quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Revista Virtual com Os Melhores de 2014



O ano chegou ao fim e esta é a última atualização do blog em 2014. Queria encerrar com uma revista virtual, então a criei com as melhores animações de 2014 (Outono, Primavera, verão e Inverno) segundo a minha opinião. A revista ainda tem dois textos meus que achei interessante publicar nesse formato. A capa continua saindo de forma simples, pois ainda não tenho boas ferramentas para trabalhar imagens. Espero que gostem da leitura! Boa leitura e Boas festas!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Música e o Sentimento



A música é uma eterna companheira da imagem, da animação e da comunicação. Sem ela, o que vemos na tela (seja do computador, do cinema ou da televisão) ficaria menos envolvente. Fátima Weber Rosas e Dra. Patrícia Behar no estudo A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA EM OBJETOS DE APRENDIZAGEM: “Explorada nas trilhas sonoras para filmes. Burt ao falar sobre a música feita para filmes, afirma que ela auxilia na caracterização de personagens, tanto individualmente como coletivamente, e das idéias que tenham implicações simbólicas. Há momentos em que a música é mantida em reserva, para atingir o seu ápice em uma cena, fazendo com que a emoção prevaleça e seja como que alargada pela música. O autor também menciona que a música pode servir para mudar uma emoção”.


 É fator importante, em uma trilha sonora, a comunicação emotiva e afetiva da narrativa, auxiliando-a na tarefa de envolver o espectador na trama. Segundo o estudo acima (erros não arrumados- sic): “Quando o sujeito está “mergulhado” em uma música, ele significa o mundo que está a sua volta, por meio de consciências afetivas. Nesta perspectiva, dizemos que a música é uma linguagem reflexivo afetiva, já que envolve um tipo de reflexão que se faz possível por meio da afetividade, e uma afetividade que se faz possível por meio de determinado tipo de reflexão. (MAHEIRIE, 2003, p.148).” Desta forma, podemos ouvir músicas e sentir emoções relacionadas com momentos das séries. Experimente isso ouvindo esse vídeo. Se conhece a série clássica de Sailor Moon, vai sentir muita coisa apenas ouvindo.





Em meu caso particular, a música afetiva transporta-me para perto daqueles personagens que prezo, resgatando na minha memória a emoção que sentira ao presenciar aquela cena/música pela primeira vez. É assim que nos emociona a música, utilizando processos cognitivos que remetem à memórias específicas.


Desta forma, assim analisei a música This Game (No Game, No Life) para o Outros Papos: “Depois, fui conhecer a letra da música de abertura, deste seriado que tanto me maravilhou pela mensagem otimista. A música chama-se “This Game”. Eis que me deparo com um trecho da música que diz  “There is no foe stronger than the darkness that lurks within our hearts” e “As long as we're determined, we will not be defeated”. Não existe inimigo mais forte que a escuridão que reside em nossos corações, mas enquanto estivermos determinados, não seremos vencidos (minha tradução).  É novamente a mensagem da vontade indomável!  A letra segue no ritmo maravilhoso, convidando-nos para o evento principal que é viver de maneira altruísta. E termina nos afirmando que “As long as we're together, we can face any obstacles” e “And with faith in ourselves, anything can be achieved”. Sim, enquanto estivermos juntos, enfrentaremos qualquer obstáculo. E, com fé em nós mesmos, qualquer coisa pode ser conquistada!
O piano dá o início desta música, com um toque suave, mas que vai crescendo em força. Um ato heroico acrescido de coragem inabalável. Cada nota que sai do piano emociona, pois, tal qual um profeta, vai indicando que algo grandioso está por vir. É algo que me emociona. Eu choro ao ouvir esta música. Por isso, resolvi comprar o CD “This Game”. Ele merece ser ouvido e divulgado!  O meu CD deve estar chegando em breve!  Então quero terminar deixando esta mensagem: você vale! Você possui uma força inimaginável, por isso, acredite nela! É um potencial que pode ser revelado!” Veja a versão em piano dela aqui embaixo:




E como funciona a estrutura musical? Guilherme Maia em ALGUNS ASPECTOS DA MÚSICA NO CINEMA MODERNO BRASILEIRO resume bem em um quadro que indico abaixo. Em uma série, a música possui grande importância, pois ela ajuda a representar momentos e a fazer a correta transposição de cenas. Clique no link acima caso não consiga enxergar o quadro abaixo.

Fonte: Cine Cachoeira- Gulherme Maia



Se bem criada, teremos uma trilha sonora imortal. “A música pode ser política: a harmonia pode penetrar as paredes onde as atitudes não podem, e uma melodia pode chamar a sua atenção mais rapidamente do que um grito. A música pode nos enviar em uma direção diferente e inesperada. Pharrell Williams, sobre "Happy"’. Abaixo, uma versão moderna de um ícone da cultura pop que fez muito sucesso no Brasil. A presença desta música em versões atualizadas é um exemplo de que a afetividade está relacionada à música e dela se utiliza para eternizar produtos como séries e filmes.





Planejo mais uma atualização para este ano, então, ainda nos veremos em 2014!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nova/Velha Obra na Amazon



Este livro terá duas apresentações, pois será dividido em duas partes. Ambas possuem a finalidade de representar, com meus textos, duas fases de minha vida: a juventude e a maturidade. Para tanto, reuni poemas que representem, fielmente, meu estado de espírito nestas duas épocas. Na época do ensino fundamental, até a faculdade, eu escrevia meus sentimentos em papel. Um dia, resolvi reunir tudo e publicar. Assim nasceu o Despertar do Amor, em 2004, pelas mãos da editora Litteris. E faço, destes textos, a primeira parte do livro, intitulada Amanhecer na Juventude. Revendo os textos aqui escritos, revisando-os, eu vi como eram intensas as minhas emoções. Amores não correspondidos, desejos carnais, fé em Deus, tudo isso misturado em bloquinhos de textos, ou versos, com intensidade jovial, algumas rimas e ingenuidade. Fiquei espantado como eu interpretava a vida nessa época. Se pudesse voltar no tempo, eu me encontraria e diria a mim mesmo: “relaxa, cara! Vai viver a vida, vai à Disney e toma muito banho de praia, porque a vida não é só isso que você está escrevendo. A vida é canção, sensação, mas, acima de tudo, a vida é um caminho belo que nos ensina muito. Não perca seu tempo apenas refletindo sobre ela e vai vive-la com a mesma intensidade que escreve estes textos. Vai por mim, a vida é mais serena do que estes textos!” 



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Vendas, internet e animês

Serei breve no texto de hoje. Será um texto para a indagação de muitos. Daniel Gouveia Costa, em seu livro “Comunicações Multimídia na Internet” já aponta para o que venho observando, e ele relata: “Internet consolidou-se como a principal rede de comunicação de dados. Nessa rede, aplicações como transferência de arquivos, envio de mensagens eletrônicas e navegação web são amplamente utilizados. A influência que tais aplicações têm nos usuários dessa rede faz com que muitos enxerguem esses serviços como sendo a própria Internet. A evolução da rede mundial de computadores, tanto em termos operacionais como no número de usuários, possibilitou que novas aplicações surgissem. Entre essas novas aplicações estão às comunicações multimídia na Internet”.


O crescente fluxo de pessoas na rede, bem como o avanço tecnológico que permite conexões mais rápidas, estáveis e populares, começou a me fazer indagar porque diabos as empresas japonesas ainda precisam de distribuidores de seus produtos para o ocidente? Ainda hoje, uma empresa japonesa lança um produto em seu mercado e o distribui somente por lá. Cabe a uma empresa estrangeira, como a Diamond Films (no caso dos filmes de Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco) negociar com as empresas japonesas e conseguir acordos de distribuição. Até para conseguir animês para o Crunchyroll, o usuário precisa esperar a boa vontade de distribuidores que, vez ou outra, decidem não liberar títulos para a região X ou Y.




Ora, a internet criou o que chamamos de comunicações multimídia, ou seja, ferramentas usadas para a interação entre usuários e comunidades, tais como os vídeos em streaming e sites como o Daisuki, Netflix e o Crunchyroll. A entrada em uma região não depende mais de rigorosas regras empresariais e jurídicas, pois a internet, hoje, é um meio livre e com regras próprias de expansão e vendas. Não existe lei que impeça uma empresa japonesa de vender seus produtos para outras partes do mundo, então, porque elas não criam um setor de vendas para o mundo através do comitê? É esta a indagação que gostaria de deixar com este texto. Por exemplo, somente o Crunchyroll já ultrapassou o número de 400 mil assinantes em todo o mundo. É uma grande comunidade e local de vendas.




Explicando 


Para se criar uma animação, como exemplo, as empresas não necessitam mais de uma aceitação de um comitê (empresas reunidas e dispostas a liberar dinheiro para uma série ou filme). The Little Witch Academia 2 alcançou, através da internet,  uma campanha para a criação de uma nova animação que será distribuída internacionalmente. O mesmo ocorreu com Under The Dog, que também alcançou o financiamento coletivo para a criação de uma animação. Mostro isso para dizer que os tempos gerenciais passados são, de fato, passado. Atualmente, o dinheiro corre livre pela rede mundial de computadores e se a empresa ficar restrita à formas gerenciais antigas somente vai fazer dela um alvo para concorrentes que, porventura, tiverem êxito nessa empreitada. Vejam o que aconteceu com a Blockbuster. Foi engolida pelas empresas que investiram em streaming, como a Netflix.


A solução que encontro para isso é simples. A empresa japonesa cria uma animação (com ou sem comitê), e um setor de vendas, que lançará o produto em diversos territórios, negociando elas próprias com os portais aqui já citados. Para a venda em disco (blu-ray e dvds) a empresa lança material nas línguas de países que mais aceitaram os produtos. Ou seja, eles criam uma animação, lançam ela em um portal de streaming, verificam em que região ela foi mais bem aceita e cria discos com base nessa aceitação, com legendas na língua e material promocional destinado àquelas regiões. Tudo isso sem precisar sair do Japão, através da internet. Sem a necessidade de distribuidores locais. Sei que para o cinema a regra é diferente, mas para séries de televisão essa regra se aplica muito bem. Para elas é um ganho com o aumento na possibilidade de vendas e, para nós, um ganho no aumento de produtos lançados em com preços mais baixos pela ausência do distribuidor local (intermediário).



Então, fica aqui essa indagação e a minha resposta.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Outros Papos Recomenda Wakfu



Animação baseada no jogo de mesmo nome, foi criada pela produtora independente de games Ankama, junto com o canal France 3 e é totalmente criada em flash (Flash Adobe). A animação francesa agora está disponível para o Brasil, com legendas em português e, também, dublada em nossa língua, via Netflix!






Enredo


O enredo da série segue o universo de Wakfu. Segundo a página da campanha da Ankama no Kickstarter: “The series follows the quest of an orphan, Yugo, who sets out to discover his origins. Accompanied by a team of characters both brave and comedic, he must face powerful enemies during his journey and he will be at the heart of a plot which the fate of the World of Twelve depends on. WAKFU is also an ecological tale that allegorically explores the fragility of nature and the consequences that human actions may have on the ecosystem”.  


Também acrescento o tema importante que promove esta série aos meus olhos, pois ele segue elementos do romantismo francês.  Elaine Brito Souza escreve sobre o romantismo francês para o site Globo Educação e eu repasso aqui:


“As palavras de Vitor Hugo, o maior escritor do Romantismo francês, resumem bem a ideologia romântica:

‘A liberdade literária é filha da liberdade política. Eis-nos libertos da velha forma social; e como não nos libertaríamos da velha forma poética? A um novo povo, uma nova arte.’

Como podemos ver, o Romantismo tem duas facetas: uma que se volta para o indivíduo, com seus dilemas e conflitos existenciais, e outra que se volta para a sociedade, com suas injustiças e desejos de mudança”.



Deste modo, temos o pequeno Yugo (o terror do parquinho) em sua busca pela sua família, ou seja, o romantismo voltado para o indivíduo e a alteração que isso terá no mundo com a descoberta de mistérios e revelações sobre a origem do Yugo, logo, o romantismo que se volta para a sociedade. Cada capítulo mostra um trecho desta busca, sempre tocando em conflitos da sociedade, como casos de repressão do governo, ou no amparo a casais apaixonados. Existe o romantismo clássico na relação entre dois personagens e, também, wakfu exalta a figura do herói, tanto na letra da música como em cada linha do roteiro.


Além deste elemento, romantismo francês, a série nos traz uma visão clara desse momento histórico: a criação do Romantismo, sendo uma das bases fortes do enredo. O romantismo francês surgiu em um momento de intensa movimentação social, com a Revolução Francesa e a Industrial. Essa base do enredo é clara na primeira temporada, pois o vilão da série é uma alusão aos momentos mecânicos, com máquinas e engrenagens, bem como o controle do tempo, sendo uma referência clara ao movimento industrial: preciso, tempo controlado, linhas de montagem e engrenagens. Também existe o movimento revolucionário que se baseia na liberdade, igualdade e fraternidade, pois são elementos bem defendidos pelos heróis da série.


A estrutura narrativa da série é interessante, pois apresenta, no primeiro momento, a problemática que deve ser resolvida, no segundo momento desenvolve a comédia e, no terceiro e último ato, apresenta a ação que resolverá a questão levantada no primeiro ato. Isso foi uma regra que percebi na estrutura das duas temporadas que assisti. Muito funcional!





Homenagens aos animês


 A homenagem aos desenhos japoneses é evidente não apenas pelo traço dos personagens, mas também pela estrutura de movimentação e escolha de ângulos de câmera. A animação japonesa adotou, em sua base, a estrutura do Futurismo (Pinturas com uso de cores vivas e contrastes. Sobreposição de imagens, traços e pequenas deformações para passar a ideia de movimento e dinamismo) e Wakfu a usa de maneira semelhante. A série possui muitos closes, tanto nas cenas cômicas, quanto nas cenas de ação, deixando o ângulo fechado. Isso aumenta a sensação e emoção que o traço dos personagens tenta transmitir através de sua ação.


Fora isso, temos homenagens a diversos animês famosos, como Nausica, One Piece, Evangelion, Dragon Ball e outros tantos. São vários “easter eggs” para se procurar em cada cena. Uma caça ao tesouro muito divertida. Além disso, a série supera a animação japonesa pelo contato mais caloroso entre os personagens. Na maioria das séries japonesas, o contato entre personagens é muito frio e eles são distantes (existem exceções como Golden Time), entretanto, em Wakfu a demonstração de afeto, amor e carinho entre os personagens é muito evidente. Nisso, a série superou os animês.







Conclusão



Quando vi que era uma animação em flash, eu meio que torci o nariz, mas fui sendo pego pelo carisma dos personagens, pela história bem contada, pelos elementos que pude observar na construção do enredo e pela música muito legal de se ouvir. Ao final, tornei-me fã dessa animação e a estou recomendando aqui. Animação francesa de qualidade, inspirada em animês, revolução francesa e romantismo. Não tinha como não ficar bom! Nota 10! 




Conheça mais através da campanha Wakfu no KickStarter!


Trailer do Jogo- Wakfu!



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Economia em 2015




Como todos sabem, analistas econômicos não acreditam em uma inflação dentro da média estabelecida pelo governo para 2014. Muitos já veem uma nova elevação na taxa básica de juros em dezembro, quando o Copom se reunirá novamente, acreditando que, no ano de 2015, os juros podem chegar a 12%. Convido a ler o texto abaixo deste tópico, pois ele explica como se dá o controle da inflação a curto prazo. Em resumo, pode-se controlar a inflação reduzindo o consumo através do aumento da taxa de juros, ou pode-se conter a inflação com corte de gastos do governo. Leia “Se continuarei a escrever em 2015” para mais detalhes.


Pedro Brodbeck para Gazeta do Povo: “Para controlar a escalada do IPCA, os economistas consultados pelo Boletim Focus, do BC, preveem uma alta de meio ponto porcentual na metade de 2015. O mercado, no entanto, considera uma alta mais acentuada e acelerada, com os juros básicos batendo os 12% no primeiro semestre do ano que vem”.


Ruim para a indústria, para o comércio e para o trabalhador que já está sofrendo com os juros altos, pois implica em aumento de juros para o consumidor final. Apesar da baixa registrada na matéria da Gazeta do Povo, a nova alta na Selic deve ecoar nos juros ao consumidor em um futuro próximo. Relatório de outubro- Copom- Banco Central aponta retração da produção industrial: “Entre as categorias de uso, comparando-se produção de agosto e julho, de acordo com a série com ajuste sazonal, o único ganho ocorreu no segmento de bens intermediários (1,1%). Por outro lado, ocorreram perdas no segmento de bens de consumo duráveis (-3,0%) e no de bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%). No setor de bens de capital, a produção ficou estável. Comparando-se produção de agosto com a do mesmo mês de 2013, a produção dos setores de bens duráveis, bens de capital, bens intermediários e bens semi e não duráveis recuaram 17,9%, 13,4%, 3,3% e 3,1%, respectivamente”.


O PIB também não anda bem. Matéria do G1, divulgada no site SINAFITE-DF (Sindicato da Carreira de Auditoria Tributária do Distrito Federal) informa que: “Para o Produto Interno Bruto (PIB), os economistas baixaram, na semana passada, a estimativa de uma alta deste ano de 0,27% para 0,24% – a menor desde 2009, se confirmada. Para 2015, a estimativa de expansão da economia permaneceu estável em 1%. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia. No fim de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira teve retração de 0,6% no segundo trimestre deste ano e que estaria em "recessão técnica", que se caracteriza por dois trimestres seguidos de PIB negativo”.


O governo tenta controlar a situação com alta na Selic e, também, corte de gastos. Segundo o que nos informa o Correio Braziliense: “Após a decisão do Banco Central (BC) de elevar a taxa básica de juros do país, o governo prepara um pacote de corte de gastos para eliminar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões no Orçamento de 2015, incluindo investimentos públicos, o que deve exigir um esforço radical. A ideia é anunciar as medidas antes de 12 de novembro, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, embarcará rumo a Brisbane, na Austrália, para participar da reunião de ministros do G-20, grupo de países desenvolvidos e emergentes”.


Segundo o que reporta a revista Veja, o ministro da Fazenda já explanou o cenário possível de cortes e ajustes para 2015, em seminário, pois assim a matéria informa: “Mantega disse que, no ano que vem, será muito importante fazer cortes de despesas, com redução de gastos com seguro-desemprego, abono-salarial e auxílio doença – cerca de 70 bilhões de reais por ano - e pensão por morte – cerca de 90 bilhões de reais por ano”. Novamente, o trabalhador sofrerá no bolso o corte de gastos, caso isso se comprove.



Superávit primário


O Brasil estabeleceu uma meta de superávit que não deve cumprir. A Veja assim escreve: "O Brasil não deve cumprir este ano a meta de superávit primário estabelecida pelo governo, por causa da economia desaquecida, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou nesta quarta-feira o relatório Monitor Fiscal. O documento traz estimativas sobre as contas públicas de diversos países. A previsão é que o indicador brasileiro fique em 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo da meta do governo, de 1,9%".  A economia com os cortes mencionados por Mantega também ajuda a aumentar a "poupança" do governo, mas o ideal seria começar com cortes em investimentos externos que o Brasil efetua mediante o uso do BNDES, segundo Marcos Mendes: “Entre 2011 e 2013, a média anual ficou em torno de US$ 1,4 bilhão.” Já o governo poderia também cancelar a compra dos jatos franceses que custarão 5,4 bilhões de dólares. Com estas duas medidas simples, já vai haver uma economia de 16 bilhões de reais aos cofres públicos. Já o combate eficiente contra a corrupção poderia gerar uma economia ao Brasil de 100 bilhões de reais. Segundo matéria da Câmara Notícias: “O coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, deputado Francisco Praciano (PT-AM), destaca que o alto índice de percepção da corrupção afeta o país econômica e socialmente. "Representa um volume muito grande de recursos retirados da sociedade brasileira: são R$ 100 bilhões. O mundo se preocupa com isso, não somos só nós. O motivo principal: a corrupção atrapalha o investimento, torna-o menos atrativo, degrada o ambiente de negócio, tem impactos econômicos nos juros. Então, é uma coisa realmente que se espraia, os resultados da corrupção, pela sociedade e pelo Estado." Este número cresce se considerar o gasto ineficiente do Estado, conforme cita Victor Martins, Diego Amorim e Carolina Mansur para matéria (2013) no Diário Associados de Minas: “Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento”.



Conclusão



Se estas forem as medidas verdadeiras para o controle da inflação, o governo vai errar, pois pode enfurecer o povo retirando dele o sustento em caso de necessidade, como é o problema com os cortes no seguro-desemprego. Com a economia esfriando por causa da alta dos juros, os cortes em áreas de apoio ao trabalhador (caso se confirme essa informação) são erros. Deve-se, antes de tudo, procurar outras áreas de ação do governo para efetuar os cortes que irão inibir a inflação e a alta dos preços, nunca começando pelo auxílio ao trabalhador.


Sobre o superávit primário, os meus exemplos acima demonstram que é possível economizar sem pegar tanto no bolso do trabalhador.  Basta melhor controle do Estado em seus gastos e no combate à corrupção para reduzir a quantia, sem necessitar enforcar ainda mais o trabalhador. O combate à corrupção passa pela visibilidade das contas públicas, melhor aparelhamento do Estado no combate aos corruptos e política pública com menos burocracia e mais tempestividade. 



Em resumo, o ano de 2015 ainda permanece envolto na imagem do trabalhador com a corda no pescoço.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Se continuarei a escrever em 2015?

Oi, pessoal! Eu tirei o dia para estudar o meu futuro. Vou explicar a conclusão que cheguei, mas já agradeço os votos que estou recebendo e peço que continuem votando na enquete aqui do lado.

O Futuro

Do Estadão


Como todos sabem, pois está estampado em todos os jornais, a taxa Selic aumentou 0,25% e está em 11,25%. Foi uma atitude do Banco Central para mostrar, aos investidores externos, o comprometimento do governo com as metas de inflação. Quando estudei economia, eu conclui que o mercado interno deve ter prioridade sobre o externo, ou seja, sou protecionista em determinados assuntos. Entre o mercado externo (aqui identificado pela movimentação na Bolsa de Valores) e o mercado interno, o interno deveria ter prioridade.

O aumento na taxa Selic tem a finalidade de desacelerar o consumo e inibir a inflação, entretanto, existe um viés negativo nesse instrumento de controle, afinal, ele retira do mercado, a longo prazo, a capacidade de crescimento. ADVFN: “Quando o Banco Central desejar sinalizar rapidamente para o mercado que não está gostando da remarcação de preços basta que ele suba a taxa básica de juros da economia. Deste modo, a obtenção de crédito passa a ficar mais cara, arrefecendo a demanda. Consequentemente, a remarcação de preços tende a cessar, pois o consumidor não estará mais comprando”.

Como afirma o site acima, o aumento na taxa de juros reduz a capacidade de crescimento da indústria e do comércio. Juros ao consumidor ficam maiores e, portanto, o consumidor prefere não comprar ou contrair dívidas. Uma realidade já manifesta pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo: “A economia está estagnada e o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá pouco acima de zero. A elevação da taxa Selic não só impede qualquer tipo de retomada da atividade econômica no curto prazo, como também derruba ainda mais a confiança de empresas e consumidores, fator este preponderante para retomada futura, pois sem confiança não há investimento”.




Em resumo, o mercado externo projetou confiança nesta ação e a Bolsa de Valores fechou o dia (30/10/2014) em alta de 2,58%. Entretanto, para este fim, o mercado interno sofrerá com mais um período de estagnação. A nota da FIESP reforça essas palavras: “Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a geração líquida de empregos formais mostrou contração em torno de 37% entre janeiro e setembro deste ano frente ao mesmo período de 2013, a queda mais expressiva desde 2009. A indústria paulista já fechou 38 mil postos de trabalho este ano”.

Essa taxa manter-se-á alta para a repressão da inflação, mesmo sufocando a nossa economia e retirando do mercado interno a capacidade de crescer e produzir riquezas. É um erro que nós teremos que suportar até a próxima reunião do COPOM em dezembro. A sinalização é importante, bem como o mercado externo, mas a prioridade deveria ser o crescimento econômico e, por isso, o mercado interno. 

Um erro? Acredito que sim, pois existem outras formas de se conter a inflação. O ADVFN cita alguns dos mecanismos que poderiam ter sido adotados e que permitiriam a retomada do crescimento. Segundo eles: “Um outro instrumento para controle da inflação no curto prazo é o próprio controle de gastos do governo. Quando a inflação está mais alta o governo deve gastar menos para não expandir a demanda”. Eles complementam: “No longo prazo, o melhor remédio para inflação é a expansão da capacidade produtiva, que aumenta a oferta de produtos e reduz os preços dos mesmos”.

Além disso, nós teremos, conforme já foi anunciado, o aumento na conta de luz para a indústria e para residências. O governo também estuda reativar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Como a indústria, em diversos setores, está encolhendo e não tem condições de arcar com estes aumentos, isso poderá indicar um aumento no valor e custo de produção que, por usa vez, será repassado ao consumidor. Ao aumentar o custo de um produto, o imposto sobre ele aumenta e o valor final aumenta mais, sendo uma espécie de bola de neve ladeira abaixo.

Tudo isso indica um ano de 2015 muito difícil.


A esperança

Em dezembro pode haver um milagre e a inflação ceder, fazendo a taxa Selic voltar a 11% ou, talvez, a uma taxa menor. Outra esperança é o novo nome do comandante da equipe econômica. Um nome forte já cogitado é o de Luiz Trabuco. Ele é um nome que acalma o mercado externo e pode fazer o mercado interno voltar a crescer. Ele transmite confiança ao mercado interno e externo. Mais uma esperança é que o governo já estuda a melhoria de seus gastos, ou seja, pretendem cortar gastos e melhorar a transparências de suas contas. Outra esperança, esta menor, é que o governo pretende impedir que a bola de neve chegue ao consumidor, pois o governo já está estudando formas de desoneração fiscal e refinanciamentos fiscais, para reativar a economia. Eu afirmo que esta é uma esperança menor, pois, no ano de 2014, o governo deixou de arrecadar 75 bilhões de reais em impostos com desonerações e, mesmo assim, a economia não cresceu. E é menor também, pois existem fontes que alegam que o governo pretende cortar algumas isenções para aumentar a arrecadação, além de reativar a Cide.


Conclusão

A conclusão que se chega é que o ano de 2015 vai ser de trabalho duro e, na melhor das hipóteses, de muito suor. Se nada de bom acontecer, será outro ano de recessão, com juros altos, pouca capacidade produtiva e sem consumo. O que pode acarretar em desemprego. Uma avalanche de conclusões que não devo escrever aqui e que torço para que não aconteça. 

Nesse cenário, pensei em parar de escrever e produzir meus livros. Entretanto, vou continuar apostando na literatura por paixão. Sim, é uma aposta louca de um coração. Pela lógica, eu deveria esperar até junho de 2015, ou início de 2016, para retornar com a produção, mas não vou esperar. Vou obedecer ao coração e continuar escrevendo. Se a economia se retrair, eu venderei menos. É um risco, mas vou enfrenta-lo e torcer por um 2015 melhor e com a economia aquecida. 


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Comipo: Hospício

Na verdade, este quadrinho tinha que estar na segunda-feira, pois ele é a chave da inspiração desta semana. Quando eu tinha o Comipo instalado, eu resolvi criar este quadrinho como o início de uma série de quadrinhos de terror. Começaria com uma brincadeira, mas eu queria desenvolver histórias mais completas. No momento, não tenho mais o Comipo para criar estes quadrinhos, por isso, decidi dar continuidade com textos curtos como os desta semana. O que acharam? Histórias do tipo Yamishibai! 




Sobre Yamishibai: "Yamishibai é uma história animada com imagens das quais o tema é cercado de contos baseados em rumores, além das lendas urbanas que percorrem a história do Japão."




Vou antecipar este quadrinho e descansar. Com isso, o blog já teve 105 atualizações, ou seja, em número de postagens foi meu melhor ano. No Facebook, eu havia mencionado relançar o "Sob a Luz dos Ensinamentos Bíblicos" revisto e atualizado, mas repensei e não vou fazer isso. O meu último trabalho, "Apocalipse: Brasília", não vendeu nada em um ano, por isso, acredito que eu vá concentrar meus esforços em outras áreas. Então, tchau! Vou descansar! 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Conto: Hospício!


História fictícia



Chovia naquela noite. Eu lembro dos detalhes de cada passo. Estava sentado em uma cadeira no corredor da faculdade. Uma cadeira desconfortável, que não me permitia relaxar. Esperar pelo término da aula da minha mãe, que estudava Direito na Pós-Graduação, era uma das minhas atividades noturnas. Eu a acompanhava até em casa, pois me sentia melhor assim. Dava-me maior segurança não deixa-la andando sozinha à noite.


A aula dela ainda não havia terminado, mas o vento frio da noite chuvosa entrava impiedosamente pelas diversas janelas abertas. A estrutura da arquitetura deste prédio era interessante. As salas todas ficavam na parte esquerda do corredor, enquanto as janelas de observação para o pátio ficavam na parte direita. Não era uma estrutura funcional para uma faculdade e nem parecia ter sido criada para tal propósito. Até o rodapé do corredor era curvo para facilitar a limpeza. Não vejo isso com muita frequência em prédios de faculdade.


Como a aula não terminava, e eu estava sendo castigado pelo frio da noite, resolvi levantar da péssima cadeira e andar até o banheiro, que ficava na outra ponta do corredor. Seria interessante esticar as pernas, então, resolvi andar. Planejava pegar um café depois. Estava andando, olhando para o chão. Ao me aproximar do fim do corredor, notei uma presença pelo canto do meu olho. O reflexo, na janela que dava ao pátio, de uma senhora com cabelos curtos, lisos e pretos. Ela me olhava com certa raiva e estava com uma camisa branca. De pele morena, a senhora não tirava os olhos de mim. Olhos pretos que me fitavam através da mesma janela que eu a observava. Resolvi cumprimenta-la.


Ao tirar meus olhos do reflexo da janela, e virar o rosto em direção a ela, espantei-me. Não havia ninguém na porta da sala. Entrei para ver se ela havia ido se sentar. Sala vazia. Não poderia ser mais clichê esta situação em uma noite chuvosa, mas estava acontecendo comigo. Naquele instante, resolvi me afastar da porta. Fui em direção ao banheiro. Foi a pior mijada que dei na minha vida, pois me sentia observado a todo instante. A impressão que eu tinha era de que alguma coisa iria pular a porta do banheiro e me atacar. Maldita Samara e seu filme do poço japonês! Fiquei lembrando desse filme, enquanto estava no banheiro.


Lavei as mãos, sempre observando a porta do banheiro. Saí, peguei meu café e fui me sentar novamente. Encarava desconfiado o corredor. Da sala da minha mãe, um amigo dela sai para ir ao banheiro. Eu o cumprimento com um gesto de cabeça. Mateus, este amigo da minha mãe, vai em direção ao fim do corredor. Volto-me aos meus pensamentos, quando o ouço:


--- Boa noite!


Ao ouvir o cumprimento, avanço o olhar em direção a ele. Foi o tempo suficiente para ver que ele estava cumprimentando alguém naquela mesma sala vazia. A reação dele me assusta, pois ele recua, colocando os ombros para cima. Os ombros arqueados é sinal de susto e tensão. O recuo é sinal de surpresa, quando precisamos nos afastar instintivamente de algo que nos atemoriza. Ele tinha tomado um susto com algo.


Eu o espero retornar do banheiro. Não digo nada, para não influenciar qualquer reação. Desejo apenas observar. Ele estava com olhos fixos, mordendo o lábio inferior e as mãos no bolso. Olhos preocupados e a tensão ao morder o lábio dão sinal de que ele ficou pensativo quanto ao ocorrido, assim como eu. As mãos no bolso indicam o frio da noite e a tentativa de se aquecer. Fiquei pensando nisso até o término da aula.


Já estávamos de saída, eu e minha mãe. No nosso momento da partida, resolvi conversar com o segurança do prédio. Eu me direcionei a ele e o cumprimentei. Ele estava conversando com a atendente da guarita, mas parou para me ouvir. Então, perguntei:


--- O que era esse prédio antes de ser uma faculdade?


A minha resposta não vem dele, mas da atendente do estacionamento. Ela vira-se rapidamente para mim, com os olhos arregalados. Ele abaixa a cabeça. Eu volto a perguntar, desta vez olhando para ela. Ela responde:


--- Era um hospício!


Desse dia em diante, sinto como se fosse observado a cada momento que espero minha mãe naquele corredor. 




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Soda Cáustica

Humor sombrio para hoje! Acredito que o humor ácido seja interessante para quebrar a monotonia. O primeiro quadrinho é inédito e foi feito com o Toondoo. O segundo quadrinho, com comipo, é ácido também, por isso o uso para complementar a acidez do quadrinho mais recente.


Toondoo





Comipo




Semana que vem é a última semana com atualizações. No quesito quantidade, este ano superou o meu melhor ano, então, acho que vou dar uma descansada. Os textos da semana que vem já estão prontos e irão ao ar normalmente. O tema da semana que vem será o sobrenatural, com um conto, um poema e um quadrinho. Não haverá vídeo. Vou dar uma pausa nos vídeos, pois eles não alcançaram objetivos. Poucas visualizações (menos de 10% do que recebo normalmente no blog) e nenhuma curtida. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Despedida e Amor

Haikai I

Aquele amor

Pulsa magistralmente

Viva por ele.


Haikai II

A mão que salva,

Ampara com carinho,

O que se ama.


Diana-Scribbles desenhou

O haikai acima demonstra como um amor altera o destino. A cena que mais se aproxima deste sentimento é a que Diana desenhou. A despedida de Kenshin e Kaoru na série clássica de Samurai X (Rurouni Kenshin). Neste arco, o amor que o Kenshin sente pela Kaoru o mantêm vivo, mesmo pelas diversas batalhas que ele enfrenta pelo caminho! Uma cena emocionante. Recorde-a abaixo:



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Duas listas de vencedores desta temporada- Verão 2014

Em 22 de julho de 2014, dei início à minha lista de favoritos para a Temporada de Verão 2014 (clique) e, apoiado pela ideia de que a simplicidade dá grandes roteiros, optei por avaliar as séries desta temporada segundo este quesito. E a simplicidade não é assim fácil, ou óbvia. No texto “Exemplos de áreas cinzas”, escrevi o que um roteirista entendia sobre a construção de roteiros:


 “As grandes ideias não funcionam. Comece com uma ideia pequena que possa ser expandida. Com a saga dos filmes Bourne, eu nunca li os livros (uma trilogia de Robert Ludlum), preferi começar do zero. A premissa simples do personagem Jason Bourne é: ‘eu não sei quem sou, nem de onde venho, mas talvez eu possa me definir através do que sei fazer’.
Construímos todo um universo a partir desta pequena ideia. Isso começa modestamente e vai sendo construindo passo a passo. É assim que se escreve um filme para Hollywood” (Tony Gilroy).


Em outras palavras, comece simples, com uma ideia singela e depois a evolua gradualmente. Para Clarice Lispector, “que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”. Pensei, então, em realizar duas listas, pois percebi uma coisa: uma área cinza pode ser simples também. Esse pensamento perturbou a ordem deste TOP, portanto, optei por criar duas classificações. A primeira classificação é a de roteiros simples, sem áreas cinzas. A segunda classificação é a de roteiros com áreas cinzas simples, ou seja, áreas cinzas que não alteraram significativamente a ordem da história, fazendo-a permanecer em uma ordem narrativa direta. Serão apenas 3 classificados por ordem.



ORDEM DA NARRATIVA SIMPLES


Em 1º lugar- Hanayamata





Sinopse CR: “Não importa como olhemos, ela sempre vai parecer uma menina comum. Sem qualquer tipo de talento especial para os esportes, para as artes ou para os estudos. Apenas uma menina normal. É assim que Naru Sekiya é, a menina comum que vive à sombra de sua grande heroína, a linda e perfeita Yaya Sasame. Até que, numa noite de lua cheia, Naru encontra uma fada, uma linda menina que a convida ao maravilhoso e desconhecido mundo da dança yosako”.


Essa série poderia tanto estar aqui, quanto na outra lista que se segue abaixo. Decidi coloca-la aqui, pois as áreas cinzas que se apresentam na série são restritas a pequenos arcos, ou capítulos, não interferindo significativamente no desenrolar da história.


O primeiro lugar justifica-se pela construção de enredo com os “personagens transformadores” que tanto aprecio. Para quem não acompanha meu blog, um personagem transformador é aquele cuja existência interfere diretamente no destino, ou ambiente, de outros personagens. Essa interferência ora é benéfica, ora é maléfica. Em resumo, ele transforma a vida dos personagens ao seu redor. Para Hanayamata, nós temos personagens transformadores benéficos, isto é, personagens que alteram para melhor a vida de outros personagens. Essa alteração promove amadurecimento dos mesmos.


Hana altera o destino da Naru, que altera o destino de Yaya e assim por diante, em uma cadeia de transformações. Essas transformações ocorrem, pois existem traumas e medos que promovem fraquezas. Estes medos são decorrentes do passado das personagens e ficam ocultos (áreas cinzas) até que seja necessário ao enredo contar. Ao ser contada, a história transforma-se pela participação do personagem transformador que ajuda a outra personagem a superar o medo, a fraqueza ou a dor que ela sente. 


Como suspeitei que a história iria dialogar com a audiência, mostrando-a como a vida poderia ser bela, pelo amor à tradição, e às amizades, o personagem transformador não poderia faltar, pois é através dele que o autor dialoga com o íntimo dos personagens e, também, com o íntimo do espectador que, porventura, esteja passando por problemas semelhantes. Isso enriquece o roteiro de maneira  a deixar a série muito próxima de nossos corações. Merece o primeiro lugar.



