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Chain Chronicle- Um desabafo

Chain Chronicle, a Sega e a autodestruição




O que vou relatar aqui é meu profundo descontentamento com a atual gerência da franquia Chain Chronicle e vou relatar spoilers do jogo (final do primeiro livro) e do filme que será lançado em dezembro. Eu fiquei revoltado com o que descobri e, nos parágrafos seguintes, vou abrir o verbo. Se não gosta de spoilers, pare de ler aqui. 


O Filme, o Jogo e a Maldição da Madoka

Sarah Nelkin fez um lindo texto sobre o primeiro filme da franquia e me alertou para aberrações que o filme mostra.  Amo spoilers, pois eles evitam que eu tenha um derrame ao ver aberrações. Ela comenta em seu texto, “ The "Chain Chronicle" Anime Begins With the Hero Losing to the Final Boss”,  o seguinte: “in the first five minutes of the first episode, the evil king obtains half of the artifact that can destroy the world, beats the ever living crap out of our noble hero, and throws the land into chaos.” Eu vou deixar algumas partes comentadas.

A vitória do Black King (Evil King)

Sim, o diretor resolveu ignorar todas as consequências da vitória do pai da Phoena, que nos são alertadas durante nossa jornada no jogo, e matou a franquia em apenas 5 minutos. Parabéns, campeão! No jogo, a derrota para o Evil King (Black King) significava a não existência. A morte plena que tomaria conta do continente e traria o silêncio eterno, pois não haveria mais vida. Não é apenas um caso de o povo sucumbir às péssimas condições de um reinado manipulador, pois não haveria mais vida. Era simples assim: perdeu, tchau mundo! Causa e efeito de maneira instantânea! Não existia a possibilidade de fugir, se retirar e tentar outra vez, como o filme mostra. Perdeu, morreu! O diretor ignorou todos os avisos do jogo.


A morte da/o Pirika

Como a Phoena explica, a(o) Pirika é um sprite sem sexo definido, por isso escrevo desta maneira. Quem gosta de ver a Pirika como uma garota, ou como um garoto, fique livre para ler o texto como quiser. Leia como achar que melhor. A própria morte da(o) personagem Pirika significava o fim daquela realidade, pois ela/ele é o fragmento da vontade do mundo. Ao matar a(o) Pirika, o Evil King mataria o mundo em si. Sobre a morte da(o) Pirika no filme: ela/ele morre, o herói perde e todos se retiram. Pode ser que alguém venha defender e dizer que ela/ele morre no game também. Sim, ela/ele vem a desaparecer no game, mas a luta continuou no castelo até que, durante a luta, ela/ele ressurgiu. E o ressurgimento dela(e) só foi possível porque o herói não desistiu. Ninguém debandou, ao contrário deste falso herói chamado Yuri. A(O) Pirika só ressurgiu porque o herói continuou lutando. O herói não foi se lamentar em um bar, ele continuou lutando. Eu sei que o diretor pode ter deixado isso para o último filme, mas não traz lógica nenhuma, pois a(o) Pirika não poderia ficar tanto tempo morta(o). Pirika é a vontade do mundo, então, se morre, o mundo morre.


A Aliança

Como se não bastasse isso, existia um elemento lindo no enredo do jogo que era a união de raças em prol da sobrevivência do mundo. Foram várias quests difíceis em todos os territórios do game, para forjar esta aliança para o combate final. Foi um processo longo, custoso e demorado. Isso deixou o jogo com um fator esplêndido, ao estilo “O Senhor dos Anéis”, dando o complemento ideal para a luta final. Ao conseguir unir todas as raças para o combate final, o herói dá ao jogador a lição de que o esforço conjunto de todos, não importando sua raça ou credo, faria um mundo melhor e colaboraria para eliminar as trevas. O sinal de que a vitória estava ao nosso alcance era ver povos diferentes lutando lado a lado. Esse elemento no filme foi ignorado por completo, pois o herói fracassa. Quê isso, diretor! Imagina, todo mundo colocando a sua fé no herói e ele fracassando? Para quem suou a camisa para unir as raças, deve odiar o resultado ínfimo disso no filme. E acrescento mais, no jogo o nosso personagem cai em uma espécie de dimensão sombria e é resgatado pelo sentimento de amizade com todos que ele conheceu durante a jornada. A força da amizade e da união contra as trevas retratadas de maneira mais eficiente do que no filme. Provavelmente, mais um ponto ignorado pelo enredo do filme.


O Evil King

A derrota neste ponto do jogo significava, então, a não existência. Não haveria para onde retornar, não seria possível fugir em retirada, não existiria mais reino, pois, além da essência do mundo ter morrido (Pirika), o próprio Evil King (pai da Phoena) estava sendo controlado por um Dragão Negro. Não existiria salvação! Ao ver os heróis em retirada, derrotados, acha mesmo que o Dragão que controla o Evil King iria parar? Ele iria perseguir a todos e aniquilar um a um, ou seja, pela ótica do jogador, os 5 minutos iniciais do filme aniquilam por completo a essência mágica do enredo do jogo, que deveria ter sido preservada. Sega, parabéns pela trapalhada também!  


