sexta-feira, 20 de abril de 2018

Darling in The Franxx!


Melhor Ficção- Darling In The Franxx





Antes de mais nada, preciso responder a algumas questões. Fantasia é ficção? Sim. E ficção é fantasia? Sim. Então, qual o motivo de separar e criar duas premiações diferentes? Apesar de estarem unidas por fundamentos, existem diferenças entre elas.

Definição do site Conceito.de (https://conceito.de/fantasia) com grifos meus.

“Na literatura, o género fantástico é aquele que apresenta elementos imaginários e sobrenaturais no seu argumento. Trata-se de um género que viola as regras da realidade, com animais que falam, monstros, pessoais imortais e seres que viajam no tempo.

A ficção científica, igualmente chamada de literatura de antecipação, é um género que surge pela combinação da fantasia (aquilo que não existe verdadeiramente) e da ciência. Prevê situações que nunca aconteceram (irreais, portanto), mas que poderiam ter lugar graças ao avanço do conhecimento científico.”


Desta forma, enquanto podemos classificar Grancrest como fantasia, por usar elementos sobrenaturais em seu enredo, o vencedor desta categoria tende a unir a fantasia de um futuro imperfeito, abordando o uso de um enredo que foca em uma tecnologia futurística, com robôs e ciência genética e, portanto, torna-se uma obra centrada na ficção.




MELHOR FICÇÃO DA TEMPORADA – DARLING IN THE FRANXX

http://www.crunchyroll.com/darling-in-the-franxx

Sinopse via Crunchyroll: “Simulcast on Sábados 1:00pm -03
Futuro distante: a humanidade se estabeleceu em Latifúndios, cidades-fortalezas erguidas sobre os destroços da guerra, e a civilização floresceu. Nessa cidade, há o Mistilteinn, um quartel de pilotos também conhecido como Gaiola. É lá que as crianças vivem... Alheios ao mundo de fora e da vastidão dos céus. Sua única missão em vida é lutar. Seus inimigos são os urrossauros, gigantescos organismos misteriosos. As crianças operam robôs chamados FRANXX para enfrentar esses inimigos desconhecidos, crentes de que esse é seu objetivo de vida”.

Vou utilizar a mesma linha de raciocínio para julgar esta obra que usei para julgar Grancrest. Dê uma olhada na semana passada, para acompanhar esta explicação.

1-    A realidade aqui cativa por ser sombria. O autor não explica muita coisa. E esta ausência de explicações nos faz imaginar. Por exemplo, aonde estão os adultos? São poucos os adultos que aparecem na série e, geralmente, estão escondidos atrás de máscaras, ou possuem próteses. Como as crianças foram criadas? Clonagem ou manipulação genética? O que houve com a humanidade? Como a humanidade quase foi exterminada? São várias perguntas que ainda estão sem respostas. E a coisa piora quando prestamos atenção nas imagens ao redor dos personagens, pois as imagens contam uma história diferente da história na qual os jovens pilotos estão inseridos. As imagens deixam entendido que estes pilotos não terão futuro, pois aqueles que estão cuidando deles não parecem humanos. Cidades sem ninguém, adultos sem rosto, experiências em laboratório. A cada dia, eles parecem apenas ferramentas que serão descartadas ao final. Este pessimismo na realidade é o que me cativou a assistir. O pouco que se conta deixa muito para a imaginação.

2-    A ameaça na série parece ser a presença dos monstros chamados de Urrossauros, porém, parece existir uma ameaça maior aos pilotos. Uma ameaça ligada aos que cuidam deles. A cada episódio, a impressão que tenho é que eles estão em um abatedouro. Caso deixem de cumprir com seus objetivos, serão descartados. Temos, então, duas ameaças presentes. Acredito que a maior delas é a que vem do laboratório. A ameaça daqueles que, na minha opinião, parecem humanos mas não são. Este tipo de ameaça obscura é um ponto forte no roteiro.

3-    Os personagens principais (Hiro e Zero Dois) possuem uma fortaleza única. Eles não são bidimensionais, e nenhum deles é. Zero Dois é uma cria de laboratório, que conheceu a beleza através de um livro infantil ilustrado. É arredia, pois sempre foi tratada como uma cobaia para experiências. Apesar disto, sonha em encontrar o amor que a libertará, seu darling. Já Hiro é um piloto que quase foi descartado. Esta ameaça de descarte o fez mais agressivo e mais empenhado em mudar e se transformar em um piloto que vá contribuir com a sua equipe. Quando os dois se juntam, ela percebe nele seu amparo e ele percebe nela seu futuro. Os personagens, portanto, mostram inúmeras frustrações, inúmeros sonhos e uma dinâmica muito bem engrenada pelo amor. Esta é a fortaleza deles. Os demais pilotos mostram-se bem construídos, com diversas histórias românticas que, ora são bem-sucedidas, ora fracassam. Pessoas que demonstram mesquinhez, egoísmo e que traem aos seus companheiros. Por terem muitas nuances, eu analiso que eles tem profundidade psíquica. 




4-    A dinâmica entre eles está tão bem descrita em vídeo, que deixo aqui o vídeo do Intoxi Anime sobre um dos episódios da série. Sim, também me emocionei com esta história!




5-    E, por fim, o suspense está na frase da Zero Dois: “Ninguém aqui virará adulto”! A ameaça que descrevi acima, que vem justamente do laboratório que os criou, é que deve ser a origem desta frase da personagem. Como o enredo já vem apontando, todos os pilotos estão em perigo e este perigo não advêm apenas dos Urrossauros.


A série está, desta forma, construída a não te dar todas as respostas. Ela te dá algumas pistas e te deixa construir, imaginar, a realidade ao redor dos personagens. Ela mostra uma interação incrível dos personagens e uma ameaça não velada. É um enredo muito bem construído para te deixar curioso, se envolver com os pilotos, te fazer se importar com eles e criar uma realidade simples através do pouco que te informa. Sem contar a direção competente que sabe usar o melhor ângulo de imagem para cada cena, além da trilha sonora que é impecável! É uma série que te força a sentir os personagens e colocar seu coração na garganta!


Além disso, a pilotagem em dupla que a série mostra é usada com elementos subliminares. Isto é, para os atentos, as cenas de interação dos pilotos, as cenas de pilotagem, os diálogos e as situações sempre remetem a algo mais picante. E isto é um elemento bônus do enredo e que diverte bastante.

Por tudo isto, Darling In The Franxx ganhou o título de melhor ficção.



SPOILER...SPOILER...SPOILER


Troféu Personagem mais mesquinha!

Ichigo, na semana passada, usou de sua posição militar, bem como de sua relação para com os outros pilotos a seu comando, para separar o Hiro da Zero Dois. Ela alegou estar defendendo o Hiro, quando, na verdade, ela só queria o Hiro para si. Este sentimento mesquinho, com o uso de seu cargo e funções, fez dela a personagem mais mesquinha da temporada. Separou um casal para não ver seu amor (Hiro)  com outra. E comprovou que os personagens possuem uma boa profundidade psíquica!

Ichigo, o Troféu Mesquinhez é seu!