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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Liberal na economia e conservador nos costumes! O mesmo olhar!


Liberal na economia e conservador nos costumes

O debate continua sobre esse tema e não será esgotado com facilidade. Muitos conservadores alegam que quem é conservador já defende uma economia de mercado livre e que isso seria uma espécie de redundância. Queria, então, deixar mais elementos para pesquisa.

O primeiro ponto a se levantar é que existem economistas com visões conservadoras e liberais na questão, com profunda diferença de interpretação da realidade econômica. Cito um trecho de um texto de Gosta Esping-Andersen[1]: “A economia política conservadora surgiu em reação à Revolução Francesa e à Comuna de Paris. Foi abertamente nacionalista e anti-revolucionária, e procurou reprimir o impulso democrático. Temia a nivelação social e era a favor de uma sociedade que preservasse tanto a hierarquia quanto as classes. Status, posição social e classe eram naturais e dadas; mas os conflitos de classe, não. Se permitirmos a participação democrática das massas e deixarmos que a autoridade e os limites de classe se diluam, o resultado é o colapso da ordem social”.  

O texto de Esping-Andersen trata de análises sobre welfare state e como marxistas, liberais e conservadores veem e interpretam essa condição econômica e função do Estado. Através dele, podemos ver que os economistas conservadores viam o estado como um provedor contra o “caos” do mercado, portanto, eles acreditavam que o governo deveria intervir na economia. O Nacionalismo, como sabem, é uma “doutrina que prioriza o Estado como fundamental e único na gestão política” (Dicionário On-Line).

O economista  Luiz Carlos Bresser-Pereira relata com brilhantismo as diferenças entre uma economia com visão conservadora das demais visões econômicas. O texto é longo, mas, em resumo, é preciso fazer a distinção em 3 planos diferentes:

1)    Plano da teoria econômica- no qual os conservadores adotam a teoria do valor subjetivo, enquanto os progressistas adotam a teoria do valor do trabalho;
2)    Plano da análise macroeconômica, os conservadores adotam uma visão na qual a economia capitalista é auto-regulável;
3)    Plano da política econômica o conservador dará sempre prioridade à estabilização sobre o aumento de produção e o aumento da produção sobre a distribuição de renda.
O professor termina dizendo: “em última análise, o que distingue efetivamente um economista conservador, de um progressista é a sua atitude, são as suas teorias e as suas políticas em relação à distribuição de renda.”

Revista de Economia Política 5(4), outubro 1985: 5-14. Aula inaugural pronunciada na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, em 8.3.1985[2].

Com o primeiro texto como fonte, mostrei que existem pensadores conservadores que adotavam um pensamento mais próximo da visão nacionalista. Nacionalismo indica sempre a interferência do Estado em um nível alto, colocando o mercado sobre suas asas. Dessa forma, quebra-se a ideia de que um conservador sempre será guiado pela vontade de exercer um livre mercado. Sabemos que o nosso presidente é conservador, e que ele vai contra algumas ideias do Guedes, principalmente quando o assunto é a Petrobrás, mostrando um olhar mais nacionalista com essa questão.  Com o segundo texto, de um grande monetarista, indiquei que existem muitas diferenças entre uma economia conservadora, para uma economia liberal. Se continuarem a leitura do texto indicado, verão que a economia conservadora levou uma surra na primeira questão. Nos pontos seguintes, temos diversos textos ora defendendo, ora questionando tais posicionamentos.

Quando afirmam que não existe possibilidade de um conservador ser liberal na economia, eles desconhecem que existe diferença entre conservadores e liberais no campo econômico e, portanto, desconhecem as nuances da própria economia, do conservadorismo e do liberalismo econômico. Eu estou fascinado pelo trabalho econômico de Mises, apesar de gostar bastante do trabalho dos conservadores nessa área, e sou conservador na tradição, e nos costumes. Portanto, sou conservador nos costumes e continuo sendo liberal clássico (Mises) na economia, apesar de respeitar bastante o estudo conservador nesse campo.



Sobre esses “líderes” da Direita, ao que me parece, eles tentam ter o domínio da argumentação, tentando alegar que o outro desconhece o campo projetado, porém, são eles que desconhecem o setor e promovem uma divisão sem sentido. Não aponte o dedo para seu aliado, nunca! Esse tipo de divisão só promove a esquerda. Então, deixemos as coisas com essa mistura gostosa que só o Brasil consegue manter. Não vamos nos dividir ainda mais!  






[1] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451991000200006
[2] http://www.rep.org.br/pdf/20-1.pdf

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