sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Povo e a Constituição

A multidão e a Constituição de 1988

“Eu não estou aqui subordinado à multidão, estou subordinado à Constituição.” (Ministro Barroso em 12/09/2013 – Sessão Plenária de quinta-feira).

     Confesso que esta foi uma frase que me instigou profundamente, pois mexeu com duas palavras que sempre andaram juntas: povo e constituição. E é algo que possui raízes definidas e diversas terminologias. Vamos entender melhor este pensamento?



     Vamos começar pelo mais simples, que é a interpretação gramatical do verbete “multidão”. A “multidão”, segundo dicionário online deportuguês, é “Ajuntamento de pessoas ou de coisas. Montão, grande número. O povo, o populacho”.  Podemos entender que uma multidão é uma parcela grande de pessoas reunidas, que representam o povo, ou parte de um povo. Isso é importante, para os parágrafos seguintes, pois é do povo que emana o poder conforme será demonstrado. Já o povo é um grupo de pessoas que compartilha a mesma língua, território e costumes (orais e escritos).

    Agora, um pouco de história. O movimento “Diretas Já” nos leva a conhecer mais de um movimento popular pois, segundo o Brasil Escola: “Reconhecida como uma das maiores manifestações populares já ocorridas no país, a “Diretas Já!” foi marcada por enormes comícios onde figuras perseguidas pela ditadura militar, membros da classe artística, intelectuais e representantes de outros movimentos, militavam pela aprovação do projeto de lei. Em janeiro de 1984, cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, cerca de 1,7 milhão de pessoas se mobilizaram em São Paulo”. (Texto corrigido por mim)

    Em 1988, criou-se a nova Constituição da República Federativa do Brasil, que é a que está em vigor até hoje e que, segundo o site do Planalto, foi assim originada: “No Brasil, a Constituição de 1988 foi elaborada pelo Congresso Constituinte, composto por deputados e senadores eleitos democraticamente em 1986 e empossados em fevereiro de 1987”. Aqui temos outra palavra essencial para tentar entender esta história: Poder Constituinte. O Poder Constituinte pode ser Originário ou Derivado. Vamos nos apegar unicamente ao termo Poder Constituinte. O professor EsdrasDantas de Souza assim define:

“Poder constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente organizado” (Prof. Esdras Dantas:2009)


    O Preâmbulo da Constituição de 1988 assim se inicia: “Nós, representantes do povo brasileiro...” e, mais adiante, no Título I- Dos Princípios Fundamentais, no artigo 1º, no parágrafo único, também está definido: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

    Ora, a multidão, a que se refere o ministro Barroso, é o povo do qual emana o poder. O povo que motivou a “Diretas Já”, cuja existência permite a força da Norma Constitucional. O povo que, segundo Presidente da OAB (Marcus Vinícius Furtado Côelho), é o Senhor da Constituição, como ele afirma em entrevista, ao Estadão, em 26 de junho de 2013, ipsis litteris: “O Brasil não aceita o argumento de que o povo é despreparado para votar. O povo deve ser consultado porque é o senhor da Constituição, o senhor do Estado".

    Então, se a Constituição é, e está, subordinada ao poder do povo, sendo este o senhor do Estado, bem como a multidão é o povo nas ruas pedindo justiça, logo, entende-se que tanto o ministro Barroso, como todos os demais ministros do STF, estão em subordinação ao povo (multidão) quer de forma direta, quer de forma indireta.

Imagens Históricas- Perfil do Facebook
Poema abaixo retirado do site Citador define a visão do poeta sobre o poder do povo! 

Porque o Povo Diz VerdadesPorque o povo diz verdades, 
Tremem de medo os tiranos, 
Pressentindo a derrocada 
Da grande prisão sem grades 
Onde há já milhares de anos 
A razão vive enjaulada. 

(...) 

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Saint Seiya Ômega- Análise do Box

Cavaleiros do Zodíaco Ômega
Análise do primeiro box

Esta análise possui spoilers, não leia se ainda não viu! Clique nas imagens para ampliar e ver detalhes!



    Como analisar uma série, que já passou de 52 capítulos, somente com uma análise de seus doze primeiros capítulos? Como analisar uma série com mudança no enredo tão gritante? Simplesmente, sendo sincero comigo mesmo.  Acredito que, somente consultando o lado emocional, para analisar esta série de forma sincera. Então, eu me perguntei ao assistir: gostei? Não! Não deu para gostar de tudo. Mas a série ainda se desenvolve, então, pode ser que a opinião aqui mude.

Análise da caixa em si

    Começo pela caixa! O layout do box, que protege os três volumes, está realmente bem feito em cor, detalhe e desenho, entretanto, as capas de cada volume deixam a desejar. Parece que tiraram o desenho da capa, de cada volume, do escaneamento de um pôster. Além da qualidade estar baixa, o desenho escolhido, para a capa, tem um traço de contorno muito grosso. Para uma opinião pessoal, achei ruim. Deveria ter achado um desenho com o traço mais fino, ou inserir mais detalhes ao fundo.



    Não bastasse isso, alguns erros passaram pelo pessoal da revisão, pois o volume 3 possui, na parte em que se define o título de cada episódio do disco, 4 episódios de número 1. Sim, como isso passou sem que ninguém percebesse? Vejam na imagem abaixo.  



    Fora isso, o logo da Playarte não está uniforme. Pode parecer bobagem, de um velho reclamão, mas, na universidade, aprendemos que o logo deve ser uniforme para todos os produtos que levem o selo da empresa. Nestes três volumes, o logo da Playarte muda de cor e de posição. A caixa fica devendo por conta destes pontos que verifiquei, mas o que importa é o desenho, ou seja, o animê, então, vamos para a análise do enredo. Vamos verificar o que foi mudado e qual a justificativa para a mudança ocorrer.


Análise de partes do enredo


    Cavaleiros controlando os elementos, bem ao estilo Avatar? Cavaleiros Ninja? Isso é explicado nestes dozes capítulos. Durante uma das primeiras lutas contra Marte, a colisão de cosmos atraiu um meteoro. O meteoro, ao colidir com o solo, acabou por fundir-se com as armaduras mudando-as, bem como o modo como o cosmo é usado.  Daí, o cosmo vai controlar os elementos e ser dividido em várias partes: água, fogo, terra, vento, luz, trevas e relâmpago. Mas trevas não poderia ser elemento, pois a escuridão é ausência de luz, ou seja, já começa errado por aí.

    Qual a inspiração disso? Acredito que isso tenha alguma influência de pesquisas científicas que dizem que a vida na Terra se originou graças aos meteoros que trouxeram, para cá, elementos que deram uma certa ignição para a vida se iniciar. O meteoro, mudando o curso da história dos Cavaleiros, pode ter saído de alguma coisa parecida com isso.  

    Porque essa mudança? Adequar a história para uma geração acostumada com Naruto, One Piece e Pokemon. Conseguir inserir, no roteiro, armas ninja, figures menos complicadas de se fabricarem, dar um apelo mais jovial à história. Funcionou? Comigo não! Não gostei disso. Aos meus olhos, o cosmo foi dividido e ficou incapaz de se elevar, ficando restrito a partes e controle de partes.

    Outra coisa que me incomodou foi que os personagens principais não conseguem vencer um cavaleiro de prata. Para vencê-los é um esforço monstruoso em equipe. Imediatamente, lembrei de Fênix vencendo Shiva e Ágora, ou Shiryu vencendo Algol de Perseu. Ou seja, não temos, por enquanto, alguém que se faça forte. É aquela imagem emocional que eu tenho dos personagens do passado, e que não conseguiram transmitir para essa nova geração.

    Aliás, foi vergonhoso ver Haruto de Lobo (ou seria Naruto?) usando diversas técnicas ninja contra o Cavaleiro de Ouro Micenas de Leão e o cavaleiro nem se mexer. Simplesmente, um massacre. E a coisa vai piorar pelo que vi, com armaduras possuídas, cavaleiros de ouro rendidos à Marte e caricaturas ambulantes. Que saudade de Lost Canvas!  

    Tem mais coisa que eu não gostei? Sim, do Santuário ter sido destruído com a facilidade de um piscar de olhos, da ausência de mais espaço para os personagens clássicos (Shun e Seiya mostraram as caras, e o coitado do Shun ainda foi trolado por um cavaleiro de prata surfando em uma pedra), de só existirem dois cavaleiros de ouro em todo o Santuário e um deles ser adorador de Marte (putz).  Até as animações são clichês de outras obras dos profissionais envolvidos na produção, como mostra esse vídeo:




Vou parar por aqui! Até as frases de efeito soam ruins aqui.

E o que tem de bom?

    Ainda no campo do roteiro: Yuna de Águia seguir seu coração e se afastar da tradição. Isso, pelo menos, tornou a série menos machista. Já aviso que sei que existe uma Amazona de Ouro (Mulher-Cavaleiro- eu me recuso a usar) e também acho isso positivo, pois é uma inovação que acrescenta valor à obra. A Palaestra ter sido criada para educar os jovens cavaleiros e amazonas, apesar de soar como Harry Potter, traz o elemento instrução para o enredo.

    A dublagem foi bem realizada. As vozes estão incríveis e a animação, apesar de não ser grandiosa, não deixa a desejar. Tem algumas cenas boas, mas sem aquela sensação de impacto. A música tema ficou bem legal também.

Conclusão:

     A conclusão que eu chego é que, com tantas mudanças, os empresários cuidaram de tentar abocanhar novos fãs e esqueceram os antigos fãs da série. É algo que vai ser forçoso, pelo menos para mim, continuar assistindo. Logo eu que tenho Lost Canvas como parâmetro para comparações, vou achar difícil continuar acompanhando, a menos que considere a história um spin-off bem esquisito. Acho que vou ter que fazer isso. Outra conclusão que eu cheguei é que eu estou muito reclamão estes dias. Desculpem!




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O escritor-editor

    O texto que se segue é um complemento ao texto que lancei para o site e que, posteriormente, lancei em livro pela editora Perse. É mais um aprofundamento da minha experiência como escritor e a nova tecnologia. Você deve perguntar: porque quero lançar este livro por uma editora? É para pegar uma capa legal? Conseguir um ISBN e uma Ficha Catalográfica? Pela distribuição e divulgação? Sabia que você pode fazer tudo isso sem necessitar de uma editora? Sai mais barato se você possuir o conhecimento e puder realizar o trabalho de forma independente. Eu mostro as ferramentas, mas cabe a cada um decidir se está apto a realizar este trabalho de forma profissional e com qualidade. Não será fácil. É mais fácil pegar uma editora independente e começar a pagar pelos serviços deles, mas, se você é curioso e investigativo, leia estas palavras. Vamos começar:




1- ISBN e Ficha Catalográfica.

    É sempre bom começar com a história do que se pede. O ISBN, segundo a Biblioteca Nacional, foi “criado em 1967 e oficializado como norma internacional em 1972, o ISBN - International Standard Book Number - é um sistema que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país e a editora, individualizando-os inclusive por edição. O sistema é controlado pela Agência Internacional do ISBN, que orienta e delega poderes às agências nacionais. No Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional representa a Agência Brasileira desde 1978, com a função de atribuir o número de identificação aos livros editados no país”.  

    Para se ter um ISBN é necessário cadastro junto à Agência Brasileira de ISBN. Na página “Cadastro de Editor” existe o cadastramento de pessoa física. Clique aqui para ter acesso às normas de edição. Leia tudo atentamente e preencha o cadastro corretamente. É necessário ser o autor da obra, ou ter direito de publicação, caso seja obra de terceiros. Está tudo explicado na página.  Leia atentamente sempre e obedeça as regras.

    A Ficha Catalográfica é uma forma de identificar e localizar livros em uma biblioteca. Ela possui informações sobre o autor, número de páginas, editor, ano de publicação, temas e gêneros literários e reúne tudo isso em um código para que a biblioteca possa guardá-lo no lugar adequado. Você pode estar pensando: “mas meu livro é digital! Porque devo usar estes códigos?” Porque é lei no Brasil! A Câmara Brasileira do Livro assim descreve a catalogação: “Todos os livros publicados no Brasil devem conter a Catalogação na Publicação, de acordo com o padrão internacional estabelecido em 1976 (Cataloging in Publication – CIP) e com o artigo 6 do Capítulo 3 da “Lei do Livro”. A Catalogação na Publicação reúne num único lugar, geralmente no verso da página de rosto, dados pertinentes à obra, como nome do autor, editora, ano de publicação, ISBN e assunto. A CIP auxilia as bibliotecas na seleção e compra de livros, facilitando sua divulgação entre usuários; permite às editoras a organização de seus próprios arquivos, catálogos comerciais e matérias promocionais dentro de padrões uniformes e, por fim, proporciona aos livreiros informações concisas sobre as matérias abordadas nas obras, facilitando seu agrupamento por assunto e favorecendo sua veiculação. Todo o processo de produção da Ficha Catalográfica pela CBL é informatizado”.

