segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Previsões para 2017

Previsões para 2017- Política, Economia e Reformas



Não sou o “Carlinhos Vidente”, mas quero deixar aqui minhas considerações sobre o ano de 2017. E não vejo aqui um bom ano para o Brasil, pois muito do que abalou 2016 continuará em 2017. Começo pelo que considero o que será a parte mais instável e importante para o Brasil: a política.

Política

Ainda bem, Dilma foi impedida. Apesar de eu considerar que a lei de impeachment e a lei eleitoral deveriam ter certas alterações, como responsabilizar tanto o Presidente da República, como seu vice, isso foi um ponto importante para mostrar que o Brasil ainda tem jeito; todavia, as delações da Odebrecht mostram que todos os partidos tinham parte na corrupção. A Lava Jato não parou, como alegavam os esquerdinhas, e está alcançando o centro do PMDB e do PSDB. Passando pelo PSOL, PT e indo para o DEM, todos os partidos foram corrompidos pela Odebrecht. E as delações continuam e vão continuar em 2017.

 Isso é um elemento de instabilidade que gera nos investidores a desconfiança para investir no país, agravando a crise, mas é essencial que o país passe por isso e depure o Congresso. Não existirá democracia longeva se a política for suja. E a instabilidade política continuará em 2017 e se agravará.

Daqui tiro dois cenários possíveis:

A: Temer renunciará quando as delações atingirem mais a fundo o centro do governo e teremos eleições indiretas. Com o grau de confiança da população no Congresso anda baixo, um representante indireto, eleito por eles, vai gerar ainda mais instabilidade. Eu o vi, certa vez, em um Congresso de Direito Constitucional realizado pelo IDP (lembra que fiz Direito?) e o considerei um homem ponderado, o que me deixa a sensação que ele pode renunciar, se ele achar que isso vai ajudar.

B: Temer se segurará para evitar a eleição indireta. Já li que o centro do PSDB vai dialogar com o famoso “centrão” para blindar o Temer, para que possamos chegar em 2018 sem a necessidade da eleição indireta. É um cenário possível, visto que já existe diálogo no Congresso quanto a isso.

Tudo isso afeta a nossa economia e tira do investidor a confiança na estabilidade. Existe ainda a possibilidade remota do impeachment do Temer. Eu não considero isso nem mesmo como uma possibilidade de cenário. Primeiro, porque o pedido é fraco. Ora, tanta acusação séria de recebimento de propina e a oposição esquerdinha me entra com um impeachment de um único áudio gravado? Querem matar um elefante com uma vareta? Acredito que, na verdade, eles não querem a saída do Temer, pois não saberiam o que fazer com a economia e, tendo ele no poder, poderiam acusa-lo de vilania. Compensa para os esquerdinhas essa situação, por isso esse pífio pedido de impeachment. Em segundo, a Dilma fez de tudo para evitar o seu impedimento a ponto de criar um rito duro de impeachment que levou a um julgamento de quase um ano. Isso mostra que não existe tempo hábil para o julgamento e a base do Temer ainda é forte.

Como viram, a política não ajudará, nesse sentido, a economia. Isso causará instabilidade, principalmente o que vier depois, e acredito que a sentença do Lula sairá até o fim do primeiro trimestre de 2017 (sendo positiva ou negativa), afetando os humores do mercado.   É nesse cenário que teremos que lutar pelo desenvolvimento do país.

Economia

As previsões indicam desaceleração da inflação, mas retração no crescimento do PIB para 2017, com alerta do COPOM para o mercado externo, após a vitória do Trump. A LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2017 informa, segundo OGlobo: “A LOA também estima em 1,6% o crescimento do PIB para 2017 e em 4,8% a inflação. A taxa Selic prevista é de 12,11%, enquanto o câmbio médio foi projetado para R$ 3,43 por dólar.”   Esse cenário poderia ser pior se o governo Temer não tivesse conseguido a vitória da PEC 55. O controle de gastos do governo é um principal sinalizador de que o governo deseja fortalecer nossa economia, evitando que o Estado gaste mais do que arrecada.

Ao contrário do que os esquerdinhas andam divulgando em redes sociais, a PEC 55 não congela gastos e nem corta investimentos em educação e saúde. A PEC 55 apenas ajusta os gastos de um ano em relação a inflação do ano anterior. Isto é, os gastos de 2017 serão regulados pelo IPCA de 2016; os gastos de 2018 serão regulados pelo IPCA de 2017 e assim por diante. Saúde e educação entrarão na planilha em 2018. A saúde teve um aumento de 10 bilhões de reais para 2017. Sem a PEC, o governo continuaria entrando no vermelho e arrastando a nossa economia para o buraco.

Sobre a LOA de 2017, um fator me desagradou. Aumentaram a contribuição partidária. Poxa, para quê? Usa esse recurso em outra iniciativa que gere desenvolvimento. Então, a economia promete ser dura em 2017, mas poderia ser pior sem a PEC 55 regulando o bolso do Estado. Foi uma reforma amarga e necessária, como vou escrever mais abaixo.


Reformas em Andamento

São três reformas em pauta: Gastos Públicos (já em vigor); Previdência Social e Fiscal. Como sabem por textos anteriores, eu não concordo quando mexem com o bolso do trabalhador, sendo que existem outras reformas a serem feitas, por isso, não concordo com a reforma da Previdência. Essa poderia esperar. A reforma fiscal, se bem feita, pode gerar 100 bilhões de reais a mais ao Estado, então, teria que ter prioridade sobre a reforma da Previdência. Na ordem:

1º- A PEC dos Gastos Públicos foi uma injeção. Doeu muito, mas foi necessário tomar, pois o Estado não poderia mais gastar a ponto de endividar o país. Um Estado endividado derruba a economia, como já estamos presenciando.
2º- A reforma fiscal aumentaria a arrecadação do Estado (não escrevo sobre aumentar impostos, mas melhorar a arrecadação já existente), por isso, deveria ser a próxima reforma a ser realizada. O combate à sonegação e
3º- Combate à corrupção com medidas que melhorem o controle burocrático. Combate à corrupção traria maior eficiência aos gastos públicos. Somente a Lava Jato recuperou 5 bilhões de reais aos cofres públicos. Muito dinheiro roubado que poderia ser investido na melhoria do Brasil. 

Para mim isso bastaria, não sendo necessária uma Reforma da Previdência.

O Ano de 2017


Então, com uma economia ainda tímida, com escândalos de corrupção, que poderão derrubar o atual governo, e reformas ainda por fazer, eu acredito que 2017 será mais difícil que 2016. Preparem-se!