sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Noções básicas para se escrever um livro

ESCREVER É SÓ O COMEÇO- ORIENTAÇÕES BÁSICAS!



 


   


    Quer se tornar um escritor? Então, leia este texto que escrevi para tentar ajudar na criação, publicação e vendas. Escrever é só o começo de uma longa jornada e, assim como tudo na vida, escrever requer sacrifício e trabalho. Vamos começar? Espero que goste das dicas de um autor que já andou um pouquinho por este caminho!


 


    Escrever é fácil? Sim, é muito fácil! Porém, requer atenção a certos detalhes. Não se assustem com o tamanho do texto. O que vou escrever é o básico das dicas que devem ser compreendidas. Vou dar alguns exemplos de detalhes que podem fazer a diferença em seu texto. Claro que não vou dar o livro pronto, mas posso relatar algumas ideias, autores e os livros nos quais elas se mostraram frutíferas e isso pode ajudar na hora de escrever. 


 


   Escrever- processos e exemplos


 


    Não basta jogar palavras no papel. A ideia tem que ter coesão em todos os seus elementos narrativos, estar bem elaborada e ter apelo popular, ou seja, a ideia tem que ter aquela “luz” que faça o editor, ao ler sua obra, decidir por publicá-la, ao invés das outras obras empilhadas em cima da mesa dele. Afinal, escrever é um mercado que envolve criatividade, imagem, direito e finanças. 


 


    Vou me concentrar nas ficções, pois é um dos segmentos que vende bem. Para grandes editoras, esqueça obras poéticas, ou teses de mestrado, o interesse deles é a ficção, ou uma boa história real, como o jornalismo literário de “A Sangue Frio”.  Se quiser editar seus poemas, sua monografia, ou se você já foi recusado pelas editoras ditas “grandes”, quando for comentar sobre o processo de edição de livros, darei dicas sobre como fazer isso e como evitar alguns contratos. Hoje, é possível editar tudo e publicar tudo!


 


    Alguns elementos fazem a obra brilhar. A obra tem que ser provocativa, isto é, afastar o leitor de sua zona de conforto. Dan Brown usa muito esta técnica, em suas obras, ao levar o leitor a refletir sobre coisas que, mesmo sendo parte de uma ficção, tiram o leitor de sua zona de conforto. Em outras palavras, mexe com as ideias, e a cultura, já estabelecidas dentro de cada um. Ele provoca seus leitores a se questionarem, assim como muitos outros.


 


     A obra pode seguir uma tendência literária, ou seja, uma moda. O mercado sempre procura por uma nova moda, assim que percebe que a tendência atual está perdendo a força. A literatura sempre passa por fases, como a fase humanista, ou a fase naturalista. Atualmente, a literatura de ficção se concentra em histórias fantásticas (literatura fantástica), como a das obras sobre vampiros, a dos lobisomens e, mais atualmente, concentra-se em histórias sobre anjos.   


 


    Pode-se misturar tudo e ver como vai ficar. O romance “Crepúsculo” abusou da mistura entre vampiros, lobisomens e romance. Isso não quer dizer que as editoras, que estejam editando livros sobre anjos, estejam fechadas para uma boa história sobre vampiros. Anne Rice sempre terá portas abertas para seus livros, após “Entrevista com o Vampiro”, independentemente de como o mercado reagirá às novas tendências.


 


    O que conta é ter uma história bem escrita. A obra tem que transmitir a ideia de confiabilidade, isto é, deve ter um universo no qual o leitor acredite que os fatos podem acontecer, aos personagens, daquela forma. Se a história for bem contada, o enredo passará muitas informações ao leitor sobre o universo que cerca os personagens e a cronologia. Estas informações farão o leitor seguir seu livro, ou esquecê-lo em cima de uma prateleira. Por isso, crie um universo palpável à imaginação do leitor, para que este aceite as circunstâncias que ocorrerão em sua trama.


 


     O enredo também deve surpreender o leitor, ou ele o achará monótono. Um enredo que surpreende o leitor, como o do livro “O Mundo de Sofia”, dá uma reviravolta impressionante em sua narrativa. De repente, o mundo criado pelo autor torna-se completamente diferente do que estava sendo narrado até então.  Sugiro que leia para ter uma noção.


 


    Para uma obra de ficção, devemos ter um texto que seja coeso, com apelo popular, provocativo, que esteja dentro de uma tendência, seja confiável e surpreenda o leitor. Com os exemplos de autores e livros que citei, ficará fácil compreender estes elementos para a ficção.



     Se sua obra não for de ficção, ela deve seguir estes elementos também, mas, mais importante, se ater a história original e contá-la com sentimento, afinal, se não for ficção, você possivelmente estará escrevendo sobre vidas, e devemos tratar a todos com os sentimentos adequados. Para tanto, veja a história do livro “O segredo de Joe Gould” e entenderá do que falo. Para as obras de não-ficção, podemos levar em conta o fator histórico e fator social que envolve aquele evento que será contado. Isso leva o leitor a compreender porque as pessoas agiram deste ou daquele jeito.


 


Escrever e outras providências


 


    Pronto, já sabe o que vai acontecer nas páginas de seu livro? Então, está na hora de digitar tudo isso. Vai com calma nessa parte. Por experiência própria sei que o livro deve ter seu tempo. Ao escrever, com paciência, a ideia se formará e amadurecerá. Não há pressa!


