sexta-feira, 29 de maio de 2015

Crise Brasileira- Abrindo um Negócio

Crise Brasileira- Abrindo um Negócio




Esse é o segundo texto para a matéria sobre a crise brasileira. Quero me concentrar no que eu faria se fosse abrir um negócio com o mercado como está e, dessa forma, ajudar a quem estiver interessado em aprender um pouco mais sobre estratégias. Eu afirmei que esse seria mais genérico, entretanto, acredito que não será assim tão genérico.


O Brasil no momento


Começo com a visão de um professor sobre a economia brasileira, através das palavras de Rosana Hessel que escreveu a matéria do Correio Braziliense- Para professor da UnB, Brasil só irá se recuperar economicamente em 2018: “O economista Jorge Arbache, professor de economia brasileira da Universidade de Brasília (UnB), avisa que o país vai demorar para se recuperar das dificuldades que atravessa. Ele não arrisca um prognóstico para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2015, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará na próxima sexta-feira. Mas diz que haverá retomada do crescimento apenas em 2018.”

A situação se agrava se fizermos uma analogia com as palavras de Benjamim Powell, para o site Mises. Ele escreveu a matéria Explicando a recessão japonesa e assim disse: “Cortes de impostos não terão efeitos benéficos completos se não foram casados com correspondentes decréscimos nos gastos governamentais. Se mais dinheiro for deixado nas mãos dos cidadãos, uma parte será poupado, ajudando a justificar a já alongada estrutura de produção, ao passo que, nas mãos do governo, todo gasto se torna consumo.[9] O aumento do imposto sobre consumo e a incapacidade de reduzir os gastos conjuntamente aos outros cortes de impostos atrasam a recuperação econômica. O gasto do governo tem o objetivo de manter a estrutura de produção existente contra a demanda dos consumidores, ao invés de permitir sua liquidação e reestruturação (Herbener 1999)”. Ou seja, enquanto o governo mantiver os gastos como estão, mais demorada será a recuperação da economia. Como sabemos que, até a presente data, o governo nem ao menos cogitou a redução de ministérios, fica ainda mais evidente o possível fracasso dos cortes interpostos pelo Ministério da Fazenda.



Que negócio eu escolheria para se abrir nessa situação?


Novamente, como escrevi na primeira parte desse conjunto, nada aqui é novo, mas tudo é importante! Dessa forma, aqui eu venho deixar conselhos que recebi de pessoas especiais. O primeiro conselho veio de meu avô que é advogado e economista. Ele disse para mim que, ao abrir uma empresa, para que haja tempo de se estabilizar e fixar a marca, o novo empresário deve ter em caixa o saldo suficiente para 12 meses de atividade, isto é, ao fazer a planilha mensal de custos do negócio, o empreendedor deve ter em mente saber manter o negócio, ao menos, por um ano, ou seja, estabelecer a planilha X 12 e ter recurso para isso. Não é algo fácil, pois um empreendimento pode demorar para se fixar em uma região e começar a dar retorno. Ter em caixa o valor para sustentar o negócio por, no mínimo, um ano já evidencia o esforço para se manter aberto e afasta qualquer sensação de amadorismo. E tenha sempre contato com um bom contador.

Já meu bisavô, assim contava minha avó, dizia que em tempos de crise era necessário pensar como o consumidor. O que o consumidor, que vai estar economizando ao máximo, não poderá cortar de suas despesas? Isto é, aquele produto que ele vai ter que comprar de qualquer jeito? Essa é a reflexão que eu deixo a vocês, pois, em tempo de crise, o empresário deve pensar como o consumidor. No meu caso, eu raciocinei que seriam alimentos! Sim, ainda se precisa comer, então, o ramo de mercado que eu escolheria para abrir um negócio seria o de alimentação.

A Progressiva Consultoria também prega essa proximidade com o consumidor: “O novo papel do vendedor é tornar-se um executivo, o qual vende e não expõe o cliente ao orfanato após a venda, ou seja, mantém permanentemente o relacionamento com ele. Munido de capacidade técnica, o executivo de vendas tem como missão o relacionamento com o cliente, no sentido de traduzir e tangibilizar o valor da oferta para o cliente. Em tempos de crise, quem está mais próximo, tem condições de entender as angústias dos clientes e pode participar da solução junto com eles.”

Agora, a coisa complica um pouquinho. Não se pode abrir um negócio sem pesquisas. Aconselho, ao menos, entrar em contato com o Sebrae para que eles ajudem na estruturação e planejamento da empresa. Além disso, deve-se pensar sempre nos 4 Ps do marketing (preço, praça, produto e promoção). Leia mais sobre eles aqui.

Dessa forma, eu escolheria abrir um restaurante cujo produto possa atender a executivos e escritórios na proximidade (daí a importância de se pesquisa, ao menos, a localização pretendida para o empreendimento), a um preço popular, em uma praça indicada, evidenciando uma promoção vez ou outra. Dando um exemplo melhor, pode-se abrir um restaurante popular (pratos de 10 a 15 reais) em uma avenida com muitos escritórios (SCS por exemplo), fazendo promoções de happy hour para o fim de tarde. Com o lema “bom e barato”, você sempre vai te dar mais chances de vencer, mas nunca deixando a qualidade de lado. O produto deve ter qualidade. Dessa forma, o sucesso se aproxima, mas não é garantido.