    Como a obter? Fale com um bibliotecário, pois são eles que podem formular esta ficha e ajuda-lo. A Câmara Brasileira do Livro possui uma área para a criação de Fichas catalográficas (clique aqui). Converse com o bibliotecário mais próximo de sua casa e veja o que se pode fazer.

2- Capa e Diagramação

    A capa pode ser feita com programas gratuitos de edição de imagens, ou pelo Adobe. Aqui entra o bom senso. Não é fácil mexer com o Indesign ou o Pagemaker, muito menos com o Photoshop, mas são ferramentas úteis para a criação do livro em si, com sua diagramação, bem como a capa. Todas as ferramentas da Adobe, agora, estão em nuvem e este sistema ajudou a difundir os programas, pois reduziu bastante o preço de cada um deles. Conheça aqui o Creative Cloud.

    Você mesmo, nesse momento, se for se aplicar ao estudo destas ferramentas, nunca mais ficará escravo do trabalho de um capista e nem de um diagramador. Poderá realizar os trabalhos, com um custo mínimo. Não há mistério, apenas dedicação e compromisso com a qualidade. Lembre-se sempre da qualidade.

3- Distribuição.

    Não fique refém das editoras por causa da distribuição. Os livros eletrônicos rompem barreiras e chegam a diversos territórios. Com a loja Amazon, você pode publicar diretamente com eles e alcançar leitores em diversos países. Com o KindleDirect Publishing sua obra estará na rede em questão de poucas horas. É necessário prestar atenção às regras de edição, para que seu livro saia corretamente. Leia sempre as regras (aqui).

    Além disso, eles possuem a Página do Autor que é um espaço direcionado a integrar o autor em rede. Com ela, você pode descrever sua biografia, integrar seu site, e seu twitter, e fazer upload de vídeos para book trailers. É uma página excelente para venda e divulgação. Conheça a minha clicandoaqui. Existe, também o rival Kobo (clique) mas não o conheço profundamente para poder dar uma opinião à respeito.


4- Divulgação

     Com conhecimento prévio, pode-se usar uma ferramenta bastante interessante de divulgação: Dino! O site explica o serviço deste modo: “O DINO é uma ferramenta que permite aos profissionais e não profissionais da área de comunicação, alavancar um release ou comunicado de imprensa para interagir com o seu público-alvo, com o objetivo de dar uma maior VISIBILIDADE ONLINE a informação”.  Clique econheça o serviço! Clique para ampliar!



    Para que não fique perdido, o press release é uma ferramenta da comunicação essencial. O que é exatamente: Segundo o site Press ReleaseBrasil: “Press Releases consiste de um documento divulgado pela assessoria de imprensa informando , respondendo a mídia sobre algum fato , positivo ou não ,muitas vezes também  servindo para esclarecer. Os press releases são muitos usados para  anunciar  lançamentos ,novidades onde a assessoria quer que virem  notícia .Também é conhecido como Comunicados de Imprensa deverá conter informações jornalísticas com objetivo promocional para o assessorado,conter materiais informativos distribuído aos jornalistas para servir de pauta ou ser veiculado completa ou parcialmente de maneira  gratuita.

    O site Dino fornece a estrutura básica, em forma de um formulário online, para que o autor possa construir um release profissional e que siga os padrões estabelecidos para os releases jornalísticos. É uma ferramenta incrível que divulga suas informações de maneira hábil. Ao lançar um livro, usar um release como primeira forma de divulgação, já estabelece um nível mais profissional ao assunto.


Conclusão

    Aposto que o leitor mais inseguro vai continuar preferindo usar os serviços de uma editora independente, mas aquele que se propuser a estudar estes passos, e a conhecer e aplicar estas ferramentas, deixará de ser apenas um escritor, mas será um editor também. Alguém capaz de ajudar a si, e ao escritor iniciante, na tarefa de editar um livro de maneira independente. Tenha ânimo, pois, ao vencer estes quesitos, tornar-se-á um autor melhor e um editor seguro. Leia mais em meu livro e compre o que puder para me ajudar a manter minha página e minha carreira!