 


    No processo da comunicação existe um fenômeno que atrapalha a mensagem, quando o transmissor (escritor) a envia ao receptor (leitor) pelo meio adequado (livro impresso ou digital) e este fenômeno chama-se ruído.  Ruído é a interferência na transmissão da mensagem e ela sempre existirá em menor ou maior grau. O ruído pode se dar desde o aspecto sócio-cultural, até o efeito psicológico da trama na interpretação do receptor, ou algum problema na edição do texto. Existe um processo que diminui o ruído e se chama feedback (retroalimentação). O feedback divide-se em negativo ou positivo. Se lançou um livro e os leitores demonstram, em cartas ou em pesquisas, um fator que não era esperado por você, então você ganhou um feedback negativo, ou seja, houve ruído na interpretação de sua mensagem. Isso pode afetar as vendas. Então, está na hora de ver o erro e arrumar.  Ao lançar a minha obra “Mangá Tropical- Um Estudo de Caso”, pela editora PerSe, coloquei chamadas no facebook convidando os amigos a conhecerem o trabalho. Imediatamente recebi a mensagem de que as letras do título, na capa do livro, estavam terríveis de se ler. Foi um feedback negativo, pois não deveria acontecer isso. Imediatamente troquei a cor das letras do livro. Já o feedback positivo te demonstra que a sua comunicação com o leitor está ótima, pois o ruído está pequeno e não está atrapalhando a mensagem. Porém, não baixe a guarda. Esse é o momento de manter a qualidade do trabalho.


 


    Outro ponto importante é a linguagem a ser usada. Existe o texto culto e a norma culta. O texto culto é aquele texto que pode ser lido e interpretado por quase todos os leitores. Seria ingenuidade dizer que um texto pode ser entendido por todos e de igual maneira. Eu entendo como texto culto aquele que pode ser entendido pela maioria, porque culto não é o que escreve difícil, mas aquele que escreve de forma a ser compreendido. O objetivo do texto é a comunicação e, embora se deva respeitar a norma culta, isto é, a forma correta de se escrever, pode-se usar de regionalismos, ou gírias, se isso for essencial para formar a identidade de seu personagem. Imagine, por exemplo, se “A Bagaceira”, um livro escrito por José Américo de Almeida, tivesse seguido a norma culta em 100%? Perderia-se toda a sua identidade.  O livro foi a primeira obra do regionalismo brasileiro.   A norma culta deve ser respeitada sempre, mas pode-se escapar um pouco se o personagem exigir isso.


 


    Escolheu a linguagem adequada a cada personagem? Escolheu a premissa que seu livro vai seguir? Conseguiu sentir que o universo criado para o livro é plausível? Já escreveu de forma coerente, provocativa, surpreendente, usando a norma culta, mas não esquecendo do regionalismo (se necessário)? Então, vamos revisar o texto e formatar! A formatação é um mundo de informações técnicas. É o tamanho de seu livro, que pode variar muito dependendo do que você escreveu e de quantas páginas ele possui. Geralmente, um livro possui 14 (largura) X 21 (altura) cm, mas isso varia muito.  A formatação também é o tipo de letra usado, tamanho da letra, largura das margens (superior, inferior, esquerda e direita) e tipo de papel ou forma de distribuição (se digital ou impresso), enfim, as editoras orientarão a este respeito. Deixo a formatação, geralmente, para o final. Eu me concentro primeiramente na criação da trama e, após isso, começo a formatar o texto. Mas isso não é regra. Pode formatar o texto antes, se achar melhor.


 


    Sobre a revisão, aqui os autores são separados em três tipos principais: 1.0 - os que revisam exaustivamente seus textos e tem a ânsia eterna de mudar tudo que está escrito; 2.0- os que revisam seus textos uma única vez; 3.0- e aqueles que deixam a editora revisar. Eu me encaixo na segunda linha, embora tenha necessidade de estar na primeira categoria, pois sempre deixo algum erro escapar de mim por desatenção O ideal seria revisar umas duas ou três vezes, embora isso nada signifique para a conclusão ou qualidade do texto. Tem pessoas que corrigem seus textos constantemente, sempre encontrando formas de mudar e tem aqueles que revisam o texto uma única vez criando um texto fenomenal e sem erros. O que eu acho ruim é ser do tipo número 3. Nunca deixe a editora revisar o livro sozinha, porque ela pode alterar algum elemento que pode mudar um significado. Aí, as chances do ruído aumentam.


 


    Agora é só enviar para a editora analisar, certo? Errado! Você tem que proteger o seu direito autoral e a Biblioteca Nacional possui um escritório destinado a proteger o seu livro que é o Escritório de Direitos Autorais (EDA). Afinal, após tanto esforço, você não vai querer que seu trabalho acabe nas mãos de outro, né?  O processo de registro demora cerca de 30 dias e há uma taxa. Todos os procedimentos podem ser acessados no site da Biblioteca Nacional. Passem lá! Conseguindo o registro no EDA, a Biblioteca enviará, ao seu endereço, uma cópia do registro com seus dados, detalhes do livro e, também, detalhes do registro. O pedido de registro foi indeferido? Então há alguma coisa errada e você deverá procurar a Biblioteca para mais detalhes.


 


    Agora sim, o trabalho final está pronto e devidamente registrado, então pode procurar uma editora para tentar a publicação. No próximo texto, eu vou falar dos tipos de contrato que conheço e das formas mais corriqueiras de edição. Eu já passei por quase todas as formas de edição e escolhi as mais vantajosas para mim.