A crise é o momento para a reflexão e com ela alicerça a prosperidade almejada.- Bruno Calil Fonseca (UOL)


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Crise Brasileira: Indústria Gráfica e Soluções

Crise Brasileira- Indústria Gráfica



Recebi, semana passada, a revista da Abigraf (março e abril de 2015) e fui dar uma olhada em suas páginas. Dentre as matérias, a que se destacou mais aos meus olhos foi o texto do Departamento de Estudos Econômicos da Abigraf, cujo título é “Resultados da Indústria Gráfica Brasileira em 2014”. Resolvi, após ler, que queria escrever sobre isso em dois momentos. Serão duas atualizações para o blog com o título “Crise Brasileira”. Nesse primeiro momento, um texto opinativo sobre a crise gráfica. No segundo momento, um texto mais genérico.

Como escritor que trabalhou com diversas editoras, que já foi membro da Câmara Brasileira do Livro, e que edita com certa frequência, eu tenho contato e simpatia pela indústria gráfica. Como vocês sabem, desde o meu texto sobre a crise da indústria de animês e mangás- “A decadência do mercado de animês e mangás no Brasil! Apontando possíveis soluções!”, que eu aponto o problema e tento dar uma contribuição para solucionar o dilema. Quero fazer o mesmo aqui.



Os Dados


O primeiro ponto a ser observado é que não houve um aumento no número total de estabelecimentos no país desde 2012. Desde 2012, também, que os parques gráficos estão diminuindo a mão de obra contratada. Nesse ponto, pensei que poderiam estar investindo em maquinários com a finalidade de reduzir a mão de obra e aumentar a produtividade. Os números de investimentos realizados mostram que não é bem assim. Em 2014, o investimento no setor não chegou nem perto da marca dos anos anteriores. Já a balança comercial está negativa desde 2010, pois tem-se importado mais que exportado, ou seja, tem saído mais dólar do que entrado.




O texto complementa o quadro ao afirmar que: “No acumulado de 2014, a indústria gráfica brasileira registrou queda de 2% na produção física em relação a 2013. O cálculo é da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, concluindo que: “De maneira geral, o quadro não autoriza otimismos. A depreciação cambial continuará levando à retração no curto prazo e não há perspectiva de aumento da massa real de salário, fator determinante para o desempenho do setor. A projeção é de novo encolhimento para 2015, com recuo de 1,1% na produção”, diz Ceregato.”



Soluções


Não existe ineditismo no que vou escrever, pois são práticas já usadas, mas são soluções de fato. Na verdade, durante uma crise, temos que nos concentrar no básico, pois é ele que nos sustenta. Nesse sentido, divido a solução para grandes e pequenas empresas.


Para Grandes Empresas

Como podem ver, os dados do setor mostram um pessimismo quanto à realidade brasileira. E as palavras finais, com o medo da crise hídrica, ampliam o sentimento de negatividade, ao afirmar que: “Como agravantes, ele aponta os riscos de racionamento de água e de energia, além da ameaça de um efeito cascata do descrédito da Petrobras sobre a economia do País. Mas também acredita que a depreciação cambial será positiva no médio prazo, melhorando a competitividade e o potencial exportador da indústria gráfica, desde que o governo mantenha a disciplina fiscal e monetária para não pressionar a inflação.” Contudo, nesse trecho final, existe uma possibilidade para se vencer. 

O dólar está fechando acima dos R$3,00, ou seja, exportar produtos é uma saída para tornar-se competitivo. Saem produtos e entra dinheiro, contribuindo positivamente para a balança comercial do setor e do Brasil. É claro que, desde 2010, que a balança do setor não fica positiva, mas a estratégia da venda no exterior pode ser uma solução. Se for dono de um grande parque gráfico, foque-se em contratos no exterior. Garanta a produção com contratos internacionais.

Outra dica: não pegue financiamento, pois o governo ainda está com a tendência e necessidade de elevar (e manter) os juros, mas tente diversificar a produção. Fábio Sarje (presidente da Abigraf, seccional de Ribeirão Preto) indica que um setor da indústria está indo bem, que é o de comunicação visual (aqui) então, se houver a possibilidade de diversificar a produção e ingressar em mais de um setor dessa indústria, sem a necessidade de se pegar investimento, faça isso. Quanto mais diversificada for uma produção, mais difícil se torna o retorno negativo.


Para Pequenas Empresas

Caso seja dono de um pequeno parque gráfico, sem condições de competir em licitações e com empresas estrangeiras, o foco se dará no mercado interno e na internet. Nesse ponto, o foco deve ser o consumidor de seu produto. Venho com o exemplo de uma gráfica que criou uma associação de escritores. Com a quantidade certa de associados, a gráfica produz muitas antologias por ano. Isso dá ao parque gráfico o sustento necessário. Através da internet, a gráfica pode se associar a outros escritores e sindicatos em língua portuguesa ao redor do mundo, aumentando a possibilidade de vender seus produtos. Associar-se a sindicatos e grupos literários fará com que o parque gráfico não fique parado.


Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.- John Kennedy (UOL)