terça-feira, 8 de abril de 2014

Convite à Felicidade



Uma coisa que aprendi é que a leitura dignifica o espírito, pois torna o coração sábio. Um coração sábio é fundamental para se desenvolver um espírito aguçado, forte e determinado. O livro ensina ao que lê, assim como um professor. Nesse sentido, devemos buscar a leitura que melhor simboliza nossas raízes e preceitos lógicos, para alimentá-los com o que há de melhor.


São estes alguns pontos fundamentais sobre a leitura. Com base nisso, pensei em indicar uma leitura que está me ajudando muito. Como sabem, tenho enfrentado alguns problemas de saúde e tenho exercitado minha leitura com livros sobre culinária, nutrição e livros semelhantes. Entretanto, o que indico agora é um conforto ao espírito.


Convite à Felicidade, volume 2, de Masaharu Taniguchi é um livro leve que comporta muito da filosofia vivida pela Seicho-no-ie. São 365 breves passagens, em apenas 137 páginas, que demonstram como a visão de mundo pode alterar a vida de uma pessoa. Inicialmente escrito em 1959, já estando na sua 14ª edição no Brasil, o livro continua sendo tão agradável quanto uma brisa refrescante em um dia quente.


Em suas páginas, Taniguchi evoca o melhor modo de se viver, que é considerando a mente como criadora de tudo. Exercitando este pensamento diariamente, somos compelidos a enxergar as coisas como boas, naturais e benéficas. Se existe o mal, ele é apenas uma ilusão da mente que ainda dorme. Em suas próprias palavras, "todos os tormentos são curados quando a mente se volta para Deus, da mesma forma que a treva se apaga ao se voltar para a luz".


A primeira parte do livro, em especial, é um grande resumo do que prega a filosofia da Seicho-no-ie. Vou explicar um pouco. Masaharo Taniguchi a criou como uma filosofia de vida, mas o Ministério da Cultura (Japão) a inseriu como religião. Desta forma, os conceitos apresentados no livro demonstram um pouco desta mistura entre filosofia e religião. Já nas primeiras páginas, somos apresentados aos conceitos de Kami, Espírito e Matéria. Como Deus, sendo a Mente Universal, transmuta a matéria (do nada ao tudo).  É uma leitura interessante sobre o pensamento religioso asiático.


Atenção, embora uma brisa refrescante possa reconfortar em um dia quente, ela também pode incomodar. O livro, assim como o símbolo que usei para defini-lo, demonstra isso claramente.  Certos trechos incomodam, pois referem-se a conceitos que não são de domínio da filosofia e nem tampouco da religião, mas da ciência e, embora seja interessante ver como o autor os relaciona, incomodou-me um pouco. Também não concordo quando Taniguchi afirma que a mente é tudo, pois se o fosse, e nossos pensamentos alcançassem o poder que ele diz, eu seria uma pessoa completamente diferente, bem como a minha vida, então, não acredito em todo esse poder que ele alega que a mente possui. Logicamente, acredito, sim, na força do pensamento e na força de vontade que muda destinos, embora não na mesma proporção que encontrei no livro.


A conclusão que cheguei é que este livro é um doce alento se interpretado na medida certa. O livro também é um bom promotor do otimismo, do bom pensamento e da busca pela felicidade verdadeira, isto é, aquela felicidade que não se embasa em coisas materiais, mas na sensação de estar vivo, nos sentimentos e pensamentos que promovem mudanças. "A verdadeira alegria do homem não é o prazer sentido no corpo. A sua verdadeira alegria  é a alegria sentida ao vivificar Deus que habita o seu íntimo."