quinta-feira, 6 de março de 2014

Curso Para Escritores

O processo autodidata

Desanuviou-se a questão principal que necessitava responder. Graciliano Ramos obteve inspiração e influência em diversos setores de sua vida, não sendo um ser solitário, mas uma peça em um conjunto histórico e social brasileiro. Agora a questão é outra e estou apreensivo, pois, se eu responder, vou parecer querer ser dono da verdade. Faço-o com temores e ressalvas de ser mal compreendido. Estes temores me fazem parar aqui. Não continuarei após estas linhas.  


Essa questão foi levantada, pois, para ele, autores não necessitariam de uma sala de aula, citando exemplos de Graciliano Ramos e Monteiro Lobato. A questão envolve o processo de autodidatismo.


 Diz-se de ou pessoa que foi instruída por si mesma; que ou quem não teve a ajuda de um mentor. (Dicionário Online)


Eu não costumo acreditar em um processo autodidata puro, porque o conhecimento tem sempre que partir de um ponto, seja de um livro ou de um mentor, para se chegar ao sujeito que o está querendo aprender. Diz-se de alguém autodidata que ele não frequenta uma sala de aula, mas o autodidata possui professores, bem como uma sala de aula também. Para que eles aprendam, existe a necessidade da busca pela informação e a descoberta desta informação através das palavras de outrem. Este outrem torna-se seu professor. Sua sala de aula, mesmo não sendo aquela definição clássica, ainda existe, seja ela a biblioteca de Jerônimo Barreto (texto abaixo) ou a vida.  Para cada aprendizado existe um professor e uma sala de aula (ambiente).


Então, existe o indivíduo que não teve ajuda de um mentor? Não. Existe uma pessoa que é instruída por si mesma? Sim, todos nós. Somente com nossa anuência é que assimilamos informação. O processo autodidata torna-se, assim, nebuloso, porque sempre existirá um mentor e todos nós somos capazes de aprender, segundo nossa constituição física e psicológica.


Então, porque a resistência em acreditar que um ensino para autores funcione? Existiria alguma diferença? Nenhuma! Acredito que ambas funcionem, e o grau de eficiência dependerá de o quanto o estudante estará disposto a aprender segundo seu esforço. Eu acredito que a mente brilhante necessite apenas despertar, não importando qual processo de despertar seja usado. O processo de aprendizado vai de acordo com o estudante e o despertar vem com a informação.


Graciliano Ramos teve grandes professores que falavam com ele através das linhas de seus livros, como Eça de Queiroz. Considerando-o como um ser incluído em uma sociedade, a mesma o formou, sendo sua professora e sua sala de aula. Não são imagens clássicas de "professor" e "sala de aula", mas servem ao propósito educacional como as imagens referidas aqui. 


Já outros escritores formaram-se em salas de aula convencionais e são grandes romancistas. Acredito que o aprendizado em sala contribuiu para o sucesso de muitos. Cito aqui apenas três autores que tenho certeza que a formação acadêmica contribuiu para se sucesso:  Stephen King estudou Letras e Inglês, formando-se em 1970. Alexandre de Moraes é escritor especializado em livros jurídicos. Seu aprendizado foi clássico, em sala de aula, e ele tornou-se um verdadeiro ícone dos estudos jurídicos no país e um escritor renomado. Assim como Sônia Bibe Luyten que nos iluminou com textos brilhantes em Comunicação Social. Podem não ser todos romancistas, mas são escritores.



A escrita é um ofício como outro qualquer e necessita de conhecimento. Não importa de onde vem este conhecimento, mas ele há de existir para que o ofício seja realizado da melhor maneira possível. A sala de aula é uma questão relativa, o aprendizado é uma questão subjetiva, e acredito que estes cursos possam formar ótimos escritores ao despertar o interesse, aguçar a curiosidade e instruir.