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Adeus

 Carta de Despedida Queridos leitores,   Escrevo estas linhas com o coração apertado, mas com a necessidade de ser transparente com todos vocês que me acompanharam ao longo desta jornada.   Nos últimos anos, venho enfrentando uma série de problemas de saúde que exigem atenção integral e cuidados constantes. Entre eles estão o diabetes com componente autoimune, hipotireoidismo, hipercolesterolemia, imunodeficiência e osteoporose grave, que já resultou em fraturas. Esses desafios têm impactado profundamente minha rotina e minha capacidade de manter o ritmo de produção de conteúdo que sempre busquei oferecer aqui.   Por isso, tomei a difícil decisão de dar uma pausa no blog. Não posso garantir quando — ou se — retornarei. Neste momento, minha prioridade precisa ser cuidar da minha saúde e buscar qualidade de vida dentro das limitações que enfrento.   Quero agradecer imensamente a cada um de vocês que esteve comigo, que leu, comentou, compartilho...

A escrita não é um ato isolado!

Escrita é uma tarefa solitária. Uma ilusão!




                                                



    Quando comecei a me interessar pela escrita, décadas atrás, eu sempre me vi diante de uma frase que dizia que o ofício da escrita é um ofício solitário. Passei a acreditar nisso e me via como um autor isolado. Uma ilusão que se desfez. Sei, hoje, que a escrita não é um ato isolado.



    Um aspecto psicológico que me atraiu nesta profissão se deve à minha infância. Quando criança, eu me via isolado, porque além de tímido, enfrentava problemas com outras crianças que praticavam bullying contra mim. Eu não sabia se estava dentro de uma prisão, ou de uma instituição de ensino. Era normal voltar para casa com um galo na testa, ou as mãos machucadas, por causa da violência das outras crianças.  Eu queria me isolar. Do colégio para casa, eu avistava a banca de jornais, a poucos metros, e já me animava. Era o momento de esquecer as brutalidades da escola e me entregar aos livros e aos quadrinhos. Esse já era o meu ato de isolamento. Inconscientemente, passei a buscar uma profissão que me deixasse neste estado de solidão. Ao escrever os textos, anteriormente editados no livro Despertar do Amor, quando criança, passei a me interessar por esta técnica que permitia expressar-me e, ao mesmo tempo, isolar-me. Meus amigos me influenciaram a publicar os textos. Esta necessidade do isolamento me fez crer que a arte da escrita era uma arte solitária. Um erro!



     É claro, para mim, que só acreditei neste falso aspecto da profissão por causa desta infância doída. Este aspecto já foi diversas vezes escrito e posso resumir toda essa tendência nas palavras da jornalista e fotógrafa Rita Elisa Seda:



 “Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátino soltas ao vento... em direção aos novos horizontes. Deixá-las voando irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento. Assim é o ato da escrita, deixar fluirem palavras que, voando devagar, ao cair, adubarão terras distantes.”



     Assim, podemos definir toda uma sensação. Achar que uma pessoa, ao escrever, estaria sozinha, é um erro normal. O fato é que, ao escrevermos algo, estamos dando vida ao interior. Um interior moldado por outras pessoas, ou seja, outras vozes (palavras) que falam através de você. Ao ler um texto, e colocar no papel alguma palavra, você está abraçando aquele autor, dando voz às palavras que saíram do coração dele. Ao citar a Rita, o meu interior abraçou aquelas palavras e tornou-as parte do texto. Para conhecer as palavras dela, passei do ato de isolamento para o ato de busca, então, saí da concha e dei asas a estas palavras em meu interior. Muitos escritores usam-se de experiências de vida para escrever, então, é necessário sair do isolamento para viver, interiorizar esta vivência e, depois, coloca-la no papel.



     Há quem possa alegar que o ato da escrita, ou seja, sentar em uma máquina de escrever, ou em um computador, seja um ato isolado, de uma profissão solitária. Também não concordo com isso. Ao escrever, um autor necessita de toda a sua experiência para formar a ideia central do texto, então, indiretamente, o autor recebe de fora, de outros, a experiência necessária para criar algo.  Novamente, são os outros que ajudam o escritor a exercer a profissão. Não é possível conceber um ato isolado de qualquer profissão, pois ela forma sempre um efeito cascata. O primeiro passo da comunicação é o escritor (emissor) da mensagem que, por sua vez, é o receptor de diversas outras mensagens, de diversos outros emissores. Ao escrever, este emissor realiza uma introspecção de tudo que sua mente vivenciou, então, o escritor torna-se parte do que ele escreve. O isolamento, ou a solidão da profissão, torna-se, mais uma vez, um mito.



     Esse processo de criação difere-se do simples plágio. Uma pessoa difere-se da outra pelo simples fato explicado pela biologia: um animal é a união de seu genótipo (sua cadeia genética) com o fenótipo (o meio em que este animal se criou e desenvolveu). O processo de aprendizado de algo, que aqui me referi como o processo de criação de textos, se dá exatamente aí. Ou seja, o indivíduo vive algo diferente, processa essa informação através de sua formação educacional, social, genética e mental/psíquica (genótipo + fenótipo) e cria algo. Como todo esse sistema complexo é único para cada pessoa, é impossível que duas pessoas cheguem a criar a mesma coisa exatamente igual. Logo, o ato da escrita torna-se único e, novamente, um fator longe de ser um ato isolado.



      Concluo que o exercício do ato de escrever é um exercício de múltiplas vozes aprendidas pelo autor e que contribuem, ao processar a informação mentalmente, para a criação do texto, afinal, o Homem não é uma ilha e, deste modo, está sempre em contato uns com os outros.        

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