Pular para o conteúdo principal

Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Considerações sobre produções japonesas para o ocidente!

 

Considerações sobre produções japonesas para o ocidente

 

Há muito tempo existe um certo entendimento no Japão de que suas obras devem ser “ocidentalizadas” para atingirem a América como um todo. Não sei ao certo como isso começou, mas acredito que tenha sido através de conversas com distribuidoras desde a época de Macross (1980), ou, até mesmo antes, com Gatchaman (1970), em que, não entendendo como funcionavam as produções japonesas, e acreditando que os americanos não gostariam do produto do jeito em que foi criado, resolveram comprar os direitos das séries e alterá-las ao seu bel-prazer. E o japonês comprou isso como verdade até hoje. Que o produto feito para o público japonês não venderia em terreno ocidental, sem que o produto (filme ou série) passasse por um processo de “ocidentalização”, isto é, transformação de sua matéria-prima (cenas, música, roteiro, tradução) para o que seria o “gosto ocidental”. O "gosto ocidental" aqui também está equivocado, pois remete a uma "regionalização" de um produto que não foi criado no ocidente e, portanto, não necessita dessa tal "regionalização". É como trocar sushi por crepe, ou karatê por capoeira. 


 


E esse pensamento nos “presenteou” com “pérolas” de gosto terrível desde a época de Gatchaman, com diversas alterações esquisitas, até os dias de hoje, com adaptações horrendas de séries grandiosas. O que fizeram com Death Note (Netflix), Dragon Ball (aquele Evolution), e, mais recentemente, com Cavaleiros do Zodíaco (Netflix novamente?), nos mostra que esse negócio está errado há muito tempo. O próprio conceito de “ocidentalização” já começa errado, pois o que faz sucesso e nós, ocidentais, adoramos e compramos é justamente o produto legítimo (japonês).


 


Acredito que o termo “ocidentalização” já é um termo preconceituoso que as empresas japonesas deveriam abandonar. A aceitação do público para as obras japonesas legítimas promove a correta propagação da cultura japonesa para o mundo. É através das produções intocadas pelo processo de ocidentalização que podemos conhecer a cultura japonesa como um todo e é uma cultura aceita e amada. A cerimônia do chá, o bushidô, o ninjutsu, a ikebana, o origami, os florais, o respeito pela tradição, a foça da amizade, tudo isso, e muito mais, é o que amamos na cultura japonesa e aceitamos com honra e respeito. Dessa forma, qualquer processo que tire de um produto a sua cultura é um processo preconceituoso. Afinal, que mal há em chamar Saori de Saori? Qual é o pecado em ter um herói que carregue a bandeira do Japão em seu kimono? Lógico que estamos nos referindo ao ocidente que não possui grandes mágoas do Japão. Não me refiro à Coréia ou China, que possuem grandes feridas históricas para com a Terra do Sol Nascente. E, aqui, coloco algo que não está relacionado, mas eu venho notando há algum tempo, que são alterações bobas de legenda, tais como a irmã chamar o personagem de irmão e a legenda adotar o nome do personagem como se fosse isso que estivesse sendo dito. Qual o problema de uma irmã chamar o irmão de irmão?


 


Por fim, é isso, o processo de ocidentalização deve ser abandonado, pois é um processo que causa tragédias culturais. Deixem o produto japonês como foi criado e deixe que o produto nos traga a cultura japonesa legítima. O grande e já falecido ex-primeiro-ministro Shinzo Abe já havia nomeado mangás e animês como embaixadores da cultura japonesa, então, “ocidentalizar” qualquer produto é ir contra a força legítima de seus embaixadores. Abandonem esse conceito o quanto antes é o que eu estou recomendando.  

Postagens mais visitadas deste blog

O Processo de Produção de Animes: Um Olhar Sobre os Comitês e o Caso da Bandai Namco, com um Toque de Ironia Leve!

O Processo de Produção de Animes: Um Olhar Sobre os Comitês e o Caso da Bandai Namco, com um Toque de Ironia Leve No mundo dos animes, onde heróis salvam o dia com robôs gigantes ou idols dançando em sincronia perfeita, por trás das telas há uma máquina burocrática que faz tudo funcionar — ou pelo menos tenta, sem derrubar o orçamento no processo. Os comitês de produção , esses consórcios empresariais japoneses, operam como um time de futebol onde todos querem chutar a bola, mas ninguém quer pagar pelo estádio inteiro. Este artigo explora o passo a passo dessa engrenagem, com foco em orçamentos e prazos que parecem saídos de uma comédia de erros, e destaca a Bandai Namco Filmworks , uma veterana que transforma ideias em impérios de mercadorias. Afinal, em um setor onde 70% das séries mal se pagam no curto prazo, o humor está em sobreviver para contar a história. O modelo de comitê surgiu nos anos 1980 e 1990, após a bolha econômica japonesa ensinar uma lição dura: dividir riscos é mel...

Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Yokais-Aranha: nem todo yokai é fofinho!

  Descrição do vídeo Prepare-se para conhecer o yokai que não quer ser seu amigo — o Tsuchigumo , a aranha demoníaca do folclore japonês que dá arrepios e risadas nervosas. Neste vídeo, mergulhamos nas lendas clássicas do Nihon Shoki , nos bestiários de Toriyama Sekien e nas aparições bizarras em animes como Nura: Rise of the Yokai Clan e GeGeGe no Kitarō. Com humor ácido e uma dose de sarcasmo, mostramos por que o Tsuchigumo é o oposto da Jorōgumo sedutora: ele não finge ser charmoso — ele só quer te devorar. Você vai rir, se assustar e talvez repensar sua próxima caminhada nas montanhas japonesas. 👉 Inscreva-se para mais vídeos sobre yokais, mitologia japonesa e criaturas que não foram feitas para virar pelúcia.