quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dados de pesquisas sobre o mercado de livros


Retratos da leitura no Brasil X Os leitores brasileiros e o livro digital





    Pesquisas recentes tentam traçar o consumo e hábitos de leitura do brasileiro. Ambas as pesquisas tiveram apoio da Câmara Brasileira do Livro. “Retratos da leitura no Brasil” foi resultado de uma pesquisa dirigida pelo Ibope Inteligência, contratado pela Pró-Livro para a função. Já a pesquisa “Os leitores brasileiros e o livro digital”foi realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura.


    Segundo a “Retratos da leitura no Brasil” o consumo médio anual de livros aumentou no país para 4 livros, sendo assim dividido: 2 livros inteiros e 2 livros em partes. Segundo a pesquisa, o Brasil é composto por 88,2 milhões de leitores e, deste total, 53% são do sexo feminino e 43% são do sexo masculino.  Vale ressaltar que, para efeito desta pesquisa, foram considerados leitores quem, ao menos, leu um livro em 3 meses.


    Para Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), os dados revelam um bom mercado aquecido: “Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média – que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa, de 45% em 2007 para 48% em 2011 –, e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens”.


    Sobre os e-books, a pesquisa “Os leitores brasileiros e o livro digital”, aponta um desconforto dos entrevistados quanto à leitura em tela de computador. Mesmo os que leem livros digitais reclamam que a leitura continuada, em tela, cansa os olhos. Podemos perceber que, apesar do crescimento do mercado de livros digitais, o livro impresso, segundo análise do Observatório do Livro, ainda possui a preferência dos leitores.


    As regiões que mais leem, segundo a pesquisa do Ibope Inteligência, são:  Centro-Oeste, com a média de 2,12 exemplares, sendo seguida pelas regiões Sudeste (1,84 livros), Sul (1,68 exemplares) e Norte (1,5). Karina Pansa afirma que “ainda há muito que ser feito para conseguirmos chegar a um patamar considerável ideal para um país como o Brasil, que tem potencial econômico forte e vigoroso, mas carece de melhoria nos indicadores de desenvolvimento humano e, em especial, nos indicadores de educação, para deixar as ultimas posições nas avaliações internacionais. Mas acredito que estamos no caminho certo”.


    Sobre o risco da pirataria de exemplares pela internet, a pesquisa do Observatório Do Livro e da Leitura aponta que o risco existe e foi discutido durante a pesquisa, na qual uma professora de 32 anos, de Pernambuco, assim respondeu: “Por mais modernos que esses aparelhos sejam, com certeza a pirataria vai prejudicar no futuro. É obvio que crises vão acontecer com as editoras e com os autores, como aconteceu com a música, mas espero que não seja igual”.


    A comparação com a música e o efeito da pirataria foi uma constante nesta pesquisa, mas revelou uma visão diferente de ambas as indústrias e seus respectivos produtos (livro e cd).  Em todos os grupos estudados, o livro foi mais respeitado que a música. Como trechos da pesquisa, insiro aqui as que considerei mais significantes:


“A música é algo para ser ouvido e/ou compartilhado em grupo, de forma fugaz, despreocupada, livre. Já o livro é uma experiência pessoal, intransferível, silenciosa.”

“O ‘tempo de validade’ de músicas e livros também seria diferente para esses entrevistados: enquanto as músicas que fazem sucesso devem ser ouvidas imediatamente, ao mesmo tempo em que são tocadas nas emissoras de rádio, com os livros é diferente: eles são eternos, nobres e complexos –e “não merecem ser pirateados”.


    O livro, apesar da disseminação de novas tecnologias, ainda possui um ar nobre e respeitado. Um produto que está sempre em sintonia e nunca parece esquecido. Mais informações sobre as pesquisa nos sites: