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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Fate Zero: Ethos, Mores e Lei!


Fate Zero: O diálogo dos reis!




    Fate Zero, a séria, está liberada para a nossa região, através do Crunchyroll, e, desse modo, pude observar esta espetacular série e seu enredo. Não preciso salientar a maravilhosa animação, com impecáveis movimentos, luzes, cores e mistura excelente de animação 2-D com a arte 3-D CGI. Então, quero me firmar em um único capítulo, em um diálogo entre os três reis: Rei dos Conquistadores, Rei dos Reis, e Rei dos Cavaleiros, pois são claras definições de moral, lei e ética. Cliquem nas palavras para ampliarem o leque de conhecimento de cada uma delas, pois elas não se esgotam neste texto. Aliás, acho que nunca teremos um fim para a definição de ethos, mores e leis.


    Antes de mais nada, neste capítulo, Rider (Rei dos Conquistadores, ou Alexandre o Grande) visita Saber (Rei dos Cavaleiros, ou “Rei” Arthur) e convida Gilgamesh (Rei dos Reis) para tomarem vinho e discutirem sobre suas posições em relação ao uso do Graal. Aqui, percebemos a verdade de cada um. A palavra verdade, aqui usada, tem o sentido defendido por São Tomaz de Aquino.


“A verdade tem contornos ambientais e cada um a reconhece, à sua maneira, através de estados íntimos nem sempre transferíveis e tão pouco comunicáveis.”


    O diálogo mostra claramente, essa verdade, isto é, o que cada um presenciou e viveu em sua época, dando a clara distinção do que cada um percebe como destino do “Rei”. Em meus estudos, percebo que mores é um conjunto de valores que um indivíduo segue e que, coletivamente, sendo adotada por uma sociedade, dá lugar ao ethos (ética) que a estuda e regulamenta. 





    Rider demonstra, em um texto claro, que a conduta do rei deveria ser para sua satisfação pessoal. A conduta do rei diz respeito a ele unicamente. O Rei usa a nação para seu benefício pessoal. O rei não deve satisfação a ninguém. Alexandre- O Grande demonstra que o mores de sua época beneficiava unicamente o rei pela visão mística que a sociedade tinha da família real, em especial o rei. É a clara definição de mores, isto é, “do conjunto de normas associadas a ideias sobre formas lícitas e ilícitas de comportamento, conjunto este aceito e sancionado por uma determinada sociedade” (Marcus Cláudio Acquaviva). Rider demonstra, com isso, sua força e sua paixão pela liderança. Força e paixões que conquistaram um exército de heróis que lutam por ele e para ele. Um carisma tão intenso, digno de líderes extremistas, que abraça toda uma sociedade e a converte em peões usados para seu próprio proveito.





    Saber já demonstra um outro lado da conduta do mores, o que eu considero o êthos (como definição em latim para caráter). Saber tem, como visão, que o rei deveria servir seu povo e protegê-lo. Que sua satisfação era proteger seu país e vê-lo reerguido como uma nação forte e novamente dominante. O amor à pátria. Diferentemente da paixão insana que abraça a causa de Alexandre, o amor patriótico de Saber não deseja o sacrifício pessoal de seus cidadãos.  Considero o ethos, pois a visão da Saber é mais coletiva, e Rider é, teoricamente, um rei individualista. Enquanto, Saber demonstra um ethos, o Rei dos Conquistadores demonstra um mores individual.


    Para deixar mais clara a definição entre eles, Osvaldo Ferreira de Melo, doutor em Direito, e professor aposentado da UFSC, assim relata o ethos, “Ética já não é entendida como objeto descritível de uma Ciência, nem tampouco como fenômeno especulativo. Trata-se agora de conduta esperada pela aplicação de regras morais no comportamento social, o que se pode resumir como qualificação do comportamento do homem enquanto ser em situação”.  Virginia E. N. Raymundo assim explica: “A ética é coletiva, não sendo coercitivamente imposta, nem tem sanção para o seu descumprimento, exceto a reprovação popular”.




    Gilgamesh, o rei dourado, interpõe pouco no diálogo, que fica restrito à Rider e Saber, mas em suas poucas palavras nota-se a clara definição, da tarefa do Rei, de guiar através de Leis impostas por ele. Sua posição é de superioridade, por ser Rei dos Reis, então, pouco importa a ele defender sua opinião. Sua vontade, e sua palavra, é soberana. Ele apenas observa seus rivais. Gilgamesh é a representação da lei soberana. É até engraçado, pois, enquanto ethos e mores duelavam em um debate intenso, a lei permanecia calada, apenas observando.


    Poder absorver tudo isso, simplesmente em um capítulo, me fez render-me ao roteiro. Roteiro que nos tira da zona de conforto, nos apresenta um universo  palpável, com personagens carismáticos e reviravoltas interessantes. Essa série é ótima!

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