quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O ano em que a crise escolherá jogar bola, ou eleger um presidente!

      Último artigo de 2013. E, 2014 possui previsões perigosas. Antes, preciso explicar, mesmo que superficialmente, como se dá o controle da inflação pelo Banco Central brasileiro. Em regra, o Banco Central (BC) utiliza alguns instrumentos de controle monetário. A explicação abaixo é de autoria do site Bungeprev e nos permite perceber como o BC age. Cliqueaqui para ver o texto na íntegra!

"1) Controle da reserva bancária
Assim como as pessoas têm conta em banco, todos os bancos têm uma conta no Banco Central.  Os recursos provenientes destes depósitos feitos pelos bancos é denominado reserva. Banco Central aumenta ou diminui os percentuais desses depósitos compulsórios conforme deseje aumentar o meio circulante ou diminuir.  Quando a alíquota a ser recolhida aumenta, diminui o dinheiro disponível para os bancos emprestarem aos clientes.  Ocorrendo o inverso, ou seja, quando diminui o percentual, o volume de recursos aumenta na economia.

2) Compra e venda de títulos públicos
O outro mecanismo que dispõe o Banco Central para recolher ou aumentar a quantidade de dinheiro na economia é a compra e venda de títulos públicos.
Quando se compra algo, estamos dando dinheiro e recebendo mercadoria.  O mesmo acontece quando o Banco Central vende títulos públicos.  Quando ele compra títulos públicos, está colocando dinheiro na economia e recebendo em troca os títulos.  O contrário ocorre quando vende títulos.  Neste caso, ele entrega títulos e recebe dinheiro, diminuindo o meio circulante.

3) Controle das taxas de juros
O controle da taxa de juros é o terceiro mecanismo que dispõe o Banco Central para fazer política monetária.  Assim, quando deseja estimular o consumo, ele diminui a taxa de juros; e quando deseja frear o consumo, ele aumenta a taxa.

4) Taxa Selic
É a taxa básica da economia, que remunera os títulos públicos, bem como os valores da devolução do Imposto de Renda.  É nesta taxa que toda a economia se baseia para construir as outras".

Quando a inflação aumenta, por exemplo, aumenta-se a taxa de juros e inibe-se o consumo, permitindo que o comprador deixe o dinheiro em caixa. O dinheiro que não circula promove a queda dos preços ao consumidor, ou estabiliza o preço a menor, e mantêm a inflação baixa. “A Selic é utilizada pelos bancos como um parâmetro. A partir dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas. Caso os juros do país estejam altos, o consumidor tende a comprar menos, porque a prestação de seu financiamento vai ser mais alta. Isso reflete na queda da inflação. Segundo a lei da oferta e da procura, quanto maior a demanda por um determinado produto, mais elevado é o seu preço. Do contrário, se uma mercadoria ou serviço não forem tão procurados, o preço tende a cair para atrair mais compradores”. (UOLEconomia)

Entretanto, este controle pode gerar recessão. Por exemplo, um agricultor necessita desenvolver melhor sua produção, mas, para isso, necessitaria de uma determinada máquina. Com os juros altos, ele não se sente bem em pedir um empréstimo ao banco. Com isso, sofre o agricultor que não comprará a máquina, sofre o industrial que perderá a venda e o consumidor que terá um produto agrícola sem a nova tecnologia. Cabe ao Banco Central saber quando soltar o garrote da economia e permitir que juros mais baixos façam a economia girar e trazer desenvolvimento.


Previsões para 2014 considerando-se o quadro atual da economia brasileira


 Com isso, vemos como 2014 poderá ser um ano ruim para a economia. Comecemos com as palavras de Alberto Ramos que indica as previsões para o ano que vem, pois ele alerta que o Brasil está fragilizado para enfrentar a redução dos estímulos do Fed:

“O impacto sobre o câmbio e os juros de um choque causado pela redução dos estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) poderá empurrar a economia brasileira para a recessão em 2014, ou pelo menos dois trimestres seguidos de contração do Produto Interno Bruto. (...) Para Volpon, sem a crise provocada pela normalização das condições monetárias nos EUA, o Brasil já caminhava para mais um ano de PIB fraco, ao redor de 2% em 2013. Com a subida dos juros de mercado, provocando um aperto das posições financeiras, ocorrerá um ajuste recessivo. (...) Na opinião do economista-chefe para América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, o Brasil vai lidar com o choque externo provocado pelas ações do Fed numa posição de vulnerabilidade. "O déficit em conta corrente aumentou, o crescimento econômico está baixo e a inflação está muito alta", diz Ramos. "Porém um câmbio mais depreciado agora vai interferir nesse processo, então talvez teria de vir um arrocho de juros para rebalancear a economia’”. (Estadãoem 23 de junho de 2013)

Imaginem vocês um arrocho destes em 2014, visto que 2013 será um ano que não vai terminar de acordo com as previsões do ministro Mantega. Sim, a notícia sobre a retração da economia, no 3º semestre de 2013, abalou a economia brasileira.

“A economia desandou no terceiro trimestre -período marcado pela alta do dólar, pelas manifestações nas ruas, pelo descrédito com as contas do governo e pelo ocaso do empresário Eike Batista. E as consequências dessas más notícias serão mais visíveis em 2014, já que 2013 está praticamente fechado. Ontem, após a divulgação de que o PIB contraiu-se 0,5% entre julho e setembro, economistas colocaram em revisão o crescimento do ano que vem para baixo de 2%”. (Folhade São Paulo)

Para se ter uma ideia da fragilidade de nossa economia, o Estadão fez este infográfico, com base nos dados do IBGE. Notem como nós desaceleramos demais no 3º trimestre de 2013.

Estadão com dados do IBGE


Notem, também, que a previsão do crescimento abaixo de 2%, em 2014, é uma constante, principalmente com a previsão do encerramento deste ano. Miriam Leitão escreveu à poucos minutos o seguinte: “Brasil é o inverso do Chile. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, diz que, do jeito que as coisas estão, o governo deverá entregar um PIB médio de 2% ao ano entre 2011 e 2014, com inflação média de 6,2%. Esses números são o inverso do que acontece com a economia chilena, que tem inflação de 2% e crescimento de 6%. — Fica fácil ver quem está seguindo o caminho correto — afirma”. (O Globo)

Para arrumar a casa, o governo fez como todo endividado: vendeu coisas. No caso do governo, o correto seria o termo “concedeu”, ou seja, as famosas concessões. “Os cinco aeroportos que foram para as mãos da iniciativa privada representam 44% do tráfego de passageiros do país. Como dois dos maiores já foram a leilão, Galeão e Guarulhos, e nem todos os outros despertam o mesmo interesse dos investidores, o governo precisa acelerar o ritmo das concessões ao mesmo tempo que mantém a capacidade de a Infraero continuar investindo” (Alvaro Gribel e Valéria Maniero- OGlobo- 23/11/2013) e continua no texto de MiriamLeitão, em 30/11/2013, ao afirmar que: “Os números do Tesouro Nacional mostram desequilíbrio entre gastos e receitas. Segundo a Tendências, a receita líquida do governo central cresceu 2,5% no ano. Mas a despesa primária cresceu 7,7%. Os investimentos caíram, em termos reais, 0,4%, mas outras despesas de custeio subiram 15,9%. De acordo com a Rosenberg Associados, dos R$ 33 bilhões de superávit primário até outubro, 65% vieram de dividendos e concessões. Estados e municípios também pouparam menos”.

Para finalizar, o ano de 2014 é um ano de eleições por aqui. Apertar os cintos é regra, mas será que irão realizar este feito em ano de eleições e tornar a presidente Dilma mais impopular? O perigo é que, sinalizando-se uma possível derrota nas urnas, o atual governo possa vir a empurrar a crise com a barriga e deixar a bomba explodir no colo de seu sucessor. Por outro lado, se vencer as eleições, terá um árduo caminho pela frente. E você? Que governo quer para reger o Brasil?

Bom, com isso eu termino o ano de 2013 e desejo Boas Festas a todos e que as previsões para 2014 sejam apenas sombras, de pequenos monstrosm que fugirão ao raiar do primeiro dia do ano de 2014. Assim espero, embora, não acredite.