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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Pode um conservador ser liberal?

Pode um Conservador ser Liberal?

Surgiu na minha conta do Twitter esta questão, pois eu me identifico como sendo um conservador, mas com abordagem liberal para as coisas do Estado, dentre elas, a economia. Tem como ser assim, ou estou me enganando? Eu afirmo que é possível, pois ambas as ideologias possuem convergências.



O Liberalismo de Mises

Quando me refiro ao liberalismo, refiro-me a um dos maiores líderes da escola austríaca- Ludwig Von Mises que, em seu trabalho “Liberalismo”, na versão brasileira, em sua segunda edição de 2010,  descreve o liberalismo tendo como objetivo  a maior felicidade possível ao maior número de pessoas (Mises: p. 38), liberdade individual, propriedade privada, livre mercado e a paz. Ele não entra na questão dos direitos naturais (clique) e acredita na cooperação social. (Mises: p. 20). Para ele, deve existir um Estado que defenda a propriedade privada, liberdade e a paz (Mises: p. 65), mas que, segundo Mises, “a razão pelo qual o liberalismo se opõe à maior extensão da esfera de ação do governo é, precisamente, porque isso significaria, com efeito, a abolição da propriedade privada dos meios de produção” e a propriedade privada dos meios de produção é a organização ideal do homem em sociedade. O liberalismo de Mises é uma releitura do liberalismo clássico, com certas alterações, mas, em síntese, é apenas isso. E qual a razão de uma pessoa se chocar ao ouvir que eu posso ser um conservador e um liberal? Explico abaixo.



O Liberalismo  "sequestrado"

O problema reside no fato relatado no prefácio do livro de Mises. Ele descreve um “sequestro” do termo liberalismo, por socialistas. Segundo o prefácio da edição de 1985, “a palavra foi apropriada por filósofos socialistas, especialmente nos Estados Unidos, para uso em seus programas de intervenção estatal e de “bem-estar”.   Com isso, muitos ditos “liberais” começaram a defender a luta de classes, liberação de drogas, aborto e agendas semelhantes às agendas dos socialistas fabianos (clique). Esse sequestro fica evidente quando colocamos em atrito duas frases, uma de Tim Moen, e a outra de Mises.

“Meu desejo é que casais gays possam defender suas plantações de maconha portando armas de fogo.”  (Tim Moen)

X

“Classe alguma poderia defender o liberalismo para seus próprios interesses egoístas, em detrimento de toda a sociedade e dos outros estratos da população, simplesmente porque o liberalismo não serve a qualquer interesse especial. (...) Ser um liberal é compreender que um privilégio especial concedido a um pequeno grupo à custa de outros não pode, a longo prazo, ser preservado sem luta.” (Mises)


E o que Mises defendia era justamente oposto. Por isso, o termo "liberal" coloca um frio na espinha de quem o ouve, pois é um termo que foi indevidamente usado para justificar lutas de classe. Considerando que o liberalismo clássico de Mises nada possui de socialista, esse erro se esvai e a tranquilidade retorna. Lew Rockwell: "Esse vínculo direto que Mises fez entre o liberalismo e o capitalismo também ajudou a separar a posição liberal das outras formas fraudulentas que estavam emergindo na Europa e nas Américas. Esse falso liberalismo alegava que havia uma maneira de favorecer tanto a liberdade civil quanto o socialismo, assim como a ACLU dizia ontem e hoje.
Mises argumentava, a liberdade é uma peça única. Se o governo é grande e poderoso o suficiente para aniquilar a liberdade de comércio, para inflacionar a moeda, ou para financiar serviços públicos maciços, não se precisa de muito mais para também se controlar a imprensa e todas as formas de expressão, e para se envolver em aventuras militares no estrangeiro".

O liberalismo de Mises, volto a afirmar, é a busca do liberalismo clássico, ou seja, do bem-estar material para que o homem consiga alcançar a sua felicidade interior. (Mises: p. 35 e p. 36) É a proteção da organização social dos meios de produção, da paz, da liberdade individual e do livre comércio. Não existe nada que atrite com o conservadorismo, pois, como um bom economista, Mises trabalhou usando apenas o essencial, de acordo com a navalha de Occam. 