A Maldição da Madoka

O efeito Madoka, ou maldição da Madoka, é uma consequência que surgiu após o término do seriado Puella Magi Madoka Magica. O efeito é que alguns roteiristas e diretores, que não possuem segurança em seu próprio estilo, acabam tentando copiar elementos de roteiro de Madoka, para conseguir um pouco de crédito, ou, talvez, enganar os pseudo-intelectuais. Ou, como penso que foi o caso de Chain Chronicle, o diretor optou por uma história mais trágica (o apelido da Madoka era, em algumas comunidades, Madoka Trágica), mesmo passando por cima da história original. Isso é danoso, pois o estilo de Madoka é único e não cai bem em todas as séries. E ninguém gosta de cópias baratas. Acredito que essa seja a maldição de um diretor incompetente que acha que um drama precisa ter tragédia para ser completo, ou que o suspense precisa de gore para ser bem sucedido. É um diretor inseguro que acredita que sua obra será melhor vista se possuir algum elemento mais denso na trama, mesmo que, para isso, ele lance um "dane-se" para a história original (jogo original). Um diretor que acha que para fazer um cult tem que apelar para a tragédia. Ao escolher a derrota do herói já nos minutos iniciais do filme, o diretor achou que desenvolveria um drama mais denso, mas, como escrevi, atropelou a história original.

Será mesmo que Chain Chronicle precisava disso? O enredo de Chain Chronicle (jogo) é um verdadeiro shounen que faria sucesso se fosse deixado como foi concebido. O autor do filme poderia ter adotado a rota inicial e original, que tem muitos elementos que fariam o filme ser cult. A história do Kain, Phoena, Marina, dos magos supremos, ou seja, existe muito material bom, que possui identidade própria e forma o enredo do jogo que foi baixado mais de um milhão de vezes. Não havia necessidade de alterar a obra original desta forma. Existem muitos clássicos que continuarão a ser lembrados, não precisando apelar para obscurecer a trama. Isso não pegou bem em Chain Chronicle. Acredito que esse efeito Madoka tem a tendência de datar a obra e deixá-la com a vida útil menor. Para provar isso, vamos nos falar em 30 anos e ver se alguém anda vai lembrar desta obra em si, assim como lembram de Oh My Goddess, ou de Tenchi Muyo, ou de Cavaleiros do Zodíaco.

E, para quem não está certo se este efeito Madoka se aplica a Chain Chronicle, basta ver uma das propagandas que saíram para promover o jogo na Ásia. Adivinha com que série Chain Chronicle se associou? Sim, Madoka! Isso prova que o gerenciamento da série quer mesmo associar a franquia ao seriado Madoka. Por isso, talvez, o filme tenha sido vítima de um diretor que não sabe como trabalhar com um enredo denso e que não está nem aí para a rota original do jogo.





Conclusão


Aaah, quando eu soube que o filme começaria com a batalha final, eu acreditei que o filme mostraria uma história que fosse se passar entre o enredo do livro 1 e do livro 2. Que veríamos animada, de maneira digna, os momentos finais desta clássica luta que tanto me emocionou. E, com isso, a Sega poderia estar fazendo divulgação da trama e do jogo, com o possível regresso do jogo ao ocidente; agora fortalecido pela mensagem do filme e com recursos financeiros para se manter por aqui novamente. Agora que atestei a incompetência da Sega, acredito que todo o dinheiro que o jogo recebeu no ocidente foi usado para este filme, por isso, não tinham como manter os servidores para nós. Sim, deve ter sido isso: péssimo gerenciamento de recursos.

Infelizmente, eu não contava que a Sega fosse deixar essa oportunidade passar, sendo tão inapta. E isso me deixou frustrado, pois o jogo foi retirado do ocidente antes que eu terminasse o Livro 2, mesmo continuando a ser liberado para a Ásia. E eu desejava muito assistir a esse filme. Não desejo mais, pois quero manter, na memória, a história original, na qual o herói salva a Phoena, o mundo, a Pirika e, até mesmo, o Evil King, purificando os asseclas dele e fazendo com que os esforços de cada um na aliança de raças seja dignificado! Era essa a essência de Chain Chronicle e que foi violentada pelo enredo deste filme em apenas 5 minutos iniciais. Acompanhe abaixo o gameplay do Final Boss (Book One) e veja o que tenho dito.








Como eles não desejam se fixar no ocidente, criam filmes horrendos, sem preservar a ideia original do jogo, eu só posso concluir que a franquia morreu para mim. É hora de seguir em frente e esquecer que um dia joguei Chain Chronicle. A Sega não merece mais a minha atenção, pois ela está conseguindo se autodestruir e eu não ficarei assistindo isso!

Chain Chronicle – Game- 10,00

Chain Chronicle Movie- 00,00     

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