segunda-feira, 24 de julho de 2017

Elegant Youkai Apartment - Capítulo 03


Vou, nesta segunda-feira, parar um pouco com os textos sobre política, pois encontrei uma forte mensagem, em um animê, que está pedindo ao meu coração que a divulgue. Assim são os bons animês, eles me dão tanta informação em mensagens, que me obrigam a escrever sobre eles.

Como sabem, eu acredito muito no poder da animação japonesa (animê) para transmitir cultura, mensagem e conhecimento de forma interessante. Os mangás e animês já foram nomeados como representantes da cultura japonesa pelo próprio governo e isso mostra como são eficientes nesta proposta e, por causa disso, eu defendo o poder pedagógico que estas animações trazem. Não por menos, Elegant Yokai Apartment- episódio 3- não fugiu a esta regra e me fez abandonar a discussão política por um tempo. Aconselho o uso deste capítulo em especial para o estudo e debate do carma, ação de espíritos obsessores, livre-arbítrio e reencarnação. Se você professa a fé espírita, dê uma olhada no capítulo 03, que pode servir para o aprendizado e divulgação da crença. 



Pare de ler aqui se for spoilerfóbico, pois o texto terá spoiler com trechos do enredo explicados à luz do espiritismo.




Elegant Yokai Apartment – Capítulo 03 – KURI AND SHIRO

O enredo central da série gira em torno de Inaba, um jovem estudante que sai da casa do tio (seus pais faleceram em um acidente) para frequentar uma escola de ensino médio, mas seu dormitório pega fogo antes das aulas começarem. Sem dinheiro, ele é convidado a alugar um quarto em uma mansão e descobre que ela está repleta de espírtos. Inaba começa a desenvolver uma certa mediunidade e uma relação com espíritos e outros humanos que também moram lá.

O capítulo 03 mostra a história de dois destes espíritos, chamados de Kuri e Shiro. São uma criança e um cachorro. Dentro da história destes dois está muito sofrimento, pois a mãe do menino tentou engravidar para forçar um homem a casar com ela. O plano não deu certo e ela se tornou mãe solteira. Uma pessoa tão amargurada, que descontava no garoto todas as suas frustrações. Ele vivia sendo agredido e, por isso, não tinha felicidade e nem desenvolvimento. Ele estava tão traumatizado que não conseguiu desenvolver nem mesmo a habilidade da fala. Certa vez, ao se perder, ele foi protegido por um cão. Este foi o primeiro laço de amizade que o garoto recebeu e seu primeiro carinho. O primeiro laço de amor.


Voltando ao tormento da mãe, em um determinado momento de loucura, a mãe acaba por matar o garoto.  Ela também acaba morta pelo cão enfurecido, buscando vingar a morte de seu companheiro humano. Os vizinhos, por sua vez, espancam o cão até a morte e o mesmo não reage. Até esse ponto, podemos explicar conceitos de carma (efeito natural de uma ação) e livre-arbítrio. Farei, um pouco mais adiante, uma explicação superficial, que poderá se aprofundada por vocês.



“Pelas respostas anteriores, é fácil perceber que o livre-arbítrio e o carma (Karma) atuam um sobre o outro, em um mútuo condicionamento. Desse modo, é ilusório pensar que somos totalmente capazes de exercer um real livre-arbítrio. Em outras palavras, o nosso arbítrio não é inteiramente livre como imaginamos teoricamente. Somos livres para agir, sim, mas dentro de condições limitadas. Por exemplo, não conseguiremos, por simples livre-arbítrio, subtrair-nos à ação da gravidade.” (Compilado de Beraldo Figueiredo, escrito por Joseph Goldstein)


Deste modo se inicia a vivência espiritual deles, que é um reflexo de sua vida terrena. O cão escolheu por proteger o garotinho, levando-o à divindade que defende os cães. Tal divindade acolhe a ambos como mãe. Torna-se protetora, mãe adotiva e guia dos dois. Ela os leva para a mansão, para que recebam atenção e cuidados. Entretanto, existe uma noite especial, a cada ano, que a defesa dos dois se torna mais intensa e necessária. É nesta noite que a mãe verdadeira do garoto retorna para agredi-lo novamente. Provavelmente, é o dia do falecimento do menino.

Em uma cena triste, vemos a mãe tentando entrar na mansão para assassinar novamente o filho, mas o mesmo está devidamente protegido por uma exorcista em um dos quartos da mansão. Do lado de fora, Inaba assiste ao exorcismo da mãe, que se tornara um espírito obsessor. A divindade que agora protege a Kuri e Shiro, expulsa o espírito maligno. O embate entre a mãe natural e a mãe adotiva mostra que o amor não vem de relações sanguíneas e me causou muita tristeza pelo estado de consciência no qual a mãe genética se encontrava. O livre-arbítrio permitiu a ela matar o garoto, porém, trouxe-lhe o carma de se tornar um espírito obsessor. Inaba, que sente saudade de sua mãe, ao assistir a essa cena, chora em tristeza profunda, sendo consolado por um sonho no qual ele reencontrava seus falecidos pais.  Eu interpreto essa cena como uma visita real dos espíritos dos pais, que vieram confortá-lo, após ele presenciar o efeito do ódio no desenvolvimento espiritual. É de chorar!

Espiritismo, ação e reação

A ação da mãe, ainda em vida, torna-se um grilhão de ódio que não permite que ela se desenvolva espiritualmente. Aliás, ela regride a um estado primitivo, no qual reage somente ao ódio que projetou no garoto. A ação dela transforma-a em um espírito obsessor, que busca somente a agressão ao filho e o mesmo não consegue se elevar ao paraíso, pois está preso pelo ódio da mãe, marcado pela violência familiar. O animê, então, nos mostra que o nosso livre-arbítrio traz consequências no mundo espiritual, criando sobre nós o carma como efeito natural das ações.

"Se ponderasse que a cólera nada soluciona, que lhe altera a saúde e compromete a sua própria vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, deveria contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não sentirá remorsos por fazer sofrer as criaturas que mais ama? E que mágoa profunda não sentiria se, num acesso de arrebatamento, cometesse um ato de que teria de arrepender-se por toda a vida!"(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e Pacíficos. A Cólera)”

O animê, também, nos mostra que não estamos à mercê de espíritos negativos e de baixa vibração, que a mãe do garoto representa, pois existem espíritos evoluídos (aqui representados pelos sacerdotes e pela divindade canina) que protegem os indefesos da ação deles. Mesmo não podendo evitar as ações, por causa do livre-arbítrio, eles dão proteção aos espíritos para que não sofram.