quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Teoria do Agendamento hoje!




Diz a teoria do “agenda setting” (teoria do agendamento) que os meios de comunicação podem influenciar na conversa do cotidiano do cidadão e influenciá-los de certa maneira, fazendo com que percebam um fato como de grande ou pouco impacto. Vou deixar uma explicação melhor abaixo:


"(...)em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que o mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso, o público tende aquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas."

Donald Shaw , 1979 (In: WOLG , 1994)



Então, algumas décadas atrás, os estudiosos acreditavam que um fato seria relevante de acordo com o grau de exposição dele na mídia. E que as conversas do cotidiano seriam baseadas neste agendamento da mídia. Por exemplo, o povo falaria sobre o campeão do futebol inglês enquanto houvesse divulgação disso pela mídia. Surgindo um novo tema nos meios de comunicação, logo o campeão inglês seria esquecido.

O ano de 2016 veio a revelar alguns pontos importantes sobre a distribuição de atenção do público nos meios de comunicação. Dois exemplos vieram a demonstrar que a midia convencional pode estar deixando de ser o carro-chefe do agendamento. Durante o evento do impeachment, correu a notícia de que as operadoras de internet no Brasil limitariam os novos contratos de banda larga pela quantidade de fluxo de dados, limitando a nossa internet. Estava jogado na mídia o que deveria ser o novo agendamento, ou seja, o povo deveria esquecer o impeachment e começar a discutir o limite de fluxo de dados. Isso não ocorreu. A discussão sobre o impeachment não morreu e juntou-se ao da internet limitada, que logo se juntou às notícias sobre Lula e Dilma (obstrução da justiça). Apesar do esforço em agendar um novo tema, os temas anteriores não morreram e todos os temas passaram a conviver no espaço social do brasileiro.

Existe um efeito do agendamento, que é fazer com que um consumidor acredite que um produto é bom, ou seja, o agendamento tem a tendência de promover produtos e serviços. Veja o caso do filme Ghostbusters. Ele foi amplamente elogiado em diversos meios de comunicação, fazendo com que o filme recebesse o score de 73% de críticas positivas. Agora, repare na média ao lado (score do público) na imagem que abre este texto. O agendamento ajudou na bilheteria (o estúdio esperava algo em torno de 44 a 50 milhões, e recebeu 46 milhões). O estúdio calculou que receberia 150 milhões em 15 dias, segundo a força deste agendamento, mas está com 106 milhões e 17 dias, ou seja, algo deu errado.


Conclusão

O que estes dois exemplos mostram é que o agendamento não possui nos meios de comunicação tradicionais, sua melhor força. No caso do impeachment, as redes sociais e o streaming continuaram suprindo o público com informações, não permitindo que a notícia esfriasse. Isso possibilitou que o tema permanecesse em pauta e ainda levou cerca de 4 mil pessoas às ruas no domingo passado, em Brasília. Outros milhares se manifestaram em diversas capitais. Já o filme em questão, teve na internet o seu algoz. As críticas ruins começaram a proliferar em vídeos, blogs e em plataformas como a do Rotten Tomatoes, dando ao filme um score de 3.2/5. Isso esfriou o interesse do público que ainda estava em dúvida se iria aos cinemas ou não.     


Os dois exemplos provam que os meios tradicionais devem conversar com os novos meios de comunicação (não tão novos assim) para conseguir atingir o público como faziam antigamente, e que o público, agora, possui meios mais livres para manifestar sua vontade e se mover para onde, como e quando quiser.