Pular para o conteúdo principal

Interviews With Monster Girls como ferramenta de apoio ao trabalho psicológico


Interviews With Monster Girls
O trabalho de aceitação de diferenças

Para um psicólogo é difícil explicar para pré-adolescentes e adolescentes sobre as diferenças que cada um de nós possui e fazê-los se abrirem em caso de necessitarem de tratamento especial. Para tanto, um especialista em tratamento infanto-juvenil e juvenil  necessita de ferramentas para acessar o mundo interior de cada uma deles. Recorrem a desenhos, músicas, brincadeiras e filmes, logo, Interviews With Monster Girls, capítulos 1 ao 3, pode ser mais uma ferramenta usada para lidar com diferenças peculiares.

As peculiaridades apresentadas neste desenho são atípicas e baseadas em contos de terror, mas, talvez por isso mesmo, como são apresentadas de maneira cômica e extremamente leve, façam o efeito desejado para o início de trabalho com pessoas que precisem de ajuda. Em um início, não choca por apresentar especificidades que não são tradicionais e por ser uma animação, mas o inconsciente começará a relacioná-las com especificidades que vemos diariamente. É neste ponto que o profissional deverá apresentar demais ferramentas para o apoio ao trabalho. Veja a seguir alguns pontos importantes que a série toca e que podem ser relacionados com problemas reais.

Fonte: Anime News Network


Hikari e Himari
Uma vampira com irmã gêmea humana é apresentada já inicialmente. Neste aspecto, o autor relaciona o vampirismo como uma espécie de anemia aliada a pouca resistência ao sol. Como uma irmã possui o vampirismo e a outra não, o pré-adolescente e adolescente, devidamente orientados, começarão a trabalhar as diferenças e perceber que diferentes podem se relacionar (caso irmã-irmã vampira). Percebi utilidade neste aspecto para lidar com irmãos com diferenças e relações familiares. Também pode demonstrar o valor do individualismo e da força de cada uma, pois Hikari ultrapassa a barreira de sua especificidade e faz disso seu elo de ligação com o mundo que a cerca. O vampirismo nesse sentido também pode ser relacionado com problemas sanguíneos, e a força de vontade e a alegria da personagem podem servir como estímulo para ajudar jovens em tais situações. Hikari é uma fonte de alegria e energia e isso pode ter efeito benéfico para o tratamento.

Kyôko Machi
O segundo caso apresentado é de uma Dullahan (uma gentil mulher sem cabeça). O aspecto interessante que pode ser fortalecido com este personagem é a relação que se pode fazer dela com indivíduos com limitação de movimentos. Ele precisa adaptar-se ao mundo que a cerca e que não está preparado para ela. Na hora da alimentação, do banho ou de carregar o material escolar, Machi precisa se adaptar ao seu ambiente, por necessitar ter que carregar a sua cabeça, todavia ela é apresentada como uma garota gentil, ativa, apaixonada e que sabe lidar com estes problemas de limitação e seguir a vida adiante. Os colegas de classe, neste ponto da história, parecem não conseguir lidar com a sua situação física, mas isso não impede que ela se relacione. A força dela em lidar com estes problemas, bem como as soluções que ela encontra para realizar atividades cotidianas, são ótimas ferramentas para que o indivíduo comece a trabalhar seu interior e buscar suas próprias forças para lidar com problemas físicos reais. Provavelmente, ela é a que tem uma peculiaridade mais próxima de nosso mundo real. Em questão de metáforas e símbolos,  o exemplo dela também serve para fazer com que indivíduos que socializam com pessoas com deficiência se esforcem para saber lidar com isso. Eu lembro que, no meu colégio, um aluno como paralisia cerebral foi transferido. Eu queria fazer amizade, mas não sabia como chegar a ele e como conversar com ele. Esta Dullahan pode ser uma ferramenta para o profissional também trabalhar este aspecto do cotidiano. No meu caso em particular, consegui criar amizade com ele.

Sakie Satou
No terceiro capítulo, vemos a história da professora que não se relaciona com ninguém fisicamente por ser uma súcubo. Novamente, a série mostra o esforço da personagem em lidar com sua diferença e se inserir em seu cotidiano. Como forte mensagem que esta personagem fictícia nos passa é que, se uma súcubo consegue ser professora de matemática, isso mostra que os problemas de nascença não são obstáculos para que a pessoa não se desenvolva.  O personagem pode vir a ajudar no tratamento comportamental, uma vez que a personagem e a peculiaridade estão inseridas no campo da sexualidade. Para a súcubo era impossível lidar com sua condição sexual (ela possui um corpo que emite muita essência afrodisíaca, ou seja, qualquer homem que chegue perto, e a toque, fica excitado) e ela se afastava de todos.

