segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Economia em 2015




Como todos sabem, analistas econômicos não acreditam em uma inflação dentro da média estabelecida pelo governo para 2014. Muitos já veem uma nova elevação na taxa básica de juros em dezembro, quando o Copom se reunirá novamente, acreditando que, no ano de 2015, os juros podem chegar a 12%. Convido a ler o texto abaixo deste tópico, pois ele explica como se dá o controle da inflação a curto prazo. Em resumo, pode-se controlar a inflação reduzindo o consumo através do aumento da taxa de juros, ou pode-se conter a inflação com corte de gastos do governo. Leia “Se continuarei a escrever em 2015” para mais detalhes.


Pedro Brodbeck para Gazeta do Povo: “Para controlar a escalada do IPCA, os economistas consultados pelo Boletim Focus, do BC, preveem uma alta de meio ponto porcentual na metade de 2015. O mercado, no entanto, considera uma alta mais acentuada e acelerada, com os juros básicos batendo os 12% no primeiro semestre do ano que vem”.


Ruim para a indústria, para o comércio e para o trabalhador que já está sofrendo com os juros altos, pois implica em aumento de juros para o consumidor final. Apesar da baixa registrada na matéria da Gazeta do Povo, a nova alta na Selic deve ecoar nos juros ao consumidor em um futuro próximo. Relatório de outubro- Copom- Banco Central aponta retração da produção industrial: “Entre as categorias de uso, comparando-se produção de agosto e julho, de acordo com a série com ajuste sazonal, o único ganho ocorreu no segmento de bens intermediários (1,1%). Por outro lado, ocorreram perdas no segmento de bens de consumo duráveis (-3,0%) e no de bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%). No setor de bens de capital, a produção ficou estável. Comparando-se produção de agosto com a do mesmo mês de 2013, a produção dos setores de bens duráveis, bens de capital, bens intermediários e bens semi e não duráveis recuaram 17,9%, 13,4%, 3,3% e 3,1%, respectivamente”.


O PIB também não anda bem. Matéria do G1, divulgada no site SINAFITE-DF (Sindicato da Carreira de Auditoria Tributária do Distrito Federal) informa que: “Para o Produto Interno Bruto (PIB), os economistas baixaram, na semana passada, a estimativa de uma alta deste ano de 0,27% para 0,24% – a menor desde 2009, se confirmada. Para 2015, a estimativa de expansão da economia permaneceu estável em 1%. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia. No fim de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira teve retração de 0,6% no segundo trimestre deste ano e que estaria em "recessão técnica", que se caracteriza por dois trimestres seguidos de PIB negativo”.


O governo tenta controlar a situação com alta na Selic e, também, corte de gastos. Segundo o que nos informa o Correio Braziliense: “Após a decisão do Banco Central (BC) de elevar a taxa básica de juros do país, o governo prepara um pacote de corte de gastos para eliminar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões no Orçamento de 2015, incluindo investimentos públicos, o que deve exigir um esforço radical. A ideia é anunciar as medidas antes de 12 de novembro, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, embarcará rumo a Brisbane, na Austrália, para participar da reunião de ministros do G-20, grupo de países desenvolvidos e emergentes”.


Segundo o que reporta a revista Veja, o ministro da Fazenda já explanou o cenário possível de cortes e ajustes para 2015, em seminário, pois assim a matéria informa: “Mantega disse que, no ano que vem, será muito importante fazer cortes de despesas, com redução de gastos com seguro-desemprego, abono-salarial e auxílio doença – cerca de 70 bilhões de reais por ano - e pensão por morte – cerca de 90 bilhões de reais por ano”. Novamente, o trabalhador sofrerá no bolso o corte de gastos, caso isso se comprove.



Superávit primário


O Brasil estabeleceu uma meta de superávit que não deve cumprir. A Veja assim escreve: "O Brasil não deve cumprir este ano a meta de superávit primário estabelecida pelo governo, por causa da economia desaquecida, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou nesta quarta-feira o relatório Monitor Fiscal. O documento traz estimativas sobre as contas públicas de diversos países. A previsão é que o indicador brasileiro fique em 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo da meta do governo, de 1,9%".  A economia com os cortes mencionados por Mantega também ajuda a aumentar a "poupança" do governo, mas o ideal seria começar com cortes em investimentos externos que o Brasil efetua mediante o uso do BNDES, segundo Marcos Mendes: “Entre 2011 e 2013, a média anual ficou em torno de US$ 1,4 bilhão.” Já o governo poderia também cancelar a compra dos jatos franceses que custarão 5,4 bilhões de dólares. Com estas duas medidas simples, já vai haver uma economia de 16 bilhões de reais aos cofres públicos. Já o combate eficiente contra a corrupção poderia gerar uma economia ao Brasil de 100 bilhões de reais. Segundo matéria da Câmara Notícias: “O coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, deputado Francisco Praciano (PT-AM), destaca que o alto índice de percepção da corrupção afeta o país econômica e socialmente. "Representa um volume muito grande de recursos retirados da sociedade brasileira: são R$ 100 bilhões. O mundo se preocupa com isso, não somos só nós. O motivo principal: a corrupção atrapalha o investimento, torna-o menos atrativo, degrada o ambiente de negócio, tem impactos econômicos nos juros. Então, é uma coisa realmente que se espraia, os resultados da corrupção, pela sociedade e pelo Estado." Este número cresce se considerar o gasto ineficiente do Estado, conforme cita Victor Martins, Diego Amorim e Carolina Mansur para matéria (2013) no Diário Associados de Minas: “Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento”.



Conclusão



Se estas forem as medidas verdadeiras para o controle da inflação, o governo vai errar, pois pode enfurecer o povo retirando dele o sustento em caso de necessidade, como é o problema com os cortes no seguro-desemprego. Com a economia esfriando por causa da alta dos juros, os cortes em áreas de apoio ao trabalhador (caso se confirme essa informação) são erros. Deve-se, antes de tudo, procurar outras áreas de ação do governo para efetuar os cortes que irão inibir a inflação e a alta dos preços, nunca começando pelo auxílio ao trabalhador.


Sobre o superávit primário, os meus exemplos acima demonstram que é possível economizar sem pegar tanto no bolso do trabalhador.  Basta melhor controle do Estado em seus gastos e no combate à corrupção para reduzir a quantia, sem necessitar enforcar ainda mais o trabalhador. O combate à corrupção passa pela visibilidade das contas públicas, melhor aparelhamento do Estado no combate aos corruptos e política pública com menos burocracia e mais tempestividade. 



Em resumo, o ano de 2015 ainda permanece envolto na imagem do trabalhador com a corda no pescoço.