sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Se continuarei a escrever em 2015?

Oi, pessoal! Eu tirei o dia para estudar o meu futuro. Vou explicar a conclusão que cheguei, mas já agradeço os votos que estou recebendo e peço que continuem votando na enquete aqui do lado.

O Futuro

Do Estadão


Como todos sabem, pois está estampado em todos os jornais, a taxa Selic aumentou 0,25% e está em 11,25%. Foi uma atitude do Banco Central para mostrar, aos investidores externos, o comprometimento do governo com as metas de inflação. Quando estudei economia, eu conclui que o mercado interno deve ter prioridade sobre o externo, ou seja, sou protecionista em determinados assuntos. Entre o mercado externo (aqui identificado pela movimentação na Bolsa de Valores) e o mercado interno, o interno deveria ter prioridade.

O aumento na taxa Selic tem a finalidade de desacelerar o consumo e inibir a inflação, entretanto, existe um viés negativo nesse instrumento de controle, afinal, ele retira do mercado, a longo prazo, a capacidade de crescimento. ADVFN: “Quando o Banco Central desejar sinalizar rapidamente para o mercado que não está gostando da remarcação de preços basta que ele suba a taxa básica de juros da economia. Deste modo, a obtenção de crédito passa a ficar mais cara, arrefecendo a demanda. Consequentemente, a remarcação de preços tende a cessar, pois o consumidor não estará mais comprando”.

Como afirma o site acima, o aumento na taxa de juros reduz a capacidade de crescimento da indústria e do comércio. Juros ao consumidor ficam maiores e, portanto, o consumidor prefere não comprar ou contrair dívidas. Uma realidade já manifesta pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo: “A economia está estagnada e o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá pouco acima de zero. A elevação da taxa Selic não só impede qualquer tipo de retomada da atividade econômica no curto prazo, como também derruba ainda mais a confiança de empresas e consumidores, fator este preponderante para retomada futura, pois sem confiança não há investimento”.




Em resumo, o mercado externo projetou confiança nesta ação e a Bolsa de Valores fechou o dia (30/10/2014) em alta de 2,58%. Entretanto, para este fim, o mercado interno sofrerá com mais um período de estagnação. A nota da FIESP reforça essas palavras: “Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a geração líquida de empregos formais mostrou contração em torno de 37% entre janeiro e setembro deste ano frente ao mesmo período de 2013, a queda mais expressiva desde 2009. A indústria paulista já fechou 38 mil postos de trabalho este ano”.

Essa taxa manter-se-á alta para a repressão da inflação, mesmo sufocando a nossa economia e retirando do mercado interno a capacidade de crescer e produzir riquezas. É um erro que nós teremos que suportar até a próxima reunião do COPOM em dezembro. A sinalização é importante, bem como o mercado externo, mas a prioridade deveria ser o crescimento econômico e, por isso, o mercado interno. 

Um erro? Acredito que sim, pois existem outras formas de se conter a inflação. O ADVFN cita alguns dos mecanismos que poderiam ter sido adotados e que permitiriam a retomada do crescimento. Segundo eles: “Um outro instrumento para controle da inflação no curto prazo é o próprio controle de gastos do governo. Quando a inflação está mais alta o governo deve gastar menos para não expandir a demanda”. Eles complementam: “No longo prazo, o melhor remédio para inflação é a expansão da capacidade produtiva, que aumenta a oferta de produtos e reduz os preços dos mesmos”.

Além disso, nós teremos, conforme já foi anunciado, o aumento na conta de luz para a indústria e para residências. O governo também estuda reativar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Como a indústria, em diversos setores, está encolhendo e não tem condições de arcar com estes aumentos, isso poderá indicar um aumento no valor e custo de produção que, por usa vez, será repassado ao consumidor. Ao aumentar o custo de um produto, o imposto sobre ele aumenta e o valor final aumenta mais, sendo uma espécie de bola de neve ladeira abaixo.

Tudo isso indica um ano de 2015 muito difícil.


A esperança

Em dezembro pode haver um milagre e a inflação ceder, fazendo a taxa Selic voltar a 11% ou, talvez, a uma taxa menor. Outra esperança é o novo nome do comandante da equipe econômica. Um nome forte já cogitado é o de Luiz Trabuco. Ele é um nome que acalma o mercado externo e pode fazer o mercado interno voltar a crescer. Ele transmite confiança ao mercado interno e externo. Mais uma esperança é que o governo já estuda a melhoria de seus gastos, ou seja, pretendem cortar gastos e melhorar a transparências de suas contas. Outra esperança, esta menor, é que o governo pretende impedir que a bola de neve chegue ao consumidor, pois o governo já está estudando formas de desoneração fiscal e refinanciamentos fiscais, para reativar a economia. Eu afirmo que esta é uma esperança menor, pois, no ano de 2014, o governo deixou de arrecadar 75 bilhões de reais em impostos com desonerações e, mesmo assim, a economia não cresceu. E é menor também, pois existem fontes que alegam que o governo pretende cortar algumas isenções para aumentar a arrecadação, além de reativar a Cide.


Conclusão

A conclusão que se chega é que o ano de 2015 vai ser de trabalho duro e, na melhor das hipóteses, de muito suor. Se nada de bom acontecer, será outro ano de recessão, com juros altos, pouca capacidade produtiva e sem consumo. O que pode acarretar em desemprego. Uma avalanche de conclusões que não devo escrever aqui e que torço para que não aconteça. 

Nesse cenário, pensei em parar de escrever e produzir meus livros. Entretanto, vou continuar apostando na literatura por paixão. Sim, é uma aposta louca de um coração. Pela lógica, eu deveria esperar até junho de 2015, ou início de 2016, para retornar com a produção, mas não vou esperar. Vou obedecer ao coração e continuar escrevendo. Se a economia se retrair, eu venderei menos. É um risco, mas vou enfrenta-lo e torcer por um 2015 melhor e com a economia aquecida.