domingo, 26 de abril de 2020

Para mim já deu!


Para mim já deu!

Padre Paulo Ricardo[1]: “Sabendo que a natureza humana é uma mistura do bem e do mal, o conservador não coloca sua confiança na mera benevolência. Restrições constitucionais, freios e contrapesos políticos (checks and balances), correta coerção das leis, a rede tradicional e intricada de contenções sobre a vontade e o apetite — tudo isto o conservador aprova como instrumento de liberdade e de ordem. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade.”.

A política me desagrada cada vez mais. Considerando-se verdadeiras as mensagens mostradas por Moro, e ele foi juiz de Direito, ou seja, ele sabe das consequências de um ato como esse,  elas mostram um governo confuso que tenta interferir em um poder através do outro. O que demonstra hipocrisia, uma vez que, para o público, ele tenta manter a aparência de independência dos poderes, mas, atrás das cortinas, ele tenta puxar o freio de mão de um poder através de outro. No caso da conversa em si, notamos que o presidente desejava interferir na investigação INCONSTITUCIONAL do STF, trocando o delegado da Polícia Federal. É uma abordagem idiota a ser realizada.

A investigação inconstitucional do STF deveria ser combatida dentro do STF mas, claro, ele não consegue fazer isso porque colocou o ARAS como PGR e ele não se move a não ser que você seja um trabalhador honesto, que pediu ajuda ao Exército contra os abusos de autoridade. Nesse sentido ele foi bem rápido. E a troca de delegados da Polícia Federal não surtiria efeito nenhum nesse cenário. Como Moro explicou, era e continua sendo competência do ministro Alexandre de Moraes. Ainda assim, é crime de responsabilidade a tentativa de interferir em um poder com outro; e ter acesso a relatórios de investigações criminais é abuso de autoridade. Se desejava combater o inquérito inconstitucional do STF, esse, com certeza, não seria o meio mais adequado e, muito menos, o mais legal.

Quando reclamei que o presidente poderia usar a Lei de Segurança Nacional, pois os poderes da República não estavam harmônicos, ele veio à público dizer que não o faria[2]. Naquele momento, em outubro de 2019, estava nascendo o maldito centrão que o presidente se recusou a combater. O centrão foi crescendo, foi engolindo a base de governo do presidente e o foi isolando. Um cenário horrível. Todas as mudanças que ele estava propondo foram alteradas ou anuladas via Congresso, ou STF. A impunidade foi ganhando força através do Congresso.

Em seguida, veio o Covid-19 e o grave abuso de autoridade dos governadores. Bolsonaro não fez nada sobre isso, a não ser reclamar. Como presidente, tendo a caneta, tendo o poder a ele transferido pelo cargo, ele poderia fazer muito mais do que isso. Não fez. E ainda cortou um  idoso que se manifestava a seu favor. Naquele momento, Bolsonaro traía a própria história ao dizer que o regime militar não foi democrático (coisa que ele sempre defendeu). Ele disse: “Não tem essa história de fechar o STF. Aqui é democracia!”, ou seja, o regime militar não era democrático? E sobre a afirmação do idoso, ele apenas desejava que as pedras saíssem do caminho do presidente. Ao usar essa expressão, de fato, ele não desejava o fechamento, mas o usou como símbolo de combate do que ele acreditava estar atrapalhando o bom equilíbrio das instituições.   

Em seguida, ficamos sabendo que o Bolsonaro começou a se aproximar do centrão. É óbvio que o centrão não se aproximou por ser piedoso. Ele, o centrão, quer uma troca sempre. A velha política venceu, pois Bolsonaro começou a negociar com o centrão que ele deveria combater[3]. Percebi: o centrão está no comando do Brasil. Aí, vimos (prints do Moro) que o presidente possivelmente tentou interferir na Polícia Federal para ter acesso a dados de investigação criminal. E começaram a atacar Moro. Começou pelo presidente e, depois, sua tropa de choque. Moro precisou se defender e mostrou algumas conversas que já evidenciavam possíveis abusos. Foi a gota d’água para mim. E olha que na época que a esquerda usou uma fake news (do corte na educação que, na verdade, era apenas um contingenciamento de recursos para a educação) para manipular uma manifestação contra o Bolsonaro, eu, que na época tinha uma conta no Twitter, o defendi com unhas e dentes. Quem me acompanhou sabe. Entretanto, agora não dá mais.

O conservador acredita na lei e na ordem. O conservador acredita em um sistema de pesos e contrapesos que equilibra os poderes. Não estou vendo nada disso. O presidente não representa mais, na minha ótica, a mudança que o povo brasileiro esperava ter. E, na medida que sua imagem não representa mais os ideais conservadores que eu buscava em um político, ele não tem mais meu apoio.

Fonte: Conservadorismo do Brasil em https://conservadorismodobrasil.com.br/2017/04/10-principios-conservadores-russell-kirk.html


Conclusão

É óbvio que ele não vai cair fácil.  Costurando apoio político, negociando com a velha política (que ele deveria combater) e tendo uma base de fanáticos que atacam até Buda se o Bolsonaro mandar, a queda dele me parece improvável. O centrão venceu, temos que admitir. E o engraçado é ver petista rindo dessa situação. O partido deles está com vários condenados (Lula, Dirceu e Palocci), com uma presidente impedida, deixou o país em uma grande recessão, 14 milhões de desempregados, aumento na desigualdade social, baixos índices de escolaridade, uso do BNDES até para construir um porto em Cuba, Mensalão, Petrolão, e seus governadores estão prendendo trabalhadores nessa pandemia. Eles não têm do que ficar rindo.

Agora, temos que pensar nas eleições vindouras (2022). Os ideais conservadores precisam ser mantidos e divulgados nesse tempo para, aos poucos, ir configurando o cenário político mais favorável para o primeiro-ministro (ops) perceber que nossos filhos desejam a liberdade verdadeira e nossa nação precisa fortalecer sua moral. A derrota de hoje é o cimento para pavimentar uma estrada para o futuro melhor. Continuemos a promover o conservadorismo. Vamos continuar ocupando espaços e, quem sabe, um dia, teremos um país no qual a velha política seja realmente extinta e um político que verdadeiramente nos represente apareça de verdade.



[1] Leia em: <https://padrepauloricardo.org/blog/os-dez-principios-do-conservadorismo>
[2] Leia em: <https://www.outrospapos.com/2019/10/poderes-da-republica.html>
[3] Leia em: < https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/apos-derrotas-no-congresso-bolsonaro-tenta-criar-base-e-negocia-cargos-com-centrao,6a52b2c7ce9a440c8ff59f4cce68f2e3segjli1b.html>

Poemas no Twitter III

 Enfim, o último poema lançado no Twitter e fechando essa semana.