agravantes, ele aponta os riscos de racionamento de água e de energia, além da ameaça de um efeito cascata do descrédito da Petrobras sobre a economia do País. Mas também acredita que a depreciação cambial será positiva no médio prazo, melhorando a competitividade e o potencial exportador da indústria gráfica, desde que o governo mantenha a disciplina fiscal e monetária para não pressionar a inflação.” Contudo, nesse trecho final, existe uma possibilidade para se vencer. 

O dólar está fechando acima dos R$3,00, ou seja, exportar produtos é uma saída para tornar-se competitivo. Saem produtos e entra dinheiro, contribuindo positivamente para a balança comercial do setor e do Brasil. É claro que, desde 2010, que a balança do setor não fica positiva, mas a estratégia da venda no exterior pode ser uma solução. Se for dono de um grande parque gráfico, foque-se em contratos no exterior. Garanta a produção com contratos internacionais.

Outra dica: não pegue financiamento, pois o governo ainda está com a tendência e necessidade de elevar (e manter) os juros, mas tente diversificar a produção. Fábio Sarje (presidente da Abigraf, seccional de Ribeirão Preto) indica que um setor da indústria está indo bem, que é o de comunicação visual (aqui) então, se houver a possibilidade de diversificar a produção e ingressar em mais de um setor dessa indústria, sem a necessidade de se pegar investimento, faça isso. Quanto mais diversificada for uma produção, mais difícil se torna o retorno negativo.


Para Pequenas Empresas

Caso seja dono de um pequeno parque gráfico, sem condições de competir em licitações e com empresas estrangeiras, o foco se dará no mercado interno e na internet. Nesse ponto, o foco deve ser o consumidor de seu produto. Venho com o exemplo de uma gráfica que criou uma associação de escritores. Com a quantidade certa de associados, a gráfica produz muitas antologias por ano. Isso dá ao parque gráfico o sustento necessário. Através da internet, a gráfica pode se associar a outros escritores e sindicatos em língua portuguesa ao redor do mundo, aumentando a possibilidade de vender seus produtos. Associar-se a sindicatos e grupos literários fará com que o parque gráfico não fique parado.


Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.- John Kennedy (UOL)

Postagens mais visitadas deste blog

Outros Papos Indica: O Cérebro que se Transforma

Norman Doidge é psiquiatra, psicanalista e pesquisador da Columbia University Center of Psychoanlytic Training and Research, em New York, e também psiquiatra da Universidade de Toronto (Canadá). Ele é o autor deste livro que indico a leitura. O livro, segundo o próprio editor, “reúne casos que detalham o progresso surpreendente de pacientes” que demonstram como o cérebro consegue ser plástico e mutável. Pacientes como Bárbara que, apesar da assimetria cerebral grave, na qual existia retardo em algumas funções e avanço em outras, conseguiu se graduar e pós-graduar. Um espanto para quem promove a teoria de que o cérebro humano é um órgão estático, com pouca ou nenhuma capacidade de se adaptar. “ Creio que a ideia de que o cérebro pode mudar sua própria estrutura e função por intermédio do pensamento e da atividade é a mais importante alteração em nossa visão desse órgão desde que sua anatomia fundamental e o funcionamento de seu componente básico, o neurônio, foram esboçados pela p

TOP 3 de séries que merecem remake!

 Existem muitas séries da década de 90, na minha opinião, que mereciam um remake (manter a obra original, apenas contando novamente a história, com a tecnologia atual disponível). Vou citar aqui 3 delas. Estas séries foram escolhidas, pois são séries que ainda mexem comigo, que ainda gosto e que ainda lembro delas como se tivesse as assistido ontem. Esse foi o critério de seleção para esse simples TOP 3, de séries da década de 90, que mereciam um remake.  Oh My Goddess A série mesmo começou em 1988, encerrando-se em 2014, contendo um total de 48 volumes. Ela entra na lista por conta do seu primeiro OVA, lançado em 1993, cabendo perfeitamente nessa lista. A animação realizada pelo studio AIC foi uma das mais belas que já vi e promoveu a criação de outras séries, sendo que a última, se não me engano, terminou em 2013, com outro OVA. Já se passaram quase 10 anos desde a sua conclusão. Um remake dessa série, contando-a do começo a o fim, seria uma ótima celebração. O mangá vendeu mais de 4

Antologia Scortecci 40 Anos!

Antologia para edição especial de aniversário de 40 anos da Scortecci editora, para a 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (2022) e, enfim, para ser a edição comemorativa dos 100 anos da Semana de Arte Moderna. Como as poesias já fazem parte desse blog, não faria sentido reescrevê-las, então, deixo aqui cópias das páginas da minha colaboração. Foi uma honra poder ter participado de tão nobre edição comemorativa. Obrigado pela oportunidade.     Primeira parte: Segunda parte: