sábado, 21 de setembro de 2013

Análise do voto do ministro Celso de Mello

Voto Legalista

    Ocorreu esta semana o voto decisivo do Ministro Celso de Mello quando este, em plenário, aceitou os embargos infringentes.  Embora fique claro que estava em julgamento apenas a aceitação dos embargos, sem o julgamento do mérito, a simples aceitação deste recurso já é sinal de impunidade, pois haverá sim, a grande possibilidade da redução da pena de muitos réus.

     O voto, que pode ser acessado aqui, mostrou-se dividido em três fases distintas:  1) História do Direito, com justificativa aos embargos; 2) Origem dos embargos, a polêmica sobre os mesmos, e Direito Internacional Comparado e, por fim, 3) Justificativa para a aceitação aos embargos. O voto possui 30 páginas e eu poderia fazer três tipos de análises. A análise das partes detalhadamente, ou a análise do todo geral, ou a análise do todo, com partes relevantes justificadas. Optei pela última, isto é, analisar o todo e algumas partes. O faço pelo tempo, pois é uma análise mais rápida que a 1ª e mais detalha, ao menos um pouco, que a 2ª.  

    Em suas páginas iniciais, ministro Celso de Mello conclama a um julgamento isento, longe dos clamores públicos, na serenidade da sala do Supremo (STF). Ao afirmar que:

“Se é certo, portanto, Senhor Presidente, que esta Suprema Corte constitui, por excelência, um espaço de proteção e defesa das liberdades fundamentais, não é menos exato que os julgamentos do Supremo Tribunal Federal, para que sejam imparciais, isentos e independentes, não podem expor-se a pressões externas, como aquelas resultantes do clamor popular e da pressão das multidões, sob pena de completa subversão do regime constitucional dos direitos e garantias individuais e de aniquilação de inestimáveis prerrogativas essenciais que a ordem jurídica assegura a qualquer réu mediante instauração, em juízo, do devido processo penal”. (Página 3 e 4 de seu voto, grifo meu)


    Nesta frase, o ministro Celso de Mello tenta afastar, e por diversas páginas, a pressão popular, mas esquece-se de que os réus, ora já condenados, foram sentenciados, pela Suprema Corte, por desvio de verba pública. Ora, verba do Estado desviada retira da população a necessária renda para manter serviços públicos de qualidade, então, o povo, principal vítima destes condenados, faz-se presente como parte interessada. Aliás, parte interessada representada pelo Ministério Público: “Isto é, o Ministério Público é o grande defensor dos interesses do conjunto da sociedade brasileira. Tem a obrigação, portanto, de defender o interesse público, conduzindo-se, sempre, com isenção, apartidarismo e profissionalismo” (MinistérioPúblico do Estado de São Paulo). Sendo assim, é um erro filosófico isentar-se de ouvir às ruas, principal vítima.  Mesmo representada pelo Ministério Público, ouvir as ruas é necessário.


    Antes, um pouco, na página inicial de seu voto, há uma frase que interpretei como uma indireta ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, pois o ministro Celso de Mello assim cita uma pouco da história do nosso judiciário, mas dá a entender, claramente, como ele considera os réus, em um sistema de palavras que ele lança.

“Impõese registrar, ainda, Senhor Presidente, um significativo evento na nossa história constitucional vinculado, por uma feliz coincidência de datas, a este julgamento, pois, como se sabe, há exatos 67 (sessenta e sete) anos, precisamente no dia 18 de setembro de 1946, também uma quartafeira, foi promulgada, na cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal, a Constituição de 1946, que restaurou a liberdade em nosso País e que dissolveu a ordem autocrática fundada no regime político do Estado Novo, que considerava culpados, desde logo, os réus meramente acusados de determinados delitos, fazendo recair sobre eles, em preceito compatível com a índole ditatorial do modelo então instituído, o ônus de comprovar a própria inocência (Decretolei nº 88, de 20/12/1937, art. 20, n. 5).” (Voto na página inicial com grifo meu).


    E isso, ao meu ver, foi uma indireta, pois a frase foi direcionada ao próprio ministro Joaquim Barbosa. Acredito que tenha sido uma indireta ao término da sessão plenária, antes do voto do ministro Celso, em sessão passada. E, notem bem, que esta citação, dentro do contexto geral do voto, é um sinal de que, mesmo inconsciente, o ministro Celso dá a entender que não considera culpados os réus do mensalão. A ordem deste voto, com esta citação, fica evidente dentro do contexto do que se debatia. Ora, o julgamento do mensalão já havia terminado, iniciando-se o processo recursal, logo, os réus do mensalão, diferente de muitos réus do Estado Novo, não estavam meramente acusados, mas formalmente julgados e condenados.  

    Aliás, com isso, podemos já afirmar uma necessidade do legalismo do voto, pois somente no sistema “legalista” ele manteria este voto conciso com sua pretensão. Segundo Júlio da Silveira Moreira, em seu texto Legalidadee Legitimidade- a busca do direito justo, o legalismo é assim explicado: “Em outras palavras, legalismo é uma ideologia jurídica caracterizada a partir do dogma do monismo estatal (o Estado é a única fonte mediata do Direito, tendo não só o monopólio da Jurisdição, mas o monopólio do direito de punir). Coloca as normas legais estatais como a verdade absoluta, independentemente de qualquer evidência (fato social), argumento ou interpretação extensiva que possa colocar em prova aquelas normas”.


    Esta afirmação ganha força com a citação do ministro às palavras do juiz federal Paulo Mário Canabarro T. Neto. Novamente, como se mostrará, o voto tende a tentar dissolver qualquer intenção de se ouvir a parte interessada, e vítima, dos réus condenados do mensalão, ou seja, o povo:


“A questão da legitimidade do Poder Judiciário e do exercício independente da atividade jurisdicional foi bem analisada em brilhante artigo da lavra do eminente Juiz Federal PAULO MÁRIO CANABARROT. NETO, que examinou o tema na perspectiva das manifestações populares e da opinião pública, sustentando, com razão, que “a legitimidade do Poder Judiciário não repousa na coincidência das decisões judiciais com a vontade de maiorias contingentes, mas na aplicação do direito sob critérios de correção jurídica, conforme as regras do discurso racional”.


    Acredito que o problema central aqui possa ser achado nas palavras de Lênio Luiz Streck, Doutor e Pós-Doutor em Direito; Professor da UNISINOS-RS e da UNESA-RJ; Procurador de Justiça-RS; Coordenador da parte brasileira do Acordo Internacional CAPES-GRICES (UNISINOS-Faculdade de Direito de Coimbra), em seu texto- HERMENÊUTICA,NEOCONSTITUCIONALISMO E “O PROBLEMA DA DISCRICIONARIEDADE DOS JUÍZES”, :


“Assim, se no interior do  modelo positivista de aplicação do direito parece impossível impedir que os juízes decidam  “como queiram” – porque, afinal, “obedecem” apenas à sua subjetividade (esquema sujeito objeto) –, o próprio positivismo elabora conceitualizações prévias (espécie de “discursos de  fundamentação prévios” elaborados sem os pressupostos exigidos pela teoria do discurso  habermasiana) acerca do sentido dos textos jurídicos, buscando, desse modo, “combater os  excessos” decorrentes do próprio modelo. Em outras palavras, é o positivismo travando um  combate consigo mesmo. Eis aí o paradoxo. Essa viravolta do positivismo “contra si mesmo” é fruto de uma  espécie de adaptação darwiniana, que funciona a partir da elaboração de conceitos jurídicos com objetivos universalizantes, utilizando, inclusive, os princípios constitucionais. Ou seja, os princípios constitucionais, que deveriam superar o modelo discricionário do positivismo, passaram a ser anulados por conceitualizações, que acabaram por transformá-los em regras (a conceitualização de um princípio petrifica seu sentido)” (Página 10)


    E isso é uma síntese do voto do ministro Celso de Mello ao aplicar o legalismo. Utiliza-se este legalismo na expressão para afastar a força do povo, mesmo sendo este a fonte de todo o poder do estado e, portanto, do próprio STF que deveria guardar as leis que protegem a Nação, isto é, a população brasileira.


O direito, como a língua, existe primordialmente como uma vivência social que se expressa por meio de usos costumeiros, que surgem espontaneamente na sociedade e que, nessa medida, representam de maneira imediata o espírito do povo (Volksgeist) que a criou. Embora a construção de uma legislação seja uma necessidade da vida moderna, as leis deveriam ter por base os valores do povo e representar uma espécie de sistematização dos costumes, pois, caso contrário, elas seriam artificiais e ilegítimas (...) O direito é efetivamente histórico, no sentido que ele é construído na história e não dado por formas a priori da racionalidade nem pela vontade divina, e, por essa razão, não cabe aos homens descobrir o direito, mas criá-lo.” (Hermenêutica Jurídica- de Alexandre Araújo Costa)


     Já na base Aristotélica do voto, na qual o ministro Celso afirma que o “Direito há de ser compreendido em sua dimensão racional, da razão desprovida da paixão”, é outro ponto desfavorável, pois não há como definir o Direito exclusivamente como uma dimensão racional, a menos, é claro, que se intente rechaçar alguma coisa que esteja incomodando a conclusão do voto. Eu opto por esta definição de Direito com grifos meus, de MarcoAurélio Lustosa Caminha (retirado do site da Procuradoria Regional doTrabalho da 22ª Região):

“Ao direito não é esgotado por nenhum catálogo de regras ou princípios, cada qual com seu próprio domínio sobre uma diferente esfera de comportamentos. Tampouco por alguma lista de autoridades com seus poderes sobre parte de nossas vidas. O império do direito é definido pela atitude, não pelo território, o poder ou o processo. Estudamos essa atitude principalmente em tribunais de apelação, onde ela está disposta para a inspeção, mas deve ser onipresente em nossas vidas comuns se for para servir-nos bem, inclusive nos tribunais. É uma atitude interpretativa e auto-reflexiva, dirigida à política no mais amplo sentido. É uma atitude contestadora que torna todo cidadão responsável por imaginar quais são os compromissos públicos de sua sociedade com os princípios, e o que tais compromissos exigem em cada nova circunstância. O caráter contestador do direito é confirmado, assim como é reconhecido o papel criativo das decisões privadas, pela retrospectiva da natureza judiciosa das decisões tomadas pelos tribunais, e também pelo pressuposto regulador de que, ainda que os juízes devam sempre ter a última palavra, sua palavra não será a melhor por essa razão. A atitude do direito é construtiva: sua finalidade, no espírito interpretativo, é colocar o princípio acima da prática para mostrar o melhor caminho para um futuro melhor, mantendo a boa-fé com relação ao passado. É, por último, uma atitude fraterna, uma expressão de como somos unidos pela comunidade apesar de divididos por nossos projetos, interesses e convicções. Isto é, de qualquer forma, o que o direito representa para nós: para as pessoas que queremos ser e para a comunidade que pretendemos ter.”


     Na parte à seguir, o ministro defende o uso e o reconhecimento dos embargos infringentes, com o perigo de não se manter o “devido processo legal”, dando uma explicação sobre o mesmo e o regimento interno do STF. Uma extensa explicação, que tem por objetivo esclarecer a polêmica sobre os embargos infringentes. Ele somente faz estender o voto, dando-lhe um “ar teórico”. Chega a ser irônico que tenhamos um embargo para se fazer valer o voto da minoria vencida. Uma maioria de grandes ministros do STF não tem a força de voto que uma minoria possui.  Acho isso lamentável.


“Concluo o meu voto, Senhor Presidente. E, ao fazêlo, peço vênia para dar provimento ao presente “agravo regimental”, admitindo, em consequência, a possibilidade de utilização, no caso, dos embargos infringentes (RISTF, art. 333, inciso I), desde que existentes, pelo menos, 04 (quatro) votos vencidos, acompanhando, por tal razão, a divergência iniciada pelo eminente Ministro LUÍS ROBERTO BARROSO.
É o meu voto.”


    E, na minha opinião, acredito que o voto tenha sido construído partindo de sua conclusão. Pode parecer estranho, mas isso ocorre. Eis o que diz Piero Calamandrei, em “Eles, os Juízes, vistos por um advogado” (Martins Fontes, SP, 2000: p176): “... às vezes, acontece que o juiz, ao formar a sentença, inverta a ordem normal do silogismo; isto é, encontre antes a conclusão e, depois, as premissas que servem para justifica-la.”  Suponho isso, porque o voto partiu do princípio errôneo da imparcialidade inexistente, debruçou-se sobre o princípio Aristotélico, que é um princípio pequeno, se comparar com a dimensão do Direito, explicou a polêmica e origem dos embargos, para finalizar com sua aceitação, quando, pela moral, o ministro Celso de Mello poderia ter finalizado da seguinte maneira possível: reconhecimento que os embargos infringentes são possíveis, mas pelo não provimento dos mesmos.


Conclusão:


    O voto do ministro Celso de Mello tornou-se, aos meus olhos, meramente um voto legalista, que mantêm a forma da lei, afastando-se da justiça. Um voto com valor histórico pelo conhecimento que traz, entretanto, somente isso. Uma interpretação rigorosa do texto da lei, sem a alma da deusa Dice.

    Posso manter essa posição ao alegar que, ao se fazer valer a justiça para poucos, a justiça do povo, ou seja, da Nação, roubada, sofrida e em dor, foi esquecida. Talvez tenha sido a intenção do voto ao afastar a multidão em todo o seu texto.

“A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado.
Theodore Roosevelt

    E o certo e o errado aqui não são tão subjetivos assim. O certo é que o corrupto pague por roubar uma Nação e vitimar uma população. O certo é não dar, ao corrupto, a chance de se salvar de seus crimes com penas brandas, mas que a justiça, como marco de ordem social, os puna rigorosamente. Infelizmente, a justiça observada no STF é a do rigor da lei que beneficia o infrator.  O rigor da lei que machuca os vitimados e indigna uma Nação, que esperava mais do STF.





terça-feira, 17 de setembro de 2013

Análise Final da Temporada de Verão 2013

Temporada Verão 2013

    Já estamos chegando ao final da Temporada de Verão, de 2013, para as animações japonesas. Para deixar o site com um ar mais ameno, afinal, o mês de setembro rendeu muitas atualizações instigantes, eu já vou deixar minhas impressões dos melhores da temporada, assim como, deixarei as decepções, isto é, aqueles animês que tinham grande potencial, mas não o aproveitaram. Comecemos pelo TOP 5! Ao clicar nos títulos, serão enviados ao Crunchyroll, que é o streaming service oficial destas séries em nossa região. Apoiem a causa e vejam por lá! Aliás, ao alterar um link, no blogspot, ele acaba por juntar duas palavras e engolir o espaço entre elas. Eu não sei porque o sistema faz isso, então, se houver um link com duas palavras juntas, foi o sistema que as uniu após eu ter alterado alguma coisa no link.

TOP 5- As melhores animações segundo minha opinião. Contêm spoilers!

1º Lugar Gin no Saji- Ginno Saji (clique)



    O seriado acompanha a vida de um grupo de estudantes, em especial o Hachiken, enquanto eles aprendem sobre o cuidado aos animais. A sinopse é interessante: “O único motivo pelo qual Yugo Hachiken decidiu comparecer à Escola Agricultural Oezo (também conhecida como Ezono) foi simplesmente pelo fato dela possuir um dormitório. A princípio, entrar na Ezono foi uma maneira para o Yugo fugir do fato de que ele falhou em aguentar as pressões acadêmicas sufocantes da sua escolha preparatória de Sapporo. Ainda assim, não demora muito para que ele se toque de que a sua vida não será tão fácil e então se vê forçado a enfrentar mais obstáculos no seu novo ambiente cercado por animais e a magnífica mãe natureza”.  

    Voltei ao curso de Medicina Veterinária em diversos episódios desta série. O cuidado com os animais, a polêmica da criação e do abate dos animais, a pressão interna sobre o aluno que vê esta realidade dura, gerando o desconforto psicológico, sobre estas questões de vida e morte, sacrifício e sobrevivência, estão presentes em cada capítulo. É um aprendizado realístico. O roteiro não fantasia em nenhum momento, embora eu quisesse muito que o Hachiken tivesse comprado o “Bolinha de Carne” vivo, mas foi escolha da autora e a achei justificada dentro do roteiro.  

    A animação é dentro de uma média, existem momentos cômicos incríveis, ou seja, não é apenas um drama sem compaixão, possui uma trilha sonora interessante, mas, o que se sobressai é o roteiro humano. Acredito que todos terão, neste seriado, uma forma de pressionar pelo abate humanizado dos animais, então, é o melhor animê desta temporada, sem dúvidas!