Em 2º Lugar- LOCODOL





Sinopse CR: “Nanako é uma colegial que se torna a estrela em sua cidade a pedido de seu tio. Na companhia de Yukari, sua colega de classe linda, maravilhosa, perfeita e totalmente cabeça-oca, Nanako embarca na carreira de estrela juvenil e dá entrevistas, aparece na televisão a até faz show! Tudo dentro dos limites de sua pequena cidade, claro.”


Um roteiro genial, pois sua premissa não é apenas uma história sobre ídolos locais, ou Locodols, mas sobre uma cidade pequena no interior de Hiroshima. Uma cidade chamada Nagarekawa. Fui procurar no Google o distrito (veja-o aqui). Através do enredo cômico, sobre garotas que são escolhidas para formarem um grupo de locodols, eles acabam por difundir a região. A mensagem por detrás do roteiro torna-se clara: difusão da cidade e alguns costumes da região. Para tanto, as ídolos promovem a região em festivais e aparições na televisão. O  roteiro, então, chama a atenção para a cidade.


Não existe uma única área cinza aqui, mas existem problemas de estrutura. O distrito existe, mas é diferente do que se prega no animê. Nagarekawa é conhecido como um distrito boêmio, mas no animê é mostrado como uma cidade tranquila. Talvez o enredo tenha a intenção de mostrar o outro lado de Nagarekawa que não é difundido, assim como sua população local, mas por não mostrar isso claramente dá a impressão de que a cidade é diferente.


Por outro lado, algumas tradições foram difundidas de maneira interessante. Fui procurar o Deus Billiken e vi que ele existe e é um amuleto de sorte em Osaka também. Segundo o Waymarking: “The Billiken originated in the United States by an art teacher Ms. Florence Pretz in 1908. Its popularity grew and soon enjoyed worldwide celebrity. The billiken, as a good luck charm, appears multiple times in the Vivien Leigh and Robert Taylor movie Waterloo Bridge. At least two Billiken-themed songs were recorded, including "Billiken Rag" and the "Billiken Man Song. Throughout Japan representations of the Billiken were enshrined. The Billiken was a star in Sakamoto Junji's 1996 comedy Billiken in which the statue is restored to the Tsutenkaku in an effort to revive the popularity of the tower and save Shinsekai. Today you can see statues of Billiken in many places. It is also used as a Mascot for sports teams such as the Saint Louis University, you can see a statue at the university”.






Por causa disso tudo: estrutura simples, personagens fofas, história cômica, difusão de cultura e tradição, a série ganhou o segundo lugar deste TOP.







Sinopse CR: “Sakura Chiyo é uma menina do ensino médio que tem uma caidinha por Nozaki Umetarou, mas quando ela declara seu amor, ele a confunde com uma fã e lhe dá um autógrafo. E a confusão não para por aí! Quando ela diz que não pode viver sem ele, Nozaki a convida para sua casa, mas como sua assistente. Ele, na verdade, é o famoso mangaka Yumeno Sakiko, autor de renomados mangás shoujo”.


Um enredo que caminha em um trajeto reto. Não existe uma sombra sequer de alteração em suas linhas. A genialidade consiste no enredo comparar as situações vividas pelos personagens, com histórias shoujo (romance para garotas) criadas pelo Nozaki. Quando Nozaki precisa de inspiração para suas histórias e personagens, ele frequentemente recorre aos seus amigos e escola. Com isso, podemos ver como fica a história pelo olhar shoujo e pelo olhar da comédia seinen. Considero Gekkan Shoujo Nozaki-kun uma comédia ingênua, porém madura, sobre a criação de mangás.


Ficou em terceiro lugar, porque o romance sequer existiu. Foi apenas uma justificativa para a Chiyo entrar na equipe de criação de mangás do Nozaki e começar a história de paralelos e comparações entre shoujo e comédia seinen. Todavia, acredito que isso baste, pois a comédia é realmente o ponto forte desta série.




ORDEM DE ÁREA CINZA SIMPLES








Sinopse CR: “Kotaro está pobre. Isso o força a viver num pequeno apartamento por 5 mil ienes por mês que, pelo lado bom, ele não precisa dividir e pode desfrutar da liberdade, mas pelo ruim, ele precisa compartilhar com uma linda fantasma que não permite que ninguém more nele e vive tentando expulsá-lo de lá. Não só isso: além de mal-assombrado, o apartamento vira o campo de batalhas de garotas mágicas que lutam pela paz e pela justiça e por toda a sorte de garotas!”


A ideia central possui uma história singela, mas que respinga nela algumas áreas cinzas. Não afetaram drasticamente o enredo, nem mudaram o final de uma hora para outra, então, estas áreas não foram significativas e entra direitinho na construção de áreas cinzas simples.


A mensagem que mais me chamou a atenção neste roteiro é a de que estranhos podem formar uma família. Imaginem uma garota do submundo, uma princesa alienígena, uma fantasma, uma mahou shoujo, uma humana e um carinha chamado Kotaro. Mais estranhos uns aos outros não poderia haver. No entanto, durante o desenvolver da trama, eles acabam por criar laços uns com os outros e a disputa pelo apartamento acaba perdendo gradualmente a força entre eles. Há uma união. Há a formação de uma família.



E não somente isso, mas uma personagem me chamou a atenção. A Yurika  recebe um bullying muito estranho, pois ninguém acreditava, até alguns capítulos atrás, que ela pudesse ser uma mahou shoujo (garota mágica) e, no entanto, ela é. É meio ilógico o pessoal aceitar o fato de que existam alienígenas, pessoas da terra e fantasmas, mas não acreditar em mahou shoujo. 



E isso é parte do problema que ela enfrenta. Por ser insegura, ela é a personagem que mais supera seus limites na série. Todo capítulo ela se supera de alguma forma. Ela enfrenta estes três problemas: a descrença que ela é uma garota mágica, sua própria insegurança e desmotivação pessoal. No entanto, ela ajudou no resgate da Sanae, ajudou na cura da Sakuraba,  enfrentou outra mahou shoujo, lutou pelos seus amigos e, tudo isso, sem levar muita fé em si mesma. É uma personalidade muito diferente e que gostei dela pela mensagem de superação. E ela faz isso sem cair lágrimas de nossos olhos com algum dramalhão. Simples, suave e discreto.  


