segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Conto do Ratinho: Pensamentos e Dúvidas!


Pensamentos de Ratinho!

Passaram-se dois anos depois da invasão das cobras venenosas em meu cubículo. Naquela época, tomei-me por um temor de que fosse culpa do cientista, pois eu, com meu pequeno raciocínio de ratinho, já sabia que as cobras cobiçavam meu espaço. Com meu pequeno raciocínio de ratinho, eu já alertava o cientista de que as cobras queriam invadir. E eu alertava o cientista, mas ele permanecia em silêncio. E eu alertava ardentemente, mas a resposta do cientista era o silêncio.

Em meu cubículo, eu residia com um velho caranguejo que visitava as cobras com certa frequência. Ele, de forma inocente, achava que sua couraça o protegeria dos venenos. Que as cobras nada fariam contra ele. Era de uma inocência triste. Quando eu falava com o caranguejo sobre meus temores, ele ria. O caranguejo velho também não acreditava que elas fossem capazes de fazer mal a nós. Quando a parede de vidro se estilhaçou, e as cobras avançaram contra nós, ele ficou perplexo. Foi tão vítima delas, quanto eu.

Na época, fomos salvos pela mão do cientista. Nossa baia foi protegida por mangustos enviados pelo cientista. Como interpretar isso? Como o cientista, que nada fez para consertar a parede de vidro, naquele momento, resolveu estender sua mão para me poupar a vida? Não seria melhor ter arrumado a parede, antes que ela ruísse? Não seria melhor ter distanciado as cobras, deixando-as longe? A impressão que me deu é que o cientista está nos testando. Ele nos colocou em uma panela de pressão, para medir nossa capacidade e nossas reações.

Eu também fico pensando, enquanto como minha ração, que a minha situação atual também faz parte desta panela de pressão. Após dois anos do ocorrido, eu ainda estou em uma baia que não me pertence. O caranguejo velho parece continuar em contato com as cobras e, por causa deste caranguejo velho, que eu respeito e amo, eu não pedi aos mangustos que a justiça fosse feita, pois ele ama as cobras. Sim, o coração do velho caranguejo o impede de agir contra as cobras. E o meu coração, que o ama e respeita, me impede de ir contra elas.

Essa situação é o tempero desta panela de pressão na qual estamos inseridos. O cientista está nos marinando aos poucos, nos deixando envoltos em pressão e vapor quente. O cientista é mau? O que o cientista quer de fato?

Sobre os mangustos, eles me deram mais 6 anos para agir contra as cobras. Ao meu sinal, os mangustos serão a justiça. Por este fato, ainda estou esperando convencer o caranguejo velho. Esperando que ele se convença de que a justiça não feita é pior que a injustiça realizada. Que o mal sem reparação é um dano pior que o que as cobras ousaram tentar fazer. Faço isso para que o caranguejo não sofra.

E você, cientista? O que quer agora? Com sua mão poderosa, poderia resolver tudo pacificamente. Eu acredito em seu poder, mas estou tendo dúvidas quanto ao seu amor. No meu pensamento de ratinho, limitado pela minha pequenez, via no senhor um protetor, mas, agora, vejo no senhor um observador que conduz a um experimento cruel. Cientista, desta vez, não se cale. Responde! Ajude este ratinho a entender e a resolver tudo de maneira pacífica. Estas são as dúvidas, pensamentos, sentimentos e orações do ratinho a ti. Eu quero escrever, no conto do próximo ano, a sua bondade para comigo!