2º Lugar- Uchouten Kazoku



    Este seriado, à princípio, pareceu-me estranho, pois não possuía uma premissa conhecida por mim. Veja a sinopse e entenda do que falo: “Em Quioto, humanos, guaxinins e tengus vivem lado a lado. A família Shimogamo mora no Templo Shimogamo da Floresta Tadasu. O pai, Soichirou, era o chefe da sociedade dos guaxinins, mas acabou virando cozido de guaxinim e ninguém sabe como. Ele deixou quatro filhos ao mundo: Yasuburou, o terceiro filho que herdou boa parte do "sangue de idiota" do seu pai, Yaichirou, o mais velho e disciplinado que não consegue se livrar de apuros; Yajirou, o segundo filho que se isola em um poço em forma de sapo; e Yashirou, o tímido irmão mais novo que se assusta por pouco, revelando seu rabo. Todos vivem felizes com a mãe, uma grande fã do Takarazuka, cujo lema é "se é divertido, é bom". Depois de cuidar do Prof. Akadama, um grande tengu aposentado, ser manipulada pela bela Benten, uma garota humana com poderes divinos, e terem batalhas aéreas contra seus rivais, a família Ebisugawa, no céu noturno no Festival de Fogos do Daimonji Gozan, a família Shimogamo se vê em uma situação desesperadora. A verdade a respeito de como o pai virou cozido será revelada?! O que o destino reserva para essa família de laços fortes?!”

    Comecei a entender o enredo ao pesquisar sobre os guaxinins. Sabiam que o Guaxinim é um animal folclórico no Japão? Aqui duas pesquisas que achei na Wikipédia (sim, sei que não deveria apontar a Wikipédia como fonte de informações, mas vou fazer assim mesmo ^__^) : “O animal demonstra uma significância histórica e cultural no Japão, onde é chamado de tanuki, um termo que também é às vezes traduzido como "texugo" e muitas vezes erroneamente traduzido para o inglês como raccoon ("guaxinim").Tradicionalmente, diferentes áreas do Japão adotavam diferentes nomes diferentes para os cães-guaxinim, que por sua vez eram usados para denotar animais diferentes em outras partes do país; contudo atualmente a palavra oficial para se referir ao animal, no dialeto padrão de Tóquio, é tanuki - termo que transporta a um significado folclórico (ver tanuki). Ele é também um tema comum na arte japonesa, especialmente estatuária.” (...) Sobre o Tanuki: “O Tanuki místico é travesso e alegre, mestre no disfarce e na troca de formas. Enquanto as histórias das raposas são muito sérias, as do tanuki são mais divertidas. Também mais ingênua, dizem que o tanuki adora saquê e é freqüentemente retratado com uma garrafa de saquê em uma mão e uma nota promissória na outra (uma conta que ele nunca paga). Até hoje suas estátuas podem ser vistas especialmente do lado de fora de restaurantes e bares para atrair clientes. Muitas vezes confundido com o mujina, é culpado por todas as aparições fantasmagóricas. Parece ter uma queda por bebidas, comidas e mulheres. Adora pegar folhas e transformá-las em dinheiro, enganando todos. Também é bom em virar objetos inanimados.”



    Podemos observar todos estes comportamentos no enredo deste seriado. A animação é maravilhosa, talvez a melhor desta temporada. Fiquei extasiado com diversas cenas, bem como com a Benten e sua expressão livre, sua dublagem maravilhosa e seu nu (sim, tem uma cena de nudez artística no seriado). A música é excelente. Quem gosta de seriados, com simbolismos, vai se deliciar com a história desta família de guaxinins e suas desventuras. Cada simbolismo é apresentado em cada minuto de tela.  Valeu o segundo lugar por tudo isso: bela animação, história com excelentes simbolismos, personagens interessantes, dublagem excelente e boa trilha sonora.




3º Lugar Fate Kaleid Liner Prism Illya- Fate KaleidLiner Prism Illya



    A sinopse é esta: “Baseado no mangá de Hiroshi Hiroyama, Fate/Kailed liner PRISMA ILLYA é um universo alternativo da famosa série Fate/Stay night apresentado pelo estúdio de animação Silver Link (Kokoro Connect). Illya (Illyasviel von Einzbern) é uma típica estudante do Instituto Homurabara que tem uma quedinha por seu cunhado. Certa noite, uma varinha de condão chamada Cajado Rubi cai do céu em sua banheira e a faz assinar um contrato...