Outro ponto a se observar no enredo é que um roteiro tão simples, que pode ensinar que a diferença cultural não pode afastar as pessoas, e que se houver respeito entre eles, até um território pequeno pode ser dividido de maneira pacífica, merece destaque. Pode servir de alusão e metáfora para ensinar aos pequenos a partilha adequada. Somente isso já prova valor para estar aqui. E como o roteiro teve a tendência a estar em uma linha reta, simples e eficiente, apesar de algumas áreas cinzas (como essa história do Cavaleiro Azul), vai ficar aqui em 1º lugar e o quarto lugar para a história da disputa pelo quarto. Sim, depois dessa piada, eu me demito como comediante!








Sinopse CR: “Em um futuro próximo, foi lançado um Jogo de Realidade Virtual em Massa para Múltiplos Jogadores Online (VRMMORPG) chamado Sword Art Online, onde seus jogadores controlam seus personagens com o próprio corpo usando um dispositivo tecnológico chamado: NerveGear. Um dia, os jogadores descobrem que não podem sair do jogo, pois o criador do jogo os mantêm presos a menos que eles cheguem ao 100º andar da Torre e derrotem o Boss final. No entanto, se eles morrerem no jogo, morrerão também na vida real. A luta pela sobrevivência começa agora”.


Sei que a série não se encerrará com 13 capítulos, mas deixo aqui a análise do que vi até agora. Também brinco com a área cinza deste enredo, pois o Kirito nem lembra quem é o assassino desta saga. Ele já o enfrentou, mas não se lembra dele. Eu brinco dizendo que nem o autor da série sabe quem é. Uma área cinza soberana! Desculpem a brincadeira.


É uma área cinza simples, porque o não se lembrar do assassino, ou o  lembrar dele, não afetou a história em nada. O enredo se mostrou bem bacana de se seguir e divertido de se assistir. Os embates ao estilo Jedi ficaram sensacionais, bem como a construção da Sinon. Uma garota com fobia de armas que usa um jogo online para superar o trauma foi fantástico.


O forte dessa série é que o enredo está tocando na realidade de maneira provocativa. Sobre a questão da Sinon usar um VRMMORPG para superar o medo de armas, ele vai de encontro com o que o psicanalista Norman Doidge escreveu em seu livro “O cérebro que se transforma”. O cérebro possui uma plasticidade avançada, isto é, ele se adapta a quaisquer condições, não sendo uma estrutura fixa com funções fixas. Neste livro, conhecemos o trabalho da Arrowsmith School que trabalha com crianças com deficiências diversas de aprendizado e que usam jogos para reforçar o aprendizado. A mente se adapta e muda de acordo com o que é aprendido. Usar um VRMMORPG para superar o medo de armas é aceitável, segundo o que se ensina neste livro, bem como é uma atividade semelhante às usadas na Arrowsmith School.


Ainda existe a questão do “Real e Virtual” que explorei em meu texto (clique aqui) e  afirmei, naquela ocasião, que  a conclusão que se chega é que o virtual é um nível de conhecimento do real (realidade). Assim como o próton e o elétron são partes de um átomo, real e virtual são partes do mesmo processo dimensional que nós chamamos de realidade. O virtual é um passo ao real, não sendo contrário a ele, mas sua mais importante ferramenta de construção. Desta maneira, Kirito pode ter acertado ao defender que o virtual necessita transmitir mais informações para se aproximar do real.


Pela bela animação, e por este roteiro com áreas cinzas simples e proximidade com a nossa realidade, esta série, até este presente arco, está com o segundo lugar garantido neste meu TOP. E, por fim, aqui vai o terceiro lugar.








Sinopse CR: “Illya (Illyasviel von Einzbern) é uma típica estudante do Instituto Homurabara que tem uma quedinha por seu cunhado. Certa noite, uma varinha de condão chamada Cajado Rubi cai do céu em sua banheira e a faz assinar um contrato”


Na verdade, este já é o segundo arco da história. Neste arco, Illya acaba se separando em duas personalidades distintas. Na verdade, ela servira de receptáculo para o confinamento de sua irmã (chamada aqui de Kuro Illya). Sua irmã- Kuro- fora selada sem memórias dentro dela. Fala a verdade, que mãe cruel! Né?


A história, então, tem muita área cinza, por isso não está em uma posição melhor, pois as áreas cinzas tem afetado o destino do roteiro e alterado a ordem narrativa. No entanto, dentro da proposta desta análise, a área cinza apresenta-se de maneira simples o suficiente para abraçar este terceiro lugar. As intenções da Igreja, o objetivo do selamento da Kuro, e tantos outros mistérios, ainda não revelados, promovem uma penca de áreas cinzas.


O que se salva é que a área cinza promoveu uma das cenas mais emocionantes desta temporada, na qual a Kuro grita por sua própria existência, fazendo-me refletir sobre o medo da não existência e a consequência da morte. É inegável que me senti próximo daquelas palavras, pois não conheço um humano que não tenha, ao menos uma vez, pensado na morte.  Aliás, no texto sobre o valor de um minuto (Fairy Tail e o valor de um minuto), comentei que um dos caminhos para se resolver um suspense no qual o herói não possui mais recursos para vencer, seria: 1- O sacrifício; 2- O milagre e 3- A redenção. E Fate mostrou o caminho do milagre nas cenas finais que deixo abaixo. Kuro estava morrendo, já tinha desistido de lutar pela vida e Illiya a motiva a agir. Um milagre ocorre. E que dublagem maravilhosa a da Kuro!




  


Conclusão


Voltando a falar de George Bernard Shaw, ele disse uma vez que morrer seria fácil, e a comédia seria difícil. Nesse sentido, podemos provar que fazer comédia não é fácil e que, ao se aplicar os julgamentos feitos por mim neste blog, às séries desta temporada, podemos constatar que a comédia se superou, mostrando enredos geniais, cômicos e  com a simplicidade tão difícil de se obter.


Existe a função da comédia que é a de nos fazer refletir sobre os nossos costumes. Sir Hob afirmava nesse sentido que “a comédia é um estilo literário que castiga os costumes rindo deles, a poesia usa o impacto da linguagem para semear interrogações”. O mesmo vale para a comédia animada. Nos primeiros lugares temos comédias que nos fizeram refletir sobre os costumes japoneses e sua cultura pop. Por isso, a comédia foi o gênero em animê mais vitorioso no Verão de 2014.