quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Brasil no buraco

A capa do meu livro foi quase profética


A situação

Estamos em um buraco e isso é fato! A equipe do presidente Temer tenta medir o tamanho desse buraco, para poder fazer a corda que vai nos tirar dele. Até sexta-feira, saberemos o tamanho do rombo que, por enquanto, pode passar de 150 bilhões de reais. Além disso, o PIB está em recuo, a arrecadação caiu, o desemprego passou de 11 milhões de pessoas, atingindo indiretamente cerca de 50 milhões. Os estados estão pensando em pedir moratória de 12 meses para evitar o colapso do setor público (veja aqui). Dornelles (RJ) chegou a afirmar que: “estão arrecadando para pagar juros, os juros da União são exorbitantes, uma verdadeira agiotagem”. O real desvalorizado junto ao dólar, sem um lastro confiável que proteja o setor. Esse é um quadro de retrocesso alarmante, que quase nos leva para a era anterior ao Plano Real. Só falta o ressurgimento da hiperinflação. E eu lembrei de uma charge com essa história, pois nunca um quadrinho representou tão fielmente, e resumidamente, a realidade atual como este abaixo:




O Que Estão Tentando


Na época, os ajustes fiscais e a criação do Real (FHC) nos tiraram do buraco. As privatizações deram dinheiro para aliviar a economia. Agora, precisaremos de novos ajustes e isso vai doer em todos. Nas matérias de Economia Geral, e em Contabilidade Geral, cursadas por mim em Administração, o procedimento de cortes em gastos era como nossos pais nos ensinaram para controle da renda familiar, ou seja, inicia-se cortando o supérfulo, ajustam-se os gastos com o que se ganha, tenta-se ganhar um dinheiro extra e, depois, vende-se o que puder para reduzir o rombo. Em última ação, se for realmente necessário, pega-se crédito emprestado.

A União deve trabalhar da mesma forma. O problema é o choro livre, pois ninguém aceita cortes. Vai ter choro e isso é inevitável. Já tem ministro pedindo liberação de verbas. Todavia, as medidas do Ministro Meirelles estão demonstrando o parágrafo acima (leia aqui), entretanto, a criação da CPMF divulgada pela Folha já está descartada (leia aqui). Desta forma, a União pode agir, para conter a crise, amparada nos seguintes critérios:

Redução de Ministérios (simbólico)
Corte com Comissionados (aumento de concursos públicos)
Ajuste Fiscal (Previdência, Juros)
Auditoria com gastos para evitar desperdício de verba (eficiência e eficácia)
Corte de verbas em pastas sem grande impacto social (ajustes)
Renegociação da dívida dos estados com a União (essencial e urgente)
Privatizações (essencial)


Eu Acrescento

O PT deixou o Brasil em uma situação trágica. Para sair do fundo do poço, eu acredito que a União tem que ter a coragem para fazer duas coisas: Alterações na política do BNDES e privatizações. Não será possível alterar projetos sociais (usando das palavras do senador Magno Malta, tínhamos que criar uma porta de saída, uma vez que os projetos só têm porta de entrada, ou seja, se mexer em projetos sociais, as pessoas, que lá estão, voltarão para a miséria. Isso é inadmissível), portanto, não se deve alterar projetos sociais e direitos sociais.

1º- As alterações no BNDES se justificam na análise do site Mises: “os empréstimos subsidiados do BNDES, além de expulsarem as pequenas e médias empresas do mercado de crédito, geram aumento da dívida do governo, aumentam a inflação de preços e forçam a SELIC a patamares mais elevados.  A SELIC mais elevada, por sua vez, encarece o serviço da dívida e complica ainda mais a situação da dívida pública, o que eleva a desconfiança dos investidores — como explicado neste artigo, dívida cara e em contínua elevação significa temor de novos impostos; e o temor de novos impostos afeta a intenção de se fazer investimentos de longo prazo; e sem investimentos, não há crescimento econômico e nem empregos. (...) Ao fechar o BNDES, ele irá, no longo prazo, impor uma maior disciplina aos gastos do governo e estancar o crescimento da dívida.  E, para reduzir a dívida, ele não tem de recriar a CPMF e nem nenhum "imposto transitório": basta ele exigir que as grandes empresas que foram privilegiadas com empréstimos subsidiados do BNDES — imorais por todos os motivos acima, mas principalmente porque pagos pelos cidadãos brasileiros — devolvam o dinheiro.”. Não vou para a linha do “fechemos o BNDES”, mas para a linha de alterar a política de concessão de créditos e renegociar com as empresas os valores já pagos, para ajustar os juros.

2º- As privatizações são essenciais, pois não temos dinheiro no caixa e precisamos colocar algum recurso nas contas do governo. Como acredito em um Estado mínimo (que contemple atuação na saúde, segurança e educação) que pouco intervenha no mercado, as privatizações se tornam essenciais para equilibrar as contas maltratadas pelo PT. Qualquer empresa pode ser privatizada, priorizando as que estão debilitadas.

Conclusão

Como podem ver, vamos ter muito trabalho pela frente, mas, ao menos, apesar de todos os erros, o governo Temer quer colocar o Brasil nos eixos (não sei se vai conseguir) e, para tanto, vai ter que fazer cortes. Muitos vão chorar, infelizmente, mas será para o Brasil sair deste buraco. Quando ele disse que não se importa em ser reconhecido como um presidente impopular, desde que ele consiga contribuir para o bem do Brasil, ele sabe que vai desagradar muitas pessoas. Só deixo um recado: não altere projetos sociais e direitos sociais. E rezo para o PT não retornar ao poder!