Ela se afastava, pois ela desejava encontrar um amor verdadeiro, porém, a essência súcubo atrapalhava. Ela não sabia dizer se a pessoa realmente gostava dela, ou se estava apenas sob o efeito da metade súcubo. E isso começou a mudar ao conhecer o personagem que anda interligando todas as histórias- o professor Takahashi.  Excelente material para começar a trabalhar sexualidade reprimida, ou o desejo por fetiches que impeçam a pessoa de demonstrar seus reais sentimentos para com o parceiro.

Conclusão e sinopse
O trabalho como um todo tem uma mensagem interessante de respeito a si e ao outro, autossuficiência, limitações, despertar da sexualidade e integração social. Acredito que possa ser uma ferramenta poderosa para o trabalho de conscientização interior e trabalho de diferenças. Por isso, divulgo-o desta forma. Mais para frente eu farei um texto sobre o capítulo 4, pois ele demonstra atividades em grupo, como a terapia do abraço.

Interviews With Monster Girls (Exibido via Crunchyroll com legendas em português) tem sinopse no site que diz: “Súcubos, dullahans, garotas da neve e vampiras... Somos demi-humanas, um pouco diferente das humanas. Hoje em dia, costumam nos chamar de "demis." Esta é uma estimulante e cativante comédia escolar envolvendo "demis" bastante únicas e Tetsuo Takahashi, um professor de colegial bastante interessado em aprender sobre suas vidas e hábitos”.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Diego Rox e o Jardim das Borboletas

Diego Rox e o Jardim das Borboletas
Como sabem, sou inscrito do canal do Nando Moura, ou seja, sou um dos “bots” do canal. Sobre este assunto, está até engraçado. Vou escrever sobre isto antes de entrar no assunto. Os adversários que temem a verdade nos ofendem com termos que não condizem com nosso real comportamento. Ficou engraçado, porque, se juntarmos todas as ofensas em uma frase, eu acabo virando um “robô, com recurso de bot, nazista e fascista, que não gosta de odores fortes”, por isso, está engraçado ver esta situação. Fui reduzido a um robô Windows 10, que não gosta de pum.
Ao assunto. Através do vídeo do Nando, sobre o uso de bots, eu acabei conhecendo o canal do Diego Rox. Veja um vídeo abaixo. Ele parece ter uma agenda parecida com a do Nando Moura, isto é, ele é cristão, pois acredita em Deus e em Cristo, prega ação contra a corrupção, homenageia os verdadeiros heróis anônimos, é caridoso e defende a liberdade. Uma agenda que também me aproxima dele, por isso, hoje, esto…

Cavaleira ou Amazona? Veja a resposta!

Amazona ou Cavaleira?
    Em meu tempo de colégio, nas décadas de 80 e 90, nos foi ensinado que o feminino de cavaleiro seria amazona. Em uma prova, um colega marcou o feminino de cavaleiro sendo cavaleira e foi repreendido. Desta forma, fixei amazona como o feminino correto para o termo em questão, ou seja, mulher que anda a cavalo. Ao assistir Walkure Romanze, eu me deparei com a palavra cavaleira e me questionei. Inclusive, alertei-os para a forma que eu julgava correta, mas sem retorno positivo. Deste modo, fui pesquisar para ver se a expressão estaria correta.


    Nestas pesquisas, encontrei um professor que prontamente me respondeu a esta questão. O caso estava solucionado com uma bela lição que, agora, repasso a vocês. Com a palavra o professor Ari Riboldi.
    No meu tempo de estudante, no ensino primário e no ginásio, também se aprendia assim: cavaleiro (masc.), amazona (fem); cavalheiro (masc.), dama (fem.). No entanto, os dicionários registram o termo 'cavaleira' …

Será o Veredito?!

Canal Será o Veredito?!
Foi a primeira recomendação do Youtube que gostei de ter recebido. Sobre o canal: “O Direito tá na mídia! O Direito tá na moda! Um juiz de direito se torna celebridade nacional. Tribunais transmitem suas sessões ao vivo pela televisão. Os meios de comunicação não se cansam de veicular notícias jurídicas. Mas, o mundo jurídico possui formalidades que dificultam a compreensão dos seus temas pelo cidadão que não tem formação no direito. Muito se fala; pouco se explica. Por isso surgiu o "Será o Veredito!?". Um canal que traz informações sobre o direito com uma linguagem simples, clara e objetiva.”



O primeiro vídeo que vi desse canal foi uma resposta ao Bugalho. Uma resposta baseada em livros, mostrando a fonte de seu conhecimento e minando, com ótimos argumentos, a posição de seu opositor. Todos os vídeos que assisti foram assim, com a fonte de leitura em mãos. Ele já se disse de centro-direita, o que o faz ser um aliado natural da liberdade e da proprie…