    Como pode tudo da franquia Fate ser extraordinário? Até mesmo o seu Mahou Shoujo foi levado a um patamar excelente. Com o advento de Madoka Mágica, eu tenho receio de assistir qualquer mahou shoujo que venha, após essa série, porque parece que ela balizou todos os seriados do tipo. E eu não gosto de Madoka. Peço desculpas aos que gostam, mas não me agrada. Por isso, estava com um pé atrás à respeito dessa série. Ainda bem, Fate Kaleid tem vida própria e uma vida digna!

A série tem uma animação linda, muitos momentos cômicos memoráveis e um enredo que traça diversos elementos das séries mahou shoujo. Ele detalha estes elementos, os usa e ultrapassa-os. Claro, existem cenas chocantes como a da frase: “As Mahou Shoujo matam com elegância”, acredito que a Sakura (Card Captor) se revirou de raiva depois dessa. Entretanto, são pormenores. A série é sólida, demonstra um enredo conhecedor dos elementos que fazem um mahou shoujo ser um sucesso e os utiliza de maneira eficiente.


    Além disso, a série não ofende a magia do enredo da franquia, ao contrário, casou direito com a trama e inseriu, de maneira fidedigna, estes elementos sem causar estranheza a quem já conhece os personagens e a história. Vale o terceiro lugar, com certeza!




4º Lugar: Love Lab- LoveLab



    A sinopse é esta: “A Academia de Meninas Fujisaki é frequentada por jovens de famílias tradicionais e honradas. Maki Natsuo é uma menina muito admirada por todos por ser a presidente do conselho estudantil calma e fria, mas o que ninguém sabe é que em seu coração transborda curiosidade e paixão sobre assuntos românticos. Certo dia, Maki está ensaiando beijo em seu dakimakura (travesseiro de abraçar) quando é surpreendida por Riko Kurahashi, uma menina meio moleque que só queria entregar uns papéis na sala do conselho. Mas agora que ela sabe o grande segredo de Maki, Riko é recrutada e devidamente presa por Maki em seu Laboratório do Amor, em que ela ajudará a presidente do conselho a entender mais sobre romances e sobre como se apaixonar.”

    Love Lab é uma animação cômica da melhor espécie. As situações apresentadas me fizeram rir alto e isso, para quem me conhece, sabe o quão difícil é! Para que eu possa rir é preciso muito esforço e, para que eu dê uma gargalhada, é necessário quase um milagre. Esse milagre aconteceu aqui em diversas vezes e em variadas cenas. Se a função de uma série e te fazer rir, então, comigo, esta série foi vitoriosa em todos os sentidos!


  

5º Lugar- Servant X Service!



    A sinopse é curta, bem como o roteiro: “Numa certa prefeitura de uma determinada cidade, em Hokkaido...A prefeitura onde Yamagami Lucy foi contratada emprega muitas pessoas únicas. Yamagami e seus colegas estão cheios de energia e segredos de como eles se esforçam (?!) nesta comédia de trabalho!

     Deveria ser uma comédia de trabalho, mas tornou-se uma comédia sobre relacionamentos entre colegas de trabalho. Esse desvio do enredo não me agradou. Apesar de apresentar certas cenas, nas quais os personagens aparentam maturidade, o enredo parece mais adequado a um colégio. Para confirmar isso, ainda colocaram o chefe de seção como um coelho rosa. Nada mais sem nexo a um enredo que, teoricamente, deveria focar nas relações de trabalho. Como fui funcionário público, eu sei que alguns atendimentos podem gerar situações cômicas, mas isso pouco é explorado dentro da história. A animação é bonita e as personagens femininas são bonitas, mas falta o apelo adequado a esta proposta, por isso, o deixo em 5º lugar.



    A Menção Honrosa é dada para aquelas séries que ficaram próximas do TOP 5! Menção Honrosa para:





    As decepções da temporada foram: Dog and Scissor (O enredo prometia muito, mas pouco entregou. Eu cheguei a acertar na minha análise de primeiras impressões, ou seja, o seriado tinha, de fato, um toque de “O Mundo de Sofia”, mas não foi um toque bem utilizado e os personagens ficaram caricaturados). Genshiken (Este seriado ficou restrito ao mundo BL e a piadas terríveis, e sem graça, à respeito de sexualidade. Ficou péssimo e eu esperava mais dessa série. Personagens pouco aproveitados, além do sumiço dos personagens clássicos, que quase não apareceram. Poderia ter dado espaço para contar a história dos demais integrantes e não ficar restrito ao BL apenas). Foi o pior seriado!