Conservadorismo

Utilizo-me novamente das palavras de Russel Kirk, traduzidas por Felipe Alves (Tradutores de Direita). Russel afirma: “O conservadorismo então não é simplesmente coisa de pessoas que têm dinheiro ou influência; não é simplesmente defender status ou privilégios. A maioria dos conservadores não têm nem dinheiro e nem poder. Mas todos, mesmo o mais humilde deles, obtém grandes benefícios de nossa República. Eles possuem liberdade, segurança pessoal e para seus lares, igual proteção da lei, direito aos frutos de seus empreendimentos, e a oportunidade fazer o melhor que são capazes de fazer. Têm o direito à personalidade em vida, e o direito à consolação na morte. Os princípios conservadores abrigam as esperanças de todos na sociedade. E o conservadorismo é um conceito social importante para todos que desejam justiça equitativa, liberdade pessoal e todos os bons e velhos hábitos da humanidade. O conservadorismo não é apenas uma defesa do “capitalismo” (“capitalismo”, de fato, é uma palavra cunhada por Karl Marx, concebida desde o início para insinuar que tudo que os conservadores defendem é a vasta acumulação de capital privado). Mas os conservadores verdadeiros defendem sim a propriedade privada e uma economia livre, tanto por elas mesmas quanto por serem meios para grandes fins.

Esses grandes fins são mais que econômicos e mais que políticos. Envolvem a dignidade humana, a personalidade humana, a felicidade humana. Envolvem inclusive a relação entre Deus e o Homem. Já o coletivismo radical de nossa época é violentamente hostil a qualquer outra autoridade: o radicalismo moderno detesta a fé religiosa, a virtude pessoal, a personalidade tradicional, e uma vida de satisfações simples. Tudo o que vale a pena conservar está ameaçado em nossa geração. A mera oposição negativa e não raciocinada ao atual estado de coisas, agarrando-se em desespero ao que ainda possuímos, não será suficiente nesta época. O conservadorismo instintivo deve ser reforçado por um conservadorismo do pensamento e da imaginação.

Como veem, eu destaquei as palavras-chave defendidas tanto por Russel como por Mises. Percebem que existe mesmo uma convergência de agendas entre o liberalismo defendido por Mises e o conservadorismo descrito por Russel? Mises ainda ajuda o conservadorismo ao adotar o preceito que o liberalismo não abraça o espiritual, apenas o material. Desta forma, podemos proteger o nosso espírito conservador e lutar pelo nosso materialismo liberal. Em um pequeno resumo, os conservadores tem a necessidade de proteger o que lhes é importante, ou seja, eles querem preservar o que amam. E eu desejo proteger o Brasil, através de uma economia livre, exatamente como pregado por Mises.  


Conclusão

Agora que já definimos que existe correlação, por que, então, escolhi a escola liberal para me guiar pela economia? Tudo começou quando estava lendo relatórios econômicos emitidos pelo Banco Central, lá por volta de 2013, e fui estudando diversos assuntos. Encontrei, naquela época, textos do portal do Mises que já alertavam para a crise econômica pela qual passaríamos e estamos passando. Eu até usei estes dados como referência para meus textos. Percebi, primeiro, facilidade em entender os textos e, em segundo, que eles eram extremamente certeiros em suas relações. Totalmente certeiros quanto ao futuro! Duas das 10 características apontadas por Jakub Bożydar Wiśniewski (clique) como próprias da Escola Austríaca.

Resolvi pesquisar mais sobre livre mercado e percebi que quanto mais livre for o comércio, mais poderosa é a economia e mais rico se torna o país. Em “Liberdade Econômica X Prosperidade” (clique) abordei um pouco sobre o tema. A Escola Austríaca de Economia possui qualidades que, acredito, venham a fazer o Brasil crescer, por isso, permito-me ser liberal para assuntos do Estado. 







Sobre a liberdade individual defendida por Mises, ela possui um contrapeso, não sendo uma liberdade plena, mas isso eu vou deixar para uma ocasião futura.   



Obs: E antes que me venham rotular por causa do exemplo das frases liberais, defendo os direitos de todos os cidadãos, quaisquer que sejam as suas preferências sexuais, desde que dentro dos limites da lei, pois todos possuem proteção jurídica do Estado e liberdade individual.  

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