terça-feira, 3 de abril de 2012

Inspiração somente germina com trabalho!


A inspiração


Que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando.” (Pablo Picasso)






    Como se dá o processo de inspiração? Está pergunta não é difícil de responder, como as demais que respondi sobre a questão autoral. Pode ler aqui algumas “Noções Básicas para se escrever um Livro”. A inspiração, segundo muitos autores, é o que menos influencia a produção autoral, seja textos, canções ou qualquer outra obra.



Devíamos ser ensinados a não esperar por inspiração para começar algo. Ação sempre gera inspiração. Inspiração raramente gera ação.” (Frank Tibolt)



    Eu concordo com estes dois grandes nomes. O que estas frases têm em comum?  Elas indicam que o trabalho inicia-se antes da inspiração chegar. Algumas pessoas já me disseram que não tem coragem de escrever um livro, ou qualquer obra artística, porque lhes falta inspiração. Entretanto, inspiração não é algo que lhe caia na cabeça, tal qual a maçã de Newton, ou seja, ela necessita ser trabalhada.


    Lembram do que escrevi no meu texto “A escrita não é um ato isolado”?   Que, ao escrevermos algo, estamos dando vida ao interior. Um interior moldado por outras pessoas, ou seja, outras vozes (palavras) que falam através de você. Ao ler um texto, e colocar no papel alguma palavra, você está abraçando aquele autor, dando voz às palavras que saíram do coração dele? Pois isso é uma espécie de inspiração.


    Pronto, o mistério está revelado. Mesmo muitas pessoas não tendo consciência disso, a inspiração vem, muitas vezes, do exterior que, ao sofrer introspecção, gera na mente do autor um resultado positivo ou negativo. Este resultado será a primeira semente a ser trabalhada para se criar uma obra.


“Imaginar é o princípio da criação. Nós imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos e, finalmente, criamos aquilo que queremos.” (George Bernard Shaw)


    E a autora de Frankenstein (Mary Shelley) relatou que a inspiração para o livro se deu devido a um pesadelo da autora, quando a mesma tinha apenas 19 anos. É como nos alertou Carl Jung que “dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos." Ficou meio esquizofrênico o texto não é? Mas o sentido geral é este: a inspiração é um reflexo do que a sua mente interpreta, e processa, como sua realidade e manifesta-se de inúmeras maneiras, ora como sonhos, como ideias ou outros processos mentais dos mais diversos.


    Um simples passeio de trem fez Einstein formular uma das bases de sua teoria, assim como um pesadelo ajudou a formar a ideia central de um dos mais incríveis livros de terror já criados, ou seja, a inspiração aqui sempre foi a projeção de uma ideia, através de um elemento externo, mas sempre um trabalho mental. Einstein estava sempre raciocinando, mesmo quando efetuava trabalhos rotineiros, assim como a mente continua trabalhando mesmo quando dormimos.


    Posso encerrar escrevendo que a inspiração não será um “anjo” que descerá dos Céus lhe entregando um pergaminho com a grande ideia, mas que a inspiração já está em você. Basta trabalhar o texto, conhecer as regras, visualizar o mercado e, acima de tudo, sentir o que você está escrevendo. Para o meu livro “Apocalipse: Brasília”, ainda não publicado, a inspiração se deu pela motivação religiosa da época, aliada à paixão pelos desenhos japoneses e com boas doses de cenas de filmes de ação. Peguei todos estes fatores externos, digeri cada um deles e moldei o miolo conforme escrevi em “noções básicas para escrever um texto”, então, exercitei elementos exteriores e a inspiração pegou-me trabalhando. Se é um bom livro, somente posso responder após publicar! J Em geral é isso, uma criação é sempre inspiração aliada ao trabalho, e ao desenvolvimento interior, que reflete como aquela ideia exterior se projetou no espírito do criador.