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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

Gojira, Godzilla (2014) Com Spoilers!



A Legendary Pictures lançou, junto com a Warner, uma nova versão cinematográfica do grande cult japonês Godzilla. A questão que muitos têm levantado é se esta nova adaptação seria mais fiel que a versão de 1998 (IMDB). Posso dizer que é muito mais fiel ao clássico, que o terrível filme de 98. Érico Borgo chegou a comentar, em vídeo para o Omelete, que seria quase uma continuação do filme japonês de 1954 (IMDB). Eu concordo!


Posso dizer que o filme possui o enredo voltado para duas questões práticas que se relacionam: 1- Não controlamos a natureza e esta é representada pela força dos monstros que aparecem em tela. A luta entre estas espécies dá o tom mais próximo do filme de 54. 2- O drama da humanidade que se vê às voltas com elementos incontroláveis, também bem próximo do Gojira (1954).





Ao entrar no cinema, eu não pude segurar a angústia da dúvida de que este filme poderia ser mais uma bomba, pois é difícil segurar um enredo como este, ou seja, que mostre um embate entre titãs e, ao mesmo tempo, o drama de uma família que se vê tragicamente envolvida nesta batalha.  O enredo mostra-se suave com o equilíbrio destas questões, portanto, em poucos minutos de exibição, o meu receio foi esvaindo e dando lugar à empolgação de uma história bem contada.





Como parte do primeiro ponto já mencionado, a crítica nuclear de 1954 fez-se presente constantemente, com referências à Hiroshima e até à Fukushima. Os desastres naturais também foram relevantes na história, com citação até dos últimos tsunamis, mas não ficou algo apelativo. O enredo os inseriu de maneira a não chocar, mas fazer com que a história pudesse ter um apelo mais realístico. Com tudo isso, o filme teria um ar trágico se o enredo não fosse bem cuidado. A tragédia e a destruição estão presentes, mas sempre existe uma cena de otimismo que nos faz perceber que, mesmo na maior escuridão, existe uma ponta de luz como chama ardente (os fortes vão pegar essa referência).





 Já os monstros são mostrados como são: titãs poderosos, implacáveis e alheios à destruição que provocam. Todos eles? Não! O diretor trabalha Godzilla de maneira próxima aos filmes da série até nisso e, próximo ao embate final, fui pego torcendo pelo Gojira. Como ele trabalhou isso? Godzilla já possui um carisma para quem conhece a franquia, mas o diretor o trabalhou ao ponto de percebermos nele uma intenção de manutenção do equilíbrio da natureza, como se ele fosse um guardião do mundo. Quando ele, conscientemente ou não, salva um ônibus escolar de mísseis desgovernados, o diretor começa a nos mostrar um Gojira herói, como ele o é representado em diversos filmes da franquia. Se foi intenção dele salvar as crianças, ou se foi um movimento aleatório da cauda dele, o diretor não nos responde, ficando esta questão para que cada um de nós possa responder. Claro, depois disso ele parte a ponte ao meio, mas a cena em si fica registrada e as crianças salvas. A culpa é da marinha que ficou lançando mísseis! :) 







Já na questão do drama humano, em meio às batalhas dos monstros, o enredo optou por mostrar isso de uma maneira bacana. Eu gostei de terem usado duas gerações de protagonistas para o filme. Enquanto o drama inicia-se em uma geração e termina em outra, passando o bastão da sobrevivência de pai para filho, fica assim demonstrado o quão pequenos somos e quão breve é nossa vida. Um drama bem contado! As atuações ficaram legais também, pois conseguiram cativar algumas pessoas na sala, que respondiam ao drama com lágrimas. Sim, duas meninas choraram na sala do cinema.



E é nesse espírito que o filme vai até o seu fim. O close no Ken Watanabe, já nas cenas finais, e o evento que se sucede, é de tirar lágrimas de quem é fã da série. É uma alusão ao desejo de que o Japão se recupere dos desastres que afetaram a vida de milhares de pessoas. Gojira nesse momento é o Japão.  Uma consequência de um enredo bem trabalhado para criar um ar carismático a este lendário réptil!


Duas gerações!



O que eu achei ruim foi a opção do diretor em revelar o Godzilla de maneira lenta e gradual. Até o momento em que o protagonista (sim, ele é o protagonista) se exibe de maneira inteira, e dá aquele seu grito clássico,  já se passaram  muitos minutos do filme. Não contei, mas acho que foi quase uma hora. Para quem quer ver destruição e luta, isso deixa qualquer um frustrado. O embate dos monstros é muito postergado, para dar chance de desenvolver a história, e isso pode incomodar muita gente, porém, é necessário para que o filme possa ter maior profundidade e que possa representar algo para os cinéfilos.





No fim, eu aplaudi o filme e dou a ele 4 estrelas (ótimo)! Vá ver enquanto pode!

Godzilla arrasa nas bilheterias, com mais de 93 milhões de dólares nos EUA e 103 milhões de dólares ao redor do mundo, totalizando US$196.205.000,00. (Box Office Mojo)


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